Avanço em saneamento é insuficiente para atingir meta, diz Instituto Trata Brasil

Enviado por Photios Andreas Assimakoupolos
 
 
Se permanecer o atual ritmo, o Brasil não deve cumprir, no tempo previsto, as metas de universalização dosaneamento básico, previstas pelo governo federal para serem concluídas até 2033, de acordo com o Plano Nacional de Saneamento Básico – revelou o Ranking do Saneamento Básico, divulgado hoje (28) pelo Instituto Trata Brasil.
 
 
“A principal conclusão é que o avanço obtido em saneamento, nos últimos cinco anos, é relevante, mas insuficiente [comparando-se ao plano nacional]”, disse Édison Carlos, presidente executivo do instituto,  à Agência Brasil.
 
O ranking avaliou os serviços de água e esgoto das 100 maiores cidades do país – nas quais vivem em torno de 80 milhões de pessoas, ou 40% da população do país – e demonstrou que os avanços ainda são poucos. “A maior parte dessas cidades não vai atingir todos os indicadores, principalmente de tratamento de esgoto e redução de perda de água”, disse ele.
 
Segundo o levantamento – com base em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, de 2013 –, das 20 maiores cidades no ranking [a maior parte na Região Sudeste], oito já atingiram a universalização dos serviços, e as demais se encaminham para atingi-la nos próximos anos. Já entre as 20 menos beneficiadas com saneamento, nenhuma atingirá a universalização dos serviços até 2033, caso mantenham o ritmo atual de avanço.
 
As cidades com melhor saneamento básico no país, em 2013, eram Franca (SP), Maringá (PR), Limeira (SP), Londrina (PR), Curitiba (PR), Niterói (RJ), Santos (SP), Ponta Grossa (PR), Uberlândia (MG) e Taubaté (SP).  Do lado oposto, a mais carente de saneamento era Porto Velho, seguida por Santarém (PA), Ananindeua (PA), Jaboatão dos Guararapes (PE), Macapá, Várzea Grande (MT), Gravataí (RS), Belém, Manaus e São João de Meriti (RJ).
 
Apenas 39% da população tinham esgoto tratado – evolução de apenas 0,3% em relação ao ano anterior. Segundo o Instituto Trata Brasil, isso significa que mais de 5 mil piscinas olímpicas de esgotos não tratados foram jogados, por dia, na natureza, em 2013. Já em relação à água tratada, 82,5% da população têm acesso a ela, mas 35 milhões de brasileiros ainda não dispõem desse serviço.
 
De acordo com Édison, o país tem cenários diferentes, dependendo do indicador. O tratamento de água, por exemplo, é o que tem avançado mais, então é possível se chegar à universalização em água, se continuar investindo. “Já em coleta e em tratamento de esgotos estamos ainda distantes, pois apenas 48,6% da população tem coleta de esgoto e só 39% da coleta tem tratamento. Precisamos ainda levar coleta de esgoto para metade da população”, disse ele. Mas no ritmo de evolução em coleta e tratamento, ele estima que as metas só seja, atingidas em 50 anos e em 100 anos, respectivamente.
 
Os investimentos em saneamento no país, em 2013, foram da ordem de R$ 10,47 bilhões, dos quais R$ 5 bilhões destinados às 100 cidades analisadas. Para Édison Carlos, o governo tem investido pouco “comparado ao desafio” que tem pela frente.  “Esse foi o maior investimento desde 2007. Investiu, mas o Plano Nacional de Saneamento Básico prevê que serão necessários R$ 302 bilhões [de investimento] em água e esgoto, em 20 anos. Então, estamos falando em mais de R$ 15 bilhões por ano para se atingir a universalização. Temos investido, mas ainda abaixo do necessário”, disse ele.

2 comentários

  1. Ainda não li a matéria mas
    Ainda não li a matéria mas pelo que ouço falar por aí saneamento é a bola da vez das PPPs.
    Agora que está resolvido quem deve explorar, os municípios, ainda faltam empresas interessadas.

    Ao Estado restam as áreas miseráveis e que não dão lucro.
    Se sua empresa estatal tem ações na bolsa de NY. ..problema dos seus miseráveis.

    Ainda falta superar o velho problema ideológico daqueles que defendem uma economia 100% estatal.

  2. Saneamento no século 18

    Nassif,

    Há mais de 15 anos não falta $$$ federal para obras de saneamento básico, e se a regra do jogo não mudou, basta aos prefeitos fazerem os PT’s de acordo com o padrão normativo do Ministério da Saúde para se habilitarem aos recursos e mais nada.

    Se não têm competência para pegar $$, para as redes de esgoto e águas pluviais (alô alô prefeitos, são DUAS redes independentes ), para a construção de ETE, então, nem pensar. O tal do presidente deveria falar coisa com coisa, pois o normal era sobrar $$$ destinado às obras no final do ano.

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