5 de junho de 2026

Lula: Brasil aceita negociação, e não imposição

Em entrevista à CNN norte-americana, presidente brasileiro sustentou defesa da soberania nacional e do multilateralismo
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista à CNN. Palácio da Alvorada. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva enfatiza que os Estados Unidos são um parceiro histórico do Brasil, mas que o país não vai aceitar imposições – e sim a negociação.

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“O Brasil é um aliado histórico dos Estados Unidos. O Brasil preza a relação econômica entre o Brasil e os Estados Unidos. Mas o Brasil não aceita imposição. O Brasil aceita negociação”, resumiu.

Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN norte-americana, Lula reiterou sua surpresa com a taxação de 50% imposta pelo presidente norte-americano Donald Trump, assim como a maneira como foi feito o anúncio.

“Eu penso que falta um pouco de multilateralismo na cabeça do presidente Trump. E ele sabe que um problema desses se resolve numa mesa de negociação”, destacou o presidente brasileiro, lembrando que as negociações com os EUA estavam em andamento desde março.

“Para nossa surpresa, em vez de resposta à carta, recebemos a notícia publicada no site do presidente da República”, explicou Lula, reiterando que a carta divulgada por Trump “está cheia de inverdades”.

“Primeiro, aqui no Brasil a justiça é independente. O presidente da República não manda na justiça. A segunda é que o déficit comercial não é verdade. Os Estados Unidos, nos últimos 15 anos, tiveram superávit de US$ 410 bilhões com relação ao Brasil”, afirmou o presidente.

“E terceiro, se a gente vai cobrar ou não imposto das big techs é um problema do governo brasileiro. Se a gente cobrar uma taxa alta e eles não se contentarem, se estabelece uma negociação (…)

Defesa da soberania nacional

Em recado a Trump, Lula destacou a necessidade de se respeitar a soberania dos países. “É preciso respeitar as coisas que acontecem dentro de um país. Eu não sou um presidente progressista, eu sou o presidente do Brasil. Eu não vejo o Trump como presidente de direita, eu vejo como presidente dos Estados Unidos”.

Diante disso, a melhor coisa a ser feita é sentar numa mesa para conversar. “Até agora, ele tem demonstrado que não tem interesse, porque acha que pode fazer as tarifas que quiser. Ninguém quer romper com os Estados Unidos, ninguém quer prescindir dos Estados Unidos. O que queremos é não ser refém dos Estados Unidos”.

Lula lembrou que, se a negociação não der resultados, o país vai recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), sozinho ou com um grupo de países, ou mesmo utilizar a Lei da Reciprocidade aprovada pelo Congresso Brasileiro.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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