4 de junho de 2026

Lula confirma disputa pelo quarto mandato e volta a defender alternativas ao dólar

Presidente participou de cerimônia em Jacarta, na Indonésia, e destacou parceria estratégica entre os dois países
Crédito: Ricardi Stuckert/ PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta quinta-feira (23), a intenção de disputar um quarto mandato nas eleições de 2026, durante discurso em Jacarta, na Indonédia, ao lado do presidente indonésio, Prabowo Subianto.

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Durante a coletiva de imprensa, Lula defendeu ainda o fortalecimento da parceria econômica entre ambos os países. O chefe do Executivo destacou que a Ásia tem ocupado um papel central em sua agenda internacional em 2025, com visitas anteriores ao Japão, Vietnã e China.

Lula ressaltou que o comércio bilateral entre Brasil e Indonésia triplicou nas últimas duas décadas, alcançando cerca de US$ 6 bilhões, mas disse que o valor ainda é “pouco diante do potencial” das duas economias. “É pouco para a Indonésia, é pouco para o Brasil e eu acho que o povo da Indonésia e o povo do Brasil merecem que nós façamos um sacrifício maior para garantir que o comércio entre a Indonésia e o Brasil cresça de acordo com o crescimento da nossa população”, declarou.

Entre os acordos firmados durante a visita estão memorandos nas áreas de estatística, agricultura, energia, ciência e tecnologia. O presidente também mencionou tratativas voltadas à mineração e à defesa, além da intenção de avançar em um acordo de comércio preferencial entre o Mercosul e a Indonésia até o fim da presidência brasileira do bloco, em dezembro.

“Nós queremos multilateralismo e não unilateralismo. Nós queremos democracia comercial e não protecionismo. […] Tanto a Indonésia quanto o Brasil têm interesse em discutir a possibilidade de comercialização entre nós dois ser com as nossas moedas. Essa é uma coisa que nós precisamos mudar”, acrescentou.

Lula destacou ainda o papel dos dois países em temas globais, como o combate à crise climática, a reforma do Conselho de Segurança da ONU e a promoção de uma economia de baixo carbono. “Estamos entre os maiores países detentores de florestas tropicais e com a maior biodiversidade do mundo. Também somos grandes produtores de biocombustíveis que terão um papel fundamental a desempenhar na transição para a economia de baixo carbono. Indonésia e Brasil trabalharão juntos para uma transição energética justa rumo a economias menos poluentes e mais sustentáveis sem prescindir da geração de emprego, de qualidade e da redução das desigualdades”, disse.

Ao final do discurso, o presidente agradeceu a hospitalidade do governo indonésio e mencionou planos futuros. “Eu quero lhe dizer que eu vou completar 80 anos, mas pode ter certeza que eu estou com a mesma energia de quando eu tinha 30 anos de idade. E vou disputar um quarto mandato no Brasil”, afirmou o presidente brasileiro. “Então, eu estou lhe dizendo isso porque nós ainda vamos nos encontrar muitas vezes. Esse meu mandato só termina em 2026, no final do ano. Mas eu estou preparado para disputar outras eleições e tentar fazer com que a relação entre Indonésia e Brasil seja uma relação pura demais, valorosa, e que a nossa relação traga mais empresários brasileiros para visitar a Indonésia.”

Estabilidade para atrair investimentos

Em outra agenda, Lula participou do Fórum Econômico Brasil–Indonésia e afirmou que o Brasil oferece segurança jurídica, política e social a investidores estrangeiros. Lula também ressaltou o potencial bilateral no agronegócio, biocombustíveis e minerais críticos, defendeu o fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países e convidou investidores indonésios a ampliarem seus negócios no Brasil.

O presidente brasileiro garantiu que o país oferece aos investidores “seis pilares de estabilidade” — fiscal, jurídica, política, econômica, social e de previsibilidade —, considerados essenciais para quem pretende aplicar recursos no país.

“O Brasil faz questão de oferecer a todo e qualquer investidor que queira procurar o Brasil como um país onde ele possa estabelecer seus investimentos e ter como retorno aquilo que é o resultado do investimento”, afirmou.

O presidente lembrou que visitou a Indonésia pela primeira vez em 2008, no auge da crise financeira global, e disse que, desde então, o intercâmbio comercial entre os países saltou de US$ 2,2 bilhões para US$ 6,3 bilhões em 2024. Apesar do avanço, ele avaliou que o volume ainda é “muito pouco” diante do potencial das duas economias, que somam quase 500 milhões de habitantes.

Agronegócio, biocombustíveis e minerais críticos

Lula ressaltou que a Indonésia é o quinto maior parceiro do agronegócio brasileiro, sendo destino de produtos como soja, açúcar, trigo e café. Ele afirmou que o Brasil pode contribuir para a segurança alimentar da população indonésia, incluindo o programa de refeições escolares anunciado pelo presidente Prabowo Subianto.

O presidente também defendeu a criação de um mercado global de biocombustíveis, destacando o papel de Brasil e Indonésia como grandes produtores de bioenergia. Segundo ele, o etanol é uma alternativa viável e imediata para a descarbonização do setor marítimo, tema que o país levará à COP-30, marcada para 2025, em Belém (PA).

“Vamos mostrar que é possível promover o desenvolvimento, enfrentar a mudança do clima e proteger as florestas tropicais e sua rica biodiversidade”, disse.

Lula mencionou ainda o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que contará com investimento inicial de US$ 1 bilhão do Brasil. O objetivo, segundo ele, é financiar países que mantêm suas florestas em pé, como Indonésia, Congo e nações da Amazônia, gerando dividendos para quem protege os biomas. “Se esse fundo funcionar, ninguém mais vai precisar pedir dinheiro como esmola para preservar a floresta”, declarou.

Em outro trecho, o presidente afirmou que o Brasil possui 10% das reservas mundiais de minerais críticos e que a criação do Conselho Nacional de Minerais Críticos, vinculado à Presidência da República, será fundamental para garantir a soberania sobre esses recursos. Ele citou a experiência da Indonésia no beneficiamento de minérios como exemplo de modelo de desenvolvimento que agrega valor e gera empregos.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    24 de outubro de 2025 7:14 am

    A evanjeguização do STF é inadmissível. Portanto, Lula já perdeu o meu voto.

  2. Rui Ribeiro

    24 de outubro de 2025 8:46 am

    Enquanto isso, o Flávio Bostonaro deseja que a Baía de Guanabara seja bombardeada pelo Trump, para acabar com os traficantes, concorrentes dos Milicianos:

    “Que inveja! Ouvi dizer que existem barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o Brasil com drogas. Você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?” – Flávio Bostonaro, sobre as embarcações alvejadas pelos EUA na América do Sul

    A Famílicia Bostonara não aceita o tráfico, pois os traficantes são concorrentes dos milicianos e os Bostonaristas não aceitam a concorrência.

  3. Rui Ribeiro

    24 de outubro de 2025 12:43 pm

    O Ciro Nogueira e o Nikúlas Ferreira são a favor do consumo de drogas mas são contra os traficantes. O Lula é contra o tráfico e o uso de drogas.

    “Toda vez que a gente fala de combater as drogas, possivelmente fosse mais fácil a gente combater os nossos viciados internamente, os usuários”. – Lula

    Quando o Lula se referiu aos viciados, o Nikolas Ferreira reagiu. O primo dele é traficante. Sem usuários, como o primo do Nikolas Ferreira vai lucrar com o tráfico de drogas?

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