4 de junho de 2026

Entre palavrões e bênçãos, a estratégia de comunicação de Malafaia, segundo escritor

Nesta segunda, o pastor Silas Malafaia voltou a atacar a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal em vídeo publicado nas redes
Imagem: Reprodução X/Silas Malafaia

O pastor Silas Malafaia voltou a atacar a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal em vídeo divulgado nesta segunda-feira (25). Chamou a PF de “Gestapo”, disparou ofensas contra o ministro Alexandre de Moraes e acusou delegados de vazarem conversas íntimas de Jair Bolsonaro, embora as mensagens só tenham vindo a público após decisão do STF que retirou o sigilo do inquérito. Veja o vídeo aqui.

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Para o professor da UEFS, Lucas Nascimento, autor do livro O veneno da língua: o desafio evangélico de falar a verdade sem ferir, a retórica do pastor não é mero destempero, mas parte de uma engrenagem com objetivo político claro.

“O Malafaia funciona como apologeta do bolsonarismo. Ele dá forma religiosa a um discurso político de intimidação. É o pastor que ameaça, grita e, ao mesmo tempo, pede bênção. Essa contradição é calculada”, explica, em entrevista à TVGGN Justiça [confira abaixo].

Entre xingamentos e bênçãos

Segundo o autor, Malafaia é o pastor que xinga e abençoa na mesma mensagem. “Ele se despede abençoando em nome de Deus, mesmo depois de soltar palavrões. Não é apenas pregador, é operador de bastidores, lobista e articulador político”.

Em seu livro, o professor resgata a metáfora bíblica da “língua venenosa”, tomada da carta de Tiago, irmão de Jesus, para analisar líderes religiosos que cruzam o limite ético da polêmica.

“O caso de Malafaia é singular: não apenas pela violência verbal, mas porque sua linguagem rompe com qualquer parâmetro de boa comunicação. Não se trata de debate, mas de ataque”.

“Hipernormalização da mídia”

Essa mesma chave é compartilhada pelo jornalista e professor de Semiótica e Comunicação Visual, Wilson Ferreira, que enxerga na retórica do pastor um exemplo de “hipernormalização da mídia”.

“Esse tipo de linguagem de miliciano vai sendo naturalizado como se fosse mais um exagero retórico. Mas não é. É uma tática de corrosão da esfera pública”, afirma.

No entanto, Ferreira observa que, dessa vez, até a grande imprensa mostrou constrangimento diante da escalada verbal.

“A fala do Malafaia foi tão baixa que abriu brechas. A jornalista Andrea Sadi chegou a expressar nojo ao ouvir os áudios. Nem os colunistas, que eu chamo de ‘colonistas’, conseguiram hiper-normalizar. Foi preciso tapar o nariz”.

A retórica bélica de Malafaia, acrescenta, não remete ao Cristo do Novo Testamento, mas a um Cristo guerreiro, militante. “Eles falam de Jesus, mas glorificam Israel, mesmo sendo um Estado que nega o protagonismo de Jesus. É um evangelho da violência. A linguagem de Malafaia é a de ataque, contravenção, milicianismo”.

Usina de crises e o bloqueio do debate público

No pano de fundo, explica Ferreira, está a própria lógica do bolsonarismo, a de operar como uma “usina de crises”. No governo desde 2018, a cada semana gerava um escândalo que pautava a mídia. Hoje, a engrenagem falha porque parte das consequências recai sobre a própria família, como no caso do tarifaço de Trump, enquanto Lula tenta recompor a ideia de soberania.

O risco maior, alertam os analistas, é o bloqueio do debate público. De um lado, Malafaia fala em guerra espiritual. Do outro, as instituições respondem com linguagem jurídica. “Não há diálogo possível, porque não há campo comum. É um verdadeiro debate de surdos. E é nesse ruído que ele prospera”, diz Ferreira.

Assista ao programa completo abaixo:

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

8 Comentários
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  1. Manoel Batista Correia

    25 de agosto de 2025 6:33 pm

    “Fariseus” hipócritas, fundamentalistas, anti-cristaos do século XXI.
    Fico estarrecido de ver pessoas seguindo e apoiando escrotos deste nível tão baixo!

  2. Ismario Menezes Alves

    25 de agosto de 2025 6:55 pm

    Silas mal lava mais

  3. Fábio de Oliveira Ribeiro

    25 de agosto de 2025 7:09 pm

    Esse pastor vagabundo está acostumado com plateias simpáticas, crédulas, generosas, acrílicas e sobretudo sujeitas à autoridade religiosa dele. Mas isso não existe na arena política e não pode existir no sistema de justiça. Ao invez de ficar falando merda ele deve contratar um bom advogado e calar a boca. Quanto mais ele tentar ameaçar o Judiciário pior a situação dele ficará.

  4. Padawan

    25 de agosto de 2025 11:20 pm

    Ele busca ser preso por Xandão. Para então liderar o evangelistão, aproximando-se do caso histórico de Lutero.
    Acha que agrada seu Deus 🙏.
    Por outro lado Tarcísio se configura como candidato a presidente cada vez mais.
    E a esquerda não combate, se entricheira e verá aliados trocarem de lado.
    Não subestimem as coisas loucas do mundo.
    Apocalipse nos Trópicos acertou na veia

    1. Milton

      26 de agosto de 2025 10:00 am

      Exposta o silêncio covarde das esquerdas no cenário político brasileiro. A Orcrim bolsonarista corre solta e, apesar de um certo constrangimento, é apoiada pela sempre golpista midia brasileira. A global ao “criticar” o genocida prolonga suas aparições na tv em fotos e curtos videos para manter a imagem do comparsa em realce. O povaréu, massa inculta de manobra desde 1500, de baixa capacidade de entendimento, mais vê do que escuta, por isto a imagem. As e os comentaristas são visivelmente controlados pelos “capitães do mato” globais. Gestos à esquerda, raros, são aceitos desde que escamoteados por discurso de compreensão mais elaborada. De tudo sigo com a visão de que o Brasil Colônia ainda persiste, agora sob o jugo de poucos bilionários, algo como 0,5% da população brasileira. Eles dominam o Congresso – o atual o pior que tivemos – por ausência da confrontação à esquerda, o Banco Central e vários ministérios.

  5. Carlos

    26 de agosto de 2025 2:25 am

    Continua seguindo a orientação do Boechat e agora está doidinho pra encontrar a rola na cadeia?
    É um farsante mesmo, nada mais.
    Lamentavelmente o Brasil foi acometido de duas espécies de cancro mole: “políticos” como bolsonaros e “religiosos” como malacheias.

  6. AMBAR

    26 de agosto de 2025 2:03 pm

    O requisito imprescindível ao crente, mais que a fé, é a ignorância. A ignorância sobre as origens de seu dogma, como é o caso das igrejas evangélicas. Subproduto da igreja católica, as igrejas protestantes formaram seus próprios fiéis numa corruptela cada vez maior do cristianismo, sendo o neopentecostalismo sua mais belicosa vertente. Não surpreende que a ferocidade discursiva do pastor compare e recite versos da constituição como quem cita passagens bíblicas. Tanto a bíblia quanto a constituição representam códigos de orientação, direção e conduta para povos e nações. Se garantem poder sobre todos, por que não usurpa-los?

  7. Rui Ribeiro

    26 de agosto de 2025 2:55 pm

    Em outras palavras, o $ilas Malacheia acende uma vela prá Deu$ e outra para o Diabo.

    O seu reino é deste mundo. Ele é da bancada BBB – boi, bala e bíblia.

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