Assim como Bolsonaro, Hitler também usava “marxismo cultural” para perseguições

Bolsonaro e seu séquito tomaram-no como o grande mal a ser combatido. Não é novidade: em Mein Kampf, Hitler já o utilizava para justificar fechamento de jornais e perseguição a intelectuais e artistas. Mas o que é mesmo este espectro?

Foto: Euromade

Por Iná Camargo Costa

Em Outras Palavras

Marxismo cultural, um fantasma que ronda a História

I

Marx encerra o posfácio à segunda edição do livro O capital avisando que a dialética não se deixa intimidar por nada, além de ser essencialmente crítica e revolucionária. Esta é uma tentativa de seguir seu exemplo.

Marxistas que honram a própria tradição não podem aceitar a caracterização do marxismo cultural formulada pelo inimigo, assim como Marx, Engels e os companheiros da Liga Comunista não aceitaram o fantasma brandido pela santa aliança anticomunista do século XIX e por isto em 1848 redigiram o histórico Manifesto Comunista justamente para definir comunismo nos seus próprios termos.

Estamos há algum tempo desafiados a apresentar a verdade e a verdade sobre o marxismo cultural. A primeira verdade é histórica: a expressão é perfeitamente rastreável desde o programa nazista. Uma vez exposta esta reconstituição, temos uma segunda verdade-desafio a encarar: transformar a incriminação em arma de luta no front cultural, definindo a nossa própria pauta, que dialeticamente pode tomar o próprio resultado do rastreamento como ponto de partida, com o objetivo de resgatar para o nosso time as incontáveis vítimas das primeiras aparições do fantasma.

Embora haja inúmeras controvérsias no campo marxista sobre a questão do nazi-fascismo, há um diagnóstico cada vez mais incontornável: o fascismo só prospera em situações em que a classe proletária está desarmada em todos os sentidos, especialmente no plano político-programático. Para dizer a mesma coisa em linguagem trotskista, está em crise de direção e por isso é incapaz de lutar pela revolução, o único remédio contra os males que o capital precisa lhe impor para resolver sua própria crise, recorrendo para tanto, e em casos extremos, a regimes fascistas: redução de salários, trabalho escravo, eliminação de direitos como organização, expressão, saúde, educação, habitação e uma vasta pauta de violências inomináveis, a começar pelo Estado policial. Trata-se de transferir aos trabalhadores os custos do adiamento da crise final.

Apesar das referidas controvérsias, é fato sociologicamente demonstrado que o nazismo, na fase de germinação e ascenso, contou com os bons serviços de elementos pequeno burgueses – derrotados, ressentidos, fracassados, endividados e/ou falidos, desenraizados, inseguros, forjadores de identidades, mistificadores, truculentos etc. – que aderiram com entusiasmo a dois de seus fundamentos mais conhecidos: racismo e anticomunismo. O racismo, dirigido abertamente ao genocídio do povo judeu na Europa (só para começar, pois o alvo era o mundo inteiro), explorou uma das mais descaradas fraudes literárias de que se tem notícia: Os protocolos dos sábios de Sião, que até hoje tem adeptos mundo afora. E o anticomunismo reage a duas causas muito imediatas: a vitoriosa revolução bolchevique de 1917 e a revolução alemã de 1918-19, devidamente massacrada por uma original combinação de forças entre socialdemocratas, militares e freikorps (estes últimos constituem um dos embriões das tropas de choque nazistas, conhecidas como SA). A combinação de ressentimento, racismo e anticomunismo produz o caldeirão onde germinará o entusiasmo dos fanáticos por Hitler, na sua fase de ascensão, mas sobretudo os arregimentados a partir do ano de 1933, quando o líder do movimento assumiu o poder totalitário (claro que com o “docemente constrangido” apoio do grande capital em crise).

A obra Mein Kampf se torna best seller mais ou menos forjado (porque forçado e artificial) justamente a partir de 1933 e, como observou Trotsky, é muito didática. Entre outros motivos, porque a ideologia do movimento ali se encontra exposta em toda a sua abrangência, ainda que de modo grosseiro, rudimentar e charlatanesco. Como esta é a primeira aparição do fantasma do marxismo cultural, vale a pena resgatar algumas das observações, diretrizes e critérios do Autor. É bom avisar entretanto que o livro será citado a partir da tradução portuguesa[1], mas não usaremos aspas porque não se respeitaram sintaxe nem terminologia lusitanas, sem porém culpar o tradutor pelas dificuldades da tradução: como avisou Lion Feuchtwanger[2], o texto de Hitler tem cerca de 164 mil erros de gramática e sintaxe. (É possível que Feuchtwanger não tenha incluído em seu cálculo as contradições – à base do dizer e depois desdizer – que se multiplicam livro afora, para não dizer nada das inconsequências, fraudes ostensivas e demais falhas que envergonhariam qualquer escritor sério).

A certidão de nascimento do marxismo cultural foi, portanto, lavrada por Hitler neste livro lamentável e já na base da contradição. O livro é uma declaração de guerra ao marxismo e à sua expressão cultural máxima que seria o bolchevismo. Mas a certa altura lemos que o marxismo, enquanto arma da conspiração judaica internacional, nunca pôde criar uma cultura (p. 328), quando na página 193 ficara dito que o bolchevismo na arte[3] é a única forma cultural possível de exteriorização do marxismo. AH afirma que as obras do bolchevismo são produtos doentios de loucos degenerados e desde o século passado [o XIX] são conhecidas como dadaísmo, cubismo e futurismo, de modo que o dever dos nazistas é impedir que o povo caia sob a influência de tais loucuras (p. 328). Já se vê que o autor primeiro operou a fusão entre arte moderna e revolução soviética para depois afirmar que o marxismo não pôde criar uma cultura.

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Desde as primeiras menções, o marxismo aparece associado ao judaísmo e ambos constituem as duas maiores ameaças ao povo alemão (p. 17): o marxismo emerge de uma doutrina inspirada pelo egoísmo e pelo ódio, elaborada pelos judeus (p. 39) e os judeus respondem por 90% da produção cultural na Alemanha (p. 45). A doutrina marxista, por isso mesmo, é uma doença; seus autores são verdadeiros demônios, monstros que planejam liquidar a civilização e transformar o mundo num deserto (p. 49)[4]. Sendo o marxismo a causa da decadência do povo alemão (p. 117), uma das metas do nazismo é a sua aniquilação. Esta luta deve combinar força bruta com uma ofensiva por novas ideias (p. 129). Daí o combate, inclusive físico, à Socialdemocracia, pois esta organização se baseia na doutrina do judeu Karl Marx, exposta no livro O capital. A Socialdemocracia é contra a economia nacional e tem o objetivo de preparar o terreno para o domínio da alta finança internacional, controlada pelos judeus (p. 160).

O método deste livro é o da repetição e da variação sobre o mesmo tema. Exemplos: a teoria marxista é o aborto de um cérebro criminoso; é a tropa de choque dos judeus (p. 240). A obra fundamental de Karl Marx foi escrita exclusivamente para os dirigentes intelectuais da máquina que os judeus montaram para a conquista do mundo (p.348). O judeu pratica uma dialética mentirosa (p. 349) e bolcheviques não representam a honra nem a verdade, mas a mentira, a impostura, o furto, o saque e o roubo. Mentira, calúnia, veneno e corrupção são armas dos judeus (p. 490).

Esta breve seleção já evidencia que, para AH, judaísmo e marxismo estão em simbiose, de modo que o combate a um é o combate ao outro. Mas cabe alertar que, embora AH misture tudo, o trânsito de Socialdemocracia para bolchevismo contém um pressuposto histórico: Socialdemocracia se refere à República de Weimar e bolchevismo à Revolução de Outubro de 1917 e seus desdobramentos. O pesadelo e objeto da fúria e do ódio do líder nazista são as experiências culturais desenvolvidas por socialdemocratas e bolcheviques na Alemanha.

No capítulo das providências para erradicar estes males, o ponto de partida é o diagnóstico de que o erro da burguesia foi ser tolerante com o marxismo (p. 506), por isto a primeira tarefa de um governo nazista tem que ser a de declarar guerra de morte ao marxismo, ou ajustar as contas com os marxistas, que são inimigos mortais do povo alemão. Um exemplo a ser seguido é Mussolini, que [na década de 1920] já tratava de destruir o marxismo para preservar a Itália do perigo do internacionalismo (p. 504).

Este combate não precisou esperar pela chegada dos nazistas ao poder; já estava em andamento quando da redação do livro e um dos desafios dos aguerridos combatentes era explicar ao trabalhador alemão que o bolchevismo é um crime horrendo contra a humanidade (p. 491). Uma tática eficaz muito utilizada foi a conversão de “socialistas” e “comunistas”[5] ao nazismo – troféus amplamente ostentados (pp. 379 e 417).

Outra tática importante é o assalto, ruminado e deliberado, ao repertório dos marxistas. Desde a escolha da cor vermelha para cartazes e bandeiras, até o uso esvaziado de conceitos como assembleia, proletários, camaradas etc. (p. 357), mais a infiltração de funcionários do partido nazista nas organizações de esquerda. A culminação desta tática foi a adoção do nome fantasia para a empresa: Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP, na sigla em alemão)[6]. No plano da opinião pública, a operação deu muito certo. Tanto assim que os burgueses os confundiram com os marxistas, o que produziu muitas gargalhadas a propósito daqueles idiotas e covardes tentando decifrar o enigma da origem do empreendimento, bem como suas intenções e finalidade (p. 356).

Para AH, não pode haver engano: os nazistas combatem a esquerda por ser marxista e a direita por ser covarde (p. 249). Sua convicção é a de que o povo alemão tem uma missão atribuída pelo Criador e este é o critério para acatar ou rejeitar qualquer tese (p. 160). Por exemplo: é dever do Estado evitar que o povo caia nas mãos de maus educadores, ignorantes e mal-intencionados. Por isso também a imprensa tem que ficar sob controle. O Estado não pode cair na armadilha da liberdade de imprensa, que precisa estar a serviço da nação (p. 181). E como a maioria dos jornais – tanto os liberais quanto os marxistas – está nas mãos dos judeus, esta imprensa deve ser destruída, inclusive a poder de granadas (p. 182).

O trabalho da propaganda nazista é pautado por uma convicção básica: o grande erro alemão no pós-guerra foi não ter atribuído incessantemente a culpa de tudo ao adversário, mesmo que isso não correspondesse aos fatos, como de fato não correspondia (p.136). Em tradução livre: mentir e falsear a realidade é uma regra, ou até mesmo um princípio. Ao mesmo tempo, é preciso insistir à exaustão na tese de que é o inimigo quem mente e calunia sempre. Isto também é uma regra elementar. Um exemplo: a prova de que a obra Os protocolos dos sábios de Sião é verdadeira está no fato de que a Frankfurter Zeitung [cujos proprietários são judeus] diz que é uma fraude literária (p. 230). Um dos mantras do livro é justamente este: em seus jornais os judeus mentem sempre; até uma verdade é disfarce para uma falsidade e por isso também é mentira; o judeu é o maior mestre da mentira; a mentira e a fraude são as únicas armas da sua luta (p. 262).

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Assumida a prerrogativa de falsear os fatos em nome dos valores defendidos pelo nazismo[7], segue a enumeração dos itens do programa de luta e depois de governo nazistas, dos quais destacamos os seguintes: 1) A educação tem que se pautar pela meritocracia (p. 315); 2) O Estado racista tem que combater o princípio marxista de que um homem é igual a outro; 3) É preciso selecionar os melhores do ponto de vista racial; 4) O princípio tem que ser aristocrático, expressamente contra a democracia (p. 324), porque democracia é sintoma de decadência das nações (p. 330).

Segundo AH, o programa do partido é declaração de fé política e, uma vez estabelecido, não pode ter nenhum item alterado. Cada ponto deve ser tratado como dogma; deve-se seguir o exemplo da Igreja católica romana, que não recua em seus dogmas nem diante das verdades científicas, pois é assim que se inspira a fé cega na excelência da doutrina (p. 337). Também é bom avisar que em reunião nazista não existe liberdade de expressão. Só falam os líderes designados e preparados para tal. O Serviço de Ordem, integrado por brutais combatentes, retira do recinto, na base da pancadaria, qualquer um que apenas esboce a intenção de falar (p. 362).

Não pode haver dúvida de que a doutrina nacional socialista tem o direito de se impor a toda a nação alemã (p. 427) e cabe à propaganda cumprir esta tarefa (p. 430): a Pátria em primeiro lugar; em segundo o Partido (p. 446). Todos os demais pontos de vista, sejam partidários, religiosos, humanitários etc. devem ser impiedosamente eliminados (p. 452).

Como já ficou dito, os princípios acima devem ser tratados da mesma forma que a religião faz com seus dogmas; o objetivo é constituir uma fé política (p. 281), pois o futuro do movimento nazista depende do fanatismo e da intolerância com que seus adeptos o defendem como a única causa justa e muito superior a quaisquer outros esquemas de caráter semelhante (p. 260). A grandeza de toda organização política que corporifique uma ideia está no fanatismo religioso e na intolerância com que hostiliza todas as outras, pois seus adeptos estão convencidos de que só eles estão com a razão. Por isso mesmo os nazistas não temem a inimizade do adversário; pelo contrário, consideram-na como condição essencial de sua própria existência. Antes desejam o ódio dos inimigos, porque na manifestação deste ódio só há mentira e calúnia (p. 261). Ainda sobre este interesse em despertar o sentimento de ódio nos inimigos, AH é muito claro: a função do discurso e da ação nazistas, pelo conteúdo e pela forma, é provocar a réplica do adversário, quanto mais emocional [leia-se irracional], melhor. A combatividade brutal dos homens da segurança (p. 356) é uma necessária força auxiliar.

Assim como a imprensa judaico-marxista deve ser destruída desde já, a arte bolchevique deve ser proibida em todas as suas manifestações: representações teatrais, exposições de arte etc. (p. 194), pois elas são uma destruição sistemática dos fundamentos da cultura, são a preparação intelectual para o bolchevismo político. Seus apóstolos são degenerados, descarados e embusteiros (p. 196).

Uma vez no poder, o nazismo efetivamente desencadeou a mais vasta guerra de que se tem notícia contra todas as manifestações culturais que rotulou de bolchevismo cultural ou arte degenerada. Esta guerra cultural atingiu os intelectuais, os artistas e as obras que fizeram a paisagem da República de Weimar, nacionais e estrangeiras, com destaque para as de origem soviética, mas sem prejuízo de franceses, ingleses e estadunidenses. Artistas foram presos, conduzidos a campos de concentração e assassinados ou, quando tiveram sorte ou a devida sagacidade, partiram para o exílio. Obras de arte foram confiscadas de museus e destruídas [8] e livros foram queimados em sucessivos espetáculos públicos de bibliocausto. O regime nazista produziu uma série de listas negras, tanto com os nomes dos seus inimigos, quanto com os títulos de obras banidas, a serem destruídas. Só da biblioteca do Instituto de Pesquisa Sexual foram sequestrados 25 mil volumes, que alimentaram a primeira fogueira realizada em Berlim pelos estudantes nazistas. Naquele espetáculo macabro, Goebbels disse, solenemente, entre outras barbaridades, que “vocês, jovens, já têm a coragem de encarar o brilho cruel, de superar o medo da morte e reconquistar o respeito pela morte – é esta a tarefa desta nova geração. Fazemos muito bem de lançar às chamas o demônio do passado.”[9]

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Para se ter ideia de quem eram os inimigos da “cultura” alemã, tal como entendida pelos nazistas, enumeremos alguns dos mais conhecidos no Brasil: Sigmund Freud, Albert Einstein, Bertolt Brecht, Kurt Weill, Arnold Schoenberg, Stefan Zweig, Franz Kafka, Lasar Segall, Marc Chagall, Henri Matisse, Van Gogh, Picasso, obviamente Marx, Engels, Lenin, Trostky, Kautsky, Rosa Luxemburg, Theodor Adorno, Walter Benjamin, Ernst Bloch, Herman Hesse, Thomas Mann, o já citado Lion Feuchtwanger, Romain Rolland, Marcel Proust, Helen Keller, Marlene Dietrich…[10]

Para encerrar esta primeira parte, registrem-se alguns destinos dos protagonistas da infame operação nazista, começando por lembrar que as tropas aliadas que ocuparam e dividiram Berlim queimaram mais de 30 mil volumes de livros nazistas que haviam escapado dos bombardeios que destruíram a cidade.

Hitler, Goebbels (Ministro da Propaganda), Himmler (o Führer da SS-Gestapo, aprisionado pelas tropas inglesas), Goering (Comandante Supremo das Forças Armadas, condenado pelo tribunal de Nuremberg[11]) e Gürtner (Ministro da Justiça do III Reich) se suicidaram.

Heidrich, o carrasco de Praga e vice de Himmler, foi executado pela resistência da Tchecoslováquia. Este episódio constitui o prólogo do filme Os carrascos também morrem, com roteiro de Brecht e direção de Fritz Lang.

Eichmann, o supervisor do Holocausto, fugiu para a Argentina, mas foi localizado e capturado pelo Mossad, o serviço secreto de Israel. Foi condenado e executado em Jerusalém em 1962. Hannah Arendt fez a cobertura jornalística do julgamento e a série de reportagens foi publicada em 1963 no livro Eichmann in Jerusalem: a report on the banality of evil. Existe farta produção cinematográfica sobre este caso.

Alguns dos integrantes do Ministério da Justiça que participaram da barbárie nazista foram condenados à prisão perpétua, entre os quais Herbert Klemm, Rudolf Oeschy, Franz Schlegelberger e Oswald Hothaug. Este último, personificação da intriga e da crueldade secretas do nazismo, foi caracterizado como sádico e perverso. O filme Julgamento em Nuremberg (Stanley Kramer, 1961) tem por base o processo a que estas figuras foram submetidas.

[Continua]


[1] HITLER, Adolf. A minha luta. Tradução de Jaime de Carvalho. Porto: Edições Afrodite, 1976.

[2] Testemunha presencial e crítico de primeira hora da ascensão do partido nazista em Munique, Lion Feuchtwanger era escritor de grande sucesso já nos anos de 1920. Colaborou com Brecht na redação da peça A vida de Eduardo II e depois, no exílio na Califórnia, em As visões de Simone Machard. Em 1933, devidamente expatriado, teve a honra de ser declarado “Inimigo número um do Estado alemão”. Terminados a guerra e o pesadelo nazista, Feuchtwanger permaneceu como asilado político nos Estados Unidos, onde morreu em 1958.

[3] A Bauhaus, assim como expressionismo e abstracionismo, também entrou na mira dos nazistas, que adicionalmente combatiam temas das áreas social, comportamental e científica, como a luta pelo controle da natalidade e a luta contra a teoria da relatividade.

[4] Os documentários sobre o fim da Segunda Guerra Mundial, especialmente sobre a transformação da Alemanha em uma montanha de ruínas, mostram que Hitler quase cumpriu o programa que atribuía ao inimigo…

[5] O emprego das aspas se explica pela dúvida a respeito das referidas “conversões”.

[6] Desde que Hitler foi alçado à condição de dirigente máximo, o Partido passou a funcionar como empresa, fato de que ele se jacta: passou a dar lucro! O mais importante, entretanto, foi a função que ele assumiu: a partir de agora ele decide tudo e distribui tarefas, verticalmente, como em qualquer empresa capitalista.

[7] AH declara ainda que aprendeu a técnica com a propaganda britânica na Primeira Guerra Mundial e Goebbels elaborou a fórmula: “Com suficiente repetição e conhecimento da psicologia popular, é possível provar que um quadrado na verdade é um círculo. São apenas palavras e palavras podem ser buriladas até serem capazes de mascarar uma ideia” (Apud CHOMSKY, N. Propaganda and the Public Mind. Chicago: Haymarket Books, 2nd ed., 2015, p. 161).

[8] O filme de Peter Cohen, Arquitetura da destruição, de 1989, dá notícia pormenorizada da exposição Arte degenerada (Entartete Kunst), para a qual foram sequestradas de museus em toda a Alemanha mais de 16 mil obras. Pelo menos 4 mil foram queimadas.

[9] Não chega a ser propriamente coincidência o fato do tema da morte atravessar de modo obsessivo a obra do filósofo do nazismo, Heidegger, como demonstrou Adorno (cf. Adorno, T. La ideología como lenguaje)

[10] A lista completa pode ser encontrada em diferentes verbetes da Wikipedia em inglês, como Nazi book burnings. Ver também bibliocaust, e cultural bolshevism, entre outros.

[11] Entre inúmeros filmes que expõem cenas documentando este julgamento, está o interessante Proibido!, de Samuel Fuller (1959).

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1 comentário

  1. E aí, quando é que a CUT, o PT, o PSOL, o PC do B vão levantar o FORA BOLSONARO? A janela de oportunidades está se fechando…

    Depois, se eles continuarem com a política idiota do “Fica Bolsonaro”, serão co-responsabilizados pela tragédia, porque em tempos de internet tudo fica registrado.

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