PM do Paraná confirma: oficial não está coberto de sangue, mas de tinta

Jornal GGN – O policial curitibano Umberto Scandelari não está coberto por sangue, mas de tinta, segundo infrmação oficial da Polícia Militar do Estado. Uma foto do oficial com a legenda “Professor, conta outra…”, repercutiu na internet nesta quarta-feira (29), sugerindo que ele era uma das vítimas da repressão do governo Beto Richa (PSDB) sobre os protestos contra as mudanças na previdência dos servidores públicos.

‘Sangue’ em foto viral de PM após protesto é tinta, diz Polícia do Paraná

Do G1

Com a legenda “Professor, conta outra…”, o PM de Curitiba Umberto Scandelari publicou uma foto com braços, mãos e rosto manchados por um líquido avermelhado, logo após o protesto desta quarta-feira.

Amigos imediatamente deixaram comentários preocupados na foto. “Mano, você tá bem?”, “Melhoras, parceiro”, “Melhoras e se cuida” – a imagem viralizou e foi compartilhada mais de 5 mil vezes em menos de 24 horas.

Entretanto, à BBC Brasil, a Polícia Militar do Paraná confirmou as suspeitas de centenas de internautas: o oficial não está coberto de sangue, mas de tinta.

 

“Este é o produto de uma bomba usada como munição menos letal. É usada para marcar pessoas que estão envolvidas nos protestos”, informou a PM.

“Nestes confrontos o uso é normal e aconteceu de marcar também o policial porque manifestantes e policiais estavam muito próximos”, disse a corporação.

A legenda da foto, entretanto, sugeria que as manchas no corpo do policial fossem fruto da ação de manifestantes.

A PM contemporiza: “A legenda sugere que ele não foi atacado por professores com esta tinta. Ela sugere que o confronto foi iniciado pelos próprios professores e não pelos policiais, como vem sendo comentado pelas redes sociais”.

‘Groselha’

O PM Umberto Scandelari não respondeu aos pedidos de entrevista da reportagem.

Nas redes sociais, ele foi alvo de piadas – especialmente porque as manchas, vistas com cuidado, eram cor de rosa, e não vermelhas como sangue.

“Sangrou groselha”, disse um jovem de Uberlândia, em Minas Gerais.

“Estourou a caneta de correção dos profs nele”, comentou outra internauta, de Blumentau, Santa Catarina.

“Quero a marca desse batom”, “Apanhou da moranguinho” e “Professor malvado de artes, tadinho” completaram a série de ironias.

Feridos de verdade

O protesto por direitos trabalhistas deixou 170 feridos em Curitiba nesta quarta-feira – 20 policiais e 150 manifestantes, segundo autoridades do Paraná.

À BBC Brasil, uma porta-voz da corporação rebateu críticas de uso excessivo de força e disse que “desproporcional seria usar armas letais”.

Os manifestantes alegam que mudanças nas regras da previdência dos funcionários públicos estaduais acarretam em perda de benefícios.

As alterações foram votadas a portas fechadas. De autoria do governador do Estado, Beto Richa (PSDB), e aprovado pela Assembleia Legislativa, a medida diminui as contribuições do Estado sobre pensões pagas a servidores e pretende poupar ao governo R$ 1,7 bilhão por ano.

Pelo Twitter, o governador disse que “os direitos dos aposentados e pensionistas estão garantidos”.

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