4 de junho de 2026

Gleiser, entre a ciência e a fé

Por R Godinho

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comentário ao post “A meditação sobre o Nada, por Marcelo Gleiser

Marcelo Gleiser é um cientista brilhante. Mas deveria tomar coragem e explicitar sua posição: faz parte daquela “banda” dos físicos que, ao contrário de materialistas convictos como Stephen Hawkings, por motivos de fé pessoal não conseguem descartar um processo de criação do universo, sem o qual sua fé pessoal se tornaria uma contradição lógica – crer num criador do incriado. E por conta disso, acaba por tornar seus conceitos um tanto quanto confusos.

A não ser que o Dr Marcelo tenha alguma hipótese melhor, por enquanto o que ainda vigora como teoria mais aceita é a de que o universo é decorrente do chamado de Big Bang: uma singularidade, um corpo com volume zero e densidade infinita, subitamente, em uma fração de tempo inimaginavelmente pequena (tão pequena que o chamado tempo de Planck, 10-43 seg parece a eternidade) se expandiu, formando o espaço, o tempo, todas as forças primordiais da natureza e toda a energia (mais tarde parcialmente condensada em matéria) existentes no universo. Antes disso, a física não sabe o que havia. Não se sabe, por exemplo, se havia um “espaço” multidimensional onde esse corpo singular existia previamente, não se sabe se havia qualquer coisa, ou só o nada absoluto – por mais que nos seja dificil aceitar que “algo” possa vir de “nada”. Tudo o mais, flutuações quânticas do espaço vazio inclusive, são propriedades deste universo. Por mais bizarro que possa parecer, a física na singularidade pode ser completamente diferente da nossa, nada obriga a que “nossa” física seja eterna ou ao menos pré-existente ao universo. Assim, a tese da flutuação quântica do vazio na verdade apenas expressa a ignorância sobre o que havia antes conjugada à necessidade de que haja um algo antes, uma origem, um “criador”.

Eu, pessoalmente, acho inaceitável que um existir possa advir de um não-existir. E aceito a tese de um espaço multidimensional pré-existente, um mundo de branas ondulantes. Mas não perco de vista que isso preenche minha necessidade pessoal e coloca outro problema: de onde vieram essas branas?

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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