Um levantamento publicado na revista The Lancet Regional Health – Américas constatou que uma parte considerada de mortes de crianças com até 7 dias de vida poderia ser evitada se o Brasil não tivesse desigualdade racial.
De acordo com o estudo , o racismo sofrido pelas gestantes e seus filhos vitima pouco mais de 12 mil crianças todos os anos, devido à mortalidade neonatal precoce, prematuridade, baixo peso ao nascer e de crianças nascidas pequenas para a idade gestacional (definidas pela sigla PIG).
Outra constatação é a de que 1,7% dos nascimentos prematuros, 11% dos casos de PIG e 7% dos casos de baixo peso ao nascer poderiam ser evitados.
Para a pesquisadora Poliana Rebouças, o racismo faz com que pessoas negras tenham menos acesso à educação e, consequentemente, conseguem empregos piores, em que são submetidas a efeitos físicos adversos e contextos econômicos mais desfavoráveis.
“Usamos a identificação racial materna como uma indicação do racismo na vida da pessoa, reconhecendo que a relação entre raça/cor e desfechos negativos na vida das crianças se deve às diferenças sociais, não a diferenças biológicas”, reforça Poliana.
Realizado a partir das bases do sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), a pesquisa analisou os nascidos entre 2012 e 2019 e constatou que o racismo e a desigualdade social são os causadores dos desfechos trágicos que atingem as crianças.
Isso porque quanto menor o nível de escolaridade da mãe, maior a chance de morte prematura do bebê.
Entre gestantes indígenas com menos anos de educação, a análise ajustada ao fator de escolaridade indica o risco de 30% de morte neonatal, 25% de prematuridade, 22% de baixo peso ao nascer e 27% de nascimentos de crianças pequenas para a idade gestacional.
O fim das desigualdades raciais poderia reduzir em mais de 40% os casos de morte de recém-nascidos pretos e pardos.
“Mesmo com toda a pressão histórica feita pelos movimentos sociais em torno da luta pela equidade em saúde, ainda falta incentivo às políticas públicas voltadas ao combate da desigualdade”, completa Poliana.
*Com informações da Fiocruz.
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