Ação de Witzel poder ter sido para beneficiar milícias, por Luis Nassif

Há suspeitas de que a polícia de Witzel esteja apoiando as milícias em sua guerra contra outras organizações criminosas

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8 comentários

  1. Como se diz em “juridiquês”? Ah… indícios.

    E a hipótese levantada pelo professor – aliás não é de agora e nem o único que pensa assim – é totalmente plausível, faz todo sentido: disputa entre milícias.

    Fico pensando que mesmo que começássemos agora, ainda vai levar muito tempo para arrumar a bagunça dos tempos Bolsonaro, do golpe, enfim. Até hoje há grupos alemães dando razão a Hitler, ingleses adorando Thatcher, estadunidenses querendo que os EUA sejam os donos do mundo, chilenos com saudades de Pinochet e por aí vai. A maldade, uma vez estabelecida, fica difícil de ser debelada. O negócio é fazer como o menino holandês: passar a noite tampando o furinho no dique por que, se tirar o dedo de lá, vira uma inundação… como a que estamos vendo agora.

  2. Retificando Nassif: o governador fanfarrão, teoricamente, é do PSC. Que é outra merda de partido como o PSL.
    Agora, sobre metralhar tenda evangélica, e se esta tenda for pedra fundamental de uma das seitas criminosas que infectam o povo brasileiro atualmente e como não feriu ninguem, considero um sucesso esta ação para desestimular mais um crime contra a fé.

  3. Ué, você pensava que não havia Unisquinas em Portugal? Tem no mundo todo.
    É a mediocridade bem vestida comendo solta por aí…

  4. Nassif, essa política pública de usar milícia para “dobrar o tráfico” teve início em 2007, diante da demanda dos Jogos do PAN. Há documentos em poder do Deputado Marcelo Freixo que dão conta que as milícias se instalaram justamente na rota dos jogos.

    No entanto, embora o argumento fosse “nobre” (combater o tráfico, um mal menor contra o maior) ele também era falso.

    Naquele momento a engenharia econômica e política entendeu que poderia lucrar ainda mais com a política de guerra as drogas.
    Milícias dão voto e grana!
    São mais articuladas que o tráfico e respondem melhor as hierarquias, dada sua natureza policial.

    A bem da verdade, esse processo não é datado daqueles eventos e tantos outros mais que se seguiram, mas vem de longe, como o anunciado desastre da política de guerras as drogas, que assumiu a hegemonia das pautas políticas e midiáticas na nossa trágica história de terror estatal contra populações mais pobres e outros grupos políticos desfavorecidos (“os inimigos”).

    A maioria das análises, de muita gente boa, inclusive a sua, peca por considerar a organização das milícias como algo externo ou incomum na estrutura da segurança pública desse pais, e especificamente, no RJ.
    Como atividades econômicas estruturadas a partir da precariedade institucional e das deficiências do capitalismo de periferia, esses “organismos” vão se amoldando às lacunas, aproveitando “oportunidades”, sistematizando o caos da violência distópica, e retroalimentando seus discursos e narrativas, não sem o apoio e/ou controle de grupos econômicos (elites) e seus pares, as elites de poder político.
    Milícia é o “espírito empreendedor brasileiro”, associado a nossa atávica violência policial bem sucedida (poucos países do mundo sustentam tal desigualdade social com tanta eficiência).

    Quer um exemplo?
    As “operações” Lapa Presente, Aterro Presentes e tantos outros “presentes de grego”. São policiais a soldo, uniformizados de maneira específica, atendendo as necessidades das corporações patronais do comércio e do setor hoteleiro.

    Outro?
    Tem mais funcionário em empresa de segurança (só os legalizados que eu contabilizo) que todos policiais no Brasil inteiro.

    Outro?
    No interior, em Niterói por exemplo, as prefeituras “ajudam” ao Governo do Estado em um programa chamado PROEIS, que em síntese remunera via cofres municipais (tem até ação judicial para impugnar pagamento de pessoal de um ente federativo para outro) os policiais que cumprem jornadas extras no patrulhamento da cidade pagadora.
    Ou seja, prefeitos criando suas próprias forças policiais.

    Não que a municipalização não seja desejável ou passível de debate, ao menos, mas esse caminho assumido é a milicialização da força policial.

    Eu poderia levar horas e horas citando outros exemplos, como o uso de policiais dentro de estádios de futebol.

    O negócio é tão bem sucedido, que há hoje milícias em outros setores estatais, digamos, insuspeitos, com seus integrantes agindo como jagunços de terno e gravata e anéis de doutores.

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