1 de julho de 2026

“As instituições funcionam”: Exército decide não punir Pazuello

O recuo do Exército, no caso Pazuello, cria um horizonte absolutamente conturbado pela frente. A partir de agora, as porteiras do arbítrio estão escancaradas para qualquer guarda da esquina.

Desde o primeiro dia de governo, Bolsonaro já apostava na radicalização e no golpe final na democracia. Mas os idiotas da objetividade sustentavam que as instituições eram fortes o suficiente para impedir qualquer aventura.

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Bolsonaro avançava no pântano, passo a passo. Quando sentia o terreno perigoso, fazia um pequeno recuo e prospectava novo caminho, buscando brechas legais para avançar rumo ao golpe. Enquanto as instituições funcionavam, Bolsonaro ia armando suas milícias, as oficiais e os clubes de tiro e caça, ampliava a aposta na radicalização, insuflava policiais militares, afrontava diariamente as normas de saúde. Vez por outra, o STF impedia um outro arroubo mais explícito. Bolsonaro criava outro factoide qualquer, recuava taticamente e continua em seu avanço sobre o pântano. E os idiotas de objetividade celebravam as vitórias pontuais do STF.

Agora se chega nesse dilema. As Forças Armadas se curvam a Bolsonaro. A absolvição de Eduardo Pazuello abre uma enorme estrada para a ampliação da ousadia de Bolsonaro. Isso em um momento em que policiais militares de várias partes do país, o baixo clero da PM, passam a recorrer à Lei de Segurança Nacional para prender críticos do governo. Em alguns casos, como nos recentes episódios de Recife, a insubordinação atinge até o alto comando.

O recuo do Exército, no caso Pazuello, cria um horizonte absolutamente conturbado pela frente. A partir de agora, as porteiras do arbítrio estão escancaradas para qualquer guarda da esquina.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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5 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    3 de junho de 2021 6:37 pm

    CONFIRMANDO MEUS PIORES TEMORES: as Forças Armadas não tinham um “Plano B”, para o caso do golpe Financeiro-Jurídico-Midiático se consolidar em 2016.
    Isso é o que temos.
    É pior que 1889.

  2. Cristiana Castro

    3 de junho de 2021 10:24 pm

    Chegamos onde era previsto. As milícias comandando as FFAA, com o TSE, STF, MPF e mídia tradicional no bolso. O governo de milicianos imposto ao país pelo midiciário ( mídia, judiciário e MP) Tá fazendo do brasil um enorme Rio de Janeiro. ain, mas a gente armou pra tirar o PT e colocar nossos amigos… É porra! Mas na hora que perceberam que ozamigos ñ ganhavam nem pra síndico, Se virassem, como se viraram pra melar o jogo eleitoral, pra impedir a ascensão das milícias ao poder central.
    Depois de anos arrotando probidade, decência e enchendo o saco com a farsa anti-corrupção. Conseguiram a proeza de, liberar criminosos notórios pra disputar eleições e, pior. criaram a figura do miliciano ficha-limpa e, pra fechar com chave de ouro aprovaram suas contas. Agora taí. A milícia no comando das FFAA e, é só querer e fechar Congresso e STF e, o país ficar, sabe-se lá até qdo refém como a população das áreas controladas do RJ. Milico saiu, depois de 21 anos, miliciano não vai sair de jeito nenhum. Eles ampliam área controlada e, não abandonam o pedacinho conquistado. No caso, contaram com o auxílio luxuoso do midiciário e do legislativo para sua expansão. Vergonhoso. Agora, tá tudo com cara de paisagem, tipo, não tenho nada com isso…

  3. Vladimir

    4 de junho de 2021 10:31 am

    Desde sempre mas,pelo menos desde o fatídico dia em que o presidente Lula foi arbitrariamente impedido de assumir um ministério no governo da presidenta Dilma,que o golpe foi anunciado e colocado em prática,venho dizendo que as instituições não funcionam,ou melhor,funcionam a favor do golpe.
    Qual a novidade agora? Nenhuma!
    O caso pizzauello é isso:Mais fumaça.
    Não há nem haverá punição para milico miliciano. Se pizzauelllo mostrou a cara foi justamente para escancarar o golpe para aqueles que fingiam não ver.
    São mais de 6 mil milicos milicianos dentro daquilo que deveria ser o governo de nosso país.
    É preciso ser muito idiota para achar que haveria punição para uma figura da dimensão insignificante desse sujeito.
    O morfético cadeirante que aguarda uma vaga no inferno,que ameaçou o STF,foi punido?
    O que essa gente fez e está fazendo é continuidade do que sempre fizeram:Fingir que fazem.Assim como fingem que fazem parte do exército.Exército que,como sabemos,nunca existiu. O que existe é uma tropa de milicos,agora também milicianos,em que a escolaridade lhes impõe a valentia contra o povo desarmado e desamado deste país e a covardia e a submissão plena diante das armas e do milho dourado dos inimigos da soberania nacional.

  4. Cristiana Castro

    4 de junho de 2021 1:17 pm

    Não tem como olhar para o Brasil, hoje e, não lembrar de “Geni e o Zepelim” do Chico:

    “…A cidade apavorada
    Se quedou paralisada
    Pronta pra virar geléia
    Mas do zepelim gigante
    Desceu o seu comandante
    Dizendo: Mudei de idéia
    Quando vi nesta cidade
    Tanto horror e iniquidade
    Resolvi tudo explodir
    Mas posso evitar o drama
    Se aquela formosa dama
    Esta noite me servir”

    Resta-nos descobrir qual o desejo oculto dos comandos atuais para livrar-nos dessa corja

    As instituições estão no “deixa que eu deixo”. Uma esperando que a outra tome uma atitude pra frear a marcha da insanidade.

    Tá ficando complicado. Qdo as milícias fecharem Congresso e STF aí vão reclamar do “povo”. Sempre o “povo” carregando essa elite burra e arrogante nas costas.

  5. valmir gongora

    4 de junho de 2021 4:48 pm

    Luís Nassif, perdoe-me pela observação: por muitas vezes você se mostrou crente no funcionamento das instituições, destacadamente Supremo Tribunal Federal. As instituições – por seus membros – são representantes do que integram: a oligarquia que comanda o país. Não há Barrosos, Mellos ou Mendes, com cargos quase vitalícios ou não, que a contrariarão. Tampouco Maias e Renans, reiteradas vezes eleitos para mais do mesmo.

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