4 de junho de 2026

Podemos, da Espanha, a caminho da integração

Enviado por Antonio Ateu

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Podemos: A caminho da integração

Por Felipe Alegría e Juan P, do Estado Espanhol

A renúncia de Juan Carlos Monedero, cofundador e um dos ideólogos de Podemos, ocorre em um momento em que esta organização gira cada vez mais à direita e elimina todo vestígio de democracia interna. Reproduzimos um artigo publicado recentemente por Corriente Roja da Espanha

Em seu empenho por apresentar-se como um ator político “confiável”, capaz de formar um governo que não ataque os nervos dos poderes econômicos, a direção de Podemos não cessa de transformar suas propostas originais, ao mesmo tempo em que burocratiza o funcionamento do partido.

Enquanto se celebrava (com a presença de Miguel Urbán, de Podemos) um ato republicano no Parlamento Europeu com deputados que haviam se negado a receber ao rei, Pablo Iglesias acudia sorridente a cumprimentar o monarca e inclusive lhe dava um presente. A recepção real celebrou o dia 15 de abril, exatamente depois das manifestações e atos republicanos que percorreram cidades e municípios do Estado e das quais Podemos não participou.

Em Madrid, o candidato de Podemos à Comunidade declarou não contrapor-se à educação concertada [1]. Podemos apareceu na vida política como a força que levaria às instituições as reivindicações que os movimentos sociais haviam levantado durante esses anos de mobilizações. Agora dá as costas aos milhares e milhares de estudantes, professores e pais que gritaram nas manifestações e greves: “Nada, nada, nada/para a privada!” (Para a educação privada).

Também nestas últimas semanas, os principais dirigentes econômicos de Podemos se reuniram com fundos de investimentos e banqueiros internacionais como o “Bank of America–Merryl Lynch”, um gigante financeiro estadunidense. Segundo alega a imprensa, a reunião foi para explicar-lhes diretamente as propostas econômicas de Podemos e para “escutar suas preocupações”. Umas semanas antes, em fins de janeiro, o secretário geral de Podemos – Madrid, Jesús Montero, declarava: “Há duas culturas empresariais. Uma é casta; a outra quer contribuir com o bem-estar social como a família Botín, do Banco Santander”.

Esta inversão de Podemos é justo o que não pode fazer quem quer ser uma opção política de ruptura, que aspira representar os movimentos sociais e o “sentido comum” das lutas destes anos. Se Podemos se apresenta como uma opção de ruptura democrática com o “regime de 78”, não pode dar presentinhos ao rei e dar as costas à luta pela república. Nem negar-se à convocatória de um referendum de autodeterminação para que a Catalunha decida seu futuro nacional. Se Podemos quer ser a voz das massas, não pode defender a educação concertada. Se Podemos quer estar com as famílias despejadas, não pode congratular-se com os banqueiros da família Botín, nem “escutar as preocupações” dos fundos de investimentos.

Muita gente de Podemos não compartilha com este desvio e exige uma retificação do rumo. O melhor exemplo é “Andaluzia pela base”, a corrente que se levantou com um programa de ruptura e reivindica a volta ao programa fundacional do manifesto “Mover Ficha”, e que as decisões e o controle de Podemos se exerçam democraticamente desde suas próprias bases.

Não revertendo este curso, a direção de Podemos levará ao desengano a todos aqueles que lhe viam como uma ferramenta para terminar com o bipartidarismo e abrir caminho às mudanças sociais; transformará Podemos em um PSOE-2 e ajudará a recomposição da direita. A grande tarefa é tirar o PP e ganhar a maioria para realizar, apoiados na mobilização social, um programa de mudanças profundas que dê solução aos principais problemas dos trabalhadores e do povo. Não valem as considerações e compromissos eleitorais.

[1 Uma ‘escola concertada’ é uma escola privada com cursos subsidiados por fundos públicos, ou seja, a sua titularidade e sua gestão são privadas, mas funciona graças à subvenção e financiamento do Estado

http://www.pstu.org.br/node/21443

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  1. Tela

    12 de maio de 2015 9:35 pm

    Entrevista de Monedero, que deixou a direção do Podemos

    Creio que a entrevista de Monedero, que acaba de deixar a direção do Podemos, é bastante mais reflexiva e instigante do que o texto do Estado Espanhol. Ela foi bastante recortada e distorcida pelos meios de comunicação mainstream – e também poderá sê-lo, com sinal trocado, por visões de esquerda radical. Ela aponta desafios colocados pela democracia representativa e sua estrutura partidária atual, para os quais não há, que eu saiba, respostas. Vale a pena fazer o esforço de ouvir.
    https://www.youtube.com/watch?v=TYhRfxq3aIU

  2. Heloísa Coellho

    12 de maio de 2015 10:41 pm

    Parecido com o Brasil

    Essa narrativa me lembrou a trajetória do PV, PSB, PCB quando virou PPS, PSDB, PDT, além de personagens como Marina Silva, Eduardo Campos, Marta Suplicy etc. Carlos Lacerda também involuiu da esquerda para a direita. Todos esses têm algo em comum. O que será? Em contraste, Dom Helder Câmara fez o contrário, e transitou da direita para a esquerda, sobretudo durante a ditadura militar. Para mim, um exemplo de integridade e valor espiritual.

    1. Joao Couto

      13 de maio de 2015 3:07 am

      vira casaca

      A mesma coisa aconteceu no Brasil com o PT  abandonando todos os seus princípios e tudo começõu com a famosa Carta aos Brasileiros que nada mais era que uma Carta aos Banqueiros

    2. Roberto L.

      13 de maio de 2015 4:16 pm

      Heloisa, cuidado com o texto,
      Heloisa, cuidado com o texto, o texto é do PSTU (não preciso comentar sobre a visão esquizoide desse partido trotskista).

      A questão do Podemos vai além dele ter “guinado à direita”, é parte da cultura espanhola que é brutalmente influenciada pelo catolicismo arcaico (como a nossa ou até pior) e costuma se perder no meio dos processos sem nunca concluírem nada.

      O problema no partido é que o cidadão afastado foi pego em falcatrua e denunciado pela mídia PPSOE (como eles chamam lá ironizando o bipartidarismo do PP, partido de direita herdeiro do franquismo, e do PSOE, partido que ascendeu na esquerda e pelo vaselina Felipe González, miguxo de FHC e da corja tucana e sua social-democracia de meia tijela (liberalizante até o talo). O González vai além disso, é um lacaio dos EUA e consequentemente da OTAN, ultimamente andou atacando a Venezuela defendendo os fascistas presos por arruaça que tentaram derrubar o Maduro.

      Boa parte da esquerda na Espanha tem desconfiança com o Podemos, a direita o teme porque qualquer coisa que lembre “revolução” (mesmo sem ser) ela entra em parafuso, principalmente uma elite/direita arcaica atrelada de forma bizarra à Igreja Católica e a Opus Dei (a mesma que opera no Brasil em SP via Geraldo Alckmin, assunto que sempre é tratado como coisa menor mesmo sem ser).

      Eu já ouvia falar (ouvia é forma de dizer, eu lia mesmo) do Podemos antes da esquerda no país descobrir a “pólvora” (de uns meses pra cá ou fim de 2014) contando com o ovo no da galinha sem a galinhar colocar o ovo, achando que basta surgir um grupo com discurso de mudança total que “pimba”, tudo muda, sem os caras terem a menor noção do contexto político daquele país.

      Essa bandeira da segunda República (que foi derrubada pelos franquistas e gerou a guerra civil deles, início de fato da segunda guerra) é uma esquizofrenia da esquerda espanhola que em vez de se preocupar em reformar o país pruma democracia de fato (mesmo dita burguesa), não faz uma coisa nem outra e ficam atrelados de forma masoquista a essa questão da segunda guerra, comportamento tipicamente religioso e católico.

      Como eu costumo acompanhar o quadro político da Espanha, o que o texto do PSTU diz soa como hilário pois novamente omitem fatos pro afastamento do Monedero. Passei a acompanhar os jornais de lá sem pretensões, mais pra aprender espanhol (melhorar), mas a história espanhola chama tenção, é cheia de desgraças como a do Brasil ou até pior já que eles tiveram boa parte do continente e hoje vivem na lama, da breve prosperidade dada pela Alemanha (com os empréstimos, que agora ela cobra) quando a Espanha entrou pra Comunidade Europeia que virou a UE.

      O Podemos é filho do movimento 15-M que acabou dando vitória esmagadora ao PP por na época desse movimento dos “indignados” eles pregarem a abstenção (não votarem), a direita aproveitou e votou em peso, a esquerda foi na “onda” deles com raiva do PSOE e liquidou de vez aquele país, piorando o que já era ruim (a herança maldita de Zapatero e suas práticas liberais com o PSOE). O texto não cita isso também (só pra reforçar o desconhecimento desses malas do PSTU com a coisa, mas já tratam esses partidos que não conseguiram nada na Europa como “triunfo revolucionário, quando são todos reformistas, até o Siryza). Revolução do Podemos e do Syriza é social-democrata mais à esquerda, isso se conseguirem.

      O PSTU deveria fazer um favor ao país já que eles se especializaram em ser linha auxiliar da direita tucana: esqueçam a Espanha, pelo bem do Brasil. Se há um país europeu que o Brasil deveria passar longe de tomar qualquer modelo, são Espaha, Portugal e Itália. A Espanha, então, nem se fala. O maior expoente político espanhol atual se chama a Opus Dei, não quero aquele entulho medieval nem de graça.

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