Um estudo publicado em março na revista Molecular Psychiatry indica que o canabidiol (CBD), composto não psicoativo da cannabis, tem potencial para reverter parte dos danos cerebrais causados pelo Alzheimer. A pesquisa foi conduzida em camundongos geneticamente modificados para desenvolver a doença e trouxe resultados considerados promissores pela comunidade científica, embora ainda sejam necessárias etapas importantes antes de qualquer aplicação em humanos.
Nos animais analisados, o CBD foi capaz de reduzir a inflamação no cérebro, diminuir o acúmulo de proteínas tóxicas e preservar a estrutura dos neurônios, três dos principais marcadores da doença de Alzheimer.
Além de constatar os efeitos benéficos, os pesquisadores buscaram entender o mecanismo por trás deles. O composto interagiu com a proteína FRS2, que funciona como uma espécie de intermediária na comunicação celular.
Por meio dessa interação, o CBD conseguiu ativar o receptor TrkB, ligado à sobrevivência e ao crescimento neuronal, e fez isso mesmo sem a presença do BDNF, proteína que normalmente cumpre essa função e que costuma estar reduzida em pacientes com Alzheimer.
Apesar de promissor, a pesquisa ainda tem um longo caminho antes de se tornar um tratamento para a doença. Isso porque estudos em animais raramente se traduzem de forma direta em benefícios para pacientes.
Os modelos animais não conseguem reproduzir toda a complexidade do Alzheimer humano, que envolve envelhecimento cerebral, outras doenças associadas e uma ampla variedade de manifestações clínicas.
Vale destacar que, embora já existam pesquisas pré-clínicas apontando efeitos neuroprotetores do CBD, como ação anti-inflamatória e modulação de proteínas ligadas ao Alzheimer , este é um dos primeiros trabalhos a propor que o composto seja capaz de ativar diretamente o receptor TrkB.
*Com informações da Folha de S. Paulo.
LEIA TAMBÉM:
Deixe um comentário