Estados e empresas já testam sistemas que permitem ocultar ou eliminar, maciçamente, conteúdos digitais. Para evitar futuro orwelliano, é preciso agir agora
Após alimentar sonhos de uma comunicação radicalmente livre, a internet poderia converter-se no exato oposto? A digitalização, que hoje acelera a circulação de informações em todos os formatos e linguagens, não facilitaria, também, a eliminação de informações e opiniões que já não têm existência material — porque foram reduzidas a impulsos eletrônicos? Nos últimos dias, fatos novos reforçaram a urgência de considerar estas ameaças com seriedade e de encontrar meios para afastá-las.
Nos Estados Unidos, depois de analisar a fundo o sistema de coleta maciça de informações sobre as chamadas telefônicas dos cidadãos, mantido pela Agência Nacional de Segurança (NSA) um juiz considerou-o, em 14 de dezembro, “quase orwelliano”. Três dias depois, um grupo de consultores formado pelo presidente Barack Obama para analisar este mesmo mecanismo recomendou uma série de mudanças. Propôs, em especial, retirar os poderes que pequenos grupos de assessores militares têm hoje para ordenar a vigilância direta sobre o conteúdo das comunicações mantidas por certas pessoas, a partir da identificação de seus interlocutores frequentes. Não há, no entanto, qualquer garantia de que as recomendações sejam adotadas.
Ao contrário: analistas de assuntos de segurança, ouvidos pelo “New York Times”, disseram “duvidar” que Obama tenha “coragem” para enfrentar a vasta rede de agências de espionagem formada após 11 de setembro de 2001 e a assinatura da “Lei Patriótica“. Um assessor da Casa Branca afirmou que o presidente analisará as propostas em suas férias de fim de ano no Havaí, mas que já descarta uma delas: precisamente a que desmantelaria certas articulações entre tais agências, para limitar seu poder.
Até onde pode ir este controle sobre a comunicação? No texto a seguir, Peter Van Buren, um diplomata norte-americano ainda na ativa, chama atenção para um de seus aspectos mais aterrorizantes. Num mundo em que as informações estão sendo digitalizadas em enorme velocidade e em que os suportes físicos estão desaparecendo, pode tornar-se fácil demais “apagar” informação incômoda. Não se trata apenas de hipótese. Van Buren, que escreve em publicações como The Nation, Huffington Post e Mother Jones, apresenta os sistemas que já são utilizados (embora em pequena escala), por governos e empresas para restringir o acesso dos cidadãos a certos conteúdos. No momento, prossegue ele, isso é feito com pretextos consensuais: por exemplo, restringir o acesso a sites que estimulam a pedofilia e o abuso de crianças. Mas, em novos cenários políticos, as mesmas técnicas de invisibilização não poderiam ser utilizadas contra ideias dissidentes? Não estamos arriscados a materializar o “buraco de memória” previsto por George Orwell em “1984″?
O alerta de Van Buren não precisa ser tomado como uma sentença. Assumir a ameaça como algo inevitável seria, aliás, um convite ao conformismo. Mas na agenda de temas sobre os quais é preciso agir para construir um planeta habitável no futuro, parece cada vez mais necessário destacar a disputa pela liberdade na internet. Talvez o que esteja em jogo, nesta batalha, seja a própria possibilidade de democracia e liberdade de expressão. (A.M.)
E se fizessem Edward Snowden desaparecer? Não, não estou sugerindo alguma iniciativa “inovadora” da CIA, ou uma teoria conspiratória ao estilo de “quem matou Snowden?”, mas algo ainda mais tenebroso.
E se simplesmente fosse possível fazer desaparecer tudo o que alguém denunciou? E pudessem ser eliminados, em tempo real, todos os documentos da Agência de Segurança Nacional (NSA) revelados pelo ex-agente Snowden — cada entrevista que ele concedeu, cada indício documentado sobre um Estado de segurança nacional que fugiu de qualquer controle? E se a publicação de tais revelações pudesse ser reduzida a um esforço estéril, como se os fatos não existissem mais?
Estou sugerindo o enredo para o romance de algum George Orwell do século 21? Dificilmente. À medida que caminhamos para um mundo totalmente digitalizado, coisas semelhantes poderiam ser possíveis em breve, não na ficção cientifica, mas no nosso mundo real, apenas pressionando um botão. Na verdade, os primeiros protótipos de uma nova técnica de ocultameno radical já estão sendo testados. Estamos mais perto de uma distópica realidade aterradora, que poderia ter sido o tema de romances futuristas imaginários. Bem-vindo ao buraco da memória.
Mesmo se um futuro governo cruzar novas linhas vermelhas e simplesmente assassinar os vazadores de informações sigilosas, outros sempre emergirão. Mas em 1948, em sua assustadora 1984, no entanto, Orwell sugeriu uma solução mais diabólica para o problema. Evocou um artificio tecnológico para o mundo do Grande Irmão (Big Brother) que chamou de buraco da memoria. Em seu futuro sombrio, exércitos de burocratas, trabalhando ironicamente no Ministério da Verdade, passavam suas vidas apagando ou alterando documentos, jornais e livros, a fim de criar uma versão aceitável da história. Quando alguém caía em desgraça, o Ministério da Verdade o excluía, e toda documentação relacionada com sua vida, ia para o buraco da memoria. Cada artigo ou noticia que mencionava ou registrava de alguma maneira sua vida era modificado para erradicar todo o indicio de sua existência.
No mundo pré-digital de Orwell, o buraco da memoria era um tubo de vácuo no qual velhos documentos eram fisicamente destruídos para sempre. As alterações de documentos existentes e a eliminação de outros asseguravam que nem mesmo as repentinas alterações de alianças e inimigos globais estabilidade representassem problema para os guardiões do Grande Irmão. Neste mundo imaginado, graças aos exércitos de burocratas, o presente era o que sempre havia sido e os documentos alterados comprovavam este fato, sem o risco de que memórias titubeantes pudessem argumentar em contrário. Qualquer pessoa que expressasse dúvidas sobre a verdade do presente seria marginalizada ou eliminada, sob acusação de “crime de consciência”.
Censura digital, governamental e corporativa
A maioria de nós acessa notícias, livros, músicas, filmes e outras formas de comunicação por meios cada vez mais eletrônicos. O Google já tem mais receita publicitária que o conjunto de todos os meios impressos dos EUA. Mesmo a venerável Newsweek não publica mais uma edição em papel. E nesse mundo digital esta se explorando a possibilidade de um certo tipo de simplificação. Os chineses e iranianos entre outros, por exemplo, já implementaram estrategias de filtragem na web para bloquear o acesso a sites e material que não são aprovados pelos governos. Do mesmo modo (embora sem sucesso), o governo dos EUA bloqueia o acesso de seus funcionários ao Wikileaks e ao material divulgado por Edward Snowden, ainda que a censura não prevaleça em suas casas. Ainda não.
A Grã-Bretanha, no entanto, dará em breve um passo significativo, no que diz respeito ao que o cidadão pode ver na web, inclusive quando está em sua casa. Antes do fim do ano, quase todos os usuários de internet serão incluídos num sistema destinado a filtrar a pornografia. Por padrão, os controles também bloquearão o acesso a material violento, conteúdo relacionado a extremistas e terroristas, sites relacionados a anorexia, distúrbios alimentares e suicídios, assim como sites que mencionem álcool e tabagismo. O filtro também bloqueará material esotérico, embora grupos ativistas baseados no Reino Unidos exijam explicações.
E as formas de censura na internet patrocinadas pelos governos estão sendo privatizadas. Novos produtos comerciais, de fácil aplicação, garantem que uma organização não precise ser a NSA para bloquear conteúdos. Por exemplo, a Blue Coat é uma empresa-líder em “segurança” na internet é uma importante exportadora de tais tecnologias. Pode estabelecer facilmente um sistema para monitorar e filtrar todo o uso da internet, bloqueando sites por seu endereço www, por palavras-chaves ou mesmo por seu conteúdo. O software da Blue Coat é empregado, entre outros, pelo exército dos EUA, para controlar o que seus soldados veem quando deslocados ao exterior; e pelos governos repressivos da Síria, Arábia Saudita e Myanmar para bloquear ideia políticas do exterior.
Busca no Google…
Em certo sentido, o buscador do Google também poderia fazer desaparecer material. No momento, é simpático aos denunciantes. Uma rápida busca (0,22 segundos) produz mais de 48 milhões de hits sobre Edward Snowden, que se referem em sua maioria aos documentos filtrados da NSA. Alguns dos sites apresentam os próprios textos, etiquetados como Top Secret. Há menos de meio ano, somente membros de um grupo muito limitado no governo, ou conectado contratualmente com ele, poderiam ver coisas semelhantes. Agora, estão disponíveis em toda a web.
Buscador numero um na internet, o Google parece uma máquina para difundir maciçamente — e não suprimir — noticias. Coloque qualquer informação na web e é provável que o Google encontre-a rapidamente, agregando-a aos resultados de sua busca no mundo inteiro, às vezes em segundos. Mas como poucas pessoas pesquisam além dos primeiros resultados, o simples fato de estar presente ou oculto entre estes tem enorme significado. Já não basta fazer com que o Google note o que você produz. O que importa agora é conseguir que coloque o material suficientemente acima, na pagina de resultado das buscas. Se o seu site é o numero 47.999.999, numa pesquisa sobre Snowden, você pode dar-se por morto, praticamente desapareceu. Pense nisso como ponto de partida para as formas mais significativas de desaparecimento, que podem nos aguardar no futuro.
Ocultar algo aos usuários, reprogramando as maquinas de busca, é outro passo sombrio no futuro. Mais um é a eliminação efetiva de conteúdos, um processo que exigiria reprogramar os computadores que realizam a pesquisa. E se o Google se negar a implantar esta possível mudança em direção a buscas destrutivas, a NSA — que parece já ser capaz de projetar seus tentáculos dentro do buscador — poderia implantar sua própria versão de um código maligno, como já fez em pelo menos 50 mil casos.
Mas não se preocupe apenas com o futuro: uma estratégia de busca negativa já funciona, mesmo que seu objetivo atual, agir contra os pedófilos, seja fácil de aceitar. O Google introduziu recententemente um software que dificulta a busca de material relacionado a abuso infantil. Como disse o chefe da empresa, Eric Schmidt, o buscador foi programado para limpar mais de 100 mil palavras-chaves usadas por pedófilos para buscar pornografia infantil. Agora, por exemplo, quando os usuários fizerem pesquisas que possam estar relacionadas com abuso sexual, não encontrarão resultados que levem a conteúdo ilegal. Em seu lugar, o Google orienta para sites de ajuda e conselhos. Em breve presenciaremos essas mudanças em mais de 150 idiomas, de modo que o impacto seja verdadeiramente global, escreveu Schmidt.
Enquanto o Google reorienta as buscas de pornografia infantil para sites de aconselhamento, a NSA desenvolveu uma capacidade parecida. A agência controla um conjunto de servidores com o codinome Quantum, que se encontram na rede central da internet. Sua tarefa é reorientar objetivos, afastando-os dos destinos solicitados e redirecionando-os para sites preferidos pela agência. A ideia é: você digita o endereço de um site e é conduzido a outro, menos odiado pela agencia. Embora atualmente essa tecnologia seja usada para enviar potenciais jihadistas online a materiais islâmicos mais moderados, no futuro poderá ser empregada, por exemplo, para reorientar as pessoas que procuram noticias de site como a Al-Jazeera a outra agência, que se ajuste à versão dos fatos construída pelo governo.
… e destrói!
No entanto, as tecnologias de bloqueio e reorientação, que provavelmente serão mais sofisticadas no futuro, não constituem a maior ameaça. O Google já prepara o passo seguinte, a serviço de uma causa que quase todos aplaudirão. Está implementando tecnologia capaz de identificar imagens fotográficas de abuso infantil cada vez que aparecem em seu sistema, assim como tecnologia de comprovação capaz de verificar e eliminar vídeo ilegais. As ações da empresa para combater a pornografia infantil podem ser muito bem intencionadas, mas a tecnologia que esta sendo desenvolvida para tanto deveria nos aterrar a todos. Imagine se, em 1971, os Papéis do Pentágono, o primeiro documento sobre as mentiras da guerra do Vietnã a que a maioria dos norte-americanos teve acesso, houvessem sido eliminados. Se a Casa Branca de Nixon tivesse desaparecido com esses documentos, a história não teria seguido um caminho diferente, muito mais sombrio?
Ou considere um exemplo que já é realidade. Em 2009, muitos donos de leitores de livros digitais Kindle descobriram que a Amazon havia colocado suas mãos em seus aparelhos durante a noite e eliminado remotamente as copias de Revolução do Bichos e 1984 de Orwell (não é uma ironia). A empresa explicou que os livros, publicados por erro em suas maquinas, eram na realidade, copias dos romances vendidas ilegalmente. Da mesma maneira em 2012, Amazon apagou o conteúdo do Kindle de um cliente sem advertência prévia, afirmando que sua conta estava relacionada com outra conta que havia sido previamente encerrada por ir contra as políticas da empresa. Usando a mesma tecnologia, a Amazon tem agora a capacidade de atualizar livros em seu aparelho, com o conteúdo alterado. Depende da empresa informar os usuários a respeito ou não.
Além do Kindle, o controle remoto sobre outros aparelhos já é uma realidade. Grande parte dos softwares de nossos computadores comunica-se, em segundo plano, com servidores da empresa produtora, sendo sujeitos a atualizações automáticas que podem alterar seu conteúdo. A NSA utiliza malware, software maligno implantando remotamente em um computador, para alterar o modo de funcionamento da máquina. O código do vírus Stuxnet, que provavelmente danificou mil centrifugas usadas pelos iranianos para enriquer urânio, é um exemplo de como pode operar algo parecido.
Atualmente, cada iPhone já checa, com a sede central [da Apple], que aplicativos foram comprados; e sobre que links você clica rotineiramente, A Apple preserva-se o direito de desaparecer com qualquer aplicativo, por qualquer motivo. Em 2004, TiVo processou a Dish Network por entregar a seus clientes set-top boxes [equipamento para conectar televisões], que segundo a TiVo infringiam suas patentes de software. Apesar do caso ter sido solucionado em troca de uma grande indenização, como remédio inicial, o juiz ordenou a Dish que desativasse eletronicamente todos os 192 mil aparatos que havia instalado nas casas dos clientes. No futuro, pode haver cada vez mais meios para invadir e controlar computadores, alterar e fazer desaparecer o que está sendo lido, enviar os internautas a sites que não buscavam.
As revelações de Snowden, sobre o que faz a NSA para reunir informação e controlar a tecnologia, fascinaram o planeta desde junho, mas são apenas parte da equação. Como o governo ampliará seus poderes de vigilância e controle no futuro é uma história que ainda não foi contada. Imagine instrumentos para ocultar, alterar ou eliminar conteúdos com campanhas difamatórias para desacreditar ou dissuadir denunciantes. O poder que está potencialmente à disposição dos governos e corporações tornou-se mais evidente.
A possibilidade de ir além de alterar conteúdos, e modificar a maneira como as pessoas atuam também se encontra, obviamente, nas agendas governamentais e corporativas. A NSA já reuniu dados para chantagem espionando o acesso de muçulmanos radicais a pornografia digital. Também interceptou eletronicamente um congressista norte-americano sem possuir um mandato judicial. A capacidade de reunir informações sobre juizes federais, dirigentes do governo e candidatos presidenciais fazem com que os esquemas de chantagem de J. Edgar Hoover, no FBI da década de 50, parecerem tão pitorescos quando as meias soquete e saias poodle da sépoca. As maravilhas da Internet nos maravilham todos os dias. As possibilidades distópicas orwellianas da rede não tinha, até recentemente, chamado a nossa atenção da mesma forma. Elas deveriam.
Leia isso agora, antes que seja apagado
O possível futuro que espera os futuros vazadores de informação dos serviços de inteligência é aterrorizante. Agora, quase tudo é digital. Se grande parte do tráfico da internet mundial flui através dos Estados Unidos ou países aliados (ou da infra-estrutura de companhias norte-americanas no exterior); se máquinas de busca podem encontrar em questão de frações de segundos qualquer coisa; se, nos EUA, a Lei Patriótica e as decisões secretas do Tribunal de Supervisão da Inteligência Externa convertem o Google e gigantes da tecnologia em enormes instrumentos do Estado de segurança nacional; e se tecnologias sofisticadas podem bloquear, alterar e apagar material digital, apertando apenas um botão, o buraco da memoria já não é mais ficção.
Revelações vazadas terão tão pouco sentido como velhos livros empoeirados no sótão, cuja existência é ignorada. Poste o que quiser. As leis de liberdade de expressão permite que você o faça. Mas que sentido haverá, se ninguém puder ler? Seu tempo seria melhor empregado parando em alguma esquina e gritando aos transeuntes. Num futuro já fácil de imaginar, um conjunto de revelações similares às de Snowden poderá ser bloqueado ou excluído com tanta rapidez que ninguém poderá republicá-las.
Tecnologia em contínuo desenvolvimento, se viradas 180 graus, poderão eliminar maciçamente informações e opiniões. A internet é um espaço amplo, mas não infinito. Está centralizando rapidamente informações nas mãos de poucas corporações, sob o controle de poucos governos e os EUA encontram-se no centro das principais rotas de trânsito da rede.
Agora, você deveria sentir um calafrio. Estamos vendo, em tempo real, como 1984 passa de uma fantasia futurista para um manual de instruções. Se isso ocorrer, não será necessário matar um futuro Edward Snowden. Ele já estará morto.
Peter Van Buren denunciou o desperdício e a má gestão no Departamento de Estado durante a reconstrução do Iraque em seu primeiro livro, We Meant Well: How I Helped Lose the Battle for the Hearts and Minds of the Iraqi People. Colaborador regular de Tom Dispatch, Huffington Post e da revista digital Salon.
Publicado originalmente em: http://outraspalavras.net/capa/e-se-o-grande-irmao-controlar-a-internet/
Demarchi
28 de dezembro de 2013 3:03 pmSnowden adverte contra
Snowden adverte contra monitoramento total, em mensagem natalina
Channel 4 britânico escolheu ex-agente da NSA exilado na Rússia para sua mensagem de Natal “alternativa”. Comparado aos atuais smartphones e GPS, o “Big Brother” de George Orwell não é nada, lembra Snowden.
O que têm em comum o papa Francisco, o presidente alemão Joachim Gauck e o whistlebloweramericano Edward Snowden? Todos os três pronunciaram, este ano, uma mensagem de Natal em que refletiram sobre a própria atuação e a dos seres humanos à sua volta. Seguindo a tradição, o pontífice o fez na Missa do Galo; Gauck, na televisão alemã.
Para Snowden, o palco foi a emissora de TV britânica Channel 4, que há 20 anos mantém em sua programação um discurso de Natal “alternativo”. Ele é proferido por personalidades que, normalmente, não se esperaria numa mensagem natalina – por exemplo, em 2008, o então presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad.
Como o “Big Brother” de Orwell
Essa foi a primeira aparição pública, em meses, do ex-colaborador da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) e revelador de informações sigilosas do serviço secreto dos Estados Unidos. O vídeo, previamente gravado, foi transmitido nesta quarta-feira (25/12), às 17p5, horário britânico. A intenção de Snowden era esclarecer aos telespectadores sobre os riscos da tecnologia moderna.
Espionagem do celular de Merkel causou indignação na Alemanha
“Uma criança nascida hoje crescerá sem a menor noção de privacidade. Ela nunca saberá o que significa ter um momento privado, para si, de pensamentos não gravados nem analisados.” Este ano, comentou, o mundo tomou conhecimento de que os governos introduziram um sistema de vigilância em massa, que vê tudo o que fazemos.
O autor britânico George Orwell já alertara sobre os perigos desse tipo de tráfico de informações no livro 1984, observou o ex-funcionário da NSA. No entanto, as câmeras do “Big Brother”, no romance de ficção científica publicado em 1949, não se comparam em nada com a nossa realidade. “Temos detectores em nossos bolsos que nos seguem aonde quer que vamos”, acrescentou, apontando para a atual difusão global de smartphones e sensores de GPS.
Rechaço a acusação de Obama
Na última terça-feira, Snowden já se manifestara numa longa entrevista a partir do exílio russo – a primeira em muito tempo. Durante dois dias, ele se encontrou em Moscou com Barton Gellman, do jornal norte-americano Washington Post, para traçar um balanço inicial do escândalo de espionagem revelado por ele próprio.
“Para mim, em termos de satisfação pessoal, a missão está cumprida. Eu já venci”, disse, numa referência ao debate público desencadeado pelas informações sigilosas que divulgou. Antes, ele tivera menos medo das consequências pessoais que as revelações lhe poderiam ter trazido, do que quanto à possibilidade de a população permanecer indiferente aos novos fatos.
Na semana anterior, o presidente americano, Barack Obama, declarara, numa coletiva de imprensa na Casa Branca, que Snowden haveria causado “dano desnecessário” aos Estados Unidos. Na entrevista ao Washington Post, o whistleblower rechaçou indiretamente a acusação.
“Não estou tentando arruinar com os Estados Unidos. Estou trabalhando para melhorar a NSA. Ainda estou trabalhando para a NSA, agora mesmo. Eles são os únicos que não se dão conta disso”, afirmou.
“Perguntar é mais barato do que espionar”
Ao que tudo indica, o denunciante, considerado por muitos como herói da democracia, está também realmente preocupado com a reputação de seu país no exterior. Na entrevista, ele mencionou especificamente a Alemanha, onde o efeito do escândalo de interceptação de dados foi especialmente dramático.
“Ainda estou trabalhando para a NSA”, afirma Snowden
O fato de o telefone celular da chefe de governo Angela Merkel ter sido monitorado pelas autoridades americanas foi considerado uma afronta, para além das fronteiras partidárias da Alemanha. Snowden enfatiza que, se houve engano e traição, foi por parte de Washington.
“O governo dos EUA disse: ‘Nós seguimos as leis alemãs, na Alemanha. Nós nunca monitoramos cidadãos alemães.'” No entanto, o que veio à tona é que até a chanceler estava sendo espionada. “Vocês acabaram de mentir para todo o país, na frente do Congresso”, comentou o ex-agente na entrevista em Moscou, dirigindo-se diretamente ao governo de seu país.
E é justamente a isso o que Edward Snowden encorajou os espectadores, ao fim de sua mensagem de Natal: interpelar seus governantes com mais frequência. “Lembrem ao governo que, se ele realmente quer saber como nos sentimos, perguntar é sempre mais barato do que espionar”.
http://www.dw.de/snowden-adverte-contra-monitoramento-total-em-mensagem-natalina/a-17325517
marco a costa
28 de dezembro de 2013 3:37 pmMuito bom o texto e ao mesmo
Muito bom o texto e ao mesmo tempo revelador e preocupante.
Alexandre Weber - Santos -SP
28 de dezembro de 2013 4:26 pm4
[video:https://www.youtube.com/watch?v=5fbvquHSPJU%5D
Alexandre Weber - Santos -SP
28 de dezembro de 2013 4:27 pm4a
https://www.youtube.com/watch?v=5fbvquHSPJU
Assis Ribeiro
28 de dezembro de 2013 4:37 pmJuremir Machado indicando Snowden como personalidade do ano
“O poder tem horror à transparência. Sente coceira. Pune severamente quem a pratica. Snowden garante “que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conservamos e o que dizemos”. Isso se chamava, não faz muito, de prática de regimes totalitários. Terão os Estados Unidos da América tomado o lugar da extinta União Soviética no controle diário da vida privada das pessoas? Snowden representa uma pedrada no Big Brother. Isso é ótimo. Todo Big Brother é um lixo.”
Roberto
28 de dezembro de 2013 6:42 pmSr. Assis, demais leitores
Sr. Assis, demais leitores assistam ao documentário ILLUMINATIS O SISTEMA CONTROLADOR.
http://m.youtube.com/watch?v=sQGwYg55WgU
alessandroduarte
28 de dezembro de 2013 4:55 pmSe?
Se?
Cláudio José
28 de dezembro de 2013 6:14 pmO grande irmão, está de olho
O grande irmão, está de olho no blog do Nassif, já faz tempo, todos nós somos monitorados.
Cláudio José
28 de dezembro de 2013 6:30 pmO Goolge, já faz isso, é só
O Goolge, já faz isso, é só acompanhar a atualização da pag do blog do Nassif, que eles atualizam quando querem!
Marcos Chiapas
28 de dezembro de 2013 7:22 pmSe ? Como assim ?
Postaram a notícia aqui no blog hoje mesmo:
A partir de janeiro, será lançado um portal para o cidadão monitorar de perto os programas sociais do governo federal, como o Minha Casa Minha Vida, o Mais Médicos e o de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres Naturais. A plataforma é a mesma utilizada atualmente pela presidente Dilma Rousseff para fiscalizar as ações do governo nos estados e municípios. A novidade foi anunciada hoje pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que também comentou sobre os recursos destinados às obras de prevenção de catástrofes.
https://jornalggn.com.br/noticia/programas-sociais-do-governo-poderao-ser-monitorados-pela-internet
marcozappa
28 de dezembro de 2013 9:21 pmOlha o texto que espalharam
Olha o texto que espalharam na internet do Luis Nassil
https://www.facebook.com/nanandomira/posts/637622819610161
alirio
28 de dezembro de 2013 10:37 pmLiberdade de Pensamento
Por enquanto ainda não temos a Polícia do Pensamento. Mas, diante desse quadro pavoroso, não podemos mais desconsiderar essa hipótese. Gênios não faltam para desenvolver tecnologias necessárias. Tudo vai depender dos Governos que escolhermos.
Por precaução, adquiri hoje um “filtro dos sonhos” para dependurar na porta do quarto. Minha filha garantiu, basta ter fé, que a pessoa não terá nenhum pesadelo.
wendel
28 de dezembro de 2013 10:53 pmO Grande Irmão em futuro próximo
Todos os governos, deveriam agradecer ao Snowden pela revelações feitas até agora, sobre os crimes de espionagem feitas pelos EUA através da NSA!
Se estamos sendo monitorados, filtrados, espionados e outros quesitos, caberá a cada governo tomar suas medidas de proteção, muito embora veja com pouco ceticismo alguma rebeldia contra o império!!
Só o futuro dira, mas então…….. não estarei mais aquí!!!!!
Fulvia
29 de dezembro de 2013 11:40 amPesquisem sobre David Chase
Pesquisem sobre David Chase Taylor, jornalista americano que pediu asilo a Suíça, depois que lançou o livro A bíblia nuclear, onde narra um “suposto” ataque terrorista que seria perpetrado durante o superbowl em Dallas, campeonato de futebol americano mais famoso e mais assistido entre eles. A fonte militar que vasou essa informação para Taylor foi assassinada, tendo David C. Taylor sido forçado a fugir e pedir asilo político a Suíça.
[video:http://youtu.be/qy68dtJCh-8%5D
Fulvia
29 de dezembro de 2013 12:52 pmQuanto a censura,
Quanto a censura, monitoramento e vigilância na internet isso já acontece há muito tempo. Não vou detalhar aqui com minúncias como isso acontece, vou dar apenas uma prévia.
Há um artigo na net de Mauro Santayana falando sobre isso, onde diz textualmente que os EUA podem inclusive invadir e apagar arquivos em quaisquer computadores.
Já li que os melhores e mais potentes anti virus são um dos instrumentos utilizados para fazer esse trabalho ao varrerem e vasculharem o computador, coletam e armazenam toda e qualquer tipo de informação encontrada.
Existem bons livros que detalham como essa coleta e armazenamento de dados são feitos. Há também um mapa mundi, onde se detecta as maiores incidências de buscas repetitivas sobre um mesmo assunto, e sobre os assuntos e ou palavras-chaves sobre temas tido como confidenciais ou potencialmente perigosos.
A internet é uma biblioteca de Alexandria a disposição de todos a qualquer hora e em qualquer lugar, e informação assim “grátis” e em tempo real sempre foi considerada perigosa. Há um tempo atrás li que um físico nuclear brasileiro (nordestino), colocou a fórmula da bomba atômica ou algo parecido na net, e imediatamente recebeu a visita de agentes americanos que queriam saber como ele conseguiu obter tal façanha, o que prontamente ele respondeu está tudo na internet, basta procurar.
Existem até programas que podem prever o futuro através de buscas na net, exemplo, o buscador detecta um aumento excessivo de buscas (informações) sobre um surto de gripe ou resfriado acontecendo numa determinada região ou cidade, logo saberão que uma pandemia está ou poderá se instalar naquele lugar, naquele momento ou em um futuro próximo. Sabendo disso se antecipam aos fatos.
Para quem é bom observador, basta observar no youtube uma tarja vermelha sublinhando os vídeos selecionados, e em alguns casos a URL do vídeo também aparece sublinhada em vermelho quando compartilhado. Detectar a câmera de vídeo fotografando o usuário do pc é mais difícil, porém não impossível, pois que essa técnica é mais sutil, geralmente acontece quando ligamos o pc, a luz que acende é muito tênue e difícil de se perceber.
O objetivo final é ter uma base de dados de todos os habitantes da terra, com o maior número de detalhes acerca da vida pessoal de cada indivíduo, culminando com um chip implantado inicialmente na carteira de identidade, e posteriormente transferido para o corpo humano, de maneira que possa ser possível rastrear qualquer pessoa em qualquer parte do planeta a qualquer hora.
Desde os primódios da humanidade que conhecimento é considerado poder, imagine esse poder (conhecimento) sendo usado pela pessoa errada na hora errada. Enquanto isso eles maquinam meios de censurar, limitar, dificultar e até impedir a disseminação do conhecimento, uma vez que a informação da qual conhecemos hoje o quarto poder, está em vias de ser considerado obsoleto, daí o grande interesse pela internet.