23 de junho de 2026

Brasil passa a seguir classificação da OMS para síndrome do burnout

Ligada a situações no trabalho, síndrome causa esgotamento físico e mental e já era motivo de afastamento e aposentadoria
Foto de Anna Tarazevich via pexels.com

O Brasil passou a adotar a mais recente Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS), em que uma das principais novidades é a inclusão do burnout na lista de doenças ocupacionais.

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A adoção da classificação da OMS consolida o burnout como questão de saúde pública no Brasil, onde a doença já era motivo de afastamentos e até mesmo aposentadoria com respaldo do INSS e da justiça.

A síndrome causa sintomas como esgotamento físico e mental em decorrência de situações relativas ao trabalho: dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) mostram que cerca de 30% das pessoas ocupadas em território nacional sofrem com a doença de ordem mental. O país ocupa a segunda posição no ranking mundial de casos.

Os sintomas de burnout impactam a saúde física, emocional e social. Na lista de sinais que exigem atenção estão a sensação persistente de esgotamento e falta de energia, dificuldade de concentração, irritabilidade e ansiedade.

Além disso, pessoas acometidas pela doença podem apresentar alterações no sono, como insônia ou sonolência excessiva, dores de cabeça frequentes, tensão muscular e problemas gastrointestinais. O desinteresse pelas atividades laborais e a perda de motivação também são comuns.

“Já há algum tempo o aumento na frequência de afastamentos do trabalho vem sendo um tema do capitalismo internacional. A OMS e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), vêm apontando os transtornos mentais como um problema de risco no trabalho na atualidade”, afirma a professora e pesquisadora Cláudia Osório, da Universidade Federal Fluminense (UFF), em entrevista no site da Fiocruz.

Na visão da especialista, a solução para o problema está na garantia de participação de trabalhadores e trabalhadoras e na coletividade, inclusive pensando em novas relações de trabalho.

“Uma gestão mais participativa de fato – não por enquete, não por pesquisas de clima, mas sim participação de fato – é muito importante. Vemos sindicatos bem intencionados querendo proteger a saúde de seus trabalhadores e brigando por atendimento psicológico, terapia, psicoterapia. Muito mais importante é a mudança das normas de trabalho, do grau de participação dos trabalhadores, da possibilidade da existência de coletivos de trabalhadores fortes no dia a dia de trabalho”.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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