TV GGN 20h: Os rescaldos das eleições americanas

Confira o comentário de Luis Nassif sobre as últimas notícias da economia e da política no Brasil e no mundo nesta sexta-feira, 06 de novembro

O programa começa abordando a pandemia no mundo. Os Estados Unidos voltaram a bater recordes de novos casos, assim como no total de óbitos registrados. Dentre os 10 países com mais casos de covid-19 no mundo, oito são europeus. “Efetivamente, está ocorrendo uma pandemia europeia”

Sobre as eleições nos Estados Unidos, Nassif fez uma projeção sobre o que poderia acontecer com as eleições no país a partir dos estados que faltavam ser apurados

“Nas últimas apurações, Biden estava com 64% e Trump com 36%. Mantido esse percentual, Biden vai ter uma vantagem de 49.687 votos sobre o Trump”, explica Nassif, sobre a Pensilvânia.

Nos estados considerados mais complicados, como Arizona e Georgia, as projeções também colocam Biden na frente. “De uma maneira geral, a eleição já é do Biden”.

“É interessante que toda base dos programas do Trump na eleição era taxar as pessoas de derrotados. O mundo estava dividido entre vitoriosos e derrotados. E daí entra o que vai ser, a partir de agora, o trumpismo sem o Trump”.

“Uma das notícias mais ridículas do processo eleitoral: Luis Almagro, da OEA, foi para os EUA com uma comissão de fiscalização das eleições, acompanhado pelo Luis Roberto Barroso, e lá mandou recomendação para recontar todos os votos válidos das eleições”

“O Almagro – ele e Bolsonaro – ficam órfãos com a saída do Trump, e acha que a OEA tem a menor relevância. Ela tem, só pra sancionar golpes na América Latina”

“Um dos pontos centrais vai ser dar alguma dimensão para a OEA, que virou uma instituição sem nenhuma relevância, golpista”

“E, no Itamaraty, você tem movimentações internas, com aquele grande, brilhante, Ernesto Araújo, para negar a vitória a Biden. É inacreditável, lembra um pouco a Lava-Jato: um conjunto de circunstâncias dá poder provisório a esse pessoal. E eles se acham dotados pela mão divina. É uma falta de desconfiômetro muito grande”.

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“Esse Rodrigo Constantino, que ficou só com a Gazeta do Povo no Paraná, só vou lembrar que no auge do patrulhamento ele fez uma lista de 170 nomes de subversivos, e inflava a direita contra eles (…) Sem contar todos aqueles abusos contra a rapazeada naquela passeata, totalmente irregular”.

“É interessante que, quando a gente chega nesse ponto, você pensa ‘como que começou essa guerra que se tem hoje, entre a civilização e a barbárie?'”

“A construção da civilização sempre dependeu de um grupo de pessoas que consegue enxergar além da vida. Além da vida, é conseguir pensar além do imediato”

“Quando você pega as grandes figuras da humanidade, são aquelas que pensam além do seu tempo. E pensar além do tempo exige conhecimento, discernimento, mas exige principalmente desprendimento”

“Então, eu não vai fazer aquilo que me beneficia no curtíssimo prazo, isso é para esses materialistas superficiais. Eu vou fazer, vou deixar algo aqui que permita construir. E você constrói de várias maneiras: deixando a reputação, a empresa, a poesia, a música, os bons exemplos para os filhos”

“Quando você atinge um cargo que você tem poder de influenciar um país, meu Deus do céu, para quem tem vocação pública é a glória (…) E um dos grandes problemas do país é a falta de dimensão dessas pessoas, de dimensão da história”

“Nem se diga Bolsonaro, o Bolsonaro é o resultado dessa falta de dimensão da história. O sujeito vira presidente da República – é o caso do FHC, típico: nenhum presidente foi tão superficial como ele”

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“Essa luta permanente contra a barbárie é que está por trás de toda a resistência contra o Bolsonaro. Tem que estar por trás, estimulando as pessoas e os partidos a reconquistar os valores”

“E os valores não estão necessariamente na esquerda ou na direita: os valores são os valores em si. Os valores de respeito à vida, proteção aos vulneráveis, redução da desigualdade, são os fatores eternos que ajudaram na construção do mundo”

E o esquecimento desses valores levou à decadência das nações e as guerras. Se você for ver todos esses livros de ascensão e queda dos países, quando começa a queda? Quando começa o discurso de ódio, quando começa o preconceito com relação ao de fora (…)”

“Essa tolerância, essa capacidade de entender a divergência, de administrar a divergência, é essencial para a construção de um país. E você perdeu isso, não só aqui – estamos vendo a olho nu como é a decadência de um país, nos Estados Unidos”

“Quando a metade de um país vota em um Trump e no discurso de ódio do Trump, que perdoa deixar crianças separadas dos pais em prisões, é que a barbárie chegou. Então, é o começo da decadência efetivamente”

“A consolidação dos valores é essencial para a construção da hegemonia dos países. Os EUA jogaram duas bombas no Japão, mas toda a construção da hegemonia americana foi em cima dos valores – orgulho pelos pais fundadores, pelas instituições, pelos valores da livre iniciativa, que levam a um aumento da pobreza e da miséria”

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“E esses valores, hoje, foram para o vinagre. E é por isso que elegeram um Trump. E quando você pega um John McCain, o sujeito era um herói de guerra, foi preso, e deram para ele a chance para ser libertado, e ele não aceitou para ficar com os colegas”

“Hoje, o representante dos republicanos é um sujeito que mente de forma despudorada e é perdoado. É interessante que o país chegou ao apogeu com um conjunto de valores, e o Brasil não chegou a ter esse conjunto de valores”

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