Eleições 2022: jogo político tende a ser mais pesado neste ano e PT não pode subestimar Bolsonaro

“O Centrão está com a caneta e a chave do cofre nas mãos”, lembra o jornalista e pesquisador Bruno Carazza em entrevista à TV GGN

O jogo político nas eleições 2022 tende a ser mais pesado, considerando a quantidade de dinheiro que o Centrão possui em mãos para usar na campanha eleitoral. A afirmação é do jornalista e pesquisador Bruno Carazza.

Se você somar esses partidos (PL, PP, Republicanos) isso dá quase o montante que o PT dispõe, por exemplo, para gastar na campanha desse ano”, diz o jornalista em entrevista a Luis Nassif na TV GGN, na noite de quarta-feira (06/04).

“Então, (o Centrão) tem cacife e, além disso, temos o orçamento oficial e o orçamento secreto sendo utilizado a rodo para atrair esses políticos, e foi isso que a gente observou nessa janela partidária”.

O jornalista ressalta que os partidos de base do Centrão não trabalharam apenas em Brasília, mas também arregimentaram diversos parlamentares nas Assembleias Legislativas estaduais que estavam em partidos de menor porte, como PTB, PROS e Patriota.

“(PL, PP e Republicanos) também atraíram políticos do MDB, do PSDB, do PSD, do União Brasil. Então, não foi um movimento restrito aos bolsonaristas raiz, que surgiram em 2018, veio muito mais gente”.

Do ponto de vista de crescimento da candidatura Bolsonaro, Carazza lembra que a campanha de reeleição do presidente “está sendo capitaneada por profissionais da política, com dinheiro e o Bolsonaro com a chave do cofre – que, aliás, ele delegou para Ciro Nogueira gerenciar”.

Centrão mostra uma coesão até então inédita

Bruno Carazza ressalta que o momento mostra uma “concentração de poder” nas mãos de PP, PL e Republicanos, o que não só consolida um quadro como aponta um caminho de coesão para um bloco até então disperso.

“(O Centrão) tinha uma miríade de partidos pequenos, sempre teve PP, PL, mas nunca foram partidos muito grandes. Eles também contavam com nacos do MDB, com nacos do PSDB, do DEM”, diz Carazza, ressaltando que esse bloco “sempre foi uma coisa meio difusa, e tendendo para um lado ou para o outro conforme as benesses eram oferecidas por quem estava no poder”.

Porém, o momento atual está desenhando uma concentração do Centrão em um bloco. “Eles estão mais coesos e a configuração é que, no próximo governo, esse Centrão seja ainda mais forte do que ele é agora, até porque essa eleição é muito conveniente para eles”.

Carazza lembra que, embora com a popularidade em baixa, Bolsonaro sabe puxar votos. “(Bolsonaro) conversa com o eleitorado mais conservador, da linha evangélica, nessa região que vai desde o Extremo Sul do país passando pelo interior de SP, subindo pelo interior de MG e Centro-Oeste, na linha do agronegócio”.

“É de se esperar que esse Centrão, unido, contando com esse fator de atração de votos que o Bolsonaro tem apesar da popularidade baixa – e atuando na eleição, e ainda turbinado por recurso público do orçamento secreto”, lista o jornalista, ressaltando que o grupo partidário terá mais participação política “independentemente de quem ganhe a eleição presidencial”.

Veja mais sobre a análise de Bruno Carazza na íntegra da TV GGN 20 horas. Clique abaixo e confira!

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