10 de junho de 2026

Estratégia de campanha Bolsonaro passa por controle da informação

Fake News e manipulação são parte da estratégia. Boicote às pesquisas abriria disputa no escuro para o ainda maior controle de informações
Foto: Marcos Correa/Palácio do Planalto

“Manipulação de estatísticas é manobra de regimes totalitários”, já alertava Gilmar Mendes, em junho de 2020, plena pandemia, quando o governo Bolsonaro decidiu omitir dados de vítimas de Covid-19, o que motivou os jornais, à época, a criar um mutirão de contagem dos doentes e mortos, em balanço paralelo pela desconfiança dos números oficiais.

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Mas a estratégia de Bolsonaro seguiu ao longo da pandemia, posteriormente com o chamado “apagão” de dados do Ministério da Saúde, paralelamente à manipulação das informações, divulgando até hoje aquilo que supostamente seria positivo: “o Brasil comprou 500 milhões de vacinas”.

Omitia-se -e continua omitindo- que o atraso das vacinas que não comprou, quando os demais países já tinham comprado, teria salvado 95 mil vidas. Também as denúncias de corrupção envolvendo a aquisição dos imunizantes, como a Covaxin por 1000% mais cara, o pedido de US$ 1 de propina por dose da AstraZenenca, e propina para “não atrapalhar” venda da indiana.

Além do que se viu na campanha eleitoral de 2018, a manipulação das informações é estratégia que seguiu durante todo o governo, durante a campanha na disputa presidencial e, hoje, está sendo intensificada na corrida para o segundo turno.

As Fake News associando Lula a um “pacto com diabo”, a implementação de “banheiros unissex” nas escolas, e as demais que serão criadas a cada dia até 30 de outubro são somente uma das frentes da estratégia de comunicação da campanha Bolsonaro.

Controle das informações

Como deu o tom Gilmar Mendes, há dois anos, a comunicação política de regimes totalitários apela ao controle das informações.

As censuras dos veículos de comunicação e manipulação dos discursos foram usados pelo fascimo na Itália, nazismo na Alemanhã, stalinismo na antiga União Soviética, na ditadura Salazar em Portugal, na ditadura de Franco na Espanha, nas ditaduras militares latino-americanas do século XX e na brasileira.

A próxima estratégia de Bolsonaro está sendo, além e paralelamente às redes sociais, o uso dos meios tradicionais de comunicação. O impacto das falas de Simone Tebet (MDB) nos debates e de Soraya Thronicke (União) -continuados nas redes por memes- ensinou o ainda poder destes meios. Entendeu que era preciso controlar, também, o tempo de televisão e as pesquisas eleitorais.

Para o primeiro, a campanha cria fatos televisionados a cada hora, de preferência interrompendo as transmissões de Lula, como ocorreu com o esperado anúncio do apoio de Simone Tebet, imediatamente depois cortado para a entrevista de Bolsonaro à imprensa com senadores que o apoiavam.

Para o segundo controle, antes de a primeira pesquisa eleitoral ser divulgada, às 18h desta quarta-feira (05), já haviam sido criadas munições para tirar o crédito e boicotar o principal termômetro eleitoral.

O candidato à reeleição passou a aplicar desconfiança nas pesquisas, o Ministério da Justiça pediu inquérito contra os institutos, um projeto de lei criminalizava esses institutos e, mais recentemente, o ministro das Comunicações do governo, Fábio Faria, pedia que os eleitores de Bolsonaro não respondam às pesquisas.

“Divulgar pesquisas como arma de manipulação do eleitor deve ser proibido. Não vamos permitir que os institutos prestem esse desserviço. Peço a todos que apoiam o presidente que NÃO respondam nenhuma pesquisa do IPEC, DataFolha e similares no 2º turno”, disse Fábio Faria.

Se seguido por estes eleitores, boicote às pesquisas seria o fim do termômetro, e a disputa no escuro fomentará ainda mais o controle das informações. Sem os indicativos do resultado final, o questionamento de uma derrota nas urnas por Bolsonaro, por exemplo, não se tornará mais postura irrefutável.

Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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2 Comentários
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  1. Haaaolhaeudenovoaquinoggn

    5 de outubro de 2022 7:04 pm

    Minha querida jornalista técnica, não é controle da informação,neste mundo informatizado não se tem barreiras geográficas,é a distorção dos fatos,a estratégia é mexer com a cognição das pessoas no chamado metaverso da internet,no C.OVID tivemos essa experiência a nível mundial,fazendo as pessoas crerem q uma doença q mata (2,00%)era a coisa mais terrível do mundo,existem doenças bem mais letais q a c.ovid,se omitiu os dados sim, principalmente das reações pós picada e os números inflados de pessoas q morriam de câncer mas tinha c.ovid tb e era computado,vcs foram vítimas de uma bem orquestrada experiência,,existem muitas coincidências nisso tudo q na verdade não é coincidência nenhuma,pq negam a verdade seus negacionistas !!!

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    6 de outubro de 2022 6:18 am

    A verdade é a fome do povo. A verdade é a bestialidade genocida do presidente.
    Mas é mentira dizer que Bolsonaro está sozinho. Ele é ajudado pelo PGR, apoiado pelo MPF e o preferido da maioria dos juízes.
    O encantador de assassinos Jair Bolsonaro comanda um exército de asnos diplomados que gostam mais dos seus privilégios do que da nossa democracia. Dezenas de milhares de juizes, procuradores e promotores adoram ver o povo sofrer enquanto eles mesmos desfrutam salários nabanescos acima do teto e aposentadorias abaixo da moralidade.
    A verdade verdadeira é que Bolsonaro representa o Sistema de (in)Justiça brasileiro e a maçonaria que o controla.

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