Em entrevista ao canal TVGGN no Youtube [assista abaixo], ex-deputado federal José Genoino avaliou o cenário eleitoral brasileiro e defendeu que o PT e a esquerda precisam mudar de estratégia para a eleição presidencial de 2026, abandonando o modelo de governabilidade ampla adotado no início do terceiro mandato de Lula em favor de uma campanha mais combativa e propositiva.
Para Genoino, o presidente Lula já dava sinais de recuperação nas pesquisas antes do vazamento do áudio entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo ele, três fatores teriam contribuído para isso: o fracasso do chamado “acordão” articulado no Congresso para enfraquecer o governo, que envolvia a rejeição à CPI do Banco Master e a aprovação da dosimetria de penas, a visita de Lula aos Estados Unidos e o desgaste crescente do clã Bolsonaro diante de seguidas polêmicas.
“O acordão que foi feito para enfraquecer o Lula acabou fortalecendo o Lula, porque ele foi vítima de um acordão da maldade”, afirmou o ex-deputado, acrescentando que o próprio relator da dosimetria já teria recuado da posição inicial de revisar penas automaticamente.
Governabilidade
Genoino foi enfático ao criticar a estratégia adotada pelo governo Lula de fazer uma aliança ampla com o Centrão. Para ele, esse modelo tornou o governo “refém do Congresso” e rebaixou sua plataforma política. “A gente ficou muito domesticado pelos tapetes verdes e azuis do parlamento e dos palácios”, disse.
O petista defendeu que, em um eventual quarto mandato, o governo deveria construir um bloco próprio de entre 140 e 171 deputados e, a partir dele, fazer negociações pontuais, como fez com a pauta da jornada 6×1 e com a isenção do imposto de renda, em vez de tentar abraçar todo o espectro político desde o início.
Objetivos eleitorais
No campo eleitoral, Genoino elencou dois objetivos centrais para a esquerda nas eleições de outubro: impedir que a extrema direita conquiste maioria absoluta no Senado e evitar que ela mantenha maioria suficiente para aprovar emendas constitucionais ou abrir processo de impeachment na Câmara. Para ele, esses são os principais instrumentos de pressão e chantagem usados contra o Executivo.
Ele também defendeu a realização de um plebiscito popular para que a população decida sobre a manutenção das emendas impositivas, as chamadas “emendas Pix”, que consomem R$ 51 bilhões do orçamento federal. “Não é por acaso que Eduardo Cunha aprovou essa emenda constitucional. Isso é uma captura do orçamento”, afirmou.
Campanha
O analista defendeu que a campanha de 2026 não pode se repetir como a de 2022, quando o foco era conter a ameaça de Jair Bolsonaro. Desta vez, segundo ele, a esquerda precisa apresentar um projeto de futuro, com eixos em soberania nacional, reforma democrática e pauta popular, e dialogar ativamente com ruas, movimentos sociais e opinião pública, e não apenas com o parlamento.
“Nós não podemos ser identificados com o status quo. Nós somos de fora para dentro e temos que fazer esse movimento”, disse, citando como referências os modelos de Gustavo Petro na Colômbia e Claudia Sheinbaum no México.
Sobre o cenário bolsonarista, Genoino avaliou que o clã deve manter Flávio Bolsonaro como pré-candidato para preservar sua base mais fiel, mas reconheceu outras possibilidades em aberto, como uma chapa com Michel Temer (MDB) e Michelle Bolsonaro (PL) ou uma migração de apoio ao governador Ronaldo Caiado (PDS).
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Júlio Bastos
17 de maio de 2026 4:50 pmConcordo muito com Genoíno, basta de tentar acordos com o Centrão. Já deu pra ver que isso não resolve. É hora do tudo ou nada…
Mário Mendonça
18 de maio de 2026 7:17 amJúlio, falei isso pessoalmente a ele em 2004, sabe o que respondeu: somos minoria e estamos na presidência, temos que compor, senão cairemos!
Paulo Dantas
18 de maio de 2026 12:27 pmPara nào ficar “refém do Congresso” , sugiro ganhar o mesmo, eleger deputados e senadores.
Campanha pelo Legislativo também.