As pendências entre o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab e o DEM se resumem a um fato apenas: a legenda para as eleições de 2014 para governador de São Paulo. Kassab teme que a aproximação entre o presidente do DEM Rodrigo Maia e os tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin o deixem sem legenda.
Velhos caciques do partido tentam convencê-lo de que o DEM não seguirá a reboque do PSDB, mas aparentemente ainda não foram bem sucedidos.
Ontem houve reunião decisiva para o DEM, entre José Agripino Maria, Jorge Bornhausen e Kassab, para tentar demovê-lo da idéia de sair do partido para montar outro.
O drama do DEM pode ser resumido em alguns capítulos simples. Na raiz, dois erros importantes cometidos por Bornhausen quando, pela morte de ACM, tornou-se o líder máximo do partido.
O primeiro, menos relevante, foi a mudança do nome PFL para DEM. Matou-se uma marca que tinha anos de investimento por uma miragem. Bornhausen argumentava que os democratas retomariam o poder nos Estados Unidos e o nome do partido seria reverberado por toda a mídia brasileira. Assim, a idéia do DEM seria pegar carona na imagem de outro produto – os democratas americanos.
É até curioso que um erro de marketing desse tamanho tenha sido cometido por um político egresso de uma família empresarial.
O segundo erro, mais grave, foi ter apostado em Rodrigo Maia para presidente do partido. A intenção de Bornhausen foi colocar alguém que não lhe fizesse sombra. Maia foi percebido como um rapaz agradável, mas sem maturidade para o cargo. Como costuma ocorrer em quase todo processo político similar, a criatura voltou-se contra o criador.
Hoje, os velhos caciques do partido o tratam, em particular, como “o coveiro do DEM”.
Aí se entra no fator Kassab.
Por seu cargo no partido – prefeito da maior cidade do país- Kassab tornou-se fundamental ao DEM, não apenas como agente financiador mas como potencial político.
Para sair do DEM sem perder mandato, só para uma nova legenda. Há o risco da incorporação do novo partido ao PSB e, mais ainda, se for absorvido pelo PMDB, uma confederação de partidos. Mas tudo é pequeno perto do risco de perder a legenda para as próximas eleições.
Aí entram os movimentos laterais oportunistas. Principalmente daqueles que esperam a implosão do partido para se bandear para a base governista.
Hoje em dia, o DEM está dividido em dois grupos: os partidários e os adversários de Bornhausen. Serra tem interesse na disputa porque um novo partido lhe abriria a possibilidade de, ao menos, sonhar com uma legenda nas próximas eleições – embora ninguém, no DEM, consiga vislumbrar mais do que meia dúzia de seguidores que conseguiria trazer para o novo partido.
A esperança do DEM é se unir em torno de José Agripino Maia que, aparentemente, tem o apoio da maioria do partido e seria um avalista confiável para Kassab. Há uma ala mais radical – liderada pela senadora Kátia Abreu e por Ronaldo Caiado – tentando emplacar um tertius.
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