18 de junho de 2026

Rápido avanço da ultradireita leva judeus a deixar a Europa

Enviado por Demarchi

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Do Correio do Brasil

A comunidade judaica francesa tem sido alvo de ataques cada vez mais frequentes

Correio do Brasil – Por Redação, com agências internacionais – de Moscou e Paris

O avanço dos partidos de ultradireita, de tendência nazista, tem levado um número cada vez maior de judeus a sair da França e da Ucrânia, principalmente, diante do que a comunidade classifica como uma onda crescente de antissemitismo. Segundo o articulista russo Aleksander Medvedovsky, mesmo na Alemanha – que viveu os horrores dos campos de concentração – tem sido complacente com o neonazismo. “Angela Merkel, que está recebendo críticas no Bundestag (o parlamento alemão) pela inexplicável passividade em relação à ultradireita no país vizinho”, afirmou Medvedovsky.

Segundo dados de uma agência especializada na emigração de judeus para Israel, 3,2 mil pessoas seguiram esta rota em 2013, um aumento de 63% no número registrado em 2012. Muitos afirmam que a crise econômica e o desemprego na França, que chega ao índice de 11%, contribuem para a onda de emigração. O governo de Israel também estimula a mudança, dando ajuda aos que chegam ao país e reconhecimento a diplomas e qualificações conseguidas na França.

Na semana passada, milhares de judeus franceses participaram de uma feira em Paris com informações sobre a mudança para Israel, em meio a um aumento sem precedentes na imigração para o Estado judeu e uma onda de ataques antissemitas. De acordo com a Agência Judaica, a aliá(migração) para Israel, a partir da França, registrou um aumento dramático de três vezes, em janeiro e fevereiro de 2014, em comparação com um ano antes. No total foram 3.280 imigrantes da França que chegaram a Israel, em 2013, em comparação com os 1.917 do ano anterior.

O Bureau Nacional de Vigilância contra o Antissemitismo, um grupo de vigilância conhecido como BNVCA, com base em Drancy, registrou uma série de incidentes antissemitas na França, nas últimas semanas, incluindo um ataque violento contra um professor judeu e um ataque com faca a um rabino e seu filho, em Paris.

Fascismo

Ainda segundo Medvedovsky, “em 1965, 20 anos depois do final da Segunda Guerra Mundial, o cineasta Mikhail Romm produziu o filme chamado Fascismo Ordinário (também conhecido comoFascismo de Todos os Dias), um documentário que conta a história do nascimento do fascismo na Alemanha e suas consequências, e que foi o primeiro filme a ter o objetivo de fazer não esquecer aquilo que a humanidade nunca poderá esquecer”.

Leia, a seguir, os principais trechos do artigo:

Nos anos seguintes, aqui e ali, surgiram alguns movimentos neonazistas, até mesmo nas grandes democracias europeias. Engraçado é que os mais atingidos foram os países que mais sofreram na Segunda Guerra Mundial.

Um dos países onde o fascismo gradualmente começou a ganhar força foi a Ucrânia, devastada durante aquele conflito. Ela foi campo de grandes batalhas contra as forças alemãs, e se transformou numa imensa cova de milhares de soldados que deram suas vidas pela liberdade e pela Pátria.

Passaram-se 69 anos. O ultradireitista Dmitri Yarosh, criminoso procurado por participar da guerrilha chechena, defensor da limpeza étnica, dono de um fortemente armado e treinado exército de paramilitares – base da Guarda Nacional ucraniana, de acordo com as revelações da imprensa internacional –, candidatou-se ao cargo de presidente da Ucrânia.

O Governo da Rússia repassou à Interpol a documentação sobre o mandado de prisão desse criminoso, líder da organização ultranacionalista ucraniana Setor de Direita, que mantém o poder em Kiev. O Comitê de Investigação da Rússia emitiu uma ordem de busca e captura internacional para Yarosh, sob a acusação de incitar o terrorismo através da mídia, depois que o ucraniano requisitou pelas redes sociais o apoio do líder extremista e terrorista checheno Doku Umarov.

O líder ultranacionalista ucraniano anunciou em entrevista a uma agência de notícias de seu país que, no caso de um conflito armado da Ucrânia com a Rússia, a sua organização Setor de Direita iria atacar e danificar a infraestrutura de transporte de petróleo e gás russos para a Europa, cortando assim a fonte de renda de Moscou com estes recursos.

Dias depois, Yarosh foi igualmente acusado pelo Comitê de Investigação russo de ter participado de combates contra soldados russos na Chechênia em 1994 e 1995. A informação foi prestada pelo porta-voz do Comitê, Vladimir Markin. Segundo ele, Yarosh considera que a Rússia é um inimigo eterno da Ucrânia e está convencido da necessidade de uma guerra entre os dois países.

Yarosh exigiu do governo da Ucrânia a imediata formação de um Comando Supremo e a declaração de uma mobilização geral da população. Junto a isso, pediu que os armamentos estocados nas regiões fronteiriças fossem transferidos para o interior do país, e requisitou o fornecimento de novas armas junto aos países da União Europeia. No currículo dele e da sua tropa constam a participação mais do que ativa no golpe de estado do dia 22 de fevereiro e a derrubada do legítimo presidente da Ucrânia.

São bem conhecidos os métodos da turma dele, de convencer os deputados de Parlamento Ucraniano a votar de acordo com os seus desejos. A demissão forçada, inclusive com força física, do diretor do primeiro canal de televisão da Ucrânia, só porque permitiu aos espectadores assistir às palavras do presidente da Rússia Vladimir Putin, foi amplamente divulgada pela mídia internacional.

E como reagiram os novos amigos ocidentais – senadores, membros do Parlamento Europeu e governos da Europa, e consultores de toda espécie do novo governo “pré-democrático” da Ucrânia, apoiado pelas forças de extrema direita? Não reagiram, não perceberam nada, muito pelo contrário, abraçaram o pessoal de direita nas ruas de Kiev e declararam que não existem violência e antissemitismo na Ucrânia, e somente em situações super alarmantes pediram um pouco de calma.

Levando em consideração a prática de violência e terror demonstrada recentemente pelos seus correligionários em Kiev e outras cidades ucranianas, e o descontrole que domina o país, o caminho de Dmitri Yarosh para a presidência pode ser bem mais curto do que muita gente imagina, lembrando a Alemanha dos anos 40 do século passado.

Não seria, portanto, uma boa ideia exibir O Fascismo Ordinário para todos aqueles que por ‘ingenuidade’ ou ‘amnésia’ não lembram ou esqueceram as palavras ‘nazismo’, ‘assassinatos’, ‘violência’, ‘guerra mundial’?

Vamos deixar os conselhos de lado. Essa gente boa não precisa de conselhos. Eles conhecem a história, mas pensam que ela preparou para eles outro desfecho.

Os dirigentes da Polônia, por exemplo. Auschwitz não está tão longe da capital, e o gueto estava na própria Varsóvia, mas não se fala do fascismo no país vizinho. Em compensação, há ameaças a outro vizinho, e doze aviões de caça americanos em sua própria terra.

Angela Merkel, que está recebendo críticas no Bundestag (o parlamento alemão) pela inexplicável passividade em relação à ultradireita no país vizinho, quer ensinar o pai-nosso e boas maneiras aos russos?

A França… A ultradireita já está batendo à sua porta, mas o discurso dos dirigentes continua… Sem comentários…

A subsecretária de Estado dos EUA, Wendy Sherman, depois de visita à praça da Independència, em Kiev, e conversas com seus novos parceiros na luta “pela democracia e a liberdade”, por sua vez deverá estar muito ocupada no próximo Yom Kippur – o dia mais sagrado para os judeus – quando cada um deverá pedir perdão pelas besteiras que cometeu.

Tudo isso é ao mesmo tempo triste, nojento, mas tremendamente ridículo e medíocre como são aqueles que se consideram democratas e os únicos e perpétuos donos da verdade, na sua ganância e interesses mesquinhos, sempre distantes da vontade de seus povos.

E o fascismo de 2014? Horroroso, intragável, abominável, mas continua ordinário como todo fascismo, porque não tem como ser diferente.

Finalmente, três pequenos acréscimos para concluir:

1 – Vazou recentemente para a imprensa a conversa da ex-primeira-ministra e possível candidata à presidência da Ucrânia, Yulia Tymoshenko, na qual ela foi muita clara ao dizer “matar todos os russos”, referindo-se aos oito milhões de russos que moram na Ucrânia.

2 – Em 24 de março completam-se 15 anos do bombardeio da Iugoslávia pela Força Aérea dos Estados Unidos, cuja autorização não foi concedida pelo Conselho de Segurança da ONU.

3 – Poucos dias antes do golpe de Estado em Kiev, nos Jogos Olímpicos de Sochi, a jovem patinadora russa Yulia Lipnitskaya conquistou a medalha de ouro ao dançar a música-tema de “A Lista de Schindler”, numa homenagem a uma famosa cena desse filme de Steven Spielberg.

Que coincidências marcantes.

Como diz a expressão popular, ‘Cada macaco no seu galho”.

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12 Comentários
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  1. André LB

    17 de abril de 2014 1:46 pm

      Ué, mas os black blocs (ou

      Ué, mas os black blocs (ou talvez black shirts) não iam libertar a Ucrânia do pavoroso urso russo, levando o país a uma era de liberdade, prosperidade, respeito com minorias e à diversidade sexual, etc?

    1. leonidas

      17 de abril de 2014 2:55 pm

      Todo mundo sabe que aqueles

      Todo mundo sabe que aqueles caras só iriam trocar um governo ruim por um pior e mais fraco ainda.

      Na verdade era esse o interesse dos extremistas um governo fraco para poder manipular mais do que ja faziam.

      Eu ainda acho que a Ucrania é assunto Russo e ponto final…

  2. janes salete

    17 de abril de 2014 2:17 pm

    Pois é, a direita apronta

    Pois é, a direita apronta suas barbáries e culpa a esquerda. Será que veremos os extremistas de direita do blog se posicionando sem culpar, sem transferir a culpa da preconceituosa, covarde, corrupta, corruptora, antidmocrática direita para políticos de esquerda? Eles(direita) devem estar tentando ressuscitar um defunto do comunismo, para colocar a culpa da criminosa direita(totalmente atuante nos dias atuais), para abonar a barbárie que sempre foi sua arma. Hoje, existe apenas um culpado para toda a barbárie desde que o mundo é mundo: a esquerda. Imaginem se o palanque mais eficiente deles(direita), máfia midiátca, os abandonasse. Já estariam em processo de extinção.

  3. DanielQuireza

    17 de abril de 2014 4:07 pm

    Curioso isso dai hein.
    Pois

    Curioso isso dai hein.

    Pois eu imaginava que a maioria dos judeis são de direita. Ou não ?

    Creio que não estamos mais no contexto da segunda guerra ou da Alemanha nazista.

    Se alguem puder esclarecer ficarei grato.

    1. Gunter Zibell - SP

      17 de abril de 2014 8:26 pm

      Esclarecimento simples

      ‘Correio do Brasil’ não é sério.

      Não lembra do ‘suposto’ apoio de Alckmin à marcha da família, que foi transformado em ‘suposta’ matéria nesse blog, para permitir prints disseminados pelas redes sociais? Depois a matéria convenientemente some e pronto, propaganda política feita sem consequências.

      E é claro que nessa matéria aí sobre antissemitismo na França misturaram os assuntos para forçar a barra no ‘suposto’ antissemitismo do novo governo ucraniano. (Mas dizer que os candidatos do Svoboda e do Setor Direita não devem passar de 4 ou 5% cada um, ah, isso não aparece…)

      Qualquer coisa vale quando a intenção é politicagem.

      Recentemente andaram divulgando suposta homofobia da extrema direita atual ucraniana.

      Eu reconheci que os eventos eram do tempo de Yanukovich, cuja base de apoio é que era homofóbica. O antigo governo chegou ao ridículo de um ministro justificar com homofobia o abandono de acordos com U.E. 

      http://www.jornalggn.com.br/blog/gunter-zibell-sp/que-nao-se-manipule-com-o-medo-da-homofobia

      (O post também fala do suposto antissemitismo.)

      E aí o assunto ‘morreu’ na área de comentários daqui. A cada hoax divulgado, depois do desmentido, é o mesmo. Mas a propaganda não pára… Será que há algum financiamento para isso?

      É na verdade tudo muito simples:

      Qualquer coisa de ‘Correio do Brasil’ ou ‘Voz da Rússia’, melhor não dar atenção, são imensas as chances de ser hoax ou mera propaganda. Até o antes comedido ‘Opera Mundi’ anda embarcando nisso, recentemente divulgou a “República Popular de Dontesk” como se fosse algo concreto em termos geopolíticos, não a mera ocupação de um edifício público.

      O processo em geral é o mesmo da ‘suposta’ “Indústria do Holocausto”. Quem dissemina textos negacionistas hoje em dia não é mais a extrema-direita tradicional (estilo TFP, por exemplo) mas setores políticos sem ideologia, a não ser manifestar-se anti-EUA e/ou anti-Israel.

      Tente-se encontrar intelectuais sérios ou acadêmicos que defendam certas teorias ou hoaxs amplamente disseminados em blogs periféricos mas nunca confirmados por sites de notícias. Não há.

      Há muita coisa falsa nas chamadas Blogosfera e/ou mídias alternativas. E há muitos comentaristas ingênuos que reproduzem as coisas achando que seriam anáises de esquerda.

      Na realidade só estão pagando o mico de propagar mentiras ou análises falseadas.

      É isso.

       

      1. Ulisses R.

        18 de abril de 2014 6:46 am

        Caro Gunter,
        Acompanho os

        Caro Gunter,

        Acompanho os seus comentários aqui neste Blog e concordo com a maioria deles. Creio que temos posturas parecidas em relação a vários temas.

        Porém, quero te dizer, não se iluda em relação a Ucrânia e aos ucranianos. Tive a oportunidade de conhecer vários ucranianos nos anos em que vivi na Alemanha(morei em Dresden, onde há muitos imigrantes do leste europeu). Normalmente, eles são muito parecidos com os russos, em todos os sentidos. No aspecto moral, por exemplo, são extremamente homofóbicos, conservadores. 

        Tenho a impressão de que o governo ucraniano anterior era bem ruim. E o atual também é.

        Saudações,

      2. DanielQuireza

        22 de abril de 2014 12:52 pm

        Muito obrigado Gunter.
        Só fui

        Muito obrigado Gunter.

        Só fui ver hoje..

        Abraço.

  4. wendel

    17 de abril de 2014 5:31 pm

    O mesmo de antes…….

    Realme nte a situação está ficando braba para os judeus, e a atuação dos EUA juntamente com a UE no caso da Criméia, ao trocarem um governo legítimo para um fantoche, parece não ajudar muito a comunidade judia daquela região.

    Este artigo, um pouco confuso a meu ver, faz uma menção “an passant” a  subsecretária de Estado dos EUA, Wendy Sherman, que possivelmente é judia, e a Merkel, que também possivelmente também o é, quanto a ignorarem o crescimento do antisemitismo naquela região,  fazendo comparações com o ocorrido pouco antes da II GM.

    Assim, no que pese outras considerações, a verdade é que tem-se que ter muito cuidado ao analisar a geopolitica atual, pois tudo não passa de politica, e tratando-se dela, tudo é possível!

    Que o diga os acontecimentos da II GM, onde supostamente vários dos incidentes ocorridos antes do evento, foram propositadamente ingnorados. Aí,  deu no que deu!!!

  5. NNN

    17 de abril de 2014 6:47 pm

    Até parece…

    Por que o autor ignora totalmente o antissemitismo de esquerda?

    1. Anarquista Lúcida

      17 de abril de 2014 7:54 pm

      Porque é uma ficçao

      Ninguém que seja realmente de esquerda pode ser antissemita, uma coisa é incompatível com a outra: se é antissemita nao é de esquerda. O que as pessoas de esquerda costumam ser é antissionistas, o que é algo completamente diferente de ser antissemita. Sao contra o Estado de Israel e a violência feita contra os palestinos, nao contra o povo judeu. 

      Aliás os sionistas devem estar rindo de orelha a orelha com o antissemitismo na Europa, que convence milhares de judeus a irem para Israel, e que serve de justificativa para o Estado de Israel. 

      1. Jaime

        17 de abril de 2014 10:20 pm

        “Ninguém que seja realmente

        “Ninguém que seja realmente de esquerda pode ser antissemita”

        Na teoria, pode ser. Mas na prática, vemos muitos esquerdistas antissemitas.

        1. Anarquista Lúcida

          18 de abril de 2014 6:50 pm

          “Na prática” NAO SAO DE ESQUERDA!

          Podem se dizer de esquerda, saber os clássicos da esquerda na ponta da língua, mas, se acham que pessoas valem menos que outras por causa de sua origem étnica (seja qual for) e que por isso nao tem os mesmos direitos humanos que outras, entao nao sao de esquerda, esse tipo de posicionamento é incompatível com uma postura de esquerda. 

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