Por Andre Borges Lopes

Para não sermos mais acusados de “pusilanimidade”, sugiro que deixemos de questionar a Folha de São Paulo pelo seu apoio ao golpe nos dias turbulentos de março/abril de 1964. Aceitemos – por ora – o envergonhado mea-culpa do fim de semana passado, onde o jornal buscou justificar seu deslize autoritário culpando as “condições adversas e angustiosas” por que passava o Brasil há 50 anos.
Muito mais instigante é questionar a Folha pelo apoio entusiasmado que seguia dando ao governo dos generais em 1974, dez anos depois da destituição de Jango, quando o fantasma do “golpe comunista” já estava exorcizado, os militares tinham mostrado claramente a que vieram, milhares de brasileiros estavam presos por crimes de opinião, a tortura era uma política de Estado e já começava a fazer água o modelo econômico perverso, insustentável e socialmente excludente do “milagre brasileiro”.
O editorial O Modelo Brasileiro publicado com destaque na capa do jornal em 31 de março de 1974 é uma pérola para compreender o que era então o “pensamento vivo” do granjeiro Otávio Frias de Oliveira e do seu sócio Carlos Caldeira Filho sobre a democracia no Brasil. Transcrevo só dois parágrafos, mas recomendo a leitura da íntegra, que está na imagem anexa:
“Até 1964, o Brasil tentou inverter o processo, ensaiando uma democracia política sem a base de uma autentica democracia economica. O resultado foi economica e politicamente desastroso. A partir de 1964, recolocando os bois adiante do carro, o Brasil passou a criar condições para a montagem de uma democracia economica, pressuposto de uma democracia politica, na expectativa de que a armação de um sistema economica e politicamente aberto consolide, fechando o ciclo, uma legítima democracia social”.
“A verdade é que estamos queimando etapas, descobrindo atalhos e ingressando, sem alarde, na categoria dos paises tocados por objetivos nacionais claramente definidos. (…) Diríamos que somos hoje uma nação desigualmente desenvolvida e não mais uma nação equilibradamente empobrecida. O desequilibrio no crescimento é preferivel ao equilibrio no definhamento. A divisão desigual da riqueza em expansão é bem melhor que a divisão por igual da pobreza cronica.”
Hoje, essa gente tenta entrar para a História do Brasil como os padrinhos da campanha “Diretas Já”.
Marcuses
3 de abril de 2014 12:34 pmCQD
Parabéns André.
Como se diz na matemática: CQD (como queríamos demonstrar)!
Antonio - SC
3 de abril de 2014 12:58 pmMais cínico impossível.
E o
Mais cínico impossível.
E o que está fazendo a CNV ? Não vão investigar o envolvimento da mídia com os milícos torturadores? Não vão investigar o empréstimo de veículos da empresas para transportar torturados?
Durvaldisko
3 de abril de 2014 1:02 pmFolha e seus editores,sócios
Folha e seus editores,sócios atletas e proprietários, continuam divididos ,quanto a nomenclatura a adotar: ou ditabranda ou democradura.
Lionel Rupaud
3 de abril de 2014 1:04 pmQue texto maravilhoso!
Faria um sucesso enorme, e daria para fundar um partido político na França…
lá por 1850.
É a mudernidade dos coronés.
Mateus Leonardo
3 de abril de 2014 1:35 pmA folha faz parte da elite
A folha faz parte da elite egoísta conservadora e mentira, além da UOL, coligada para crimes contra cidadãos de assinatura de internet com a OI, pois enviam boletos de assinatura do UOL, sem pedido do cliente e sendo desnessário a assinatura para acesso a internet, em resumo cometem crimes, isto sem as montagens de mentiras contra governos trabalhistas.
tiao
3 de abril de 2014 2:04 pmEles foram,são e serão sempre
Eles foram,são e serão sempre canalhas e hipócratas.
Raí
3 de abril de 2014 2:28 pmMea Culpa tardío e novo apôio à direita.
De nada adianta a Folha, assim como fizeram tambem o Estadão, e as organizações Globo, tardiamente diga-se de passagem, por terem sido levados a ficar ao lado daquele fatídico golpe, para o qual foram convencidos a apoiar, por razões não profundamente analisadas, e neste primeiro momento, estarem novamente na vanguarda deste “novo” movimento em defesa da volta dos militares, para uma hipotética “nova” revolução, contra o que eles consideram uma quebra da ordem institucional, e contra a direita sagrada e conservadora.
Depois virão com a mesma lenga-lenga, de que foram conduzidos a estas posições, pelas circunstancias.
Marco André
3 de abril de 2014 6:35 pm“O desequilibrio no crescimento é preferivel…”
…Pra quem tinha comida na mesa.
Ataíde Coutinho
4 de abril de 2014 2:48 pmArquivos digitais
A pesquisa e leitura desses arquivos digitalizados tem mostrado soluções para determinados problemas fundamentadas em razões que a proppria razão desconhece…