Mais notícias sobre os protestos no Irã. Um morreu e o aparato local começa a reprimir as manifestações:
14/02/2011 – 23h02
Após um morto, Irã reprime protestos; EUA apoiam revolta
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Após um dia de intensos confrontos entre milhares de manifestantes e policiais munidos de bombas de gás lacrimogêneo que deixou ao menos um morto em Teerã, as ruas da capital iraniana ficaram vazias ao cair da noite. Inspirados pelos egípcios, os revoltosos contam com o apoio dos EUA, que defendem uma revolução no Irã “como a do Egito”.
De acordo com a agência estatal Fars, um manifestante foi morto pelas forças de segurança.
AFP
Os líderes da oposição Mir Hossein Mousavi (dir.) e Medi Karroubi convocaram as manifestações no Irã
“Um iraniano morre mas não aceita humilhações. Morte ao ditador”, gritavam os manifestantes na tarde de segunda-feira, em referência ao presidente Mahmoud Ahmadinejad.
A imprensa estrangeira foi barrada e não pôde cobrir os protestos que contaram com o apoio direto dos Estados Unidos.
Em meio aos intensos confrontos, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que seu país apoia as demandas dos opositores e saudou a “coragem” e as “aspirações” dos que protestam contra o governo de Ahmadinejad. Segundo ela, a República Islâmica precisa “abrir” seu sistema político.
“Queremos para a oposição e o povo heroico nas ruas e nas cidades de todo o Irã as mesmas oportunidades que alcançaram seus homólogos egípcios na semana passada”, disse Clinton à imprensa.
Jim Watson/AFP
Hillary disse que Washington apoia os manifestantes e gostaria de ver no Irã uma revolução igual a do Egito
“Apoiamos os direitos universais do povo iraniano. Merecem os mesmos direitos [dos exigidos pelos egípcios], que são parte de seus direitos naturais”, disse.
Ainda no domingo (13), o Departamento de Estado dos EUA começou a escrever mensagens em farsi no Twitter para dirigir-se aos iranianos e insistir na necessidade de que o Irã permita que sua população se manifeste de forma pacífica e livre, como no Egito.
No lançamento de sua nova conta no site de microblogs, @USAdarFarsi, os Estados Unidos evocaram “o papel histórico” que as redes sociais tiveram para os iranianos nos protestos, após as eleições presidenciais de 2009. “Queremos nos unir a vocês, às suas conversas diárias”, diz uma mensagem.
PRISÃO DOMICILIAR
Milhares de iranianos saíram às ruas da capital Teerã nesta segunda-feira impulsionados pela oposição que desde as contestadas eleições de 2009, quando o presidente Mahmoud Ahmadinejad se reelegeu, buscam amplas reformas democráticas na República Islâmica. O governo mantém em prisão domiciliar o líder opositor Mir Hossein Mousavi, informa o site Kaleme.org.
Segundo o site, censurado no país, também foram cortadas as linhas telefônicas de Mousavi, que junto ao outro líder opositor iraniano Mehdi Karroubi tinha convocado para esta segunda-feira um protesto que foi proibido pelo regime.
Karroubi encontra-se na mesma situação desde quarta-feira passada, quando as forças de segurança proibiram a entrada e a saída de pessoas em sua residência em Teerã.
Efe
Milhares saíram às ruas da capital do Irã nesta segunda; policiais reprimiram protestos com bombas de gás
“Vários carros da polícia proíbem os acesso à rua. Além disso, as linhas telefônicas, tanto fixas quanto móveis, de Mousavi e de sua esposa, Zahra Rahnavard, estão cortadas desde o domingo”, explicou o site.
Mousavi e Karroubi lideraram em 2009 os protestos contra a reeleição do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que qualificaram como fraudulenta.
Na repressão a essas manifestações, mais de 30 manifestantes morreram, segundo os números oficiais, enquanto a oposição denuncia que foram mais de 70 os mortos.
Além disso, milhares de iranianos foram detidos e mais de cem foram condenados a diferentes penas, inclusive à forca, por supostamente conspirar com forças estrangeiras para derrubar o regime.
CONFRONTOS
Sites de oposição censurados dentro do Irã e agências internacionais indicam que os manifestantes enfrentam forte resistência da polícia e forças de segurança iranianas.
Na Praça Azadi (liberdade, em farsi), em Teerã, jovens gritavam: “morte ao ditador!” — um slogan usado contra o presidente Mahmoud Ahmadinejad após as eleições presidenciais de 2009.
O site Kaleme.com afirmou que de acordo com “informes não confirmados, centenas de manifestantes foram presos em Teerã”.
Não houve confirmação oficial de nenhuma prisão.
Efe
Protestos querem revolução igual a do Egito; convocados pela oposição, milhares querem queda de Ahmadinejad
Os manifestantes, reunidos apesar de proibição, realizaram os primeiros protestos contra o governo em Teerã desde 11 de fevereiro de 2010, quando ativistas foram às ruas para lembrar o 31º aniversário da Revolução Islâmica.
O site de oposição Rahesabz.net informou que os confrontos também foram registrados perto da Universidade de Teerã e na avenida que liga a Praça Azadi à Praça Enghelab.
Há informações de que bombas de gás foram lançadas pela polícia enquanto manifestantes gritavam “Ya Hossein, Mir Hossein”, um slogan de 2009 em apoio a Mousavi.
O site Rahesabz.net também reportou gritos contra o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, com gritos de “Ben Ali Mubarak, é sua vez Ali!”.
REPRESSÃO
“A polícia também entrou em ônibus parados no trânsito (em uma avenida entre a praça Azadi e a Enghelab) e bateram em mulheres para espalhar medo entre os passageiros”, informou o Kaleme.com.
Segundo os relatos, manifestantes em cabines telefônicas e utilizando celulares com câmera também foram alvos da polícia.
Sites e testemunhas informaram que milhares de manifestantes opositores tomaram as ruas de Teerã em apoio às revoltas árabes, apesar da grande mobilização policial.
Reuters
Durante os protestos, um dos manifestantes dependurou-se de um guindaste numa obra da capital do Irã
Alguns colocaram fogo em latas de lixo enquanto gritavam slogans em aparente referência a Ahmadinejad.
Celulares foram cortados e houve blecautes em áreas onde os protestos ocorreram, disseram testemunhas.
Enquanto a população iraniana apoia as revoltas na Tunísia e no Egito, o ministro do Interior proibiu nesta segunda-feira os protestos planejados por Mousavi e Karroubi.
Em Londres, a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional condenou as autoridades “por interromper uma manifestação pacífica”.

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