Na contramão de Bolsonaro, prefeituras pedem cubanos no Mais Médicos

Foto: Agência Brasil

Por Pedro Rafael Vilela

Na Agência Brasil

Prefeitos e secretários pedem para manter cubanos no Mais Médicos

Secretários municipais de Saúde e prefeitos reagiram hoje (14) à interrupção da cooperação técnica entre a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o governo de Cuba, que possibilitava o trabalho de cerca de 8,5 mil profissionais cubanos no programa Mais Médicos. Em nota conjunta, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) apelam para a manutenção dos profissionais cubanos no Brasil sob risco de faltar atendimento à população.

Segundo as entidades, com a decisão do Ministério da Saúde de Cuba de rescindir a parceria, mais de 29 milhões de brasileiros poderão ficar desassistidos da atenção básica de saúde. Eles pediram que o presidente eleito Jair Bolsonaro reveja a decisão de aplicar novas exigências para a permanência dos cubanos no país.

“As entidades pedem a revisão do posicionamento do novo Governo, que sinalizou mudanças drásticas nas regras do programa, o que foi determinante para a decisão do governo de Cuba. Em caráter emergencial, sugerem a manutenção das condições atuais de contratação, repactuadas em 2016, pelo governo Michel Temer, e confirmadas pelo Supremo Tribunal Federal, em 2017”, diz a nota.

Cubanos
Os profissionais de nacionalidade cubana representam, atualmente, mais da metade dos médicos do programa, o que poderá acarretar em “um cenário desastroso” para pelo menos 3.243 municípios. “Dos 5.570 municípios do país, 3.228 (79,5%) só têm médico pelo programa e 90% dos atendimentos da população indígena são feitos por profissionais de Cuba”, informa a nota.

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O Conasems e a FNP lembram ainda que o Mais Médicos é amplamente aprovado pelos usuários, com 85% de satisfação em relação à melhoria na assistência em saúde após a implantação do programa.

“Cabe destacar que o programa é uma conquista dos municípios brasileiros em resposta à campanha ‘Cadê o Médico?’, liderada pela FNP, em 2013. Na ocasião, prefeitas e prefeitos evidenciaram a dificuldade de contratar e fixar profissionais no interior do país e na periferia das grandes cidades”, afirmam prefeitos e secretários de saúde na nota.

Segundo as entidades, a cooperação com o governo de Cuba impactará negativamente no sistema de saúde, aumentando as demandas por atendimentos nas redes de média e alta complexidade, além de agravar as desigualdades regionais, já que a maioria dos médicos está espalhada no interior das regiões Norte e Nordeste.

“O cancelamento abrupto dos contratos em vigor representará perda cruel para toda a população, especialmente para os mais pobres. Não podemos abrir mão do princípio constitucional da universalização do direito à saúde, nem compactuar com esse retrocesso”, encerra a nota.

O presidente eleito afirmou mais cedo que pretende manter o programa, mas substituir os mais 8 mil profissionais cubanos por brasileiros ou estrangeiros de outros países. Ele afirmou que os cubanos que quiserem atuar no país devem revalidar os diplomas e se adequarem a novas regras.

Abertura de 10 mil vagas
À Agência Brasil, o presidente do Conasems, Mauro Junqueira, afirmou que pediu ao ministro da Saúde, Gilberto Occhi, que o próximo edital de reposição de vagas no Mais Médicos, que previa a contratação de 1,6 mil profissionais, seja ampliado para 10 mil vagas, a fim de minimizar o impacto da saída dos cubanos. O edital poderá sair já na semana que vem.

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“Minha impressão é de que os médicos cubanos devem ir embora até o fim de dezembro. Temos que ter agilidade do ministério de fazer esse chamamento”, afirmou Mauro Junqueira.

O presidente do Conasems lembra que os atuais editais do programa priorizam médicos brasileiros formados no país, seguido de médicos brasileiros formado no exterior, estrangeiros e só em último lugar a contratação de cubanos. Mesmo assim, uma demanda emergencial de tantos profissionais pode dificultar a reposição das vagas.

“A partir de segunda, vamos ter 10 mil vagas. Será que vamos ter 10 mil médicos para colocar no lugar?”, questionou.

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6 comentários

  1. O problema da falta de
    O problema da falta de médicos passa pelo fato de prefeituras do interior pagarem apenas 2 ou 3 mil para contratar um médico. Quem vai querer deslocar-se para o interior nessas condições? Não são tantos médicos assim, é só as prefeituras receberem um pequeno subsídio do Estado e de Brasília para complementação salarial. Tantas cidades pobres com prefeito, secretários municipais, juízes, vereadores, etc. ganhando fortuna. Inclua os médicos nessa turminha já que são tão importantes.

    • Falácias de um desumano

      MILTON: Sua argumentação não para em pé. Seus pressuspostos são falsos e revelam, além do desconhecimento, um desprezo pelos que são excluídos dos direitos sociais. Responda apenas as questões fundamentais: por que os médicos do programa Mais Médicos trabalham nesses municípios que tinham unidades de saúde vazias ? Por que o governo federal teve de recorrer a médicos estrangeiros ?

      Como esse problema está distante de sua realidade, você mostra-se incapaz de ter a completa compaixão.

      • Compaixão = dinheiro.
        Saúde

        Compaixão = dinheiro.

        Saúde eh serviço e custa caro. Não é caridade. Em uma frase: pagou, levou; não pagou, aguenta.

        Salario de 25.000,00 para os milhares de medicos BRASILEIROS que se formam todos os anos e sim, os indios da amazônia terão um médico. Por 2, 3 mil, nossos médicos ficarao em lugares com ar condicionado e sem malária.

      • Compaixão = dinheiro.
        Saúde

        Compaixão = dinheiro.

        Saúde eh serviço e custa caro. Não é caridade. Em uma frase: pagou, levou; não pagou, aguenta.

        Salario de 25.000,00 para os milhares de medicos BRASILEIROS que se formam todos os anos e sim, os indios da amazônia terão um médico. Por 2, 3 mil, nossos médicos ficarao em lugares com ar condicionado e sem malária.

      • Fogo Amigo

        Marcos: tenho pra mim que você não soube capitar a fina ironia do Milton.

        Eu também sou a favor da saida imediata dos médicos cubanos. 

        É promessa de campanha do daBala. E ele é pessoa do colhão roxo, macho pacas. Milico até à raiz do cabelo. 

        Então, prá que deixar que ele, só prá humilhar os cubanos, publique um decreto de expulsão? 

        Que vão embora os 8.332 cubanos pra sua ilha parasidíaca. As mais de 3.000 Prefeituras que se virem. Pariram Mateus? Embalem. Porque oCoiso há de convocar número igual dentre os do bando do JalecoBranco para ocupar (patrioticamente) essa vagas. Gente tem de sobra. 

        E pode contar com as barraquinha dos verdeolivas pra campanhas denominadas Mais Médicos Para o Bem do Brasil. Haverão de distribuir analgésicos e antiverminoses à população. Com direito a uma garrafinha de água mineral.

        Se sua preocupação é com o Povão, desista. Foi este mesmo Povão quem elegeu seu algoz. Ato de vontade tem de ser respeitada. Talvez gostem de sofrer. E se ficarem chateado, que se descabele. Ou promova por outros meios a substituição dos ora escolhidos.

        Chega dessa piedade ideológica. Povo que não luta por seus direitos, que os renega, tem sempre o que merce. Hoje, temos isso.

  2. Do Couro Sai a Correia

    Nassif: o pessoal daBala há de querer se passar por vítima, nesse episódio dos médicos cubanos. Vão dizer que aqueles Kummunistas estão querendo fazer terrorismo entre nós.

    Uma das mais veementes promessas doCoiso era “arradicar a ditadura cubana dos médicos”. Lembra quando o bando do JalecoBranco hostilizava os estrangeiros que chegavam? Portanto, a resposta do governo cubano veio de encontro ao seu plano de administração da saúde do Povão.

    Aliás, parece que sua intenção é acabar com essa de médicos populares. No que lhe dou todo apoio.

    Prá quê pobre precisa de médico? Têm mais é que morrer à mingua de assistência e remédios.

    Nos cofres públicos sobrarão uns troquinhos a mais para a cambada dos políticos a eles ligados possa se locupletar. Evidentemente, com substancial aumento de salário para os do Judiciário e os da caserna.

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