O Diretório Nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) aprovou neste sábado (18), em São Paulo, a plataforma programática que servirá de contribuição ao programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições de 2026.
Batizado de “Direito ao Futuro”, o documento reafirma o apoio da legenda à reeleição do presidente e defende a construção de uma maioria progressista no Congresso Nacional como condição para a implementação de mudanças estruturais no país, e será usado como referência para a campanha de seus candidatos ao Congresso Nacional.
A resolução também estabelece que o conteúdo aprovado será entregue formalmente a Lula por meio de uma carta, consolidando a estratégia política do partido para o próximo pleito.
Segundo o texto, o objetivo da aliança vai além da disputa presidencial e busca impedir o retorno da extrema direita ao poder, ao mesmo tempo em que propõe uma agenda voltada à soberania nacional, à redução das desigualdades e à ampliação de direitos sociais.
O documento sustenta que uma eventual continuidade do atual governo dependerá da formação de uma base parlamentar comprometida com reformas estruturais e políticas públicas voltadas à maioria da população.
Ao comentar a aprovação da plataforma, a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, afirmou que o partido considera as eleições de 2026 decisivas para consolidar a democracia brasileira e superar o ciclo político representado pelo bolsonarismo.
De acordo com a dirigente, a legenda pretende atuar ao lado do presidente Lula não apenas para vencer a disputa eleitoral, mas também para alterar a composição do Congresso Nacional, que o partido avalia como excessivamente conservador e resistente a pautas sociais.
A plataforma “Direito ao Futuro” foi organizada em cinco grandes áreas consideradas prioritárias pelo partido.
1. Soberania nacional e justiça climática
O primeiro eixo propõe medidas voltadas à soberania econômica, tecnológica e ambiental. Entre as propostas estão a regulamentação das grandes plataformas digitais (Big Techs), o fortalecimento da soberania digital, o desenvolvimento de inteligência artificial voltada ao interesse público, a reversão de privatizações consideradas estratégicas, além da implementação de políticas de desmatamento zero, reforma agrária agroecológica e adaptação às mudanças climáticas.
2. Reforma tributária e combate às desigualdades
Na área econômica, o documento defende uma política tributária baseada na ampliação da tributação sobre grandes patrimônios e setores de alta rentabilidade.
Entre as propostas aparecem a taxação de bilionários, bancos e empresas de apostas eletrônicas, redução da carga tributária incidente sobre o consumo e revogação do atual arcabouço fiscal, com o argumento de ampliar a capacidade de investimento do Estado.
3. Trabalho e fortalecimento dos serviços públicos
No campo das relações de trabalho, o PSOL reafirma apoio ao fim da escala 6×1, à redução da jornada de trabalho e à ampliação da proteção legal para trabalhadores de aplicativos. O documento também propõe valorização do salário mínimo, fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), ampliação dos investimentos em educação pública e políticas permanentes de combate à fome.
4. Segurança pública
A plataforma também apresenta diretrizes para a área de segurança pública, como o fortalecimento da inteligência policial, o combate às milícias e ao crime organizado por meio de investigações financeiras, o tratamento do consumo de drogas sob a perspectiva da saúde pública e políticas específicas de enfrentamento ao racismo, ao feminicídio e à violência contra a população LGBTQIA+.
5. Moradia e direito à cidade
No quinto eixo, o partido concentra propostas voltadas à política urbana. O documento defende a implantação da Tarifa Zero no transporte coletivo, mecanismos de controle sobre o preço dos aluguéis, ampliação dos programas habitacionais e requalificação de áreas centrais das cidades. Segundo a legenda, essas medidas buscam ampliar o acesso à moradia e reduzir desigualdades territoriais.
Deixe um comentário