5 de junho de 2026

Contra “silêncio sepulcral” de Bolsonaro, ministros e membros do governo reconhecem Lula

Jair Bolsonaro resiste em aceitar a derrota. Mas ministros e bolsonaristas já reconheceram Lula
Jair Bolsonaro em sua posse em 2019 e a primeira leva de ministros - Foto: PR

Apesar do silêncio de Jair Bolsonaro de aceitar a derrota das eleições 2022, diversos ministros e aliados de seu governo reconheceram Lula como o novo presidente do país.

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A expectativa é que Bolsonaro se manifeste nesta segunda (31), mas, até o momento, o que os interlocutores narram é um silêncio “sepulcral” de dentro do Palácio do Alvorada, onde o presidente derrotado se reúne com alguns ministros.

Um dos cenários aventados e temidos por analistas, qualquer gesto ou intenção de golpe ou de não aceitar a vitória de Lula foi imediatamente interrompido pelas manifestações de aliados e próprios integrantes da cúpula bolsonarista, além de manifestações internacionais.

“Imediata divulgação” dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, por exemplo, foi um dos primeiros a parabenizar a vitória de Lula. Em tempo recorde, por volta das 20h de ontem, Biden emitiu a nota “para imediata divulgação”, trazendo o comunicado da Casa Branca de que estava à espera do “trabalho conjunto” dos EUA e Brasil em “cooperação”.

Ao mesmo tempo, aliados de Bolsonaro também reconheceram a derrota. Um deles, o ex-juiz que prendeu o ex-presidente, ex-ministro e eleito senador Sergio Moro (União Brasil) disse que “a democracia é assim” e afirmou que atuará desde a oposição a Lula.

Salles prega “serenidade”

Ainda logo após Moro, o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (PL-SP), curiosamente pregou a “serenidade” e “caminhos de pacificação”.

“O resultado da eleição mais polarizada da história do Brasil traz muitas reflexões e a necessidade de buscar caminhos de pacificação de um País literalmente dividido ao meio. É hora de serenidade”, escreveu nas redes.

Um dos conselheiros da campanha de Bolsonaro, pastor Silas Malafaia, disse que “a vontade soberana do povo se estabeleceu”. “Não fui omisso nem covarde, tenho minha consciência limpa do meu dever cumprido. A minha oração, como diz a Bíblia, é interceder pelas autoridades constituídas”, disse.

Tarcísio fala em “fundamental alinhamento e entendimento”

Outro ex-ministro de Bolsonaro, eleito em São Paulo o novo governador, Tarcísio de Freitas não somente reconheceu a vitória de Lula, como disse ser “fundamental o alinhamento com o governo federal”.

“A partir de agora vamos olhar pra frente, olhar para os interesses do estado de São Paulo. Vamos olhar sempre o interesse do estado de São Paulo. Para que a gente possa fazer política pública para o estado de São Paulo, vai ser fundamental o alinhamento e o entendimento com o governo federal. (…) Tenho certeza que São Paulo pode ajudar muito o Brasil e o Brasil, obviamente, também pode ajudar SP”, declarou.

O nome do Centrão de Bolsonaro e presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) também parabenizou Lula.

Resultado “jamais deverá ser contestado”

“A vontade da maioria jamais deverá ser contestada e seguiremos em frente na construção de um País soberano. Um Brasil no caminho das reformas, um estado menor e mais eficiente. E esse recado foi dado e deverá ser levado a sério. Ao presidente eleito, a Câmara lhe dá os parabéns e reafirma o compromisso com o Brasil com diálogo e transparência.”

De dentro do Congresso e principal nome da ala bolsonarista radical nas ruas, Carla Zambelli (PL) – que ainda protagonizou o ataque armado, com disparo de bala, contra um homem em São Paulo na véspera do pleito – lamentou a vitória de Lula, mas em sua mensagem o reconheceu, afirmando que será oposição ao governo.

“O sonho de liberdade de mais de 51 milhões de brasileiros continua vivo. E lhes prometo, serei a maior oposição que Lula jamais imaginou ter”, disse no Twitter.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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1 Comentário
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  1. Vladimir

    31 de outubro de 2022 2:32 pm

    Mais uma vez: O problema não é o sujeito que ocupa,já com aviso prévio, o Palácio do Planalto, o problema é o povo que ainda o apoia,este sim é o problema, precisam de tratamento urgente. Enquanto essa gente estiver doente,sujeitos como esse brotarão dos fétido esgoto.

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