Elon Musk usa deputado norte-americano para repetir Twitter Files no Brasil

A advogada Estela Aranha aponta à TVGGN que movimentação sobre suposto abuso do STF também é usada contra Joe Biden, presidente dos EUA

Crédito: Joe Raedle/Getty Images

O programa TVGGN 20H, comandado pelo jornalista Luís Nassif, recebeu a advogada Estela Aranha para comentar um dos principais assuntos da semana: o “Twitter Files Brasil”. 

A ala republicana do Congresso dos Estados Unidos, pró Donald Trump, divulgou na última quarta-feira (17) um relatório com decisões sigilosas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, sobre a suspensão e pedidos de remoção de perfis nas redes sociais.

As decisões foram obtidas por meio de intimação parlamentar feita à rede social X (antigo Twitter), do bilionário Elon Musk, que tem protagonizado ataques contra o ministro e chegou a descumprir as decisões.  O empresário defendeu o impeachment de Moraes e prometeu que publicaria as ordens de Moraes que, segundo ele, “violam as leis brasileiras”.

Estela Aranha, que também é ativista dos direitos digitais e membro do Órgão Consultivo de Alto Nível sobre Inteligência Artificial, teve reuniões com parlamentares norte-americanos e desmente a narrativa criada por Musk para usar o Brasil como um trampolim para atingir o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

“Estamos vendo a imprensa falar que o congresso americano pediu o relatório, mas na verdade é o movimento de um parlamentar específico, Jim Jordan, que é um velho conhecido de Musk, faz todo o seu trabalho na Comissão de Justiça ou para proteger ou para defender os interesses de Musk. Ele inicia um Twitter Files em relação ao governo americano quando ele assumiu, no ano passado, a presidência do Brasil”, afirma a advogada.

Na narrativa brasileira, porém, foram misturadas diversas decisões, muitas delas que não eram do ministro Alexandre de Moraes, do STF e nem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a fim de formar a versão de que haveria uma supressão da liberdade de expressão no país.

Nesta pressão para aumentar a “crise” com as instituições brasileiras, Estela adverte que informações sigilosas foram vazadas, desrespeitando a soberania nacional, com o objetivo de que o fato atingisse o governo norteamericano. 

“Claramente ele [Elon Musk] está querendo proteger as lideranças brasileiras, em especial [o ex-presidente Jair] Bolsonaro da responsabilização da tentativa de golpe. Musk, inclusive, interage com a política da extrema direita no Brasil no Twitter, sempre deixa claro, tanto Musk quanto [o jornalista Michael] Schellenberg, interagem com a turma toda. Não é coincidência, eles trabalham juntos. Mas claro que o objetivo do Musk é o Biden e usa a gente para o trampolim para isso”, continua a ativista dos direitos digitais.

Ameaça global

A atuação do bilionário Elon Musk e seus efeitos não são visíveis apenas no país. O magnata está por trás do crescimento da extrema-direita também em Portugal e na Europa, onde os parlamentares conservadores replicaram os supostos abusos de autoridade cometidos pelo Judiciário. 

“Os processos não são à toa, são muito parecidos porque são forjados pelas mesmas pessoas extrema-direita e seguem a cartilha norte-americana”, continua a especialista.

Integrante da equipe de Flávio Dino quando ministro da Justiça e Segurança Pública, Estela Aranha participou de perto do trabalho de investigação e consequências dos ataques terroristas do 8 de janeiro. 

“As redes sociais tiveram um impacto gigante, enorme. Contas explodiram nas redes sociais mais que na eleição. Conseguiram assanhar essa sanha contra as instituições. Com muita rapidez eles viraram o jogo, pelo menos na questão política”, continua.

Assim, temos de manter a vigilância para não permitir o crescimento da extrema-direita e também a interferência externa na política nacional, que passou a ser explícita. 

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Camila Bezerra

Jornalista

1 Comentário

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  1. Fabio De Oliveira Ribeiro
    A Lava Jato foi a epítome da justiça politizada amalgamada ao jornalismo antipetista. Não por acaso Sérgio Moro atuava tanto como juiz redator (legitimando reportagens contra Lula na sentença do Triplex) quanto como editor jornalístico jurídico informal (cronometrando suas decisões e vazamentos para provocar efeitos políticos). Juiz/jornalista, Moro interferiu no campo jurídico e no jornalístico, deixando um rastro de destruição em ambos. Isso ficou bem evidente quando a Vaza Jato revelou as entranhas apodrecidas da conspiração entre o MP, o juiz e os jornalistas. Mais ou menos superado esse problema, outro se anuncia: a possibilidade de intersecção entre o jornalismo algoritmizado produzido por robôs/humanos e impulsionado nas e pelas plataformas de internet e a justiça automatizada empoderada por Inteligência Artificial. O conflito STF/Alexandre de Moraes x Twitter/Elon Musk é apenas o prenúncio de um fenômeno que tenderá a se expandir, como se fosse um fractal, para dentro do Judiciário e da imprensa com resultados mais imprevisíveis e sombrios do que a Lava Jato/Vaza Jato.

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