4 de junho de 2026

Os efeitos do caminhar do PT rumo ao centro

Por Diogo Costa

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Em linhas gerais (e sem fazer nenhum juízo de valor), os pontos principais do belo texto de Wanderley Guilherme dos Santos poderiam ser assim descritos¹:

1- O PT caminhou para o centro e empurrou o PSDB para a direita e extrema direita, cuja pauta é o moralismo, a “gestão” e a miséria programática.

2- O caminhar do PT rumo ao centro trouxe consigo um déficit de críticas ao governo federal. As que existem tem a consistência de uma geléia.

3- Sindicalismo brasileiro está perdido em meio a uma pauta eminentemente economicista. Não conseguem moblizar as massas em função desta apatia programática.

4- Caminhar do PT rumo ao centro provocou um vazio institucional em outros partidos de centro esquerda. Saída do PSB da base é compreensível mas o projeto do PSB padece por ter se contaminado pelo direitismo da Rede e pelas oscilações políticas do atual governador pernambucano.

5- O vazio institucional da esquerda e da centro-esquerda (exclua-se o PT) contribuiu para o surgimento de grupúsculos de inconformados com o universo. São grupos efêmeros nos quais não está presente o tal de “precariado”, mas sim uma parte da juventude de classe média.

6- Houve infiltração fascista em junho de 2013. As manifestações aqui havidas não tem absolutamente nada a ver com as manifestações ocorridas na Europa ou nos EUA. São fruto deste vazio institucional da centro esquerda, consequência do caminhar do PT rumo ao centro. A falta de estratégia fez com que as manifestações explodissem e se retraíssem com grande velocidade. Os incontestáveis avanços sócio-econômicos do governo federal acontecessem ao mesmo tempo em que há uma estagnação em matéria de direitos individuais, fruto da caminhada ao centro.

7- Os movimentos recentes são constituídos por uma miríade de pequenas coletividades. PSOL e PSTU, minúsculos e apartados das massas, encontram rara oportunidade de se mostrar através destas manifestações. Outros grupúsculos microscópicos também encontram nestas manifestações uma oportunidade de dizer ao mundo que existem. A eficácia destas manifestações, no longo prazo, é precária. E termina dizendo que todos os que tem apreço pela democracia deveriam se propor a ocupar as ruas. Mas com estratégia e objetivos bem definidos, não com fantasias desconexas.

Da Carta Capital

VEM PRÁ RUA VOCÊ TAMBÉM

por Wanderley Guilherme dos Santos

O PSDB não chegou à direita pelas próprias pernas. Teve a ajuda do Partido dos Trabalhadores (PT) que se mudou para o centro, distendeu-o, e tornou praticamente inviável a existência de uma coalizão de centro esquerda. Aécio Neves nunca foi reformista, mas julgá-lo um direitista genético é exercício de ativista dogmático. O centro distendido sob hegemonia do PT empurrou a oposição para a vizinhança da extrema direita, precipitando a derrota intestina de José Serra, agarrado a um reacionarismo impensável em quem discursou no comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964. À oposição restam bandeiras pragmaticamente vazias, tais como a encenada indignação moral e acenos genéricos de eficiência. Sem falar no reacionarismo religioso e a defesa de um livre mercadismo de fachada. Como é notório, só com brutal intervenção do Estado um governo de centro-direita será capaz de subverter a legislação petrolífera, os programas Mais-Médicos e Minha Casa, Minha Vida. Mesmo para fazê-los definhar um governo de centro-direita precisará de boa dose de coação sobre uma burocracia estatal comprometida com o progresso, ademais de extrair enorme boa vontade do Congresso Nacional. Esse mesmo Congresso, aviltado pela imprensa conservadora e pela esquerda caolha, foi a instituição que aprovou o regime de partilha do pré-sal, ainda no governo Lula, e tem apoiado as principais políticas sociais do governo Dilma Roussef. Uma política de liberalismo desenfreado só será possível com a transformação do Estado brasileiro em variante do bismarckismo alemão. O avesso do que o eleitorado conservador deseja.

O centro estendido do PT também trouxe dificuldades para o campo progressista. A mais óbvia transparece na acusação de reacionarismo a qualquer opinião divergente, autônoma em relação à cadeia de comando dos líderes do centro-baleia, a começar pelas palavras de ordem do Partido dos Trabalhadores. Embutida na interdição esconde-se menor probabilidade de que deficiências reais de governança sejam proclamadas por aliados. Avanços sociais estão conectados a manifestações de inconformismo, sem automática identificação com a oposição do momento. Durante os governos Vargas e JK sucederam-se greves e passeatas a favor de políticas nacionalistas e de críticas a medidas específicas. As manifestações não atendiam a nenhuma convocação da direita, do tipo “Vem prá rua você também”, que atualmente apavora a esquerda e o governo. O governo opera com déficit de crítica consistente.

Reflexo do ambiente intoxicado, o sindicalismo operário emudeceu. Limitado a manifestos plenos de estereótipos, copia a genérica pauta direitista – ensino público de qualidade (nunca haverá suficiente, o conhecimento progride), saúde pública, transporte, moradia, segurança. Eligibilidade para os analfabetos, que é bom, nada; participação dos trabalhadores na administração das grandes corporações, nem pensar. Não mais do que dois exemplos de uma pauta latente, ausente da cogitação sindical.  Os sindicatos não se recuperaram do choque de haver perdido o controle das ruas. Reescrever ideologicamente a história de junho de 2013 não garante a recuperação de iniciativa crível, seja por decreto, seja por currículo de glórias passadas. 

Outra conseqüência da consolidação do centro expandido foi a instauração de um vazio institucional à esquerda, vicariamente ocupada por aglomerado de grupos heterogêneos. A coalizão parlamentar do governo tornou irrelevante o apoio da centro-esquerda. Sem considerar o PMDB, cuja análise não é simples, a coalizão do PT tem como coligados numéricos o PP/PROS, o PSD, o PR/PTdoB/ PRP, seguidos, até recentemente, pelo PSB,  em parte pelo PDT e pelo PCdoB. O total de cadeiras deste último grupo (PSB, PDT e PCdoB) não ultrapassava 56 lugares. Só o PP, o PR e o PROS detêm um conjunto de 89 cadeiras na Câmara dos Deputados. A cooperação costurada entre os partidos deixou o PT a vários passos de distância de seu parceiro ideológico adjacente, o PSB (24 cadeiras). O rumo do governo é vigiado pelo núcleo duro da centro-direita. Independente dos motivos do governador Eduardo Campos, cujas alianças provocam resistências entre os socialistas, a saída do PSB do governo só surpreende pelo tempo que demorou a acontecer. Para um partido que busca crescer nas eleições proporcionais pela via ideológica da centro-esquerda, talvez a oportunidade tenha sido perdida. A tentativa de enfiar uma cunha entre o centro expandido do PT e o PSDB sofre das dificuldades diante da coalizão no poder e da incoerência ao aceitar o direitismo do Rede como segundo em comando (e há quem duvide que o Rede seja mesmo o segundo em comando) além das oscilações na conduta do candidato Eduardo Campos.

O vazio à esquerda tem sido ocupado por grupos inconformados com o estado do mundo, em geral. Desde logo, esse burburinho nada tem a ver com os “precariados” de Guy Standing (The Precariat – London, Bloomsbury, 2011), tese recém importada. Ao contrário de desempregados, trabalhadores temporários, classe média empobrecida e com miséria à vista, os manifestantes de junho de 2013 eram na maioria jovens de classe média ou empregados com salários acima de 2 salários mínimos (30,3% deles em 20 de junho de 2013, no Rio de Janeiro, segundo a Plus Marketing consultoria) e segmentos em processo de ascensão social.  Outras pesquisas registraram o nível superior de estudos de expressivo número de participantes. Economicamente, o elevado custo do meio utilizado para a mobilização – as redes sociais eletrônicas – exclui os presumidos “precariados” da freqüência a participações. Vale registrar que, ao contrário da Europa, à intensidade das manifestações seguiu-se a rapidez de sua dissolução em números de manifestações, de participantes e de cidades contagiadas.

Além do equívoco da classificação de “precariados”, é simplismo considerar que uma convocação fascista obteria tamanho sucesso. Houve a infiltração fascistóide posterior, que terminou por se apropriar da liderança dos acontecimentos. A fragilidade estratégica desses aglomerados, contudo, revelou-se na velocidade com que os grupos de professores, enfermeiras, a maioria de funcionários públicos, foram abandonando as marchas. Reconhecer as diferenças entre os movimentos de 2013 e os movimentos europeus permite supor que as manifestações não aderiram, aqui, ao precipitado diagnóstico de fracasso da social democracia brasileira. A rejeição atingia todas as formas de participação institucionalizada. O que havia e há é um vácuo desde que a marcha para o centro levou o governo a esconder sob inegáveis vitórias econômicas a pauta de modernização do pluralismo social brasileiro: aborto assistido, relações homo afetivas, regulamentação do uso de drogas recreativas, pesquisas com seres vivos, temas, entre outros, eliminados por imposição da direita do centro. A Presidência tornou-se forte parlamentarmente ao preço de se enfraquecer perante a sociedade em mudança.   

Algo de novo existe. Trata-se de inédito tipo de intervenção política. Grosso modo, a análise do capitalismo toma por base as classes, as corporações profissionais e cristalizados grupos de interesse. Entendo que os movimentos recentes são constituídos pelo ajuntamento de atores menos abrangentes do que as classificações preponderantes. Eles proliferam como pequenas coletividades de exígua tolerância e com exigentes critérios de pertencimento Denomino-os, sem ofensa, de “micróbios” (pequena vida), primeiro em razão de seu tamanho, e pelo fato de que não possuem denominador comum. Nem todos são patogênicos ou letais, que os há benéficos ao exercício da democracia. Nessa ecologia há lugar para micro legendas, como o PSTU e o PSOL, que encontram em tal cenário a rara oportunidade de serem notados. Comparecem também os grupos nanicos reivindicando direitos (moradores do bairro tal ou qual) ou só comemorando a própria existência, avessos a partidos, sindicatos ou corporações de ofício. São erupções intensas de vida política, mas de curta duração. Eficazes no curto prazo, sem influência em período mais extenso. Eleições são fenômenos de curto prazo, mas o fenômeno dos “micróbios” não é só eleitoralmente relevante. É uma criação da sociedade contemporânea e, portanto, compatível com a convocatória: “Vem prá rua você também”.  Os democratas deviam adotá-la e voltar às ruas para conquistá-las.

¹ Não encontrei o texto na Carta Capital, por isso trouxe o mesmo do site Conversa Afiada.

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/01/20/wanderley-quem-deve-ir-pra-rua-tambem/

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12 Comentários
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  1. Rui Daher

    21 de janeiro de 2014 10:28 am

    Centro expandido

    Sem dúvida, tanto o texto de WGS como as interpretações suas e de Nassif. Uma só questão: não fosse assim, o PT teria chegado ao poder, se mantido nele até agora e o processo de inserção social ocorrido?

    1. Lionel Rupaud

      21 de janeiro de 2014 11:12 am

      Rui, claramente

      a resposta a suas duas perguntas é um forte NÃO.

      Mas tem um custo nesta “centralização” que é a perda do discurso de modernização da sociedade. Nunca vou esquecer que, na França, a lei sobre descriminalização do aborto, que faz 40 anos, foi uma decisão política de um presidente da “direita”, Valery Giscard d’ Estaing, contra a opinião da maioria dos seus eleitores, e de seus representantes no Parlamento.

      Isso está faltando ao PT, e ao governo Dilma.

      Agora tem que levar em conta que, excluindo-se a Carta Capital donde vem o texto aqui discutido, a totalidade da mídia brasileira abraçou o discurso de extrema-direita moralista e pseudo-religiosa. Não era o caso da mídia francesa de 1973-4.

      1. Ivan de Union

        21 de janeiro de 2014 11:56 am

        “na França, a lei sobre

        “na França, a lei sobre descriminalização do aborto, que faz 40 anos, foi uma decisão política de um presidente da “direita”, Valery Giscard d’ Estaing, contra a opinião da maioria dos seus eleitores, e de seus representantes no Parlamento.

        Isso está faltando ao PT, e ao governo Dilma”:

        Ja nao existe presidente que toma medidas contra eleitores antes de reeleicao, Lionel.  Eh tecnica politica de stalling e eh mundial.  So interessa atrazar qualquer avanco populacional, a qualquer custo.

      2. Rui Daher

        21 de janeiro de 2014 12:14 pm

        Modernização

        Verdade, Lionel. Em função disso, uma mídia que aprofunda o conservadorismo brasileiro, a modernização da sociedade virá na esteira do que acontecer em outros países. “Ah, os EUA estão em processo de liberação da maconha, quem sabe não poderíamos pensar nisso também. Ah, na Alemanha o casamento gay foi aceito, acho que poderíamos acompanhar”. Ainda mais levando em conta governos que se borram de medo em deixar temas como esses escaparem para a propaganda eleitoral.

  2. Ana Cruzzeli

    21 de janeiro de 2014 10:44 am

    O sindicalismo parou na década de 80

    Eu já vinha percebendo isso. Essa não percepção dos lideres sindicais a partir de 2003 que a agenda tinha que ser coletiva me incomodava. Em junho foi só uma constatação dessa realidade

    Não digo dos comedores de bandeiras, digo no dia seguinte. Poucos sindicatos entenderam ainda o que aconteceu em 2003,mas principalmente em 2007 quando todo mundo ficou calado vendo o Lula sendo expoliado com a queda da CPMF

    CAUSAS COLETIVAS, GALERA.

    Esse é o mantra.

    A coisa chegou antes de 2013, aquilo foi só se ver no espelho.

  3. raul soares

    21 de janeiro de 2014 11:01 am

    Esta  sendo a tatica do PT,

    Esta  sendo a tatica do PT, principalmente no governo da presidenta Dilma.

    Pega-se uma medida,como baixa do juros, que vai descontentar muitos  financistas, mas vai

    agradar outros poderosos, FIESP etc, baixa na conta da energia eletrica, desagrada os investidores

    mas agrada os industriais e consumidores de uma maneira geral, usa a maioria folgada do congresso

    e aprova royaltes para saude e educacao, assim o governo consegue vitorias, para a populacao e que

    se nao fosse deste modo, ocupando o centro, estas mudancas, nao seriam implementadas.

    Seriam derrotadas so por birrinha !!!

    Concordo e aprovo, pois acho que e a politica do possivel !

    Diogo assim como Cristiana e varios outros, seus comentarios aqui neste blog acresentam muito .

    raul soares

     

  4. GEORGE Vidipo

    21 de janeiro de 2014 11:02 am

    O articulista diz: “A falta

    O articulista diz: “A falta de estratégia fez com que as manifestações explodissem e se retraíssem com grande velocidade”.

     

    O fim da movimento aconteceu quando Dilma propôs uma constituinte exclusiva para eleições e formação partidária. Neste momento a midia corporativa parou de insuflar o movimento. Falta essa parte nas avaliações do movimento de junho.

  5. GEORGE Vidipo

    21 de janeiro de 2014 11:02 am

    This comment has been deleted.

    1. Diogo Costa

      21 de janeiro de 2014 11:10 am

      É apenas um resumo

      Quem diz isso é o professor Wanderley Guilherme dos Santos. Eu apenas resumi (sem estabelecer nenhum juízo de valor) os pontos principais.

  6. drigoeira

    21 de janeiro de 2014 11:18 am

    Será que não é tendencia mundial?

    Qual país de esquerda que continuou sendo de esquerda?

    A tendência é esta, da política se deslocar para a direita. Senão vira uma ilha econômica. O mercado global é de direita.

  7. Gavião

    21 de janeiro de 2014 3:13 pm

    Até agora ainda não consegui

    Até agora ainda não consegui entender qual é o posicionamento do Eduardo Campos.  A notícia diz que a Rede é de direita?  Mas a Marina não é de esquerda?  Ainda não entendi se o PSB irá se posicionar à esquerda ou à direita do PT.

    Nunca gostei desta chegada ao centro do PT, mas de qualquer jeito, não adianta viver só de ideologias e nunca conseguir colocá-las em prática.  Acho que ainda é melhor um PT do “Centrão” do que um que fique mais à esquerda e que nunca consiga colocar a sua agenda pra frente.

    Já estas manifestações que ocorreram no ano passado são um caso à parte, porque elas foram feitas por jovens, em maior parte, de classe média alta, que em geral são avessos a sindicatos.  No final das contas a verdadeira mensagem que eles querem passar para o governo é, simplesmente: “Continuem tocando a máquina, mas por favor, sem corrupção.”

  8. agincourt

    22 de janeiro de 2014 4:44 pm

    resenha esportiva

    Wanderley analisaria assim as perspectivas sobre a grande final:

    O time do PT adota um sistema um sistema de jogo que sacrifica a sua ala esquerda. Por esse lado , raramente, tem se arriscado a atravessar o meio-de-campo.

    Por opção tática do treinador, o time optou por congestionar o meio.

    Outro dia, um outro comentarista, que é até meu xará , chamou isso de “meio estendido”…Mas o esquema é velho. Lá na Copa da Constituinte, isso era chamado de “centrão”.

    Antes, o alvirrubro até tinha bons valores jogando pela esquerda, mas , aos poucos, foi abandonando essa opção.

    O PSDB, acossado no seu campo de defesa, ao perceber o desequilíbrio do PT pela esquerda, concentrou seu jogo pela direita, e, por ali, tem conseguido até algumas boas jogadas, mas que, acredito, não é suficiente para ganhar o jogo.

    Além disso, com as seguidas derrotas, começaram a aparecer briguinhas e panelinhas dentro do time tucano: Aécio e Serra não se bicam e cada um joga pra si.

    Qualquer um que acompanhe os jogos percebe que ambos os times são destros.

    O resultado é um jogo chato e previsível, que não atrai público.

    O esquema do PT tem sido criticado, mas a verdade é que é um sistema vitorioso. Depois do bi-campeonato do PSDB, o PT caminha para o tetra. Apesar daqueles críticos que o meu conterrâneo radialista Washington Rodrigues – o Apolinho – chamaria de “os Românticos de Cuba” , quando quer sacanear os defensores do futebol alegre, descontraído e ofensivo.

    Temos que reconhecer que a diretoria do PT abandonou aquela gestão amadora de longos anos. Conseguiu grandes patrocinadores – alguns “roubados” do próprio PSDB – e fez excelentes contratações: Sarney, verdadeira lenda do futebol tupiniquim, com passagens em várias equipes vitoriosas; Jucá, Renan, Cabralzinho, Lobão, Crivella …

    Lula, o verdadeiro cérebro do time, com a entrada de Dilma, passou a jogar mais recuado, no apoio.

    Dilma não é nenhum cracaço, mas, com um esquema favorável jogando pra ela, tem dado conta do recado. Só não esperem que ela seja um novo Pelé e resolva as partidas. É jogadora de esquema, não é criativa.

    Enfim, o PT só perde a final do Paulistão se um terremoto botar abaixo o Itaquerão…

    …Um guindastezinho não é suficiente.

    …………………………………………………………………….

    Sobre o tal artigo daquele outro Wanderley, não obstante a agitação blogueira local, é decepcionante.

    No essencial, tão-somente repete algumas das críticas feitas ao PT ao longo de anos e faz ligeiras observações sobre as limitações das manifestações de junho/julho. De novo, apenas um abrandamento das críticas de Wanderley quanto aos eventos de junho do ano passado – o que o próprio Nassif já assinalara.

    Sobre os protestos contra a corrupção  e megaeventos esportivos – presentes nas manifestações – , ele passou ao largo. Operou aqui alguma abstração metodológica.

    Por outro lado, fantasiosas oposições político-partidárias são plenamente reificadas.

    Ensino público de qualidade, saúde pública, transporte,  moradia e segurança,segundo o Mestre, são estereótipos!…

    …Vai dizer isso pro discípulo Nassif, que vive louvando o “Minha Casa, Minha Vida” e , no último Brasilianas, tinha como convidado o Padilha.

    Fiquei em dúvida se o fecho do artigo é pra valer ou se é ironia acadêmica – ”Vem pra rua você também. Os democratas deviam adotá-la e voltar às ruas para conquistá-las.” Ao que o discípulo responderia: “Mestre, deixa quieto. Num provoca. O senhor nem deve ter feicibúqui. Melhor é que “Deixem esvaziar o movimento de ruas e confinem as disputas apenas às redes sociais.*”

    Será que Wanderley, em junho/julho, sequer botou o pé na rua?

    Já dizia um antigo sábio shaolin: “Quem tem mestre é gafanhoto.”

    (E eu que gastei R$10,90 comprando a Carta Capital, só pra ler o artigo. O espetáculo me pegou…)

    * https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/o-combustivel-que-alimenta-as-manipulacoes-nas-passeatas

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