5 de junho de 2026

O engenheiro economista e o economista político

Por André Araújo

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Os engenheiros-economistas tornaram-se um fenômeno tão brasileiro como a feijoada.  São pessoas com formação em engenharia, normalmente de produção, mecânica, naval, elétrica e depois de graduados fazem um curso em nível de mestrado em economia. É algo bastante raro nos EUA e Europa. Lá o economista é uma formação específica e não um apêndice de outra profissão. Nos EUA a graduação em economics prepara o graduado para área de pesquisa econômica e não para negócios,  para a qual existe outra formação, o Business Administration. Aqui existia um adesivo da Ordem dos Economistas que se colavam nos carros tipo ” Antes de de Fazer um Negócio consulte um Economista”, o que seria incompreensível nos EUA, lá economista não é para isso, geralmente vão para o campo acadêmico ou governo, não para a atividade comercial.

Os engenheiros-economistas, caso de Joaquim Levy (engenheiro naval), Pedro Malan (engenheiro eletrecista) Mario Henrique Simonsen (me parece que civil) não tem a base humanística e política dos economistas de graduação pura, hoje esses engenheiros-economistas são os preferidos do sistema financeiro, especialmente do Itaú Unibanco, cujo fundador Olavo Setúbal era engenheiro, o modelo Itauú migrou para a maioria dos bancos coalhados de engenheiros.

O economista puro, se tiver boa escolaridade na área, geralmente tem uma visão com boa dose de ciências humanas e políticas, porque a economia é do grupo das ciências humanas e não das ciências exatas, mas o engenheiro-economista tem uma cabeça de engenheiro e não de economista, já escolheu engenharia por ser bom matematico, normalmente tem o viés de ciências exatas, são grandes calculistas e trabalham a economia como se estivessem fazendo um cálculo de concreto. Parece algo irrelevante mas é uma clivagem crucial. O engenheiro-economista é sempre um especialista em cálculos, por isso os bancos tem tanta preferência por esse tipo de profissional.

A visão política de um Roberto Campos, formado em teologia e direito e só depois fez mestrado em economia e Delfim, grande economista puro, de um Celso Furtado, formado em direito e só depois com mestrado em economia são visões muito mais sofisticadas do ponto de vista social do que a dos áridos engenheiros-economistas bons de cálculo.

A percepção é clara no discurso de Joaquim Levy. Não há na sua narrativa NENHUM fiapo de preocupação social.

Na sua formação, especialmente da segunda fase na Universidade de Chicago, não há espaço para indagações políticas e sociais, se o desemprego é 7% ou 20%, são apenas números de cálculo, não vidas, almas, sofrimento, resistência, atrás desses números, são apenas números, tais como arrecadação e superávit, não há nada.

O tempero dessa visão fria tem que ser dado por outro poder, porque se não temperar o engenheiro-economista leva o barco ao fundo com o mais perfeito dos cálculos, fazendo o que Levy está executando, o que pode resumir-se, preparar o Brasil para os tucanos assumirem com a casa arrumada em 2018, não precisa explicitar porque esse é o resultado politico do ajuste fiscal somado ao arrocho monetário, algo que não aparece na planilha do Ministro.

No caminho do ajuste fiscal com aperto monetario está a liquidação do capital politico do PT, até um cego vê.

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38 Comentários
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  1. Nicolas Crabbé

    29 de maio de 2015 1:47 pm

    Pois é

    André, até um cego vê, mas a Dilma continua sem enxergar…

  2. Antonio Lemos

    29 de maio de 2015 1:53 pm

    ENGENHARIA + ECONOMIA = PODER

    ENGENHARIA + ECONOMIA = PODER

    Esse era o lema que tinha na Faculdade de Economia da Fundação Santo André onde eu me forme laaaaaaaá nos anos 80.

  3. droubi

    29 de maio de 2015 1:56 pm

    Nesta vc passou longe, André.

    Mas muito longe mesmo.

    A preocupação social, política, etc. não é uma questão de ser advindo de uma escola de engenharia ou não. Euclides da Cunha era engenheiro. E daí?

    No mundo econômico norte-americano, o que divide os ecomistas são as escolas de economia: os salt-waters contra os fresh waters.

    Levy é essencialmente um fresh water, um chicago boy, como dizíamos nos anos 90.

    E a escola de economia de Chicago é assim mesmo: os economistas provenientes de lá são, em regra, ultra-ortodoxos, não tem viés social, político, etc. São os economistas “cabeças-de-planilha”, digamos assim, dos EUA. São aqueles “modeleiros”: fazem um conjunto de premissas, montam um modelo, rodam uma regressão e, num passe de mágica, chegam nas conclusões mais absurdas, que, tivessem estudado Keynes na faculdade (hoje em Chicago nem os professores devem saber mais quem foi Keynes), com aritmética básica descobririam que os seus resultados de seus modelos eram absurdos.

    E os economistas americanos também dão consultoria para as empresas privadas sim. Não existe este limite de economistas de um lado e busines administration do outro.

    Lembro de alguns anos atrás pegaram no pé do Paul Krugman nos EUA porque ele deu uma consultoria por um tempo na Enron. Foi um meio dos seus detratores, que não tinham condições de refutar os seus argumentos, pelo menos que desmerecessem o seu autor (falacia ad hominem).

    Assim como há os economistas consultores hoje dos grandes fundos de investimento (veja o exemplo recente do Ben Bernanke, que se não me engano virou consultor da Pimco). Ou seja, não é uma questão de que o economista tem uma formação apenas acadêmica e não prática, que eles vão trabalhar no governo ou nas universidades, enquanto os formados em BA vão para as empresas.

    Tivesse o Levy estudado em Princeton e ele seria um engenheiro-economista muito diferente.

     

    1. Andre Araujo

      29 de maio de 2015 5:41 pm

      Voce está confundindo tudo.

      Voce está confundindo tudo. NÃO estou me referindo a engenheiros enquanto tal, exercendo sua profissão. Estou

      me referindo a ENGENEHRIOS ECONOMISTAS, uma criação tão brasileira como o samba-canção.

    2. Andre Araujo

      29 de maio de 2015 5:47 pm

      Euclides da Cubha era

      Euclides da Cubha era engenheiro e?   

      Não estou me referindo a engenheiros como tal e sim a ENGENHEIROS-ECONOMISTAS, este é o foco do post.

  4. João de Paiva

    29 de maio de 2015 2:12 pm

    Pedro Malan era Engenheiro

    Pedro Malan era Engenheiro Eletricista (não existe a plavra eletrecista). A tese do articulista não se sustenta e há contradições evidentes até nos exemplos de ex-ministros que ele evoca. Mais frio, calculista e liberal que Roberto Campos não houve nenhum;  e RC não era engenheiro. E quando o autor tece loas ao Delfim… Aí é demais! É subestimar a inteligência dos leitores. Apenas Celso Furtado, dos três citados, faz jus às qualidades que o autor considera essenciais a quem deve ocupar posições na área econômica de um governo.

    Sou Engenheiro ELetricista e sempre tive visão humanista. Como  eu, vários outros engenheiros, das diferentes áreas. Engenheiros-economistas ocupam cargos importantes em empresas (sejam elas da área financeira ou qualquer ramo da Engeharia) ou são nomeados para ocupar cargos em áreas importantes do governo pelo preparo e competência. E todos (engenheiros e economistas, principalmente) sabem que é muito mais viável um engenheiro se tornar mestre em Economia do que um economista vir a ser mestre em Engenharia. Esse visão preconceituosa do autor compromete a qualidade do artigo.

    Por fim deixo claro que, em relação a Joaquim Levy, Mário Henrique Simonsen e Pedro Malan compartilho da opinião do articulista. Mas discordo da fundamentação apresentada por André Araújo. A falta de visão humanista desses ex-ministros não decorre e não é conseqüência direta deles serem engenheiros de formação.

     

    1. Andre Araujo

      29 de maio de 2015 5:59 pm

      Roberto Campos, de quem fui

      Roberto Campos, de quem fui amigo e visitei ate o fim da vida, era um homem espirituoso, gostava de cinema que conhecia muito (foi Consul do Brasil em Los Angeles durante a Segunda Guerra), não tinha absolutamente nada de frio, uma inteligencia brilhante, criou muita coisa que nos afeta a vida, o BNDE, o Banco Central, o FGTS, o Sistema Financeiro da Habitação, um grande homem de nossa historia recente, foi secretario da Delegação Brasileira na Conferencia de Bretton Woods.   Sua visão ideologica não é o que está em discussão e sim a qualificação e a personalidade.

      Delfim foi tudo e tambem faz parte de nossa historia, criou muita coisa, como por exemplo a Lei da Alienação Fiduciaria que possibilitou até hoje a venda a prazo de automoveis. No seu periodo a frente da economia o Brasil cresceu em um ano

      11,3% recorde mundial. Economista ecletico podia ser ortodoxo em um ano e heterodoxo em outro.

      A analisde do personagem historico independe de ideologia. Sou um admirador do Marechal Zhokov, tenho varias biografias dele, um grande general ,  comunista de quatro costados e eu não sou comunista, não importa,

      é possivel ver o personagem na sua dimensão alem da ideologia, Campos e Delfim são personagens importantes da Historia do Brasil moderno para cuja construção muito contribuiram.

  5. Doney

    29 de maio de 2015 2:18 pm

    Os tucanos não assumirão em

    Os tucanos não assumirão em 2018. Já o fizeram.

  6. Juliano Santos

    29 de maio de 2015 2:25 pm

    Mais um excelente post do AA.

    Mais um excelente post do AA. Acho que deu até uma contribuição à teoria dos “cabeças de planilha” do Nassif. Seriam esses economistas-engenheiros?

    PS: Não sou tão pessimista. Acho que a Dilma sabe que o Levy precisa de um contraponto. Por exemplo, taxação de grandes fortunas com certeza não sairam da planilha do “engenheiro calculista”

  7. gabi_lisboa

    29 de maio de 2015 2:26 pm

    O problema não é o Levy, o Kassab ou a Katia Abreu,

    mas a gerente que faz essas escolhas sem ter um projeto de país e nem de governo. Se houvesse um projeto claro, as limitações de um ministro deveriam ser supridas pelas qualidades dos demais e haveria uma politica norteadora unificando diferentes visões que deveriam ser trabalhadas em conjunto, mas na verdade o que há é uma hierarquização dos ministérios, com o Levy e sua visão cartesiana de economia reinando sobre os demais ministros. Onde ela quer chegar com isso? Acho que nem ela sabe, mas ela tem certeza que está no caminho certo. Com isso, a Dilma vai se consolidar como o melhor cabo eleitoral do psdb.

  8. Álvaro Noites

    29 de maio de 2015 2:36 pm

    Realmente acredito ser um

    Realmente acredito ser um imenso desperdício engenheiros recém-formados rumando para bancos, fenômeno este muito comum nos anos FHC.

    Engenheiros devem ser, acima de tudo, desenvolvimentistas, e não financistas.

    Entretanto, percebi no texto uma puxada de brasa para a sardinha dos profissionais de ciências humanas.

    Já que foram dados exemplos de economistas-engenheiros ruins e economistas-humanas “brilhantes”, vamos ver o outro lado da moeda:

    – Zélia Cardoso de Mello, economista pela USP

    – Leonel Brizola, engenheiro civil

    – Armínio Fraga: economista

    – Itamar Franco: Engenheiro Civil

    – Gustavo Franco: Economista

    – Henri Philippe Reichstul: Economista e presidente da “Petrobrax”

    – Aécio Neves: economista

    – Procuradores “intocáveis”: todos bacharéis em direito

  9. CARLOS PINHEIRO JR.

    29 de maio de 2015 2:39 pm

    Pelo menos no Brasil, é assim mesmo.

    André, eu trabalhei durante dezesseis anos no Banco Garantia (depois Banco Credit Suisse Garantia), e o número de engenheiros-economistas sempre foi majoritário nas áreas de Research, Asset Management e Investment Banking. Muita competência técnica e sensibilidade social próxima de zero.

    1. Athos

      29 de maio de 2015 3:51 pm

      Então o RH do banco deve ser
      Então o RH do banco deve ser muito bom!

      Mas são assim Porque são engenheiros ou porque São funcionários do banco E é este o perfil desejado?

      1. Paulo F.

        29 de maio de 2015 4:11 pm

        Questão de $

        Engenheiros são baratos de contratar, pois desde 1980 a profissão foi aviltada. Nos últimos dez anos melhorou, mas vai a breca de novo!

  10. mcn

    29 de maio de 2015 2:53 pm

    Sim e não, André.

    Sim, Levy não tem demonstrado preocupação social com suas medidas de ajuste.

    Não, nem todo economista que passa pelo executivo tem preocupação com a redução da desigualdade social. Aécio é economista. Serra também (se bem que nunca ninguém viu o diploma dele…).

    Aliás, na última eleição, 3 economistas estavam no páreo: Dilma, Aécio e Eduardo Campos.
     

  11. basílio

    29 de maio de 2015 3:10 pm

    Qual a visão social de
    Qual a visão social de Delfim?
    Assina-le a alternativa correta:
    a) Mandar o povo “apertar os cintos”.
    b) Fazer “o bolo crescer para depois (põe depois nisso) dividir”.
    c) Co-Assinar o AI-5, com as consequências sabidas.
    d) Dizer algumas obviedades fazendo cara de cientista.
    e) Todas as respostas são verdadeiras.

    E de Bob Fields?
    a) Servir a ditadura
    b) Conduzir a economia visando a exclusão social
    c) Chamar a Petrobras de Petrossauro e propor sua venda ao primeiro que aparecer.
    d) Ser da direita entreguista
    e) Todas as respostas são vetdsdeiras

  12. Paulo F.

    29 de maio de 2015 3:10 pm

    Olavo Setúbal era

    Olavo Setúbal era Politécnico. Queria deixar o Setúbal contente falasse da Poli.

    Samuel Pessoa é físico alem de economista.

    Mas ainda penso que o Droubi matou a charada: salt water X fresh water!

    Agora o que necessita uma mudança é o ensino de economia (no Brasil em especial e no mundo em geral), pois depois da supply side economics o mundo necessita de uma onda de renovação.

  13. vini

    29 de maio de 2015 3:24 pm

    Desregulamentação de mercados

    Acho que esse fenômeno da migração de profissionais com formação em ciências exatas e engenharias para a “Engenharia Financeira” começou com a grande desregulamentação de mercados em escala global introduzida com neoliberalismo.

    Se você for procurar nos maiores bancos mundiais, e na Bloomberg, por exemplo, existem verdadeiros exércitos de pessoas formadas em ciências exatas e que migraram para a engenharia financeira, por ser atrativo do ponto de vista salaria e de bonus. Isso caiu com uma luva para essas instituições, que usam essa mão de obra, muitas vezes com excelente formação acadêmica, para o desenvolvimento de modelos econométricos, quantitativos e etc.

    Tive muito contato com pessoas com esse perfil. Mas como o André disse, em geral, falta-lhes essa visão política e social. Lembro que, acho que, em 2010 ou 2011, tive uma discussão com um deles que acreditava que o Dólar, então na casa de R$ 1,60 iria cair até R$1,30. Eu disse a ele que o governo iria e não permitiria. Ele se manteve firme na opinião, e eu tentei alertá-lo que isso prejudicaria a indústria, etc e tal…

    Infelizmente, esse pensamento quantitativo domina o mercado e, por corolário, domina a mídia mainstream no Brasi, que pressiona o Governo, fazendo terrorismo financeiro. Como não existem canais alternativos com fôlego para enfrentar esse tipo de campanha insensata, fica difícil dar voz a um pensamento diferente, que faça um contra-ponta à Miriam Leitão e colaboradores.

  14. Ana Dias

    29 de maio de 2015 3:38 pm

    Vou pitacar

    Nessa vou dar meu pitaco, pois além de Engenheira de Produção, com muitos colegas trabalhando no mercado financeiro (onde os salários são normalmente muito maiores do que nas indústrias), sou professora desse curso na UFMG e faço diversas pesquisas com economistas aqui.

    Acho que o André pegou um ponto interessante, que fornece uma boa pista. Porém acredito que o raciocínio está um pouco invertido.

    Primeiro, não é necessariamente verdade que todo economista tenha uma sólida formação humanista. há diversas formações em Economia, seguindo as diversas ontologias/linhas de pesquisa. Assim, conseguimos identificar as escolas mais desenvolvimentistas (normalmente, mais sólidas em economia política e formação humanista), outra mais liberais, onde grassa atualmente a econometria como rainha das metodologias.

    Pois bem, acho que o problema está aí. O modelo neoliberal alçou a econometria a sinônimo de boa economia. Isso pode ser visto tanto no mercado, quanto na pesquisa. Índices de “produtividade acadêmica” (publicações) são muito maiores nas áreas mais matemáticas da Economia do que nas áreas mais sociais. Isso tem um impacto gigante na formação dos estudantes de graduação (atração de alunos de Iniciação Científica, mais verbas para pesquisa na área de econometria etc).

    Ocorre que, ainda que muitas escolas de Economia ofereçam uma excelente formação matemática (principalmente após os anos 1990, justamente respondendo a essa supervalorização da econometria), obviamente qualquer boa escola de Engenharia oferece, por default, uma excelente formação matemática. Logo, se uma empresa precisa de um profissional com essa formação (voltando ao raciocínio acima – Economia = econometria = matemática), ela corre muito menos riscos com os Engenheiros…

    O problema não está na Engenharia, mas sim na identificação da Economia com a matemática. O surgimento de engenheiros-economistas é só uma consequência.

    Em tempo: as diretrizes contemporâneas para a formação em Engenharia pregam a necessidade de introdução de uma visão mais sistêmica (o que incluiria uma visão “humanística”) da realidade. Particularmente, não acredito que seja possível ser um bom engenheiro sem essa visão. Aqui na UFMG existe um programa de inovação no ensino voltado para essa questão.

  15. Lionel Rupaud

    29 de maio de 2015 3:44 pm

    Parabéns mais uma vez, mas

    pessoalmente, continuo achando (mas posso mudar de opinião!) que a maior catástrofe é a atuação do BACEN, não só fazendo aperto monetário em pleno recessão e aperto fiscal, mas mostrando que não se preocupa com a taxa de cambio, deixando ela se valorizar a toda oportunidade, preferindo resolver o nosso grande e crescente déficit em conta corrente na base de entrada de “hot money” vindo fazer “carry tarde” nas costas dos nosso contribuintes, que, coitados, nem percebem, já que “nossa” mídia corporativa cobra por proteção ao esquema.

    1. Daniel Klein

      29 de maio de 2015 6:55 pm

      na mosca

      Lionel, você apontou o problema mais grave da nossa macroeconomia.

  16. Athos

    29 de maio de 2015 3:47 pm

    Isso acontece no Brasil
    Isso acontece no Brasil porque a base matemática é fraca demais e o curso de economia se omite. Só formam economistas capengas que tem dificuldades em matemática básica , matérias de segundo grau.
    Então, o Mercado busca estes profissionais, engenheiros, gente que sabe matemática.

    Na faculdade de economia vc pode levar sua prova de cálculo para casa e entregar no dia seguinte.
    Não é piada! Já vi acontecer e foi na UFRJ!

  17. Daniel Klein

    29 de maio de 2015 4:17 pm

    Nosso cenário é muito peculiar

    Ótimo post. O eocnomista tem de ter uma boa formação humanística. Só uma sólida formação matemática não é bastante. Simonsem, por exemplo, foi um dos maiores talentos matemáticos da história brasileira. Pessoas do Instituto Brasileiro de Matemática Pura e Aplicada, onde ele deu aulas de matemática, atestam isso. Mas foi um mal gestor de finanças públicas, pois dava prioridade absoluta às contas do governo, sem considerar que o papel primordial do Estado é prover condições para o avanço do bem estar das pessoas. Só espero que o post não leve pessoas de esppírito menos lúcido a concluir que ignorância em matemática seja um pre-requisito para que alguém seja bom economista. Keynes, certamente o maior economista do século 20, quando estudante universitário ganhou medalhas por sua distinção em matemática. 

    É também essencial que se entenda o cenário americano quando Keynes inspirou o New Deal. A economia americana se via diante de um enorme poder (poder, não apenas capacidade instalada) de produção de bens, que não eram consumidos porque a depressão econômica havia liquidado a renda das pessoas e bloqueado o consumo. Só um agente que agisse fora da lógica e contingências empresariais poderia romper o círculo perverso, e esse agente era o governo. A capacidade tecnológica do país era sem igual em toda a História. Daí foi programado um vigoroso programa de investimentos públicos em infraestrutura, que empregou milhões de pessoas e alavancou o consumo, o que colocou novamente a máquina econômica em movimento. A máquina estava primorosa, só faltava o motor de arranque. Foi necessário destruir imensos estoques de produtos agrícolas para que os agricultores achassem viável voltar a produzir.

    O cenário brasileiro no momento é bem distinto. Somos uma economia baseada no consumo, endividada e mesmo assim ávida por produtos nacionais e principalmente importados, com capacidade tecnológica bem abaixo da nossa dimensão econômica, com um setor empresarial que cresceu e foi fomentado pelas tetas do governo. Temos a quarta indústra automobilística do mundo, mas não temos uma única empresa brasileira. Sequer se conseguiu internalizar parte do esforço de pesquisa das montadoras que ingressaram no país. Nossa economia, por algum tempo, tem se baseado principalmente no setor terciário. Restaurantes, spas e salões de beleza são a coisa mais viável no Brasil, por isso cobram um dos preços mais altos do mundo.

    Cada cenário tem de ser visto com sua características. Se Keynes fosse nosso ministro da fazenda ele começaria a solução de uma outra maneira, adaptada à nossa realidade.

    1. Andre Araujo

      29 de maio de 2015 5:45 pm

      Meu caro Daniel, excelente

      Meu caro Daniel, excelente comentario. O meu receio com Levy é que nesse vies calculista NÃO SE ANALISA A QUALIDADE DOS CORTES, podem cortar hospitais e não cortar os jatinhos dos ministros, tanto faz, para o engenheiro-economista o que interessa é o numero final. Cortou 70 bilhões? Então está otimo, não importa o que cortou.

  18. Calvin

    29 de maio de 2015 8:59 pm

    Estamos na era da ciência de dados

    Algoritmos estatísticos são usados em anúncios na Internet, ou na tela inicial do Netflix.

    O engenheiro-economi [cis] sta está mais moldado aos tempos atuais por conta disto, os modelos matemáticos se assemelham pois tanto internet, redes sociais e mercado são formados por pessoas.

    Os antigos economistas filósofos acabaram por falta de discussão academicista, dado que a escola adversária (o socialismo) faliu!

  19. Johann

    29 de maio de 2015 9:07 pm

    País colônia não é campo fértil para engenharia

    Em 1977 assisti a uma palestra na faculdade de engenharia de São Carlos (USP) de uma socióloga (o nome não me lembro) que foi mostrar seu trabalho sobre não haver condições para um engenheiro desenvolver tecnologia num Brasil tomado por multinacionais, os engenheiros que ficavam na area da engenharia se proletarizavam, fazendo apenas adaptações da tecnologia imposta por estrangeiros. Se quisessem alçar voos maiores na engenharia teriam que emigrar. Se quisessem ficar e crescer, passavam para administração de empresas e economia. Tanto que agora a situação para engenharia melhorou muito com a atuação do PT.

  20. daniel barbosa

    29 de maio de 2015 11:06 pm

    Um mero advogado ditando quem

    Um mero advogado ditando quem é bom economista e quem não é.

    Está condenando o único acerto nos dois governos Dilma, onde reinou a medíocridade. Levy é um economista técnico, calculista, sem ideologia, como TODO ministro da fazenda deveria ser. Será que o desastre Mantega não foi suficiente para convecer os partidários que sociólogo(Mantega não é economista, pra quem não sabe) e economia não combinam, mesma coisa com doutores da Unicamp, que nem o PT teve coragem de colocar no ministério.

    “Economia politica” é como chamavam a economia não-ciência arcaica do século XIX. Pelo jeito, os heterodoxos emperraram lá.

    André, antes de se considerar acima de PhD’s em Chicago, faça uma aula de introdução a microecnomia I, vai mudar a sua vida. Alguém que nunca fez uma matéria de ciência econômica e não tem conhecimento de matemática e estatística subestima o quão técnica a profissão é, e eu garanto, é tão técnica quanto qualquer engenharia.

    Meu texto pode parecer arrogante à priori, mas se você ler direito, vai ver que é o contrário, é um exercício de humildade. Eu sou economista, na faculdade fiz todas as minhas eletivas em matemática e engenharia elétrica, e não sei quem são os melhores advogados. Se eu precisar de um advogado um dia, e quiser saber quem são os bons, vou perguntar a outros advogados. Um pouco mais de humildade com uma área que você não domina, por favor.

  21. daniel barbosa

    29 de maio de 2015 11:06 pm

    Um mero advogado ditando quem

    Um mero advogado ditando quem é bom economista e quem não é.

    Está condenando o único acerto nos dois governos Dilma, onde reinou a medíocridade. Levy é um economista técnico, calculista, sem ideologia, como TODO ministro da fazenda deveria ser. Será que o desastre Mantega não foi suficiente para convecer os partidários que sociólogo(Mantega não é economista, pra quem não sabe) e economia não combinam, mesma coisa com doutores da Unicamp, que nem o PT teve coragem de colocar no ministério.

    “Economia politica” é como chamavam a economia não-ciência arcaica do século XIX. Pelo jeito, os heterodoxos emperraram lá.

    André, antes de se considerar acima de PhD’s em Chicago, faça uma aula de introdução a microecnomia I, vai mudar a sua vida. Alguém que nunca fez uma matéria de ciência econômica e não tem conhecimento de matemática e estatística subestima o quão técnica a profissão é, e eu garanto, é tão técnica quanto qualquer engenharia.

    Meu texto pode parecer arrogante à priori, mas se você ler direito, vai ver que é o contrário, é um exercício de humildade. Eu sou economista, na faculdade fiz todas as minhas eletivas em matemática e engenharia elétrica, e não sei quem são os melhores advogados. Se eu precisar de um advogado um dia, e quiser saber quem são os bons, vou perguntar a outros advogados. Um pouco mais de humildade com uma área que você não domina, por favor.

  22. zepelim

    29 de maio de 2015 11:55 pm

    Doutor, será que Plasil é bom pra ler André Araújo ?

    Talvez tenha sido ao ler o que esse ‘erudito’, algum dia, disse sobre o Brizola.

    Não lembro – quem sabe melhor nem lembrar.

    Mas não consigo ir além da oitava frase que esse senhor escreve – de que serve a um país um eruditismo de gente assim ?

     

  23. Alexandre Weber - Santos -SP

    30 de maio de 2015 1:52 am

    O André passou longe do que é o Levy

    Como disse outro dia, um burro ao quadrado, sem inteligência e sem cultura e  para sanar isto não têm engenharia que resolva.

    Mas se ele faz modelos, com certeza seus modelos não tem Astrologia, Tarot  e Geometria neles, acredito até que ele nem saiba direito o que é Tarot.

    Logo, que importa para um sujeito destes o cinco de deniers, mais conhecido como 5 de ouros?

    Não faz a menor diferença, dai as lambanças que está fazendo.

  24. Rico

    30 de maio de 2015 1:45 pm

    Um monte de bobagens. Hoje

    Um monte de bobagens. Hoje tem até biologo fazendo pós-graduação em Ciência Política e filosofia. O autor precisa voltar a estudar. 

  25. Paulo Vagner

    30 de maio de 2015 2:02 pm

    Economia não é sua praia
    Nassif, até o Ciro Gomes te dá baile em economia, tenta outro assunto.

    O teu querido Mantega fez todas as besteiras possíveis a mando da chefa e agora, qualquer economista com boa formação sabe o que precisa ser feito, não fosse o Levy, qualquer outro para consertar o imenso estrago nos fundamentos econômico e resgatar a confiança perdida dos agentes, faria o que o Levy está tentando fazer, mesmo com a base do Governo tentando impedir.
    A culpa não do Levy ser competente, é do Mantega ser incompetente. Invés de tentar puxar o tapete do cara, apoie-o, se ele falhar, ferrou!

  26. Juan Ponce

    31 de maio de 2015 2:54 am

    Engenheiro

    Cabeça de engenheiro nao é isso aí, não. O foco do engenheiro está em resolver problemas complicados, não nos números em si. Para isto procura perceber o problema da forma mais abrangente possível, levando em consideração as mais diversas variáveis.

    A forte base matemática da sua formação lhe dá a capacidade lógica, de ponderação, de método, de criação, e outras características necessárias para a resolver problemas complexos.

    Outra base da sua formação é o estudo, com maior ou menor ênfase, das ciências naturais e também, sim, das ciências sociais, e mais aprofundadamente aquela ciência associada à sua especialidade (mecânica, química, eletricidade, informática, física atômica, produção industrial, construção, etc.).

    No longo curso de formação, exercita muita aplicação dos conceitos em resolução de problemas. Muita técnica. Muito método. No dia-a-dia do profissional formado, idem.

    Naturalmente, com a experiência, o engenheiro se evidencia nas organizações e chegam a ocupar cargos importantes, onde se exigem os melhores tomadores de decisão. No governo não é diferente, principalmente no executivo.

     

  27. Olavo Júnior

    31 de maio de 2015 2:40 pm

    Triste artigo, eivado de preconceitos
    Muito triste o teu artigo, André.
    Eivado de preconceitos contra toda uma carreira profissional, que são os engenheiros.
    Ser engenheiro = não ter nenhuma formação humanística e não ter nenhuma preocupação social.
    Muito triste, me fez lembrar dos alunos dos primeiros anos na universidade, que ainda não saíram da adolescência e ainda acham que o mundo é preto ou branco.
    Teu artigo me fez lembrar de uma fala do Senador Cristovam Buarque, quando de maneira muito infeliz afirmou q os médicos cirurgiões plásticos se formavam de graça nas Universidades públicas para depois trabalhar para as elites.
    E o cirurgiões plásticos que trabalham na Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas em SP? E os cirurgiões plásticos do Hospital dos Defeitos da Face? E aqueles que devolvem a dignidade aos pacientes q necessitaram retirar um tumor ou sofreram um grave acidente de carro, por exemplo?
    A coleta e tratamento dos esgotos residenciais e industriais, a água limpa e tratada com a qual você todo dia toma banho, o transporte de milhões de pessoas todo dia pelo metrô, a energia que abastece as cidades, o programa Minha Casa, Minha Vida, entre outros, simplesmente não existiriam sem os engenheiros.
    E da mesma forma, não é porque o profissional é Engenheiro E Economista que ele é ruim e não presta. É muito fácil criticar o Levy por ele ser “engenheiro”.
    O difícil é explicar porque foi necessário colocá-lo lá…

    1. FH

      16 de outubro de 2015 2:59 pm

      Entao me formo medico e faco

      Entao me formo medico e faco mestrado em direito e sem passar no teste quero ser presidente da OAB. A verdade eh que engenheiro quer pagar de espertao e cavar vaga de trabalho fora da area pq ACHA que fazendo conta resolve qualquer problema. Essa confianca que tem respaldo cultural so engana ignorante. Inclusive no geral os engenheiros nao sao tao bom de contas pq se depara com algum matematico ou fisico de calibre, eles se borram. Quem gosta de contar essa historia eh minha irma que tem as 2 graduacoes de engenharia e de matematica.

  28. André Oliveira

    1 de junho de 2015 6:50 pm

    Meu xará mexeu com os brios

    Meu xará mexeu com os brios dos engenheiros e economistas-engenheiros do blog. Como assim falar mal deles? Com cálculo integral eles resolvem os problemas do mundo.

    Levy vai estragar tudo que o PT fez de bom no governo sem conseguir consertar os erros. E a inflação não vai chegar no centro da meta, comonunca chegou.

  29. Clever Mendes de Oliveira

    1 de junho de 2015 11:47 pm

    Guido Mantega estava certo, a Dilma sabe disso e daí o Levy

     

    Andre Araujo,

    Explico primeiro o título que eu dei para o comentário. Penso que a maior dificuldade em entender a política econômica do segundo governo da presidenta Dilma Rousseff origina-se na crença de que a política econômica do Guido Mantega estivesse errada e que Joaquim Levy viesse para adotar uma nova política econômica que consertasse os erros anteriores. Eu parto do princípio que Joaquim Levy foi convocado para corrigir os efeitos da política anterior mas não porque ela estivesse errada mas sim porque ela não trouxe os resultados esperados e a realidade diferente (A desvalorização do real) facilita a adoção de outra política.

    Não vou precisar me alongar neste meu comentário porque um pouco do que eu queria dizer para você eu já disse para J. Carlos de Assis em comentário que eu enviei para ele sábado, 30/05/2015 às 08:35, junto ao post “Meu último artigo sobre política econômica até o grande desastre, por José Carlos de Assis” de sexta-feira, 29/05/2015 às 11:41, aqui no blog de Luis Nassif em texto de J. Carlos de Assis e que pode ser visto no seguinte endereço:

    http://www.jornalggn.com.br/noticia/meu-ultimo-artigo-sobre-politica-economica-ate-o-grande-desastre-por-jose-carlos-de-assis

    Além disso, muito do que eu poderia dizer para você aqui neste post “O engenheiro economista e o economista político” de sexta-feira, 29/05/2015 às 10:41, eu já devo ter dito em posts anteriores tratando do mesmo assunto e de sua autoria, como, por exemplo, o post “Economistas de circo: o desemprego é bom, por André Araújo” de sexta-feira, 08/05/2015 às 10:56, aqui no blog de Luis Nassif e que pode ser visto no seguinte endereço:

    https://jornalggn.com.br/noticia/economistas-de-circo-o-desemprego-e-bom-por-andre-araujo

    Não acho válida sua crítica ao engenheiro economista, mas não concordo com a crítica que a maioria fez a você ao avaliar que para você o engenheiro não tem uma visão social. Não creio que tenha sido isso que você pretendeu dizer.

    Pelo que eu entendi, na sua crítica você queria dizer que o engenheiro economista tem uma visão que utiliza muito da matemática para tratar da economia. Fazer uso da matemática não significa não ter uma visão social. E aqui, advertindo previamente que eu não sou nem economista nem matemático, eu menciono três posts de Paul Krugman focando no uso em demasia da matemática na economia. Primeiro menciono o post “Mathematics and economics” de 11/09/2009 às 04:48 am, um pouco mais antigo e que pode ser visto no seguinte endereço:

    http://krugman.blogs.nytimes.com/2009/09/11/mathematics-and-economics/

    No final do post ele pede que se use matemática na economia, mas a nosso serviço não como nosso mestre.

    Um segundo post é “The Point of Economath” de 21/08/2013 às 11:41 am que pode ser visto no seguinte endereço:

    http://krugman.blogs.nytimes.com/2013/08/21/the-point-of-economath/?_r=0

    Conclusão final do artigo: “Matemática é boa, usada corretamente”.

    E logo após o post “The Point of Economath” ele volta ao assunto com o post “More Economath” de 22/08/2013 às 09:13 am e que pode ser visto no seguinte endereço:

    http://krugman.blogs.nytimes.com/2013/08/22/more-economath/

    De certo modo nesse terceiro post ele tenta recuperar a importância da matemática para a economia. Ele finaliza assim o post: “Eu tenho visto muito do que a economia sem matemática parece – e não é bom”.

    Recentemente esse assunto voltou à moda com o artigo de Paul Romer “Mathiness in the Theory of Economic Growth” e que pode ser visto no seguinte endereço:

    http://paulromer.net/wp-content/uploads/2015/05/Mathiness.pdf

    Também não sou tradutor de língua nenhuma, mas o título me sugere algo como “Matematicadas na teoria do crescimento econômico”. O importante é que este artigo trouxe muita discussão na internet como pode ser vista com qualquer busca no Google constando Paul Romer e Mathiness.

    Enfim, o uso da matemática na economia é assunto importante e como engenheiro o Joaquim Levy está bem apetrechado para desenvolver os cálculos que se fizerem necessário no estabelecimento do ajuste fiscal. Você está correto em mencionar esta particularidade da formação do economista Joaquim Levy, mas faz vistas grossas a assunto ainda mais relevante.

    Ao chamar atenção em demasia à formação de engenheiro do economista Joaquim Levy, você teria passado ao largo de uma característica na formação de Joaquim Levy e que foi bem apontado por Droubi no comentário que ele enviou sexta-feira, 28/05/2015 às 10:56, aqui neste post “O engenheiro economista e o economista político”. Faço então a crítica a você trazer um post com a análise da formação de Joaquim Levy sem apontar para o mestrado dele em Chicago. Agora, embora eu considere que este aspecto da formação de Joaquim Levy seja relevante, não vejo razão para ver na formação em Chicago o grande diferenciador da atuação do Joaquim Levy. Para o momento em que o real desvaloriza e que, portanto, o crescimento econômico será menos dependente do governo a presença de um economista de Chicago é mais adaptada às circunstâncias.

    Sobre essa formação de Joaquim Levy em Chicago vale a pena eu indicar aqui o mesmo post que eu indiquei para Droubi em comentário que eu enviei para ele sexta-feira, 10/04/2015 às 20:17, junto a comentário dele enviado sexta-feira, 10/04/2015 às 09:09, lá no post “Os paradoxos do ajuste fiscal de Joaquim Levy” de sexta-feira, 10/04/2015 às 19:53, aqui no blog de Luis Nassif e que pode ser visto no seguinte endereço:

    http://www.jornalggn.com.br/noticia/os-paradoxos-do-ajuste-fiscal-de-joaquim-levy

    Lá no post “Os paradoxos do ajuste fiscal de Joaquim Levy”, eu indiquei para Droubi o post “Empire of the Institute” de fevereiro, 28/04/2015 às 02:42 pm de autoria de Paul Krugman em que o americano mostra a superioridade dos economistas do MIT na condução da política pública quando comparados com os economistas da Universidade de Chicago. O endereço do post “Empire of the Institute” é:

    http://krugman.blogs.nytimes.com/2015/02/28/empire-of-the-institute/

    Minha intenção era enfatizar que a Escola de Economia de Chicago fosse muito creditada como o supra sumo de formação de economistas para trabalharesm na condução de um ministério como o da Fazenda. O post de Paul Krugman, “Empire of the Institute” é para elogiar a importância da Universidade de Massachusetts na consolidação do estudo de Economia nos Estados Unidos. E na visão de Paul Krugman são os ensinamentos do MIT (Massachusetts Institute of Technology) que prevalecem. É a visão particular de Paul Krugman, de todo modo ela apresenta uma concepção que não dá importância para as ideologias que vem de outras escolas de economia de tendência contrária (Chicago).

    Outro que faz críticas fortes à Escola de Economia de Chicago é Brad deLong. Vale aqui mencionar um texto dele em pdf em que as críticas se estendem não só a Escola de Economia de Chicago como também aos austríacos. O texto intitulado “What has happened to Milton Friedman’s Chicago School?: Reacrtions to the Financial Crisis of 2007” de janeiro de 2009 pode ser visto no seguinte endereço:

    http://www.sfm.econ.uni-muenchen.de/links/brad_de_long.pdf

    Mais recentemente, no post “Noah Smith, Paul Romer, “Mathiness”, and Baking the Politics into the Microfoundations…” de sábado, 16/05/2015 às 01:12 pm, Brad deLong dá uma explicação para o fato de a escola de economia de Chicago insistir em determinada posição ainda que ela venha sendo desmentida pelos fatos. Brad deLong utiliza o post para justificar a visão de Paul Romer, no debate sobre a matematicadas, que para alguns poderia parecer uma crítica ao uso da matemática na política. Na avaliação de Brad deLong o que Paul Romer estaria censurando foi o papel que George Stigler, ganhador do prêmio Nobel e um importante professor em Chicago, desempenhou na formação da concepção econômica da escola de Chicago ao rejeitar qualquer trabalho ainda que de boa qualidade que não destacasse o fracasso do planejamento governamental.

    O endereço do post “Noah Smith, Paul Romer, “Mathiness”, and Baking the Politics into the Microfoundations…” é:

    http://www.bradford-delong.com/2015/05/noah-smith-paul-romer-mathiness-and-baking-the-politics-into-the-microfoundations.html

    E lembro que Brad DeLong faz uma breve análise recentemente em que ele faz uma afirmação interessante sobre a área de pesquisa mais apropriada a possibilitar o reconhecimento do economista pesquisador, dependendo da filiação do pesquisador nas duas tendências da economia americana, que seriam segundo Brad deLong: a tradição de Chicago e a tradição de Berkely (Ou como se diz com frequência e que foi utilizado por Droubi: economistas de água doce e economistas de água salgada). O post de Brad DeLong é “Must Read: Joshua Gans: [Paul Romer and] Mathiness: A Guide for the Perplexed” de 15/05/2015 às 09:28 pm e pode ser visto no seguinte endereço:

    http://equitablegrowth.org/2015/05/15/must-read-joshua-gans-paul-romer-mathiness-guide-perplexed/

    Para Brad DeLong, na tradição de Chicago se faz pesquisa vencedora quando se demonstra que a alocação de mercado que parecia imperfeita é bem próxima ao “ótimo de Pareto”. E se faz uma pesquisa vencedora na tradição de Berkely se se mostra que em uma situação em que se supõe que o mercado funciona, ele se apresenta bastante ineficaz. Evidentemente, Joaquim Levy não vai destacar em nenhuma dessas duas tradições e nem foi para destacar em qualquer dessas duas tradições que ele foi convocado para ser ministro da Fazenda.

    O que se observa é que nos Estados Unidos, os economistas da Escola de Economia de Chicago não são apresentados como o supra sumo na adoção de políticas públicas. Aqui é que o papel desses economistas é superdimensionado. Entretanto, aqueles que estão com o espírito aberto para não ver em Joaquim Levy nenhuma sumidade, aqueles que sabem que Joaquim Levy não é ninguém com uma capacidade acima do normal, aqueles que reconhecem que não se trata de alguém que seria capaz de adotar uma política econômica que fizesse a recuperação da economia brasileira, não sofrem nenhuma surpresa com as medidas que Joaquim Levy vem adotando.

    Eu dei um título para o meu comentário que eu fiz para Droubi lá no post “Os paradoxos do ajuste fiscal de Joaquim Levy”, que, entretanto, ficou truncado com o aparecimento de um “é” entre “mercado” e “refém”, e que corrigido dizia: “Dilma escolheu Levy para deixar o mercado refém dele”. Além de, como engenheiro, o ministro da Fazenda ser bom de cálculo, um benefício incomparável que Joaquim Levy representa é que o mercado fica refém dele e não pode reclamar das medidas que ele propõe. Nesse sentido a formação dele em Chicago é de suma importância. A presidenta Dilma Rousseff precisa aumentar os impostos. O Joaquim Levy propõe a medida e o mercado aplaude. Quase tudo que é possível fazer com Joaquim Levy seria impossível de ser feito com Guido Mantega.

    Bem, alguém poderia dizer que Guido Mantega fez tudo errado. Aqueles que tiverem esse entendimento só podem imaginar que a presidenta Dilma Rousseff reconheceu que Guido Mantega fez tudo errado e que ela agora vai adotar uma nova política econômica e por isso convocou Joaquim Levy. Essas pessoas podem até entender Joaquim Levy, mas não estão entendendo a presidenta Dilma Rousseff.

    Para a presidenta Dilma Rousseff, Guido Mantega tomou as decisões corretas. Ela não sabe ou sabe e não conta o motivo por que as medidas propostas por Guido Mantega não deram o resultado esperado. Ela concorda com as medidas adotadas e não pretende mudar a política econômica. Ela precisa tomar medidas que são de outra natureza. Ela então vai precisar de alguém que saiba fazer um ajuste fiscal porque ela reconhece que a realidade agora é diferente e será necessário práticas diferentes. E ele precisa sobretudo de alguém que possa ter mais capacidade de convencimento junto ao Congresso Nacional na defesa de algumas medidas.

    Talvez valesse aqui lembrar do post “Tática fiscalista e estratégia sócio-desenvolvimentista, por Fernando N. da Costa” de quarta-feira, 03/12/2014 às 16:04, contendo um artigo de Fernando Nogueira da Costa em que ele considerava acertada a indicação de Joaquim Levy para ministro da Fazenda e que foi publicado aqui no blog de Luis Nassif no seguinte endereço:

    https://jornalggn.com.br/blog/brasil-debate/tatica-fiscalista-e-estrategia-social-desenvolvimentista-por-fernando-n-da-costa

    O único senão em relação a Joaquim Levy é o apego em demasia a uma inflação muito baixa. Na recuperação econômica puxada pela desvalorização da moeda nacional, o combate à inflação não é o mal que tantos apregoam (Na verdade uma quantidade ínfima de pessoas), a menos que o combate à inflação leve a valorização da moeda nacional. Eu imagino que a condição para que Joaquim Levy permaneça como ministro da Fazenda é não deixar a valorização da moeda ocorrer como ocorreu no governo do presidente Lula.

    Enfim, Joaquim Levy foi convocado para fazer pouca coisa, mas vai fazer algo dentro do modelo de desenvolvimento econômico que a presidenta Dilma Rousseff defende. Vai fazer algo para um partido que está sendo derrotado até em emenda a Constituição, isto é, um partido que não conta com dois quintos da Câmara dos Deputados e que precisa contar com a herança maldita que o governo do PSDB deixou, isto é: Lei de Responsabilidade Fiscal, livre flutuação da moeda, livre fluxo da moeda, liberação do comércio exterior, Regime de Metas de Inflação. E mais importante é que o ministro da Fazenda vai trabalhar em um momento em que o dólar valorizou. A valorização do dólar precisa do ajuste fiscal para produzir o crescimento econômico.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 01/06/2015

  30. Graco Tognozzi Lopes

    5 de junho de 2015 10:10 pm

    Engenheiros e economistas
    A idéia de que engenheiros são frios, calculistas e desprovidos de valores humanistas é preconceituosa. Engenheiros são, essencialmente, resolvedores de problemas constituídos por objetivos e condições de contorno. Não há porque supor, a priori, que uma condição de contorno como o nível de desemprego, por exemplo, não seja considerada por um engenheiro na solução de um problema econômico.

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