Por Motta Araujo
FUKUYAMA E O FIM DA HISTÓRIA
Quando apareceu esse livro “O Fim da História e o Último Homem” por um analista da Rand Corporation, Francis Fukuyama , escrevi um comentário para um jornal sobre a estupidez do conteúdo, típico de certa categoria de escritores americanos que constroem uma tese e depois procuram na História argumentos para encaixar na tese. Esse tipo de trabalho não tem valor intelectual algum porque parte de premissas falsas. A História não é dada a teses, é um campo muito complexo, as lógicas são múltiplas sempre e os grandes historiadores fazem a narrativa sem procurar racionalizar aquilo que é por sua própria natureza o cruzamento de infinitas variáveis, acasos, acidentes, necessidades, a História será sempre um caos de onde sábios como Hobsbawn procuram extrair algum tênue sentido mas sempre sabendo que é tarefa impossível.
Fukuyama partiu sua pobre tese do Governo Reagan e achava que o fim do comunismo seria o fim da História. Que mediocridade, antes da Revolução Soviética e por dez mil anos havia História e muita, complicada por todos os fatores que compõe a civilização, ambições, sobrevivência, ganância, religião, crueldade, demografia, busca de espaços, a História não se resume a ideologias mas tem múltiplos outros componentes.
Tentar teorizar sobre esse caos e levianamente montar um modelinho como fez Fukuyama é pobreza intelectual demais.
O nipo-americano de má aparência e má retórica foi imediatamente desmontado ao sair seu livro, os bons historiadores mostraram de início o lixo que era a tese, escrita para bocós sem cultura, Fukuyama se auto criticou pouco depois, o livro caiu nos piores sebos e sem maior interesse dos compradores, fazendo companhia a outros milhares de livros bobos e desnecessários. Lembro de um desses tipos de livros, de um similar pensador, Herman Kahn, de um tal de Hudson Institute, que escreveu um paper desses sobre a Amazônia, um besteirol único mas que por um tempo foi muito comentado nos jornais brasileiros, pretendia fazer um grande lago na Amazônia, um bobagem do tamanho do gordíssimo Kahn. Outro livro tese do gênero foi o de J.J. Servan Schreiber, O Desafio Americano, sobre as multinacionais americanas na Europa, que segundo o autor, dominariam o Continente. Livros teses sobre o Japão dominando o mundo apareceram na década de 70, antes da emergência da China. Agora também aparece outra fornada desses livros sobre a China mandando no mundo.
Esses livros tem algum mercado no seu lançamento, depois caem no esquecimento merecido mas sempre aparecem alguns coalhadas para relembrá-los na falta de recordações melhores e mais substantivas.
Alexandre Weber - Santos -SP
23 de dezembro de 2013 12:38 pmDois pontos importantes num livro
O Título;
A primeira frase.
En passant pelo comentário-diatribe, penso que análises que respeitem a própria natureza do objeto merecem consideração. Na história isto é mais pertinente do que nunca, afinal é imutável.
Luiz Antonio Antunes Machado
23 de dezembro de 2013 12:54 pmFukuyama
Sim, André, mas nós sabemos a quem serve Fukuyama e outros da mesma “entourage”. Jean Jacques Servan-Schreiber também deu seus “pitacos” supostamente abalizados sobre as corporações, aí pelo final da década de setenta e início da de oitenta, antes mesmo de Fukuyama decretar o “fim das ideologias”. O “Desafio Mundial”, “O desafio americano”, livros “de verão”, faziam sucesso nas livrarias de aeroporto, sempre nas mãos (e nas cabeças ?) dos “Yuppies”, que decretavam já nessa época a vitória do pensamento único.
Pitacos pífios, como disse o André, não resistiam a uma análise mediana de estudantes graduandos, de qualquer universidade de ponta. As insinuações sobre o fim das ideologias e a superação do “nacionalismo” foram ridicularizadas pelas explosões dos “surtos” (como se fossem novos, barbaridade) do nacionalismo balcânico, dos ativismos religiosos, etc.
RVeiga
23 de dezembro de 2013 1:18 pm> Quando apareceu esse livro
> Quando apareceu esse livro “O Fim da História e o Último Homem” por um analista da Rand Corporation, Francis Fukuyama , escrevi um comentário para um jornal sobre a estupidez do conteúdo (…)
Caro Araújo, nunca li o livro do dito cujo, mas pelo título e pelo contexto a ele associado (queda do comunismo), sempre tive a impressão que era uma espécie de provocação ao marxismo e sua visão algo determinística do processo histórico.
RVeiga
23 de dezembro de 2013 1:19 pmFato é que ninguém saber pra
Fato é que ninguém saber pra onde a História vai, muita gente faz suas previsões acompanhadas de seus arrazoados. Fatalmente, mais por sorte do que por qualquer outra coisa, alguém sempre acerta aqui e acolá alguma previsão e vira “visionário”.
Lionel Rupaud
23 de dezembro de 2013 1:20 pmAndré, me lembro que o livro de J.J Servan-Schreiber tinha
outro alvo: ele defendia, e usou muito para defender suas ideias a TV e o partido político que ‘comprou” para suas ambições (queria ser o Kennedy da França, quiçá da Europa), que se a Europa não fosse seguir o exemplo dos EUA e não criasse (por fusões nacionais e inclusive intra-europeias) suas próprias multi-nacionais, ela, a Europa, ficaria definitivamente para trás.
Li o livro na época da sua 1ª edição.
E hoje podemos dizer que JJSS acertou no seu desafio e que o capitalismo europeu entendeu muito bem suas teses e as adotou com muita força.
Ele porém falhou nas suas ambições políticas, e hoje é praticamente esquecido…
AlvaroTadeu
23 de dezembro de 2013 1:21 pmO fim da História e o fim da farofa.
Eu não entendo de História, só tirava dez na escola porque sabia que quem “descobriu” o Brasil foi Pedro Álvares Cabral e quem rezou a primeira missa no Brasil foi frei Henrique Soares de Coimbra. Também sabia o nome inteiro do Presidente da República, do governador do estado e do prefeito de São Paulo. Já estava em condições de escrever um livro “tão bom” quanto o do Fukuyama. Quanto ao Alexandre Weber, não há nada imutável na Natureza nem nas relações sociais. A única fronteira da “imutabilidade”, pensava eu, era a velocidade da luz, considerada por Albert Einstein o limite da velocidade no Universo. Depois eu soube que logo após o Big Bang, a velocidade das partículas criadas superava a da luz. Afinal, eram outros tempos, o Universo estava em formação e as atuais leis da Física ainda não estavam valendo. Hoje valem, mas se houver uma contração do Universo e toda a massa se transformar em energia, ocupando um espaço infinitesimal, as atuais leis da Física ficam revogadas e outras podem surgir.
Alexandre Weber - Santos -SP
23 de dezembro de 2013 2:22 pmConsideração
Usei o imutável para a história porque, diferentemente das versões, sendo fatos pretéritos ela não pode ser mudada.
Dudu Cartucho
23 de dezembro de 2013 2:30 pmClaro, bem abaixo de Fukuyama
Claro, bem abaixo de Fukuyama e de Kahn temos o brasileiro FHC, que escreve lixos que viram livros, ou, livros que viram lixos. Ohhh! dúvida!
Isaura
23 de dezembro de 2013 3:59 pmCredo
Prá que se interessar em ler tanto livro, se são ruins? Só para depois ter motivos para falar mal e depreciar seus autores com termos grosseiros?
Cuidado menino, a língua ferina amarga a vida e viver amargo é a porta do diabo, da diabetes.
badriano
23 de dezembro de 2013 5:21 pmo fim da história ou o fim da picada
“…típico de certa categoria de escritores americanos que constroem uma tese e depois procuram na História argumentos para encaixar na tese. Esse tipo de trabalho não tem valor intelectual algum porque parte de premissas falsas.”
Perfeito comentário. Lembro-me de um ensaio de José Arthur Giannotti, publicado na época em que o artigo e o livro saíram, intitulado “O Fim da História ou o Fim da Picada”, que desconstruía a argumentação de Fukuyama como sendo mera análise metafísica da história, baseada em leitura superficial e de segunda mão da filosofia de Hegel (a partir de Kojève).
“Livros teses sobre o Japão dominando o mundo apareceram na década de 70, antes da emergência da China.”
Lembro-me de um, intitulado The Coming War With Japan, publicado tardiamente, no início da década de 1990, por George Friedman (também ligado à Rand Corporation), que depois faria fortuna ao fundar a STRATFOR.
Daytona
23 de dezembro de 2013 7:17 pmSó pode ser brincadeira,
Só pode ser brincadeira, André Araújo dizendo que o trabalho de Fukuyama não possui valor intelectual?
Concorde com ele ou não, Fukuyama é um cientista político reconhecido, sua tese(apesar de, ao meu ver, incorreta) possui fundamentação teórica, bem diferente dos comentários amadores de A. Araújo, principalmente em relação à ciência econômica, tema sobre o qual ele não sabe absolutamente nada, e vive nos premiando com pérolas e mais pérolas.
Daytona
23 de dezembro de 2013 7:24 pm“O nipo-americano de má
“O nipo-americano de má aparência e má retórica foi imediatamente desmontado ao sair seu livro”
Basta uma rápida leitura sobre o comentário do Araújo para perceber que ele não faz a mínima ideia do que se trata a tese de Fukuyama. O embasamento teórico de Fukuyama, ao contrário do que imagina Araújo, é muito anterior à URSS, remetendo às teses mecanicistas e de evolução linear da sociedade(e, por conseguinte, de seus processos históricos)elaboradas por pensadores já no século XVIII, como Adam Smith, que na Riqueza das Nações defendeu a tese de que a economia de mercado seria o estágio último na evolução da sociedade, e, mais tardar, Hegel, que defendeu a tese escatológica do fim da história em sua filosofia idealista, entre muitos outros, todos eles, aparentemente, complexos demais para Araújo, e seus poderosos “argumentos” baseados na aparência física de certos pensadores.
jc.pompeu
23 de dezembro de 2013 8:18 pmO FIM DA HISTÓRIA NA ACADEMIA AAA
Conferencista ABL: Acadêmico Sergio Paulo Rouanet
[video:http://www.youtube.com/watch?v=kvO86-W31gU#t=384%5D