As joias que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu de presente de autoridades sauditas deveriam ser inclusas no patrimônio do Estado por conta de seu “interesse público, mesmo que sejam privados”, na visão do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do governo anterior.
A revelação foi feita no último dia 05 de março em troca de mensagens entre Cid e o advogado Fabio Wajngarten, segundo a coluna da jornalista Juliana Dal Piva, do UOL.
Essa citação acaba por contradizer a defesa de Bolsonaro, que recentemente informou a intenção de pedir a devolução das joias ao Tribunal de Contas da União (TCU) por alegarem que os bens seriam do ex-presidente.

As conversas com Wajngarten mostram um tenente-coronel nervoso por conta da descoberta do caso por parte da imprensa, principalmente após a revelação da existência de um segundo kit de joias.
Cid também responde questionamentos do advogado sobre o relógio, onde o ex-ajudante de ordens diz que o tratamento para o segundo relógio “é o mesmo tratamento que seria dado ao primeiro” – no caso, “foi entregue o relógio e deu entrada no acervo. A mesma coisa que foi feita no primeiro ia ser feita no segundo”.
Quando questionado sobre o segundo kit, Mauro Cid diz não saber quem entrou com ele no país. Posteriormente, os dois discutem sobre a legislação em torno do acervo presidencial e do tratamento de presentes.
O militar não cita nas mensagens que o relógio tenha sido levado por Bolsonaro no avião presidencial que o levou para os Estados Unidos em dezembro de 2022, nem que o kit tinha sido colocado à venda em Nova York.
Mauro Cid também não fala sobre a ordem dada para que o relógio voltasse para o Brasil após ser informado de irregularidades na venda pelo coronel Marcelo Câmara.
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