Quem tem mais chance de ser a terceira via e por quê?

Pesquisa Quaest mostra que eleitorado acredita cada vez menos na terceira via - e isso favorece Lula. Mas nomes como Simone Tebet, Rodrigo Pacheco e Eduardo Leite ainda podem prosperar

Publicada originalmente em 2/9/21

Jornal GGN – Não é verdade que Ciro Gomes (PDT) não decola nas pesquisas de opinião com vistas à eleição presidencial de 2022 porque ainda não é conhecido pela maioria. Pelo contrário: é conhecido e tem alta rejeição. O mesmo serve para João Doria (PSDB), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e até para o apresentador José Luiz Datena (PSL). O eleitorado já sentiu que, com estes nomes, a famigerada “terceira via” floresce como grama no asfalto: com enorme dificuldade.

Se tiver de prosperar, a terceira via hoje parece ter mais chances com nomes como Simone Tebet (MDB), Rodrigo Pacheco (DEM) e Eduardo Leite (PSDB). “São os três candidatos que têm maior viabilidade, porque ainda têm baixíssima rejeição e muito desconhecimento. Estou arriscando dizer que Doria, Ciro e Mandetta têm pouquíssimo espaço para crescimento de acordo com o cenário que está se desenhando.” A análise foi feita por Felipe Nunes, responsável pela pesquisa Quaest, na manhã desta quarta-feira (1/9), durante uma live mensal no canal Quaest.

O FAVORITO. A pesquisa Genial/Quaest de setembro mostrou Lula vencendo a eleição em 2022 em todos os cenários traçados, com Bolsonaro chegando em segundo lugar e Ciro empatando dentro da margem de erro com Datena, em terceiro. Nos cenários de segundo turno, Bolsonaro perderia para todos os concorrentes.

Os ventos sopram no sentido de que, até o pleito, a economia tomará o lugar da pandemia no centro das preocupações do brasileiro. E, quanto mais a economia entra no radar do eleitorado, menor é a rejeição a Lula.

POTENCIAL DE VOTOS. Assim como Ciro, Mandetta e Doria, Lula e Bolsonaro são nomes bastantes conhecidos (na verdade, os mais conhecidos, segundo os gráficos abaixo) e muito rejeitados pela população.

A diferença é que Lula, seguido por Bolsonaro, desempenha melhor no quesito “conheço e vou votar”, índice que afere o potencial de voto.

Cerca de 44% dos eleitores dizem que conhecem e vão eleger Lula, a despeito da rejeição (o “conheço e não vou votar”) 40%. Neste item, Doria, Ciro e Mandetta não chegam a dois dígitos.

“O quadro mostra porquê mesmo com a maior rejeição, Bolsonaro é o candidato mais competitivo contra Lula: porque ele tem 20% de eleitores que o conhecem e dizem que vão votar nele”, pontuou Nunes. “Ou seja, Bolsonaro tem muita rejeição, mas também tem muito potencial de voto.” Dificilmente ficará fora de um segundo turno para abrir espaço para Ciro, Doria ou Mandetta. Pelo menos não é o que mostram os dados atuais – e pesquisa eleitoral é “fotografia de momento”, dizem os especialistas.

Enquanto isso, a senadora Simone Tebet, representante da bancada feminina na CPI da Covid, ainda tem 19% de conhecimento na pesquisa Quaest. Nesta semana, em entrevista exclusiva ao GGN, Tebet confirmou que o MDB terá candidatura própria (assista aqui).

Pacheco, hoje presidente do Senado, é conhecido por 39% dos entrevistados, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite – que recentemente se assumiu homossexual – por 40%. Para Nunes, se o critério for quem teria melhores condições de atrair para si o seguimento conservador, que hoje está de mãos dadas com Bolsonaro, Pacheco sairia na frente de Tebet e Leite.

Por outro lado, os dados indicam que o tempo corre contra a terceira via.

“A cada rodada [nova de pesquisas], cai o número de pessoas que dizem que querem que vença uma terceira via, e isso está favorecendo o ex-presidente Lula”, diz Nunes.

“Se a terceira via quiser se viabilizar, tem que adiantar as prévias do partido, os candidatos devem se colocar no páreo, precisam começar a campanha. Este cenário só vai se modificar quando a terceira via for viável. Isso está diminuindo ao longo do tempo.”

Nos últimos dois meses, subiu de 42% para 45% a parcela do eleitorado que quer que Lula vença a eleição. Enquanto isso, caiu de 26% para 23% a fatia que prefere Bolsonaro. E aqueles que não querem “nenhum dos dois” – ou seja, os entusiastas de uma terceira via – também encolheram um pouco: de 28% para 25%. “É como se o eleitor tivesse percebido que não há terceira via”, frisa Nunes.

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