A Lava Jato tornou-se grande demais. O nível de hipocrisia necessário para mantê-la indefinidamente coloca-a a ponto de desandar a qualquer momento. Quanto mais tempo passar, mais Moro e Dallagnol se tornarão um risco para as forças que os apoiam. Qual o futuro da Lava Jato?
Um preâmbulo necessário.
Enunciado em 2001, O Princípio de Giannotti da Amoralidade Política, descreve à perfeição o “presidencialismo de coalização” desenvolvido no governo FHC para garantir a governabilidade pós-Collor.
Tal princípio estabelece que exista uma zona de amoralidade para ação política.
Dentro dos limites dessa zona de amoralidade, estariam suspensos os conceitos de legalidade ou ilegalidade dos atos políticos praticados. Logo, enquanto dentro dos limites da tal zona, o uso de “recursos escassos” para obtenção de apoio político deveria ser considerado como uma forma de exercício do poder do governante para fazer avançar o processo democrático. Os limites seriam estabelecidos pelo grau de tolerância da opinião pública mediada pela imprensa.
Como dependem da tolerância da opinião pública e da disposição da imprensa em tornar ou não públicos os atos praticados, os limites da zona de amoralidade são fugidios. Nos governos Lula, falava-se do “efeito Teflon”. Razão pela qual, denúncias da mídia contra Lula não colavam na opinião pública. Nos governos Dilma, estaríamos assistindo ao “efeito Super Bonder”?
De qualquer forma, um político que fosse apanhado aventurando-se fora dos limites da zona de amoralidade política seria penalizado por seu ato.
O PT não chegou ao poder pela via revolucionária. Chegou pela via democrática. É mesmo considerado continuador do modelo de FHC. Seria impraticável que, sem ruptura com o modelo, deixasse de “se aventurar na zona da amoralidade”.
Na oposição aos governos petista, a mídia mainstream passa, então, a adotar a inversão do Princípio de Giannotti da Amoralidade Política.
A inversão se dá pela manipulação da informação. Fatos relacionados ao PSDB não chegam à opinião pública, os mesmo fatos relacionados ao PT são escandalizados. Com a escandalização da opinião pública, o Judiciário é provocado a agir.
O tratamento dado pelo Judiciário ao “Mensalão do PT” e ao “Mensalão do PSDB” mostra que, tal inversão é uma manobra perfeitamente praticável. Hipócrita, mas perfeitamente praticável.
A Lava Jato e o PGR – Purgatório Geral da República.
Não há como comparar a Lava Jato aos “mensalões”. Os “mensalões” eram fatos específicos delimitados no tempo e, embora em número inaudito, 40 réus, no caso do mensalão do PT, seus envolvidos estavam definidos. Os “mensalões” nasceram dentro do ambiente político e depois migram para o judiciário.
Na Lava Jato, essa ordem se inverte. A Lava jato se propõe refundar a República do alto de uma primeira instância judiciária.
Para tanto, não há mais o conceito de juiz natural, todo o território nacional passa a ser jurisdição de Curitiba.
Não há fato específico a ser investigado. De tudo já foi alvo de investigação. A Lava Jato está na sua 18º fase – a “Pixuleco II”.
O fato inicial, a lavagem de dinheiro pelo doleiro Youssef já se transmutou em cartel de empreiteiras, financiamento ilegal de campanha política, compra de apoio político e sabe-se mais lá o quê, tal a dificuldade de se acompanhar o caleidoscópio de alvos da tal “força tarefa”.
Aliás, “força tarefa” passa a ser o designativo de uma situação anômala na qual a investigação, a acusação e o julgamento dos réus são feitos por um mesmo grupo.
A Lava Jato já envolveu de pessoas comuns à Petrobras, na figura de seus principais diretores, passando por líderes políticos, jornalista e agências de propaganda, escroques vários, as maiores empreiteiras do país, estaleiros, fornecimentos de sondas para exploração de petróleo, empresas nacionais e estrangeiras e o programa nuclear brasileiro. Ameaçam envolver Belo Monte e toda a execução do orçamento federal dos últimos 12 anos.
Garantias individuais previstas na constituição e no Código de Processo Penal tornaram-se letra morta. Escritórios de advocacia e departamentos jurídicos não são mais sagrados, tampouco as conversas entre os advogados e seus clientes o são. A prisão preventiva usada como técnica de investigação e a delação como prova. A condenação e o cumprimento de pena antes do julgamento.
Foragido mesmo, só um ex-policial que envolve o senador Anastasia do PSDB-MG e que a Polícia Federal não consegue localizar, embora ele tenha pertencido a seus quadros.
Não importa por que ângulo se observe, a Lava Jato é superlativa. A Lava Jato tornou-se a principal variável política e econômica do país. Curitiba tornou-se o centro da nação e o juiz Sergio Moro tornou-se o PGR – Purgador Geral da República.
Como tal “monstro pantagruélico” não encontra questionamentos jurídicos que lhe deem limites?
Porque formou se na opinião pública o consenso de que a zona de amoralidade foi ultrapassada. Então, obtido o consentimento tácito da opinião pública, os limites da Lava Jato passaram a ser os limites de sua própria audácia e auto-confiança. Nenhuma autoridade superior irá colocar sua biografia em jogo para defender o indefensável.
O Futuro da Lava Jato – a hipocrisia necessária e o risco envolvido.
Ocorre que o “monstro” teria limites pré-estabelecidos. Os mesmo limites da zona de amoralidade. E quem define as fronteiras da zona de amoralidade é a mídia como intermediária da opinião pública.
A Lava Jato abastece a mídia de “vazamentos” não por outro motivo. Necessita que os limites da zona de amoralidade sejam os mais estreitos possíveis para que sua amplitude de atuação seja a maior possível.
Mas a mídia mainstream tem um lado político definido, o do antipetismo.
Assim, a atuação da Lava Jato não pode avançar sobre nenhum fato relacionado ao PSDB – o antípoda do PT escolhido pela própria mídia mainstream para sucedê-lo.
Mas PSDB e PT não são antípodas em relação ao quanto frequentam a zona de amoralidade política.
As propinas na Petrobras não começaram com governos petistas. Pedro Barusco as retroage a, pelo menos, 1998, no governo FHC. Youssef liga Janene a Furnas e esta a Aécio. O “petrolão” e o “trensalão” são os mesmos esquemas, assim como a finada Castelo de Areia. Um no governo federal do PT, os outros no governo paulista do PSDB. As “doações” dos empreiteiros para o PT são similares até em valores às para o PSDB.
Como manter indefinidamente o PT no olho do furacão e o PSDB fora? Até quando será possível manter a inversão do “Princípio de Giannotti da Amoralidade Política”?
Por quanto tempo a opinião pública aceitar a hipocrisia contida nessa inversão. Mas a opinião pública não é hipócrita em essência. Ela percebe e ela cansa.
Não acredito que o juiz Moro seja um antipetista, vejo o como um homem vaidoso e um obcecado por reproduzir, no Brasil, a operação “Mãos Limpas” da Itália. Inclusive, tema de trabalhos acadêmicos de Moro. Vejo o também como um incrédulo da santidade do direito de defesa. Já formou juízo sobre a culpabilidade dos “réus investigados”. O enfado com que parece ouvir os argumentos da defesa formada pelos melhores advogados brasileiros beira o descaso.
Não acredito que o procurador Dallagnol seja um antipetista. Temo-o quando parece crer que tem a cumprir uma missão de inspiração divina.
Não creio que estejam a serviço de interesses estrangeiros. Ainda que prejuízos ao pré-sal, às empreiteiras nacionais e ao programa nuclear brasileiro venham ao encontro de sabidos interesses dos EEUU.
Acredito-os probos, apesar dos interesses que os rondam tão próximos. A Moro, inclusive, próximos ao seu leito de dormir.
Acredito que estejam realmente querendo fazer a diferença, refundar a República, passá-la a limpo. O quanto isso possa ser megalômano, creio, é um questionamnto mais relevante do que dúvidas que se possam levantar sobre a seriedade dos que integram a Lava Jato.
Mas também não posso crer que não tenham encontrado em suas investigações algo que comprometa o PSDB. Ou até muita coisa comprometedora. No mesmo montante do que encontraram em relação ao PT, o bom senso me diz.
Se minha hipótese está correta, os executores da Lava Jato teriam aceitado a hipocrisia da inversão do Princípio de Giannotti da Amoralidade Política e os limites que ela impõe. Logo, deixariam de ser protagonistas, passariam a instrumentos. Mas essa aceitação pode ser tática e não estratégica.
Por quanto tempo é possível manter tal situação?
Enquanto a Lava Jato necessitar da escandalização para manter a salvo de questionamentos seus “métodos heterodoxos de investigação”, ou enquanto o desgaste dos governos do PT interessar à mídia mainstream.
Rompido, por qualquer motivo, o acordo, o juiz Moro, o procurador Dallagnol e toda a Lava Jato passam a ser um risco aos interesses dos que hoje lhes dão apoio.
Para que esse risco fosse controlado, a Lava Jato deveria terminar agora. Já se tornou grande demais. Pode desandar a qualquer momento e alcançar inapelavelmente algum prócere do PSDB. Terminada, por parte da mídia, “realizariam se os lucros” e iniciariam se “novos negócios”.
Vida que segue.
E, então, um dilema se impõe: os integrantes da Lava Jato aceitariam ser autores de uma obra inacabada e unilateral? Conseguiriam viver sem a Lava Jato? Haveria vida para eles após ela?
Não houve para Joaquim Barbosa, após o mensalão.
Creio que é chegado o momento de perguntarmos: qual o futuro da Lava Jato?
PS: para entregas em domicílio, consulte a oficina de concertos gerais e poesia.
alexis
14 de agosto de 2015 1:01 pmMuito bom
Muito bom texto
Parabéns pela lucidez
sergioa
14 de agosto de 2015 1:14 pmEsquisitio:
Num ponto o
Esquisitio:
Num ponto o artigo diz: não acreditar que Moro e Dallagnol sejam anti-petistas.
no outro que crê que os mesmos sejam PROBOS.
Mas como pode uma pessoa ser PROBA e não ser anti-petista se estão fazendo malabarismos mil para somente incriminar o PT e deixar de lado o PSDB?
São probos e imparciais juízes e procuradores que determinaram que toda corrupção só tem validade a partir de 2003, e somente onde haja um governante (municipal, estadual e federal) do PT?
Quanto hipocrisia em um único artigo.
Andrels
14 de agosto de 2015 2:54 pmSergio,
Concordo plenamente
Sergio,
Concordo plenamente contigo se realmente fosse uma investigação séria com o objetivo de combater a corrupção pelo menos deveria ser realizada nos últimos governos do PSDB e PT, assim a investigação seria imparcial. Somente alguém de má fé pode acreditar que essa investigação é séria, agente vê sempre exposto na mídia os petistas. As véspera das manifestações fizeram prisão do ex-vereador do PT, fica cada vez mais difícil acredita na justiça desse país.
Felix N.
14 de agosto de 2015 1:22 pmExcelente artigo.
Em um lampejo, a frase, “A Moro, inclusive, próximos a seu leito de dormir” fez-me crer que lia Machado de Assis.
Joel Neto
14 de agosto de 2015 1:25 pmA quem pertence o futuro?
– Não sei. Mas, de uma coisa eu tenho certeza. A operação lava jato não terá a 45ª fase!
Sergio Saraiva
14 de agosto de 2015 1:43 pmUm adendo interessante.
Por favor, considerem ainda a existência de outros casos sem ligação com a Lava Jato, porém, para os quais, ela pode se tornar um modelo de ação.
Há a Operação Zelotes e R$ 19 bilhões em impostos sonegados. Essa operação da Policia Federal alcança empresários do quilate de Gerdau. Há as contas de mais de 8 mil brasileiros na Suíça, entre eles o dono da Folha de São Paulo. E há o escândalo da FIFA com implicação de nada menos do que a Rede Globo.
Para todos esses casos, há juízes e procuradores que, por certo, gostariam de se tornar também Sergios Moros e Dallagnols. Se a Lava Jato tornar-se um paradigma, faltarão celas para tantas prisões preventivas – já faltam hoje.
Pode ser que muita gente influente esteja pensando que seria o momento adequado de se alargar a “zona de amoralidade nacional”.
Ulisses s
15 de agosto de 2015 1:39 pmSó falta uma coisa
Juiz que combata os juizes anti-pestista, a globo e os banqueiros. Se achar um mostre para nos. Duvido.
João de Paiva
14 de agosto de 2015 1:46 pmHá poucos dias uma pessoa
Há poucos dias uma pessoa próxima contou-me uma história que tem alguma similaridade com o que se depreende deste artigo. Num processo movido por trabalhadores demitidos de uma empresa, tudo ia bem e o processo avançava na 2ª instância, favoravelmente àqueles que reivindicavam direitos desrespeitados. Mas um erro, um passo em falso (os motivos desse “erro” nunca foram esclarecidos…) do advogado pôs tudo a perder. O juiz Alexandre Rosa, em aula proferida na OAB-SC, (procurem o vídeo no youtube e assistam na íntegra a essa magnífica aula, com duração de 2p6min), narra um julgamento conduzido por ele em que o réu, mais de uma vez acusado de cometer estelionato, cometeu um ato falho; segundo o juiz, o teor da denúncia e a qualidade das provas apresentadas pela acusação, contrapostos à peça de defesa, encaminhavam a decisão do magistrado para a absolvição do réu. O ato falho do réu foi um risinho de canto de boca, quando percebeu a evolução favorável do julgamento. Percebendo isso, o juiz encerrou o julgamento, sem proferir a sentença, usando da prerrogativa de redigi-la em gabinete. O magistrado relata, então, que foi para casa, conversou com a esposa, assistiu a um filme, pensou, refletiu… E tomou uma decisão: condenou o réu.
Mas o que tem a ver o resumo narrativo que fiz no parágrafo anterior com o artigo de Sérgio Saraiva? Tudo! E não é difícil demonstrar. Observem os leitores o desenvolvimento da argumentação do articulista no primeiro tópico! O segundo tópico começa de forma coerente com o primeiro, isso até o 8º parágrafo. Mas os cinco parágrafos seguintes (9º ao 13º, os três primeiros iniciados pelas palavras Não…e os dois últimos pela palavara Acredito…) são ‘o risinho de canto de boca’ dado por Sérgio Saraiva.
No 14º Sérgio Saraiva retoma o raciocínio inicial e tenta argumentar da mesma forma que fizera até o 8º parágrafo do 2º tópico. E assimprossegue o articulista até o final.
Li de novo o artigo, pensei, refleti e tomei uma decisão. “Condeno” o articulista pelo uso de uma técnica mais do que manjada, para tentar parecer um “crítico neutro”; essa técnica é popularmente conhecida como “uma no cravo, outra na ferradura”. Com seu ‘risinho de canto de boca’, Sérgio Saraiva quer ficar bem com o leitorado que idolatra Sérgio Moro e os arroubos moralistas, da PF, do MP e parcela do Judiciário. Para ‘ficar bem’ com essa parcela da ‘opinião púiblica’, Sérgio Saraiva joga no lixo toda a argumentação que havia desenvolvido, para criticar e denunciar o uso político da Lava Jato e toda a hipocrisia demonstrada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, por Sérgio Moro e grande parcela do Judiciário, além da mídia comercial.
Sérgio Rodrigues
14 de agosto de 2015 1:57 pmDia após dia…
Vai se tornando uma piada muito cara ao erário!…
Monica Far
14 de agosto de 2015 2:17 pmLava jato: o “mãos limpas” mais limpinho
Caro Sérgio Saraiva,
Seu texto e reflexões sobre o tema poderiam seguir infinitamente (comprovação dada pelo adendo feito nos comentários). Reflexões lúcidas, com posição muito clara, e sem a leviandade cegamente apaixonada que vez ou outra aparece aqui no GGN.
Dá o que pensar.
Identificar um sentimento “Mãos Limpas” em Moro foi primoroso. É possível. Porém, com risco incomparavelmente menor de tornar-se mártir na causa. Houvesse a possibilidade de uma nostálgica Tommy Gun fazer algum barulho em Curitiba, é possível que o abraço à causa fosse afrouxado.
E, por último – visitei seu blog. Não conhecia (aliás, não conhecia você!). Gostei muitíssimo. Ganhou uma leitora.
Sergio Saraiva
14 de agosto de 2015 2:34 pmObrigado.
Você é muito bem vinda.
Clever Mendes de Oliveira
14 de agosto de 2015 5:28 pmMerecidos os elogios da Monica Far
Sergio Saraiva (sexta-feira, 14/08/2015 às 11:34),
Muito justo o comentário de Monica Far. Não me lembro de já ter lido comentários dela. Torço para ela se manter no blog e trazer mais considerações como as que ela elaborou no comentário acima.
Fiquei um tanto confuso quanto aos dois PS que você apresenta no final do seu post “O Princípio de Giannotti da Amoralidade Política” de terça-feira, 11/08/2015, em especial quanto ao primeiro PS que transcrevo a seguir:
“PS 1: um agradecimento ao professor Vladimir Safatle pela lembrança do texto de Giannotti”.
Faltou você indicar um link para a lembrança de Vladimir Safatle, a menos que ela tenha sido feita pessoalmente. A confusão decorreu porque cheguei a pensar que fora sobre um texto de Vladimir Safatle que Celso Rocha de Barros, o NPTO ou Na Prática a Teoria é Outra, fizera dois posts em 2010. Fui conferir e na verdade o texto é de Cláudio Gonçalves Couto e a primeira referência é no post “Dossiê Cult “A Era Lula”: “Uma Política Pós-Ética”, de Cláudio Gonçalves Couto” de quinta-feira, 29/07/2010, que pode ser visto no seguinte endereço:
http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=6568
A segunda referência, dois dias depois, é no post “Mais Política Pós-Ética” de sábado, 31/07/2010, e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=6586
Neste segundo post há não só o link para o artigo de José Arthur Giannotti, mas há também o link para o artigo de Marilena Chauí que à época apresentou o contraponto ao artigo de José Arthur Giannotti. E melhor no post “Mais Política Pós-Ética” são os comentários do filósofo e professor da USP João Vergílio Gallerani Cuter que antigamente nos brindava com sua sempre assaz percuciência aqui no blog de Luis Nassif e que assinava ora Jotavê, ora JV. No post “Mais Política Pós-Ética”, ele faz uma análise crítica dos dois artigos, o de José Arthur Giannotti, aparecido na Folha de S. Paulo de quinta-feira, 17/05/2001 com o título “Acusar o inimigo de imoral é arma política, instrumento para anular o ser político do adversário” e o artigo de Marilena Chaui intitulado “Acerca da moralidade pública” que aparecera na Folha de S. Paulo de quinta-feira, 24/05/2001. E a seguir deixo o link para os dois artigos:
1) O link do artigo “Acusar o inimigo de imoral é arma política, instrumento para anular o ser político do adversário” de José Arthur Giannotti é:
http://www.cefetsp.br/edu/eso/filosofia/artigogiannottigerapolemica.html
2) O link do artigo “Acerca da moralidade pública” de Marilene Chaui é:
http://www.cefetsp.br/edu/eso/filosofia/moralidadepublicachaui
E no post “Mais Política Pós-Ética” o NPTO (Celso Rocha de Barros) nos oferece um link interessante ao indicar um post antigo dele intitulado “Chaui e Giannotti” de quarta-feira, 24/08/2005, em que ele faz referência bem superficial aos dois textos para os quais na época ele não tinha os links. O endereço do post “Chaui e Giannotti” é:
http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=300
Não havia comentários junto ao post “Chauí e Giannotti” quando eu visitei o post pela primeira vez e resolvi incumbir-me da tarefa de comentar os dois textos. Analisei, de modo um tanto superficial, o texto de Marilena Chauí, mas não cheguei a analisar o texto de Giannotti. De todo modo, enchi o post “Chauí e Giannotti” de links que valem serem lidos.
Em um dos meus comentários eu reproduzi lá uma discussão que eu tive com Jotavê e que vale a pena transcrever aqui. O trecho que transcreveria a seguir foi tirado de comentários no post “Guru Indiano do Serra reencarnará como Reinaldo Azevedo pra aprender a não fazer uma merda de site que nem esse” de terça-feira, 06/09/2011, e cujo endereço é:
http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=6913
Nele havia o seguinte comentário de Jotavê para um comentarista denominado Frank.
– – – – – – – – – – –
“Frank,
Eu também não acho que valha tudo para se obter o que quer que seja na política. Política democrática tem regras, que devem ser seguidas, e pressupõe respeito às instituições. Com tudo isso, estamos de pleno acordo. Eu só não consigo ver no governo Lula essa vontade de “calar a boca da imprensa” a que você e o Lourival se referem. A revista Veja chegou a publicar a foto do presidente Lula com um pé na bunda. Você acha que isso aconteceria num país em que a liberdade de imprensa corresse algum risco? Leia o editorial dos principais jornais do país. Não há dia em que você não leia ali críticas pesadíssimas ao governo. Onde está a falta de liberdade? O problema todo está justamente em descer aos detalhes dessa discussão. Eu acho que a crítica é ideologicamente induzida. Quando se diz que o autoritarismo “está no DNA do PT”, o que se pressupõe é que um partido que defenda uma atuação mais forte do Estado na correção das desigualdades sociais DEVE mostrar-se autoritário “mais cedo ou mais tarde”. Fica-se, então, procurando pelo em ovo, e qualquer besteira vira uma “confirmação cabal” daquela crença de fundo. Pura ideologia. Quando você vai trocar em miúdos, não acha nada de concreto. É só fumaça.”
– – – – – – – – – – –
E o meu comentário (quando se abra o post sem deixar carregar o Intensedebate os comentários aparecem na ordem e o meu é de nº (#145) de domingo, 11/09/2010) é o seguinte:
– – – – – – – – – –
“Jotavê (#136) (domingo, 11/09/2010 às 03:14 am),
Seu comentário para o Frank_Brand em resposta ao dele (#134) de domingo, 11/09/2010 às 12:53 am inicia-se com a frase:
“Eu também não acho que valha tudo para se obter o que quer que seja na política”.
Repeti porque nela parece existir a diferença entre a minha concepção de política e a sua. Para mim em política vale tudo que não esteja proibido na lei. É claro que eu não voto nos candidatos que ficam no espectro político da direita a não ser quando a disputa é entre dois do mesmo espectro. É permitido ser de direita, mas eu não apóio. É permitido mentir em política, mas eu não apóio. Aliás, a minha maior resistência ao PSDB decorreu exatamente de o partido sempre usar da mentira para defender as idéias com as quais eu, um social democrata deveria apoiar. E se eu tivesse dístico seria o da frase de Montaigne que eu mencionei junto ao post aqui no blog de Na Prática a Teoria é Outra “Livraço: “Relembrando o que escrevi”, de Fernando Henrique Cardoso” de 09/07/2010 em comentário (#41) que enviei em 11/07/2010 respondendo ao comentário (#22) de Amiano de 09/07/2010 às 06:15 pm,
Reproduzo a frase de Montaigne a seguir com um acréscimo porque no acréscimo eu encontro a minha justificativa para não admitir a mentira na política, embora tenha que reconhecer que não há impedimento para que ela seja usada. Diz então Montaigne em “Essais – Livre I – Chapitre IX – Des Monteurs” (O texto completo pode ser encontrado no endereço a seguir: http://www.bribes.org/trismegiste/es1ch09.htm):
“En vérité, le mentir est un maudit vice. Nous ne sommes hommes et ne nous tenons les uns aux autres que par la parole. Si nous en connoissions l’horreuer et le poids, nous le poursuivrions à feu, plus justemente que d’autres crimes”.
Enfim, a política para mim só tem limite na lei. Você, entretanto, parece encontrar na política aquilo que o José Arthur Giannotti considera como área cinzenta. Iniciei, mas ainda não conclui, a análise junto ao antigo post no blog de Na Prática a Teoria é Outra “Chauí e Giannotti” de 24/08/2005 dos dois artigos que foram tomados como base para o post, embora na época Na Prática a Teoria é Outra lembrasse dos artigos só de memória. Os artigos “Acusar o inimigo de imoral é arma política” de José Arthur Giannotti publicado no jornal Folha de S. Paulo de 17/05/2001, e “Acerca da moralidade pública” de Marilena Chauí, publicado no jornal Folha de S. Paulo da semana seguinte, 24/05/2001, foram recentemente redescobertos por Na Prática a Teoria é Outra e levados para o post “Mais Política Pós-Ética” de 31/07/2010. Lá você fez uma boa análise dos dois artigos e, embora eu até a utilizasse para fundamentar meus comentários junto ao post “Chauí e Giannotti”, considero equivocada a sua concordância com a equivocada teoria do José Arthur Gionnotti de que existe uma zona cinzenta na atividade política. Se for assim, o cidadão estaria a mercê da atividade política e ai sim seria necessário algum tipo de ética para conduzir a atividade política.
Ora, a ética é uma norma de conduta autônoma e não heterônoma. Eu tenho a minha ética, você a sua. Se eu considero que a minha seja ética melhor que a sua (Em princípio todos de bom senso consideram a ética dele melhor do que a do outro, pois tendo bom senso e percebendo que a do outro é melhor do que a dele automaticamente optaria pela ética do outro) e quero que você adote minha ética, esta minha ética é o que eu chamo de ética da soberbia. Uma contradição em seus termos (se a Maria Sylvia de Carvalho Franco permitir que eu use essa terminologia).
Fiz todo esses prolegômenos porque desde que em 2008 no antigo Blog do Luis Nassif Projetobr você, em comentário que depois foi transformado em post, fez referência ao artigo de Plínio Fraga na Folha de S. Paulo de 14/09/2008, intitulado “A quem interessar possa”, eu passei a acreditar que você muito antes de mim (Não tão antes assim pela idade pois já são mais de 20 anos que eu já sei disso) já percebera a impossibilidade de se ter ética na atividade política. Nesse sentido transcrevo a seguir o final do meu comentário (#69) enviado em 30/07/2010 às 09:40 pm em resposta ao seu (#65) de 30/07/2010 às 06:55 pm, junto ao post aqui no blog de Na Prática a Teoria é Outra “Dossiê Cult “A Era Lula”: “Uma Política Pós-Ética”, de Cláudio Gonçalves Couto”. Disse eu lá (Para encurtar retirei um parêntese que era desnecessário aqui):
“Bom lembrar que eu passei a considerar que os acadêmicos já sabiam dessa impossibilidade da ética na política muito antes de Theodore Lowi após ler seu comentário no blog de Luis Nassif sobre o artigo de Plinio Fraga na Folha de S. Paulo de 14/09/2008, intitulado “A quem interessar possa” comentando sobre o livro “The Process of Government: A Study of Social Pressures” de Arthur Fisher Bentley e fazendo referência ao artigo “A Critic at Large – Conflict of Intereset” de Nicholas Lemann que saiu no The New Yorker”.
Até ia lhe pedir que respondesse a uma questão que Na prática a Teoria é Outra me formulou em comentário (#100) de 31/07/2010 às 02:18 am naquele mesmo post a respeito de quanto o Theodore Lowi seria um clássico. A pergunta realmente me surpreendeu. Imaginei que ele fosse do conhecimento de toda a cúpula intelectual do PSDB e também da academia paulista. E você que se mostrara conhecedor de quem para mim antecedera de 50 anos Theodore Lowi e sobre quem eu até então nunca houvera ouvido falar, talvez pudesse dar melhores esclarecimentos sobre o autor do que eu. Parece-me, entretanto, pelo menos na academia e pelo menos pelo que eu tenho lido do Fábio Wanderley Reis, que o Theodore Lowi só seja clássico aqui nas Minas Gerais.”
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Jotavê então dá a resposta dele ao meu questionamento. É o comentário (#147) de segunda-feira, 12/09/2010 às 01:31 am, em que ele diz o seguinte:
– – – – – – – – – – –
“Salve, Clever.
Há umas poucas regras no universo humano que não têm “zonas cinzentas”. Não as têm, pois foram feitas (de propósito) para não tê-las. São as regras algébricas da matemática. Ninguém tem o direito de discutir qual é o próximo dígito na expansão decima da raiz de dois. No máximo, você pode acusar o outro de ter cometido um engano no cálculo. O resultado é aquele, e não tem chororô possível.
Em todo o resto, a zona cinzenta é regra, Clever. Há os casos clássicos – “quando é que alguém deve ser considerado um careca?”. São os menos interessantes. Legais, mesmo, são os casos que envolvem vaguezas constitutivas. “Quando é que alguém teve a intenção de matar?”
A arte da política é saber dar uma forma definida a esse espaço cinzento. Nos melhores casos, essa forma não é simplesmente a tradução envergonhada de interesses pessoais. É a ocupação de espaços contenciosos por um determinado PROJETO de poder.
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E como réplica, em comentário (#148) enviado em segunda-feira, 12/09/2010 às 02:19 am, eu disse o seguinte:
– – – – – – – – – – – –
“Jotavê (#144) (12/09/2010 às 01:31 am),
Lembrando Dostoiévski: “Se Deus não existe, tudo é permitido” e lembrando Fernando Pessoa: “Não existir Deus é um Deus também” diria que se existir a zona cinzenta tudo na política é permitido.
É necessário que a lei não permita que exista a zona cinzenta. Para o bem da política é preciso que ela (a política) seja concebida sem a existência da zona cinzenta. Se a lei não for capaz de a evitar então na política tudo é permitido.”
– – – – – –
Em meu comentário lá no post “Chauí e Giannotti”, eu reconheço que a argumentação de Jotavê, até por ser um de filósofo, é mais consistente que a minha, mas o que eu queria dizer é que o direito é construído para evitar essas áreas cinzentas. Não é que elas não existam, mas o direito vem e estabelece que aquela área é ou branca ou preta.
E vale lembrar aqui um link que eu deixei lá no post “Chauí e Giannotti”. Trata-se de referência ao post “Giannotti e Dallari falam sobre a corrupção no Brasil” de quinta-feira, 01/12/2011 às 11:49, no blog de Luis Nassif, em que se pode ver como José Arthur Giannotti trata o mesmo assunto do artigo dele dez anos depois. O post “Giannotti e Dallari falam sobre a corrupção no Brasil” transcreve a entrevista que o filósofo José Arthur Giannotti e o jurista Dalmo Dallari concedem a BBC do Brasil para discorrer sobre o problema da corrupção. O endereço do post “Giannotti e Dallari falam sobre a corrupção no Brasil” é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/giannotti-e-dallari-falam-sobre-a-corrupcao-no-brasil
O problema do José Arthur Giannotti é que ele diz que aquilo que ele escrevera no artigo “Acusar o inimigo de imoral é arma política” só é válido para estadistas. Politicozinho rastaquera tem que se submeter a outras regras. Eu sou muito crítico de José Arthur Giannotti, mas considero o texto dele sem essa interpretação canhestra que ele quer dar muito importante para o entendimento da política tal como ela é e não como nós a desejariamos que ela fosse. Depois falo sobre isso.
E volto ao seu post “Qual o futuro da Operação Lava Jato?, por Sérgio Saraiva” de sexta-feira, 14/08/2015 às 09:38, para responder a indagação do título. Eu espero que o futuro da Operação Lava Jato seja o melhor possível. O melhor possível não significa acabar com a corrupção, mas que todos sejam tratados mais ou menos de modo igual. E aí talvez o melhor seja que o Mensalão Mineiro não seja julgado. Finda a Operação Lava-Jato, José Dirceu poderá dizer que ele só se sujou porque avaliou que essa era a única forma que se tinha de a Justiça pegar todo mundo envolvido. Se ele e o PT não tivessem participado do processo, tudo ficaria como ficou no Mensalão Mineiro.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 14/08/2015
Clever Mendes de Oliveira
14 de agosto de 2015 11:14 pmSe lembrar e puder agregar informação nova, voltarei a este post
Sergio Saraiva (sexta-feira, 14/08/2015 às 11:34),
Alguns acréscimos ao meu comentário que, se não fosse pela falta de tempo, ao contrário de Blaise Pascal que dizia não poder encurtar carta por falta de tempo, eu teria espichado ainda mais.
Primeiro uma informação paralela a respeito do blog de Celso Rocha de Barros, o NPTO ou Na Prática a Teoria é Outra: o blog dele está em hibernação, aceitando comentários, mas não sendo publicados posts novos desde 2011, salvo um recente em homenagem à cantora, escritora e dramaturga Vange Leonel quando do falecimento dela (Trata-se do post “Vange Leonel, vá em paz, grande fodona” de terça-feira, 15/07/2014).
Segundo ponto que eu abro aqui é para explicar a razão de eu ter me cuidado mais do artigo de José Arthur Giannotti do que do seu post “Qual o futuro da Operação Lava Jato?, por Sérgio Saraiva”. Provavelmente eu seja o comentarista que mais faço menção ao artigo “Acusar o inimigo de imoral é arma política, instrumento para anular o ser político do adversário”. E fico satisfeito em ver outros também fazendo uso do artigo, pois conforme eu afirmei em meu comentário anterior, conhecer este texto de José Arthur Giannotti é um passo importante na longa caminhada para a compreensão do processo democrático.
Recentemente, fiz um comentário para Ion de Andrade junto ao post “Ion de Andrade: Noves fora, Dilma” de segunda-feira, 10/08/2015 às 21:01, e que pode ser visto no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/blog/ion-de-andrade/noves-fora-dilma
Um texto de Ion de Andrade é muito bom, mas apresentei em meu comentário uma pequena discordância. Objetei-me pelo fato de Ion de Andrade ter feito a seguinte afirmação no texto dele:
“Dilma é uma sobrevivente. Um raro personagem maior formado na geração da ditadura. Resiliente e lutadora, é certamente mais administradora do que política. Isso a poupou da lógica abjeta que norteou a política brasileira nesses últimos meses pós eleições. Moderada na escolha dos seus auxiliares e, talvez até, excessivamente “republicana” tornou-se porto seguro sob nevoeiro denso e mar agitado”.
Especificamente, a minha contrariedade era em ver a qualificação de abjeta à lógica que teria norteado a política brasileira nesses últimos meses pós eleições. Para mim, a política brasileira, como qualquer política em um país democrático, ou é contrária a lei e nesse sentido quem a pratica deve ser penalizado, pois age criminosamente, mas só podemos acusar a política e o político de prática criminosa após o trânsito em julgado da sentença. Ou a política é feita dentro da lei e não há como ela ser acusada de abjeta. Ela pode ser acusada de contrária aos nossos interesses ou a nossa ideologia.
A academia tem dificuldade de aceitar a política tal qual ela é. E essa dificuldade é repassada para os alunos. E os alunos jornalistas repassam para a sociedade. E a sociedade recebe a informação já com os jargões e cacoetes que formaram a própria sociedade e que de certo modo recaem também sobre a informação e talvez em razão disso, a informação é mais rapidamente assimilável. Assim, a política como ela é para a população é algo feito por um bando de ladrões. A frase é de Santo Agostinho e talvez ela não seja bem apropriada, mas dizia ele “remota itaque iustitia que sunt regna nisi magna latrocinia” (Posta de lado a justiça o que são os reinos que um bando de ladrões”). A população tem razão em acusar os políticos quando a lei é posta de lado. Só que a política pressupõe que a lei não seja posta de lado. Pressupõe que haja Justiça, ainda que ela nos pareça cega e com as espadas alcançando apenas aqueles que não foram ensinados a abaixar.
De todo modo, aqui e ali, apresentando melhores condições de funcionamento, não há outra forma de democracia a se realizar na prática que não seja a que temos e que é bem diferente da democracia idealizada pela academia ou desejada pela população. E enquanto os seus membros não são condenados como ladrões, ela não pode ser acusada de “magna latrocinia” nem de abjeta. Pode ser acusada de fisiológica, mas também não se aceita que quem a acuse de fisiológica considere o fisiologismo como uma pecha, como fez Luis Nassif junto ao post “FHC combate o fisiologismo que praticou” de quarta-feira, 16/11/2011 às 09:59, aqui no blog dele e que pode ser visto no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/fhc-combate-o-fisiologismo-que-praticou
Pelo teor do post ou Luis Nassif tem o fisiologismo como algo ilegal, ou o tem como algo dentro da lei. Se ele o concebesse como algo ilegal ele não aceitaria que ele fosse usado nos governos de coalizão. Se ele aceita isso significa que o fisiologismo é uma prática legal na concepção de Luis Nassif, mas ruim para o sistema democrático. Ocorre que o processo democrático realizado pela representação só funciona com o uso do fisiologismo. O eleitor tem direito de renunciar ao interesse dele, mas o representante do eleitor não pode renunciar. Ele tem que fazer barganha, tem que ser fisiológico. Daí eu tenha insistido com frequência aqui no blog que quanto mais fisiológica for uma democracia mais ela é democrática. Na democracia direta não há fisiologismo, mas a democracia direta não é funcional e é também um atraso uma vez que sem o fisiologismo ela acaba esmagando os interesses minoritários ao fazer prevalecer a vontade da maioria, quase como se fosse uma ditadura.
Então se pode ver com facilidade que mesmo uma pessoa com muito conhecimento como Luis Nassif tem uma concepção equivocada do funcionamento da democracia e do significado de fisiologismo. Este é um problema trazido pela academia. É ela que teria que definir com precisão os termos que ela utiliza. Aqui são termos da Ciência Política que ficam no limbo da confusão. Procurei organizar o entendimento sobre fisiologismo junto ao post “Vaccarezza, não suje mais o PT” de quarta-feira, 07/04/2010, publicado no blog ‘politicAetica’ (ou de Pax), e surgido na época da votação da Lei da Ficha Limpa, e que como o post “Chaui e Giannotti” às vezes eu volto nele para acrescentar um ou outro link interessante e também desenvolver um pouco mais as minhas idéias sobre o fisiologismo. O post “Vaccarezza, não suje mais o PT” pode ser encontrado no seguinte endereço:
http://politicaetica.com/2010/04/07/vaccarezza-nao-suje-mais-o-pt/
E há muitos mais termos que são mal analisados pela academia. Veja o termo patrimonialismo. Antigamente fazia sentido utilizar esse termo. Depois da Lei 4.320, de 17 de março de 1964, a utilização do termo parece-me inapropriada. Ou o agente público está infringindo uma lei, e há um nome próprio para a ilicitude que ele pratica e não é patrimonialismo ou ele está executando o orçamento e não há que falar em patrimonialismo.
Outro termo que ontem foi mencionado aqui no blog de Luis Nassif e com escasso entendimento uniforme sobre o mesmo é populismo. No post “Quem diria: PT e PSDB incorporam a “maldição populista”” de quinta-feira, 13/08/2015 às 08:37, publicado aqui no blog de Luis Nassif e consistindo de transcrição do artigo de Roberto Bitencourt da Silva – doutor em História (UFF), professor da FAETERJ-Rio/FAETEC e da SME-Rio, ele faz um paralelo entre o PT e o PSDB, acusando os dois partidos de populistas.
O problema da acusação é que ela só é pejorativa se o termo populista é tratado como uma pecha. Só que já se espalhou junto a população, pelo menos a mais informada, a concepção do populismo como algo ruim. Então o acadêmico faz uma ligeira moldagem na definição do termo e molda também quem vai ser acusado de tal modo a encaixar bem o termo nos acusados. O endereço do post “Quem diria: PT e PSDB incorporam a “maldição populista”” é:
https://jornalggn.com.br/blog/roberto-bitencourt-da-silva/quem-diria-pt-e-psdb-incorporam-a-%E2%80%9Cmaldicao-populista%E2%80%9D
Chamei atenção para este post não só pelo mal feito que a academia causa ao fazer definições para uso específico (Ad hoc), sem se preocupar em construir termos que tenham aplicação prática, como também porque lá no post “Quem diria: PT e PSDB incorporam a “maldição populista”” como aqui neste post “Qual o futuro da Operação Lava Jato?, por Sérgio Saraiva” o comentarista João Paiva apareceu com comentário mais longo que me chamou atenção. Concordei com o comentário dele lá no post “Quem diria: PT e PSDB incorporam a “maldição populista”” e aqui ele repetiu o mesmo formato e o mesmo conteúdo do comentário para acusar tanto o Roberto Bitencourt da Silva como você de usarem a tática de uma no cravo e outra na ferradura de tal modo a transmitirem a ideia de neutralidade.
O texto dele para o post “Quem diria: PT e PSDB incorporam a “maldição populista”” pareceu-me mais bem construído. Ainda assim, mesmo lá não achei que Roberto Bitencourt da Silva tenha tido a intenção de elaborar um texto que transmitisse a ideia de neutralidade. Houve um pouco de malabarismo censurável para moldar o termo e os acusados de tal forma a que houvesse o encaixe como chamei aqui e que, em comentário que enviei para o João Paiva, em chamei de perfeita subsunção, mas não houve a tentativa de parecer neutro. Aqui neste post além do comentário dele ter não só a fragilidade da cópia, ele fez a acusação de você pretender parecer neutro sem que pelo menos para mim eu pudesse detectar qualquer traço de manifestação de transparecer neutralidade.
E como o assunto da operação do Lava Jato me interessa, não só porque eu não vejo a corrupção como o grande mal que atravanca o Brasil (Será que as pessoas já perceberam que quando era maior a corrupção mais o Brasil crescia) e considero que esta concepção da corrupção como o grande mal um dos aspectos norteadores da operação Lava Jato, como também pelo emaranhado que ela vai se reproduzindo em todo o país, eu espero fazer deste seu post um cais onde volto de vez em quando para jogar a âncora e acrescentar algum comentário ou deixar algum link.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 14/08/2015
Sergio Saraiva
15 de agosto de 2015 2:32 pmA referência ao professor Safatle
Desculpem, às vezes, acabo escrevendo para mim mesmo.
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/2015/08/1665348-deixe-os-mortos-enterrarem-seus-mortos.shtml
Negrão
14 de agosto de 2015 2:40 pmAs vezes dá a impressão que
As vezes dá a impressão que FHC inventou a roda.
Nas reflexões sobre o Governo Dilma, só cita-se FHC.
Mais do mesmo, mesmo do mais.
Jarbas Similevinsk
14 de agosto de 2015 3:04 pmEm primeiro lugar, gostaria
Em primeiro lugar, gostaria de ver aplicados à família Moro os mesmos critérios que o grupo-Moro aplica aos políticos do PT. Mera questão de isonomia. Que tal por a PF a examinar pautas do Zé Dirceu, enquanto este continua preso (mas a Constituição não proibe um preso de trabalhar)?
Em segundo lugar, tudo me parece uma conspiração. Por que um doleiro vigiado daria um acintoso e público presente de 300 mil reais (o carro Land Rover ou coisa parecida) a um pretenso corrupto, só para iniciar a Lava jato? Me parece que a PF nunca deixou de acompanhar o Youssef. Acompanhar e talvez monitorar. E talvez manipular. E talvez cooptar. Parece que o plano era pegar o PT numa armadilha. O PT, escolado, refugou (mas o PMDB e PP, não). Aí eles tentam forçar a barra, ameaçando destruir o país (e isto, talvez sob ordens externas, o que configuraria crime de lesa-pátria), a não ser que algum alcagueta cite Lula ou Dilma.
Há muito mais coisas estranhas ocorrendo no mundo do que sonha a nossa vã filosofia. Quando se sabe que Napoleão Bonaparte foi o “maior estrategista militar da História” apenas por imposição de Forças Ocultas (como disse Jânio Quadros), quando na verdade era apenas um corninho vaidoso, tudo pode se esperar dessas forças. Inclusive a destruição do planeta Terra (o dogma machista: “se você não quiser ser minha, Terra, não vai ser de mais ninguém”).
Tudo isto que escrevi é Teoria da Conspiração. Não acredite, senão será perseguido pelos conspiradores que não existem!…
E acredito que, quem é de fato superior, não precisa provar. Logo será reconhecido como tal. E um superior que despreza os inferiores (mas vive às suas custas, ou às custas de sua ignorância), não é de fato superior, pois “noblesse oblige”…
Cintra Beutler
14 de agosto de 2015 3:26 pmLava Jato: farsa disfarçada
Lava-Jato, em resumo:
Nada mais é que a exposição de manobras adotadas no governo do PT que desde tempos imemoráveis tem sido utilizadas.
Ou seja: desde a redemocratização do Brasil que as mesmíssimas manobras têm sido adotadas em governos anteriores (caixa 2, propina, fraude em licitações, etc) mas só agora, em 2015, que isso passou a ser investigado. Maaaas, as investigações por parte da PF e do Moro só limitam onde o PT está envolvido de alguma forma. Ficam de fora outros caciques políticos, como o Anastasia e o Aécio. Coincidência? Não mesmo!
Eduardo Londero
14 de agosto de 2015 4:22 pmA suma imoralidade da mídia e
A suma imoralidade da mídia e da oposição, incluindo a esquerda e notadamente o PSOL, é pendurar no PT os pecados do PP e do PMDB, aliados inevitáveis da opção democrática da conquista do poder pelo voto.
Que o PSDB com sua consciência suja o faça, quando por exemplo quis transformar o Caixa 2 confessado por Delúbio numa cópia do desvio de Furnas misturada com a compra de votos da reeleição, isso é compreensível.
Mas o PSOL endossar essas teses não tem cabimento nem explicação.
Eduardo Londero
14 de agosto de 2015 4:27 pmTudo que voa, como Dédalo,
Tudo que voa, como Dédalo, vem ao chão. Especialmente depois de muito desgaste e se expor demais à luz do sol. e sob o olhar de todos.
As coisas normais é que são as mais prováveis.
A vida segue, e o resto do mundo precisa trabalhar.
ulisses33
14 de agosto de 2015 5:54 pmO problema não é a lava jato
O problema não é a lava jato é a corrupção.
Deveria se perguntar qual é o futuro dos corruptos no Brasil.
Arthemísia
15 de agosto de 2015 1:48 amA Lava Jato ensinou aos
A Lava Jato ensinou aos corruptos que seu futuro é a filiação ao PSDB, a fim de adquirir imunidade. Deixa de frescura, que o problema não é a corrpção, mas a hipocrisia superlativa.
ulisses33
14 de agosto de 2015 5:54 pmO problema não é a lava jato
O problema não é a lava jato é a corrupção.
Deveria se perguntar qual é o futuro dos corruptos no Brasil.
sbernardelli
14 de agosto de 2015 9:37 pmQUAL FUTURO DA LAVA JATO?
O futuro da LAVA JATO OU VAZA RÁPIDO é muitos holofotes , muitos prêmios, tapete vermelho, autográfo… Tudo por ter acusado somente o PT, por querer pegar o Lula, por ter pego o Dirceu, por pegar pessoas importantes, por passar em TV pessoas algemadas, sendo humilhadas sem necessidade, se eles roubaram tem que pagar , mas não humilhando. O MP e procuradores parecem o desenho animado LIGA DA JUSTIÇA . Por enquanto cada um disputa seu momento de holofotes,de SUPERSTAR como pode. Foi assim com JB, mas só ele queria aparecer e acabou virado uma estrela decadente e é o que vai acontecer com essas superestrelas brasileiras.
João Maria Fernandes de Sousa
14 de agosto de 2015 11:08 pmPenso eu
que não tivemos ainda o ápice, o gran-finalle…
Desconfio que será uma fase de nome “Nove Dedos” com a eloquente presença de uma tropa de elite da PF armada como os SEALs americanos para prender o Mephystus de Garanhuns e Dona Marisa (segundo a mídia, sua sócia em negócios escusos como compra de apartamento no Guarujá).
Evidente que pra isso vão ter que antes fazer toda uma preparação, tipo impedir o acesso às proximidades do prédio onde Lula mora uns 45 dias antes da ação cinematográfica, e impedir que ele saia de lá (atiradores de elite?)… preservação do direito do suspeito de não ser ridicularizado, dirá o STF.
Como as Margaridas e um cabra da CUT já disseram que vão pras ruas caso ousem azucrinar mais ainda Dilma ou Luís Inácio.. quem tem tem medo.
Transmissão full-time e on-line da Globo e cia ltda.
Moro não quer ser ator coadjuvante, seu sonho é tomar o lugar de Tarcísio Meira ou Al Pacino… cinismo necessário ele já tem de sobra (tanto que toda vez que algum tucano é citado ele nos vem com a célebre e cartesiana assertiva: “não vem ao caso”), falta mesmo é o embalo da turma golpista dando-lhe mais cordas.
Meire
14 de agosto de 2015 11:48 pmNenhuma autoridade superior
Nenhuma autoridade superior coloca sua biografia em jogo para defender o indefensável, mas se calam em defesa dos corruptos do psdb.
Com certeza em suas biografias constará a conivência com esse corrupto tribunal de exceção da república do paraná.
Meire
15 de agosto de 2015 12:06 amDe juiz natural, somente a
De juiz natural, somente a fachada.
A opinião pública já percebe e reage.
Receberão a recompensa que merecem os partidários injustos, e seus sócios ocultos (que se fingem neutros junto ao público).
Carlos Andre
15 de agosto de 2015 2:45 amParece ser uma estratégia da
Parece ser uma estratégia da “força tarefa” da Lavajato vazar propositalmente e seletivamente informações para manter a opinião pública “mobilizada”. Vemos documentos da LJ classificados como confidenciais e sigilosos circulando impunemente pela Internet. O blog do jornalista [tarja preta 1 ] do Estado de [ tarja preta 2] funciona como uma espécie de apoio jornalístico da operação, documentos emitidos hoje estão lá seguramente. Isso não seria também uma espécie de corrupção, já que o privilégio dessas informações pode promover jornalistas e jornais ou aniquilar reputações de pessoas e empresas? Por curiosidade, li alguns documentos e notei que a linguagem utilizada neles é pouco técnica (bem adequada para um panfleto) e principalmente carregada de juizos de valor, por exemplo: ” A tal organização criminosa” . Ora, se o caso nem foi examinado completamente, nem deu chance à contradição, como podem emitir juízos antecipados?
Alessandre de Argolo
15 de agosto de 2015 1:09 pmEssa Lava-Jato é uma paradoxal Caixa de Pandora
Tem como suposto escopo fazer o bem, mas pode causar muito mais prejuízos do que ganhos para o país. Se essa Caixa de Pandora paradoxal em que se traduz a Lava Jato for realmente aberta (por enquanto ela está entreaberta e até mesmo quem a manipula está com receios de abri-la completamente) vai sobrar pouca coisa para o país seguir adiante com a mesma segurança que se viu há um certo tempo atrás.
É na linha do que está no post mesmo. Atinge tudo. E todos em Brasília já sabiam disso. Desde o início, quando começaram a circular os primeiros informes, o receio era geral. Alertas foram ignorados.
O esquema é muito grande e uma coisa vai dar na outra. Na Lava Jato, um determinado ato de corrupção se desdobra em três ou quatro esquemas diferentes. E assim, pouco a pouco, muita gente vai começar a se ver envolvida. A Força Tarefa do MPF não tinha a menor ideia do que iria encontrar pela frente quando iniciou os trabalhos. A Lava Jato vai atingir vários âmbitos da vida brasileira. Eu penso que até alguns blogs governistas vão ser enquadrados como lavadores de dinheiro de corrupção. Não duvido nada disso. O Instituto Lula será atacado, investigado, vão devassá-lo. A Lava Jato vai se espalhar sobre todas as principais estatais brasileiras. Caixa, Banco do Brasil, BNDES, Correios, Eletrobrás etc. Vai tudo ser investigado. Sim, porque corrupção não é exclusividade da Petrobras. Em todas as estatais existirão esquemas semelhantes de pagamento de propina, lavagem de dinheiro etc. Eu não tenho a menor dúvida disso.
Será uma investigação sem fim. E quando o clima de delação chegar ao ápice, creio que o próprio Judiciário começará a ser acusado. Tribunais vão ser denunciados como vendedores de acórdãos, juízes e, quem sabe, até mesmo ministros de Tribunais superiores.
O Brasil corre um risco de virar refém dessa Caixa de Pandora. A vida será completamente paralisada, o pais entrará em rota de estagnização, pois o nível de comprometimento das instituições pode ser gigantesco, atingir todas as esferas de poder e da iniciativa privada. Somente acabando com tudo e começando do zero se poderá conseguir tocar adiante a vida do país.
Ou a Lava Jato é controlada em sua sanha justiceira, o que abrirá espaços para inúmeras injustiças (prender desrespeitando o contraditório, a ampla defesa, o devido processo legal e apresunção de inocência será a marca dessa Operação), ou ela vai literalmente acabar com o Brasil como nós o conhecemos. Isso tem o seu lado bom e o lado ruim. Eu só não sei exatamente qual o lado bom, porque a corrupção, com essa a Lava Jato não conseguirá acabar. Talvez a aposta seja alta demais e os ganhos não justifiquem os prejuízos. Talvez a saída para o problema com o qual a Lava Jato irá se deparar exija que ela retroaja ou então não sobrará muita coisa para tocar esse país adiante. Talvez a solução não seja como eles querem fazer, que é meter todo mundo na cadeia, muitas vezes de forma arbitrária como reflexo do desejo punitivista e moralista de Moro e cia. Talvez uma solução via outras ações seja mais interessante e pertinente. Nem sempre prender, muito menos arbitrariamente, é a melhor solução. Não precisamos disso, muito menos acabar com o país, para lutar contra a corrupção. Isso pode ser feito de modo muito mais inteligente e com muito menos efeitos colaterais.
Douglas Santiago
19 de agosto de 2015 10:29 pmUm governo medíocre e covarde
Um governo medíocre e covarde com uma oposição nefasta e oportunista. A corrupção é o fator que os une.