16 de junho de 2026

Otto Abetz, o embaixador nazista em Paris e o aliciamento da elite francesa, por André Motta Araújo

Essa narrativa serve como pano de referência para as elites do mercado financeiro brasileiro que aceitam qualquer aberração política ao só enxergar o curto prazo, o ganho imediato, a vantagem financeira no dia seguinte, sem pensar no futuro do Pais, das instituições, do Estado que lhes serve de guarda-chuva

Uma curiosa história lateral na Segunda Guerra foi o aliciamento da elite francesa pelo flamante embaixador do Terceiro Reich em Paris, Otto Abetz.

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Essa narrativa serve como pano de referência para as elites do mercado financeiro brasileiro que aceitam qualquer aberração política ao só enxergar o curto prazo, o ganho imediato, a vantagem financeira no dia seguinte, sem pensar no futuro do Pais, das instituições, do Estado que lhes serve de guarda-chuva.

A MISSÃO DE OTTO ABETZ

Nascido antes da Primeira Guerra, Abetz desde sua juventude teve interesse voltado para a cultura e a arte, tornou-se professor de História da Arte, admirador da França e da cultura francesa, fazendo parte de grupos de acadêmicos franco-alemães, um alemão de cultura francesa, refinado e elegante, ficou amigo de notórios fascistas franceses como Pierre Rieu de La Rochelle e Jacques Benoit Mechin.

Abetz tinha em 1933 a idade de 28 anos e aderiu ao Partido Nazista em 1931 com entusiasmo. Em 1937 entrou para o serviço diplomático alemão.

Por seu francesismo acabou sendo nomeado por Hitler Embaixador em Paris em 1938, uma escolha providencial para o projeto alemão.

Abetz falava um francês culto e fluente, tinha aquele charme especial que encantava os salões. Com suas credenciais pessoais e fundos financeiros ilimitados passou a frequentar os grandes ambientes da elite social e econômica de Paris, encantando banqueiros e industriais, aproximou-se inclusive de Henri d´Orleans, o Conde de Paris, a quem ensinou que os alemães poderiam recoloca-lo no trono de uma Restauração eventual dos Orleans.

Seu papel foi fundamental para preparar o caminho da ocupação alemã em 1940 e para a criação do Governo de Vichy, um Estado artificial sob controle de Hitler. Alem de sua penetração na sociedade francesa, Abetz aliciou a imprensa, dando subvenção a 11 jornais diários, alem de mesadas a jornalistas e presentes a intelectuais e escritores, representado por viagens luxuosas à Alemanha, honrarias e mesmo dinheiro.

Abetz foi preso ao fim da Guerra, acusado de ter apoiado a deportação de judeus franceses a campos de concentração. Condenado a 20 anos de prisão em 1949, cumpriu 5 anos, libertado em 1954, morreu em um acidente de automóvel em 1959. Parte da família Abetz emigrou para a Austrália, onde alguns Abetz se tornaram importantes políticos do Partido Liberal.

UMA ELITE EGOÍSTA E FRÍVOLA

A elite francesa de 1940 lembra a elite brasileira dos “mercados”. Para um ganho puramente financeiro aceita privatizar os instrumentos estratégicos do Estado brasileiro, a entrega de todo o comando da economia a meros “operadores” financeiros cevados em bancos de investimentos e corretoras e que enxergam a economia de um grande Pais não como um instrumento para dar condições de vida à população, especialmente a grande maioria mal de vida, mas acham que politica econômica é só a cotação da Bolsa e o resto que se dane.

Esse tipo de elite prepara o caminho para um cataclismo, é uma elite anti-histórica e maligna, é uma elite-Miami, como em 1940 havia em Paris uma elite-Baden Baden, a cidade alemã que servia de sede da Comissão do Armistício Franco-Alemão de Junho de 1940, era lá onde se decidiam os destinos da França ocupada, com a alegre colaboração dos ricos franceses que lotavam as mesas do Maxim´s em 1941 jantando lado a lado
com generais nazistas de uniforme completo, numa escandalosa confraternização que hoje os franceses tentam apagar da Historia, uma pagina de vergonha.

Ao notar que o Marechal (de monóculo) Hugo Sperrle, Comandante da Luftwffe na França, estava muito godo. Hitler perguntou porque ele tinha aumentado de peso, Sperrle respondeu “Fuhrer, são as lagostas do Maxim´s com que os ricos franceses me homenageiam”.

A Historia costuma se repetir como farsa.

Andre Motta Araujo

Advogado, foi dirigente do Sindicato Nacional da Indústria Elétrica, presidente da Emplasa-Empresa de Planejamento Urbano do Estado de S. Paulo

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6 Comentários
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  1. AMORAIZA

    30 de março de 2019 10:28 am

    “…era lá onde se decidiam os destinos da França ocupada, com a alegre colaboração dos ricos franceses que lotavam as mesas do Maxim´s em 1941 jantando lado a lado
    com generais nazistas de uniforme completo, numa escandalosa confraternização que hoje os franceses tentam apagar da Historia, uma pagina de vergonha.”
    André,
    rico não tem vergonha, tem dinheiro, e dinheiro não tem pátria.
    Quem tem dinheiro é cidadão do mundo.

  2. Lâmpada

    30 de março de 2019 10:47 am

    Infelizmente não há no nosso horizonte pessoas como um Charles de Gaulle, para recolocar as coisas no lugar.

  3. Wagner F. S.

    30 de março de 2019 11:12 am

    Elite francesa da época que é dissecada pelo clássico “A regra do jogo”, de Jean Renoir.

  4. Rogerio Faria

    30 de março de 2019 11:22 am

    Ainda há bolsonaristas, como o embaixador Araújo, que diz que o nazismo foi socialista.
    O Nazismo sempre esteve ligado aos grandes grupos econômicos dentro e fora da Alemanha.

    1. AMORAIZA

      30 de março de 2019 5:19 pm

      Eles podem estar certos.
      O nazismo foi “socialista” pelas suas aspirações “à alta sociedade.

  5. Renato Lazzari

    30 de março de 2019 2:39 pm

    Não existe uma “elite do mercado financeiro brasileiro”, nossa moeda não tem importância nem nacional que dirá internacional, geopolítica. É só ver como os capitalistas brasileiros se ufanam por ter dólares. E se nem existe essa elite, como pensariam em futuro, ainda mais em futuro do nosso país?

    O que não há dúvida de que existe são banqueiros brasileiros porém operadores do dólar, moeda exclusivamente emitida, controlada, manipulada pelos Estados Unidos e imposta a alguns outros países, dentre eles, o nosso. Os mais poderosos bancos do nosso país submetem-se à ordem do dólar, às diretrizes dos EUA. E a ordem dos EUA, todos conhecemos: Estados Unidos em primeiro lugar. Ou, como diz o presidente deles, “America first”.

    É fogo… As pessoas que administram esse país, EUA, estão transformando nosso país em terra arrasada com a anuência complacente dos brasileiros que tomaram nosso estado nacional de assalto.

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