José Alencar barrou movimento de impeachment de Lula

Publicada em 31/03/2011

BRASÍLIA – A fidelidade de José Alencar na relação com o ex-presidente Lula, tantas vezes exaltadas nos últimos dias, tornou-se incontestável no auge da crise do escândalo do mensalão, em agosto de 2005. Alencar foi procurado na ocasião, quando se falava na possibilidade de impeachment de Lula, por um grupo de parlamentares da base governista e também da oposição para sondá-lo sobre a eventualidade de ele assumir a Presidência da República. Ao ouvir a abordagem, Alencar, em tom firme e encerrando a conversa, disse que tentaria barrar qualquer movimento naquele sentido. Segundo participantes do encontro, afirmou:

– Entrei com o presidente Lula no governo e vou sair junto com ele.

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Desse grupo fazia parte um parlamentar do PL, partido ao qual Alencar era filiado na época. De acordo com esse parlamentar, o ex-vice-presidente foi peça fundamental para barrar um movimento pelo impeachment de Lula. Esse gesto de lealdade de Alencar sempre foi ressaltado por Lula nas conversas no Planalto no pós-crise.

– Durante os momentos mais duros do governo a postura de Alencar foi absolutamente leal e parceira. Mostrando que não era homem chegado a golpe – disse o governador e ex-ministro do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA).

Para ministros que participaram do núcleo do governo Lula durante a crise do mensalão, se Alencar não tivesse sido tão firme na defesa de Lula, o movimento poderia ter crescido no Congresso.

– Havia uma movimentação pelo impechment de Lula. E Alencar foi de uma lealdade impressionante. O que chegou a ser sugerido é que, com a queda de Lula, ele assumiria o governo. Nem todo mundo teria o seu caráter – relembrava na quarta-feira um ex-ministro.

Aquele mês de agosto foi o pior momento da crise do mensalão, agravada com o depoimento do publicitário Duda Mendonça à CPI dos Correios. No Planalto, era grande a preocupação com a revelação do marqueteiro de que houve caixa dois no conjunto das campanhas do PT em 2002. Fragilizado politicamente, Lula temeu perder sustentação no Congresso.

Logo depois desse episódio, Alencar deixaria o PL para ajudar a fundar o PRB. Segundo relatos de interlocutores, o único momento em que a relação de Alencar e Lula ficou abalada foi pouco antes da campanha de 2006. Isso porque Lula cogitou substituí-lo como vice em sua chapa. Ele chegou a negociar nos bastidores com o PMDB e o nome do atual ministro da Defesa, Nelson Jobim, era um dos cotados. Ao saber da mágoa de Alencar com o episódio, Lula recuou e repetiu a dobradinha na chapa da reeleição.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/03/31/jose-alencar-barrou-movimento-que-tentava-impeachment-de-lula-924131873.asp#ixzz1cCiNI1Hx
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