A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais brasileiras representa uma derrota que ultrapassa as fronteiras nacionais.
Essa é a avaliação do economista estadunidense Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008, no qual afirma que o Brasil resistiu às pressões da extrema direita e dos bilionários que concentram poder econômico e influência política.
Em texto publicado em sua newsletter no Substack, Krugman afirma que o Brasil resistiu às pressões da extrema direita e dos bilionários que concentram poder econômico e influência política.
Para o economista, o resultado eleitoral contraria as expectativas da direita internacional, que considerava provável a vitória do candidato do PL, e representa um sinal para outros países que enfrentam o avanço de forças autoritárias.
Em linhas gerais, a análise transforma a vitória de Lula em um episódio de alcance internacional e recoloca no centro do debate o papel das grandes fortunas, das plataformas digitais e da influência econômica sobre a vida democrática.
Críticas às plataformas digitais
Um dos principais pontos do artigo é a atuação das grandes empresas de tecnologia durante a campanha eleitoral. Krugman questiona particularmente a Meta, controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp, diante de relatos de restrições às contas de Lula e de recomendações que teriam favorecido conteúdos ligados a Flávio Bolsonaro.
O economista recupera reportagens da Reuters e da Bloomberg sobre episódios envolvendo as plataformas. Segundo informações divulgadas pela imprensa, comunicações internas da Meta indicariam que restrições aplicadas no Instagram prejudicaram contas de Lula, enquanto a plataforma recomendava o perfil do adversário e seu canal no WhatsApp.
A empresa atribuiu os episódios a problemas técnicos sem relação entre si. Krugman, contudo, questiona essa explicação, argumentando que a repetição de falhas aparentemente favoráveis ao mesmo campo político exige escrutínio público.
O economista faz uma ressalva importante: não há provas conclusivas de que Mark Zuckerberg tenha atuado deliberadamente para favorecer a volta do bolsonarismo ao poder. Ainda assim, considera legítimo investigar o comportamento das plataformas e os interesses políticos de seus controladores.
A crítica se estende a Elon Musk, a quem Krugman acusa de favorecer os interesses russos na guerra da Ucrânia. Para o Nobel, a concentração de poder tecnológico nas mãos de bilionários cria riscos que vão além da economia e alcançam conflitos internacionais, campanhas eleitorais e instituições democráticas.
Resistência às pressões de Trump
Krugman também relaciona o resultado brasileiro à política do presidente estadunidense Donald Trump, que impôs tarifas elevadas ao Brasil em 2025, em meio ao processo judicial contra Jair Bolsonaro.
Na avaliação do economista, a vitória de Lula demonstra que pressões econômicas externas e a influência de grandes empresários não são suficientes para determinar a escolha dos eleitores.
O artigo ainda menciona as denúncias de dificuldades de transporte público durante a votação, que levaram à prorrogação do horário de encerramento das urnas. A campanha de Lula atribuiu parte dessas interrupções a prefeitos aliados de Bolsonaro. Krugman considera as suspeitas plausíveis, mas elas devem ser tratadas como acusações, e não como uma conclusão definitiva sobre a existência de uma operação coordenada.
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