A investigação internacional que envolve o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), embaralhou o cenário político para a formação da chapa de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em outubro.
Ramuth e a esposa são alvo de apuração conduzida em Andorra, sob suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo cerca de US$ 1,6 milhão no país europeu. Os valores teriam origem em uma conta ligada a uma empresa offshore sediada no Panamá, registrada em nome da mulher do vice-governador.
O casal nega qualquer irregularidade. Em nota, afirma que prestou todos os esclarecimentos às autoridades andorranas e que os recursos foram devidamente declarados à Receita Federal no Brasil.
Apesar da negativa, aliados avaliam que a investigação coloca pressão adicional sobre Tarcísio em um momento delicado de articulações políticas. O governador enfrenta atritos com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e disputa espaço com o Partido Liberal (PL), ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, na definição do nome que ocupará a vice.
Até recentemente, Tarcísio vinha sinalizando a intenção de manter Ramuth na chapa, a quem classificou como parceiro “leal” e alinhado à gestão. Nos bastidores, no entanto, o posto se tornou alvo de disputa. O PSD trabalha para preservar a vaga, enquanto outras siglas articulam alternativas.
Entre elas está o PL, que cogita o nome do presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado. Kassab, por sua vez, só admite abrir mão de Ramuth caso ele próprio seja indicado para a posição.
Interlocutores avaliam que a investigação pode enfraquecer o PSD nas negociações e reabrir o debate sobre a composição da chapa. Recentemente, Tarcísio deixou uma entrevista ao ser questionado sobre o caso. Aliados afirmaram que a coletiva já havia sido encerrada e que a estratégia é desvincular o governador do episódio, sustentando que os esclarecimentos cabem ao próprio vice.
Tarcísio tem uma reunião prevista no próximo dia 27 com o senador Flávio Bolsonaro, quando devem discutir tanto a indicação para a vice quanto as articulações para o Senado.
*Com informações da CNN.
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