4 de junho de 2026

A hora do pesadelo municipal

Esta noite tive um novo pesadel interessante.

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“Estou na sede de uma prefeitura. Não sei exatamente o que estou fazendo ali. As reclamações não tem fim, mas a leitura delas não vai começar. O prefeito que saiu deixou o município povoado de problemas enquanto se limitava a cultivar a vaidade e a dilapidar o orçamento com propaganda. Durante seu mandato as pilhas de papéis se acumularam nos corredores e nas salas. Já é quase impossível transitar entre elas.

Antes do malfeitor que saiu o município teve um burgomestre humano, aberto ao diálogo, sensível, bem humorado que olhava para o futuro e tomava o cuidado de não gastar mais do que a prefeitura arrecadava. O que o substituiu destruiu o passado administrativo e financeiro e se limitou a dar presentes aos seus amigos. Agora que o município e sua prefeitura estão estropiados um terceiro prefeito assumiu.

O novo prefeito eleito – não sei dizer se ele realmente foi escolhido pelos eleitores, mas é certo que ele chegou à prefeitura de alguma forma – defende a plataforma da “salvação municipal”. Ele não tem os defeitos de seu antecessor, nem as virtudes do antecessor daquele. A autoridade da prefeitura, legitimada pelos atos humanitários e civilizadores do primeiro prefeito foi dilapidada pela vilania vaidosa  de seu substituto que fomentou a barbárie.

A tensão aumenta. O terceiro prefeito quer resolver os problemas, mas apenas circula entre as pilhas de reclamações. Autoritário, ele não consegue projetar o futuro no presente nem consegue se distanciar do passado que se acumula diante dele. O primeiro prefeito é chamado para ajudar, mas é logo descartado ou se deixa descartar porque quem tem aptidão para comandar não é capaz de conviver com um mandão inapto.

Às pilhas de reclamações antigas novas reclamações vão se juntando e a “salvação municipal” já não sabe mais nem mesmo como se salvar. Impaciente o prefeito começa a chutar os problemas como chutou aquele que poderia solucioná-los. Acordo desesperado no exato momento em que o pesadelo me transformou naquele prefeito.”

O peso da realidade nacional para a qual despertei não é muito melhor do que o pesadelo municipal que findou. Tentarei dormir um pouco mais.

 

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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