5 de junho de 2026

NYTimes: como escrever jornalisticamente sobre o MST

Presente em ocupação na Bahia, jornal aborda questões legais e o efeito que a ocupação de uma área vazia trouxe para a região
Foto MST

O jornal norte-americano The New York Times publicou em seu website uma longa reportagem mostrando a atuação do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), destacando o impacto favorável da ocupação, mas também apontando a discordância dos donos das terras.

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A publicação cita a ocupação de um rancho de 370 acres (mais de 149 mil hectares) pelo MST no interior da Bahia, que estava vazio exceto por uma vaca encontrada.

Três meses depois, os ativistas transformaram a região em uma vila com cerca de 530 famílias, com terra sendo preparada para o cultivo de feijão, milho e mandioca – enquanto os herdeiros das terras querem que os posseiros “desapareçam”.

Embora o NYT considere as táticas do MST “agressivas”, tanto os tribunais como as autoridades reconheceram milhares de assentamentos, tomando como referência leis que afirmam que as terras agrícolas devem ser produtivas.

Com esses acordos legais, o MST se tornou um grande produtor de alimentos – além de ser o maior fornecedor de arroz orgânico da América Latina, o movimento vende centenas de milhares de toneladas de leite, feijão, café e outros alimentos por ano.

Peso histórico da desigualdade

A publicação destaca ainda a questão histórica em torno das propriedades de terra, onde a distribuição na era colonial concentrou a terra nas mãos de homens brancos e poderosos – o governo tem tentado equilibrar a balança com o confisco de terras não usadas e doando para quem precisa.

“Enquanto os esquerdistas abraçam a causa – os chapéus vermelhos do movimento representando um casal segurando um facão se tornaram comuns em bares hipster – muitos brasileiros o veem como comunista e criminoso”, diz o NYT, apontando inclusive o diálogo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta construir com a indústria agrícola e seus representantes no Congresso.

Enquanto críticos dizem que o governo incentiva as invasões ao facilitar a concessão ao invés de fazê-los passar por trâmites burocráticos, os líderes afirmam que tomam as terras “porque o governo não age a menos que seja pressionado”.

O terreno usado como exemplo pela reportagem é um exemplo: os herdeiros conseguiram junto a um juiz local que o acampamento fosse desmantelado sob o argumento de que a terra era produtiva. A polícia interrompeu a ação por medo de confronto, e o caso está na justiça.

A íntegra da reportagem pode ser lida clicando aqui

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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