TV GGN 20h: A contagem regressiva para um ano do cão: 2021

Confira o comentário diário de Luis Nassif sobre as últimas notícias da política e economia nesta quarta-feira, 25 de novembro

Os prognósticos para o ano de 2021 é um dos temas do TV GGN 20 horas desta quarta-feira (25/11). O programa começa destacando dois dos principais fatos do dia: o acidente ocorrido no interior de São Paulo, e a morte do ex-jogador Diego Armando Maradona.

“O Maradona era um Pelé com alma”, diz Nassif. “O Pelé sempre cuidou da carreira da maneira mais fria possível (…) Era muito frio em relação à situação do torcedor, em relação à situação dos colegas ex-jogadores, se recusava a participar de partidas que homenageavam jogadores. E o Maradona era a paixão”

“Os dois se equivalem. Quando você vai na Argentina, o pessoal te trata bem quando você fala em Pelé, mas os dois se equivalem, evidentemente”. Nassif lembra uma das diferenças entre Pelé e Maradona, quando o argentino foi preterido na convocação para a Copa de 1978 por ser considerado muito jovem – enquanto Pelé foi projetado com 17 anos, na Copa de 1958.

“Em 86, aquele jogo dele contra a Inglaterra foi um dos clássicos. Depois que o Pelé saiu de cena, tentaram criar vários Pelés – Cruijff, Beckenbauer, Platini -, mas quando entra o Maradona não tem mais conversa (…) Ele era mais baixinho, mas era um gênio. E principalmente fora do campo, ele tinha paixão. E o envolvimento dele com drogas é aquele componente trágico que o argentino gosta afetivamente”.

“Quando você pega o Messi, as pessoas tem admiração. Agora, com o Maradona, era paixão efetivamente”.

Com relação aos dados de covid-19 no Brasil, Nassif aponta uma situação mais nítida de segunda onda de contágio ou recrudescimento da primeira onda, com a média diária semanal chegando a 654 novos óbitos e a disparada de novos casos.

Na variação média de casos, 14 Estados registram alto crescimento no registro, cinco Estados tem quadro moderado, três Estados em situação estável e apenas cinco Estados registram queda drástica.

“Temos um governo que, sobre essa questão do plano de vacinação, o Supremo tem que exigir. Esse caso da testagem, o general Pazuello está completamente fora de órbita”

“Você tira tudo quanto é funcionário que conhece a máquina, e coloca colegas militares ‘que eu posso confiar’ – pode confiar em que, cara pálida? Pode confiar na lealdade dele, e não no conhecimento dele”

Na análise global, o total geral de casos de covid-19 no mundo apresenta uma oscilação constante, mas com tendência de alta, com destaque para os Estados Unidos, que seguem com média de 170 mil novos casos.

O plano de vacinação deve ficar pronto em 10 dias, mas deve ficar “em suspensão” – “precisou uma decisão do ministro Ricardo Lewandowski, inclusive colocando como imperativo a aquisição de vacinas independentemente de origem da vacina, e considerações políticas”.

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“E o Bolsonaro, com aquela capacidade única de mentir, coloca sobre a testagem que os Estados tinham que buscar (…) Nesses oito meses de pandemia, ele não desembolsou o previsto para a contratação de médicos, compra de testes e fomento à agricultura familiar para doação de alimentos”.

“Nós tivemos aí, para variar, o Eduardo Bolsonaro com essa crise – a China não corta agora por não ter condição de substituir o fornecimento do Brasil em várias áreas, mas é evidente que estão procurando alternativas”.

“Ou seja, aquilo que ocorreu nos anos 40 que permitiu ao Brasil dar um baita salto graças à visão de negociação do Getúlio, você tem agora dois grandes países interessados no Brasil e um imbecil na Presidência da República. Você não vai ter ganhos nem a porrete”.

Nassif aborda a encruzilhada econômica em que se encontra o Brasil para 2021: “de um lado, tem a bomba do desemprego e, com o fim do auxílio emergencial, ele pode chegar a 20%”

“E não é uma mera questão estatística – se não está tão alto hoje, é porque uma parte das pessoas que não tem emprego consegue se virar com o auxílio emergencial. Sem o auxílio emergencial elas vão para a rua conseguir emprego de qualquer jeito. E não vão conseguir”

“A recuperação econômica depende fundamentalmente do emprego, e depende de políticas anticíclicas – se a economia está descendo, você tem que tomar um conjunto de medidas para subir e vice-versa”

“Mas o Guedes está preso a essa armadilha ideológica – e diz que a maneira de crescer é manter a Lei do Teto e ter corte de gastos, pois o investidor vai acreditar no Brasil e vai investir”. Porém, o investidor investe quando tem demanda. Se não tem demanda, ele não investe.

“O máximo que ele faz – e isso ajuda a explicar a parceria entre grandes grupos brasileiros e o mercado: esse investimento não vem para ampliar a produção, ele não capitaliza empresas. Depois que a empresa está estabelecida, ele enriquece o dono da empresa adqurindo as ações valorizadas da empresa”

“E se você corta os gastos públicos, corta as despesas, a economia cai mais ainda. Se cai mais ainda, cai a receita fiscal. Se cai a receita fiscal, aumenta o déficit fiscal. É um círculo vicioso que não resiste a uma análise empírica da situação”

Além do chamado torniquete da Lei do Teto, outro ponto preocupante é a alta da inflação – o IPCA-15, em fevereiro, chegou a 2,41%, enquanto a ínflação em novembro foi de 1,76%.

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“Quando você pega alguns produtos específicos, como alimentação e bebidas, você tem um aumento de 10,12% – e o impacto, desde fevereiro, nós tivemos 2,41% de inflação, dos quais 2% foram alimentos e bebidas e transportes”.

“Quando se vê alimentos e bebidas, o que pesou mais? Foram os produtos que são exportados, que foram afetados pelo câmbio, e que o Guedes foi incapaz de definir uma estratégia para segurar a peteca

E o IPP (Índice de Preços ao Produtor apurado pelo IBGE) até setembro destaca o aumento dos preços de materiais para produção de produtos elétricos, fabricação de alimentos para animais, óleos e gorduras vegetais.

“Desde fevereiro, abate e fabricação de produtos de carne subiu 41,83%, e a fabricação de óleos e gorduras vegetais e animais subiu 31,93% (…) Isso aqui é gasolina na veia da inflação futura”

“Quando você pega as manufaturas, que também impactam a cadeia produtiva, bens de consumo duráveis teve 7,4% de aumento desde fevereiro, bens de consumo subiu 10,4%, bens intermediários subiu 13,5% e a indústria em geral aumentou 12,1%”

“O que acontece com esse jogo? A única maneira que o Guedes conhece de combater a inflação é aumentar a taxa de juros. E aumentando os juros, impacta o crédito, dificulta mais a recuperação da economia, aumenta mais o déficit fiscal porque encarece a relação dívida/PIB”

E todos esses fatos são decorrentes desse aumento da inflação, em cima de uma visão totalmente obtusa. “Você aumenta juros quando tem aquecimento de demanda – você aumenta os juros, a inflação cai. Cai a demanda, e a inflação cai.

“Você teve toda essa crise e a inflação não caiu porque a influência é câmbio e preços de commodities”

“Segundo a política do Guedes, você vai ter elevação do Selic encarecendo crédito e dívida pública, cortes maiores de despesas e investimentos abortando qualquer possibilidade de recuperação econômica, aumento do déficit fiscal por conta da queda da receita, e de aumento de juros”

“E ainda tem a bomba-relógio da explosão do desemprego. Então, a única coisa que pode salvar o país no próximo ano – e o próprio governo Bolsonaro – é se o Congresso tomar as rédeas e estabelecerem um auxílio maior, ou tirar o Guedes dessa política suicida”.

O comentarista Vinícius Amaral, que aborda reforma administrativa, destaca que não houve nenhum avanço na tramitação do Orçamento de 2021 no Congresso Nacional depois do primeiro turno das eleições municipais.

“Isso é muito preocupante, porque a proposta de Orçamento encaminhada pelo governo ao Congresso em 31 de agosto certamente não contempla as necessidades econômicas e sociais do país”.

Como exemplo, Amaral diz que a proposta encaminhada não contempla nenhum tipo de programa de transferência de renda que venha a suceder o auxílio emergencial, “e que poderia deixar milhões de brasileiros sem renda nenhuma na virada deste ano para o seguinte”

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Nassif entrevistou o jurista Marcelo Neves, que está revendo a questão do neoconstitucionalismo – que é a ideia de que o Supremo Tribunal Federal pode reinterpretar a Constituição ao seu bel prazer, atropelando o Congresso e a Assembleia Nacional Constituinte.

Dentre os temas abordados na entrevista, está a incapacidade dos ministros do STF de abordar temas que não são eminentemente jurídicos, como a questão da privatização de subsidiárias de estatais.

“Você tem que ter um conhecimento de mercado e um conhecimento econômico para saber se aquela subsidiária é parte integrante da lógica da estatal ou não.

“Aqui, deixaram vender o gás da Petrobras, a refinaria da Petrobras, a distribuidora da Petrobras, que fazem parte da lógica, que garantem a solidez das empresas para que elas possam entrar naquela parte de maior risco que é a prospecção”

“Não fizeram nem uma reunião, não chamaram um especialista, não chamaram especialistas internacionais para abordar o tema. A mesma coisa essa questão da reforma trabalhista – você não tem paralelo em nenhum lugar do mundo”

Nassif conversa com Elias Jabour, analista especializado em China, destacando a saída de milhões de pessoas da faixa da pobreza. “A China está há mais de 40 anos retirando milhares de centenas de pessoas da linha da pobreza”

“Entre 1978 e 2017, segundo o Banco Mundial, a China retirou 840 milhões de pessoas da linha da pobreza. Se olharmos o mundo, no mesmo período, vamos constatar que, se retirarmos a China do mundo, o mundo ficou mais pobre”

Jabour explica que em 2012, quando Xi Jinping assume o governo, foi emitida uma ordem para se levante qual o número exato de pessoas que ainda estavam abaixo da linha da pobreza – na época, a estimativa era de 90 milhões de pessoas.

O analista explica que, desde então, diversas políticas foram executadas – de transferência de renda a apoio no campo da infraestrutura, por exemplo – que levaram o país a, nos últimos oito anos, cumprirem a meta que estabeleceram para si mesmos.

A meta: chegar em 2020 (um ano antes do centenário do Partido Comunista) com a pobreza extrema revertida. “A China, talvez, seja o primeiro país com mais de 300 milhões de habitantes no mundo que tenha se livrado da pobreza”.

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