21 de maio de 2026

Eletrificação versus petróleo: Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras, explica disputa mundial em torno do futuro energético

Jean Paul Prates analisa o conflito entre eletrificação e petrocentrismo, revelando a estratégia americana contra minerais críticos

O mundo deve migrar do petróleo para energias renováveis em 50 a 70 anos, com eletrificação crescente da economia global.
EUA invadem Venezuela para controlar petróleo e minerais críticos, visando conter avanço da China na eletrificação mundial.
Venezuela enfrenta crise econômica agravada por queda do petróleo, corrupção e sanções dos EUA desde a nacionalização da PDVSA.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A era do carbono está paulatinamente ficando para trás e o futuro já é previsível. Dentro de cinco a sete décadas, o mundo estará digitalizado e a economia, majoritariamente eletrificada. Essa mudança inevitável na geopolítica da energia, com a dependência do petróleo dando lugar às energias renováveis, explica o cenário que temos hoje, com os EUA reativando a sua Doutrina Monroe e invadindo a Venezuela para controlar o petróleo e acirrar sua disputa com a China, que é a principal potencial a liderar o processo de eletrificação do mundo.

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Essa é a grande disputa do século e o motivo da maior parte das guerras que estamos e vamos assistir nos próximos anos. “A polarização no setor de energia é entre a eletrificação versus o petróleo”, diz o ex-presidente da Petrobras e senador Jean Paul Prates em entrevista exclusiva ao jornalista Luís Nassif, para o canal TV GGN [assista abaixo].

“Estamos em uma nova fase. A fase do petrocentrismo, da tese de que todas as guerras aconteciam em torno do petróleo, está em transição. O que vemos, agora, é uma multiplicidade de interesses que envolve ter terras agricultáveis, ter terras com minerais críticos usados na eletrônica e na digitalização da sociedade. Depois, tem a água – estamos vendo a questão da Groenlândia, do desgelo do Ártico e das rotas logísticas – que também é um domínio importante. E, por fim, mas ainda não chegamos a esse momento, teremos a questão das regiões com grande potencial de energia renovável (vento e sol abundantes e próximos a mercados grandes de energia).”

“Todos esses ativos estratégicos e importantes”, disse Prates, “hoje compõem o cenário que levou à invasão brutal e colonização da Venezuela neste momento. Não foi só petróleo. É para controlar o destino do petróleo, controlar os minerais críticos e controlar aquele país, tendo potencial muito grande de fazer danos à China. Os EUA simulam uma rivalidade com a Rússia que não existe mais. O grande rival deles é a China”, completou o especialista, lembrando que a Venezuela estava exportando 90% de sua produção de petróleo para a China.

Embora seja um grande entusiasta da história do petróleo, Prates afirma que “a tendência inexorável do mundo é a eletrificação”. E a China é o “mais acelerado convertedor de energia não renovável em renovável”, e já escolheu o lado dela: “vai eletrificar tudo”. A revolução que está fazendo no setor automobilístico é apenas o começo.

“Gradualmente, dentro de 50, 60 ou 70 anos, a China vai eletrificar toda sua indústria. O jogo inverteu. Agora, os EUA são os interessados em perenizar o petróleo e invadir outros países, enquanto a China só precisa garantir terras para alimentos e minerais para a eletrificação. Então a polarização no setor de energia é entre a eletrificação versus o petróleo. E a eletrificação está do lado da digitalização e das gerações futuras. Por isso que afirmo: em até 20 anos, estaremos muito mais digitalizados que hoje; em 40 anos, temos que ter convertido toda nossa frota em elétrica; e em 70 anos, nossa indústria também.”

A história da PDVSA

Durante a entrevista ao programa TV GGN 20 Horas transmitido ao vivo na última sexta-feira, Jean Paul Prates contou um pouco da história do petróleo na Venezuela, que está no centro das últimas movimentações dos EUA pela América Latina.

A história do petróleo da Venezuela remonta ao ano de 1914, quando fizeram a primeira descoberta de petróleo no país, em Maracaibo. Na mesma época, houve também a descoberta do petróleo texano e ucraniano.

No início dos anos 1920, houve outra descoberta que quadruplicou a produção de Maracaibo. Em 1970, a Venezuela passou a produzir impressionantes 3,5 milhões de barris de petróleo por dia. Porém, “hoje ela não produz nem metade disso”, diz Prates.

Na década de 1970, veio a nacionalização do petróleo, com os ativos de petroleiras internacionais sendo transformados na PDVSA (Petróleos de Venezuela S.A.).

O problema começa a crescer quando, em vez de aproveitar os lucros do petróleo para diversificar sua economia, industrializando e explorando outros recursos naturais, a Venezuela decide continuar priorizando grandemente o petróleo. Isso “valorizou a moeda local, tornou os outros setores anticompetitivos para exportação.” O país ficou dependente do exterior em vários aspectos e sofrendo com a volatilidade de preços internacionais. A Venezuela entra em crise.

O governo Hugo Chávez chega ao poder na esteira do caos econômico e tenta combater a desigualdade com programas sociais. “No começo deu certo porque os preços ajudaram. Mas quando o preço do petróleo caiu, houve diáspora total de técnicos e cientistas, muitos foram embora para o exterior. O petróleo entrou em baixa, o país ficou em crise. A PDVSA ficou com o rebotalho técnico e de ativos, sem nenhum investimento em modernização”, comentou Prates.

Com a chegada de Nicolás Maduro, a crise se agrava. Ele entra com uma crise com inflação a 800% e queda do PIB. Ele só tinha a PDVSA para explorar. “Para fechar o quadro de horror, um regime, de fato, com muita corrupção” envolvendo o petróleo, asseverou Prates.

Os EUA, por sua vez, sempre reagiram a essa nacionalização do petróleo e impuseram sanções e boicotes à economia venezuelana que ajudaram a piorar a crise. Segundo Prates, os norte-americanos se incomodaram não apenas com a nacionalização, mas com a diversificação de investimentos venezuelanos no exterior, no setor de petróleo, comprando, por exemplo, refinarias e postos de gasolina “na esquina dos EUA”.

Na entrevista, Prates também comentou sobre o papel e o futuro da Petrobras. Assista a entrevista completa abaixo:

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.
alvesscintiaa@gmail.com

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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