Publicada originalmente em 27/8/2020

Vamos descrever os movimentos do novo bolsonarismo, sem conclusões ainda sobre sua eficácia.

Jair Bolsonaro manteve intocada a lógica da Ponte para o Futuro e da guerra ideológica iniciada pela Lava Jato, de desmonte do Estado, ataque implacável contra inimigos de ideias, privatização selvagem.

Indico a entrevista com Rubens Casaras, para um entendimento melhor da grande guerra ideológica do chamado neoliberalismo vs Estado nacional e políticas sociais.

Bolsonaro foi a alternativa possível para manutenção do modelo iniciado em 2015, no segundo governo Dilma – com Joaquim Levy – e aprofundado nos governos seguintes.

Mas os fatos dos últimos meses mostram uma mudança ainda de consequências imprevisíveis.

Movimento 1: populismo de direita. Fim de Guedes

O novo bolsonarismo é filho da necessidade. Assim como as águas do rio que seguem para o mar, as circunstâncias políticas acabam conduzindo para o novo-velho desenho do populismo.

As circunstâncias, no caso, foram a queda da popularidade com as declarações estapafúrdias, a perda de controle da Câmara, a tentativa frustrada de golpe contra o Supremo Tribunal Federal (STF), o desastre do combate ao Covid-19 e a perspectiva concreta de, em vista de todos esses episódios, derrubar a blindagem permitida pelo cargo, expondo os filhos à prisão.

A boia de salvação passou a ser exclusivamente os índices de aprovação de Bolsonaro. Deles dependiam a blindagem em relação ao julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a capacidade de reorganizar a base partidária, a reiteração do apoio do tal do mercado. E a melhoria veio com a renda básica de 600 reais que, se dependesse de Paulo Guedes, não passaria de 200 reais.

Foi nesse momento que Bolsonaro abandonou o estilo anterior, anti-povo, anti-minorias, anti-pobre e se candidatou a novo pai dos pobres. Provocou surpresa manifestando solidariedade a um entregador negro agredido justamente por um tipo padrão do bolsonarista – o branco complexado valendo-se do racismo como forma de auto-afirmação.

Mais que isso.

Paulo Guedes começou a divulgar elogios à estratégia de gastos brasileira – apesar da clamorosa incompetência de fazer o dinheiro chegar na ponta – e Bolsonaro incorporou os elogios em seus discursos. E, aí, o teco passa a conversar com o tico e, Eureka!, o cérebro de Bolsonaro elabora um novo raciocínio: se aumentar os gastos, em momentos de recessão profunda, passou a ser considerado economicamente racional, qual a lógica do terrorismo de Guedes em relação aos gastos do pró-Brasil? Guedes morreu pela boca. Caiu a ficha de Bolsonaro que aquela história de Guedes, de que “o mundo vai acabar se me desobedecerem”, era blefe.

Tentou-se um primeiro movimento, de envolver Guedes com planos de ajuda e pró-Brasil. Mas Guedes é dotado de raciocínio plano. Se a ortodoxia manda soltar o coelho do alçapão, ele solta. Mas não pense em indagar dele o que fazer com o coelho solto, porque ele só aprendeu a soltar o coelho.

Guedes não conseguiu sair do batidão de sempre. Para aumentar alguma dotação social, nada de criar tributos sobre os mais ricos, mas de cortar outros programas sociais, tirando do pobre para entregar ao paupérrimo, no dizer de Bolsonaro. Não conseguiu captar os desejos óbvios de Bolsonaro, de conquistar as classes de menor renda.

E aí o neo-velho populismo de direito conquistou Bolsonaro, que chiou e o mando de jogo passou a mudar gradativamente para o outro centro de influência do Palácio, o general Braga Neto sob inspiração de Rogério Marinho, Ministro do Desenvolvimento Regional.

O desenho do novo Bolsonaro se fará, inicialmente, rebobinando as principais políticas do período petista – Minha Casa, Minha Vida e Bolsa Família. E montando um mini-PAC de obras públicas, e de concessões, baseado no PPI (Programa de Parcerias para Investimento) de Dilma Rousseff. Aliás, se não tivesse sido boicotada pelo Congresso com as pautas bombas, e atropelada pelo impeachment, o governo Dilma Rousseff já tinha pronto o PPI  um programa de concessões devidamente mapeado.

Essa dinâmica, dos gastos socais e dos investimentos públicos, será irreversível, ainda mais depois que os investimentos começarem a se refletir nos indicadores econômicos e na popularidade de Bolsonaro.

Movimento 2 – a nova base política

Aí se tem um xadrez político para resolver: como aumentar os gastos e manter o apoio do tal do mercado?

A contrapartida ao aumento de gastos públicos, para atender aos templários da Lei do Teto, se dará em duas frentes:

* compromisso reiterado com desregulação da economia e desmonte do Estado.

A Câmara já foi condicionada pela mídia, pelo mercado e pelos patrocinadores, que sua missão maior é completar o desmonte do Estado e de toda forma de regulação econômica e de fundo social. Por outro lado, impõe resistências a cortes que afetem sua base eleitoral. 

A incapacidade de estabelecer relações de causalidade entre fim de fundos sociais, dos gastos compulsórios, e os efeitos na ponta, facilita esse jogo dúbio: o Congresso aprova todas as medidas que impactam o bem estar do cidadão e preserva as entregas diretas.

Essa dubiedade garante o apoio do Congresso ao desmonte e reduz as resistências de mercado e mídia a Bolsonaro.

Agora, em vez do mercado enquadrar Bolsonaro, o próximo passo será o mercado enquadrar Paulo Guedes, que terá que abrir mão de poder e se conformar com papel secundário no jogo.

Guedes não é de ferro: é apenas um blefado que irá aceitar seu novo papel no jogo.

* a distribuição de cargos e a nova relevância política das agências

Com privatização, desregulação, novas definições regulatórias, CADE, ANP (Agência Nacional de Petróleo), CVM (Comissão de Valores Mobiliários), CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) ganham enorme influência política.

Certamente serão novos pontos de barganha com o mercado e o Congresso.

Movimento 3 – a guerra contra os “inimigos”

Enquanto administra alianças provisórias com Congresso e mercado, o governo Bolsonaro avança em duas ocupações, uma militar, a outra paramilitar.

A ocupação militar está se dando nos principais níveis de governo, e obedece à mesma estratégia política iniciada na Lava Jato, estendida pelo governo Temer e aprofundada por Bolsonaro, de tratar as diferenças como guerra política.

Com alguns tropeços, a implementação do modelo ultraliberal passou pelas seguintes etapas:

1. A Lava Jato – junto com o Supremo e o Judiciário – inaugura o direito penal do inimigo. É essa visão bélica que explica a destruição das empreiteiras e a blindagem às instituições financeiras envolvidas com a Petrobras; a tentativa de destruição do PT e as ações retardadas contra o PSDB; a ofensiva contra a Petrobras, a pretexto de defendê-la; a intervenção nas grandes empresas brasileiras, ao entrega-las de mão beijada ao Departamento de Justiça americano.

2. Destruído o sistema partidário, o governo Temer prossegue com as novas leis de destruição do sindicalismo, uma das poucas pernas capazes de segurar um pouco os exageros do movimento pendular do ultraliberalismo. Ao mesmo tempo, desmonta modelos de assistência social, fecha todas as formas de participação social e dá início ao desmonte das estatais.

3. A tomada do poder vai se completando com movimentos do STF (permitindo a venda de subsidiárias de estatais sem passar pelo Congresso) e a captura total das agências reguladoras, para conferir alguma institucionalidade ao assalto perpetrado contra o Estado.

O acordo firmado entre o CADE e a Petrobras, obrigando-a a se desfazer de suas empresas de gás é um dos capítulos mais extravagantes dessa queima de ativos.

4. Na área pública, há um movimento articulado dos principais veículos de desqualificação do funcionário civil, ao mesmo tempo em que as Forças Armadas são contempladas com aumento expressivo de verbas orçamentárias e utilizadas em um movimento de ocupação da área pública.

5. A ocupação final está se dando com a invasão de várias áreas centrais do Estado por militares da reserva, atuando contra as associações de funcionários. Até agora, há as seguintes ocupações explicitas:

    • Militares da reservas nos Correios
    • Militares da reserva na Saúde
    • Militares na infra-estrutura
    • Militares no IBAMA, na Funai, no INPE.
    • Provavelmente a engenharia militar sendo contemplada com obras no próximo programa de investimentos.

Como a nova fase do arbítrio exige o manto das formalidades democráticas, o Poder Judiciário tem papel essencial nessa guerra.

A lista do Ministério da Justiça é apenas uma extrapolação. Há listas e listas circulando em grupos de WhatsApp articulando ações contra “dissidentes” ou “inimigos”.

O Conselho Nacional do Ministério Público e o Conselho Nacional de Justiça têm empreendido ofensiva feroz contra qualquer procurador ou juiz que saia da linha ideológica do Judiciário. São gritantes as diferenças entre as punições aplicadas a manifestações de direita e de esquerda.

Há um tentativa permanente de criminalização dos movimentos sociais pelos tribunais. E, no jornalismo digital, uma perseguição implacável contra vozes tidas como progressistas.

No campo paramilitar, prossegue de forma acelerada a compra de armamentos e os sinais nítidos, da parte dos Bolsonaro, de contar com milícias armadas em sua defesa.

Movimento 4 – o desfecho do jogo

E aí entra-se em um terreno nebuloso. O impacto da Covid-19, a exposição das mazelas sociais, deveriam ser suficientes para espanar da vida nacional a compulsão de morte de Bolsonaro.

As intenções ditatoriais de Bolsonaro estão nítidas para todos. Mas há uma inércia institucionalizada, de quem não quer colocar a mão no fogo, ou dos que pretendem colher alguns frutos dessa aliança provisória com o arbítrio.

Leia também:  Os sabujos da imprensa, por João Feres Júnior

Consolidada o novo modelo bolsonarista, dentro de algum tempo ele começará a colher os frutos de uma melhora relativa da economia e da renda universal. E, aí, não haverá Alexandre de Morais ou Celso de Mello que resolvam.

Motivos não faltam para a cassação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Deixando passar essa oportunidade, será inevitável a caminhada de Bolsonaro para o poder absoluto. E para volta da tortura e dos crimes políticos.

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20 comentários

  1. Enquanto isso, muitíssimo bem remunerados e plenos de mordomias, os parlamentares de uma suposta “oposição” dormem em berço esplêndido.

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    • Em vez de estarem conscientizando e mobilizando os cidadãos democratas contra a tirania que se aproxima, os líderes políticos estão com os olhos voltados para as eleições.
      O tamanho da tragédia não para de crescer…

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      • A matéria-prima da política é a polêmica e a crítica política.

        A base histórica da evolução teórica, ideológica e política da esquerda foi justamente esse embate político entre suas frações.

        Chamar isso de criminalização é estúpido.

        Se a esquerda comete gravíssimos erros, deve ser amplamente criticada.

        E outra coisa: você comete uma falácia “ad hominem”: na luta das ideias, não importa quem enuncia, mas o que se enuncia. Até um fascínora pode ter razão.

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      • Fico lendo as críticas a oposição ao fascismo e penso onde estavam os atuais críticos na subversão que destruiu nossa democracia, a legalidade. E essa destruição começou com o desgoverno Collor, FHC, Itamar e continuou nas eleições de CN raivosos, venais e conservador no que pior existe. Estavam nas “manifestações”? Estavam elegendo as bancadas BBB? Estavam criminalizando os movimentos sociais? Estavam ao lado dos que defendem a morte, o ódio, o preconceito, a tortura? Se há uma paralisia nas esquerdas deve-se muito ao estigma imposto a elas, além de suas brigas internas. Onde estavam vcs?

    • Vocês batendo boca aqui me lembra tanto o final dos anos 70, aquele monte de esquerdeiros sentados no Amarelinho, enchendo o pote de chopp e dizendo que a Revolução estava ali na esquina, que se eles se levantassem só um minuto dali o povo viria atrás, e do outro lado da mesa a turma que dizia que não haviam nem nunca haveriam condições objetivas e subjetivas para a Revolução no Brasil… ô blá-blá-blá inútil!

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  2. As coisas têm sido difíceis nos últimos 20 meses, porque são muito diferentes do que deveriam ser numa democracia. Mas nunca foi muito fácil para o Brasil, desde 1520.
    Sairemos disso em janeiro de 2023, no máximo em janeiro de 2027.
    O país não vai acabar. Nessa hora tão escura, temos de ter esperança.

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    • Renato, me desculpe, mas o seu argumento é: não vamos fazer nada que uma hora passa. Me lembrou um líder socialista italiano, que algum tempo antes de ser assassinado por fascistas disse: “tenhamos a coragem de ser covardes”.

      Imagino uns bem pensantes comentaristas em 1964 dizendo: “tenhamos esperança, em 1985 isso passa, o país não vai acabar”. Inviável. Além de, é claro, politicamente asqueroso.

      Discordo totalmente de você. Isso aqui está virando uma ditadura (sinto informar, em muitos aspectos, já é), e para deter o processo precisamos intensificar a ação política. Quem não é engajado, que se engaje. Quem é engajado, que se devote à mobilização política. Isso é necessário. Covardia nos levará expressamente para o abatedouro.

  3. A insaciável banca nacional e internacional já levou o “Teto dos Gastos”, “previdência”, “CLT”, “Privatização de empresas públicas”, “venda de riquezas” e agora levará a “Reforma tributária” e vão querer mais…
    Até a classe B vai doar para o “Bolsa Famiglia da Banca”, principalmente os funcionários públicos!
    O brasil se tornará na roleta do jogo do mundo…
    Ele só não dará o golpe, se encontrar um negócio tão bom para ele quanto aquele que encontrou FHC e Temer…

  4. E o Marco Aurélio Mello pede que “deixem o homem trabalhar”. Daqui a um, dois anos o Excelentíssimo pode pegar a malinha e se mandar pra Paris, Roma ou Lisboa e curtir a merecida “doce vida” de aposentado. E nós ficamos neste inferno de dementes assistindo ao “trabalho” do Facínora e sofrendo por isso.

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    • É que a compulsão de morte não é somente do Bolsonaro, alguns descansarão, como tantos já descansam, sobre o carneiro de muitos.

  5. É o fascismo crescendo e os(neo)liberais tentando instrumentalizá-lo e negociar com ele para lucrar a curto prazo, como sempre. Não conseguem perceber que o verdadeiro desejo fascista é a destruição de tudo a sua volta, inclusive sua autodestruição no final. Se Bolsonaro fecha o regime, a coisa será muito pior que na ditadura militar, que pelo menos tinha alguma racionalidade. O fascismo é um regime que mobiliza o ódio e não tem racionalidade nenhuma, plano algum de longo prazo, a não ser permanecer no poder numa guerra permanente contra inimigos internos e externos, inclusive entre os próprios fascistas, que armam escaramuças sem fim entre eles.

    Ainda em abril, quando Moro racho o campo fascista, eu já tinha dito, num artigo aqui no GGN:
    https://jornalggn.com.br/artigos/guerra-total-o-que-faria-bolsonaro-cair-e-o-que-o-fortaleceria-por-wilton-cardoso/
    que o governo fascista de Bolsonaro se ressentia de uma ‘perna keynesiana’ para sustentação econômica e que se Bolsonaro visse isso e defenestrasse Guedes, seria muito difícil impedir sua escalada autoritária. Parece que ele finalmente percebeu isso. Como diz o Nassif, se a economia melhora um pouco, caminhamos ao abismo totalitário com um líder fascista popular e perverso.

  6. Armaram uma guilhotina na frente da casa do Jeff Bezos em Washington ontem. O Brasil vai precisar de muita guilhotina… Juizes, militares, imprensa, plutocratas, politicos que atuam contra a soberania nacional e destruiram todo o tecido institucional que dá suporte ao estado brasileiro merecem isso: cabeças cortadas.
    A propósito recomendo o documentário que o cineasta Oliver Stone fez com o Putin e que o blog Nocaute disponibilizou. Uma ótima reflexão sobre a questão da soberania da Russia e dessa balela de democracia com que os americanos destroem a soberania de países.
    Continuo divergindo do Nassif na questão Venezuela. O Brasil “democrático, sem instituições “cooptadas” pelo governo (mas cooptadas pela plutocracia canalha que comanda o país) passará, a Venezuela (que resiste a entregar suas riquezas e tem um presidente no comando) passarinho.
    E não, Nassif, o TSE não cassará a chapa do Bolsonaro. Nem o Lula obterá justiça através do Gilmar Mendes cujo legalismo só chega aos aécios, bolsonaros e banqueiros. Lentamente, que é para a tortura ser ainda maior, caminhamos para o abismo sob a proteção da “institucionalidade” de juizes milionários e corruptos. Cem Anos de Solidão é profético para esse país.

  7. O Nassif acha que a cartada final será no TSE ou não será. O equívoco disso prova como não dá para interpretar os fatos dentro da caixinha do regime político brasileiro, porque esse regime político está em franca dissolução.

    A direita se organiza cada vez mais para mudar os fundamentos do regime político, consolidando uma ditadura militar com a expulsão da esquerda e de qualquer voz em favor dos trabalhadores do regime. Inclusive, já se fala em golpe militar na Argentina (para acabar com as ilusões dos “Fernandistas”) e já vimos um golpe militar na Bolívia. O Equador se converte velozmente em uma ditadura, e a Colômbia é hoje um absoluto regime de terror de estado, praticamente um cemitério de lideranças sociais. Isto é, não dá para dar um caráter estritamente nacional ao processo. Trata-se de um processo de escala regional, coordenado pelo imperialismo, em especial o norte-americano.

    Por isso, analisar as coisas com se estivéssemos diante do mesmo estado de 1988-2016 é um equívoco total. Desde o golpe de estado, o caráter do regime político mudou radicalmente. Por isso, esperar algo do judiciário é estéril. A esquerda tem que mudar sua estratégia, parar de se pensar como sócia do regime político e começar a se pensar como combatente do regime político, porque na prática estamos assintindo ao fechamento do regime.

    A atual etapa não pode ser institucional, de disputra de eleições, apelações ao MP, TSE, STJ, STF, “acordos” com os golpistas. A atual etapa deve ser de organização da esquerda sob os métodos históricos de luta da classe trabalhadora: greves, comitês, assembleias, militância de rua, campanhas de propaganda, atos, passeatas, ocupações. Quanto antes cair a ficha da mudança total de etapa, mais cedo conseguiremos organizar uma luta contra o regime ditatorial.

    No terreno eleitoral, a esquerda ainda tem uma arma nuclear: Lula. Ninguém ganha dele na eleição. E só ele ganha dos golpistas. Portanto, a unidade de esquerda no terreno eleitoral só criará uma correlação de forças favorável se estiver conectada com a situação política mais geral, do golpe de estado, e isso significa lutar pela candidatura de Lula. É previsível uma certa obtusidade de alguns setores de esquerda, que serão resistentes a apoiar Lula, por exemplo, o PCdoB, que usa o exemplo do Alberto Fernandez e da Cristina Kirchner (que estão na iminência de serem derrubados pelas forças armadas) como exemplo de “altivez moral” (adivinha de que partido seria a “cabeça de chapa” nesse conto da carochinha?). Mas a verdade é que a escolha é Lula ou ditadura. De resto, ações eleitorais são estéreis. Precisamos fazer com que a ficha caia de que a luta endureceu.

    • “Lula. Ninguém ganha dele na eleição. E só ele ganha dos golpistas.”
      E é por isso que nunca restituirão os direitos políticos de Lula, meu caro…

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  8. O que faz o tweet de Eduardo Bolsonaro no meio do texto do Nassif. Como é isso? O site está invadido? Noto grande demora para assessá-lo. Acho que aí tem coisa. Coisa que ninguém percebeu ainda.

  9. Bolsonaro é um espantalho, quem está destruindo o Brasil é o consórcio Jurídico-Militar-Midiatico, o Brasil nas mãos desses FDPs vai se aprofundar na sua “vocação” de exportador de commodities agrícolas, os recursos minerais da Amazônia já está entregue vide a “conversa Bolsonaro e Al Gore em Davos 2019”

  10. Inacreditavelmente, por ninguém querer colocar o guizo no gato, o messias acabou entrando num círculo “virtuoso”, onde acontecem até “mar de brigadeiro e céu de almirante”. Quanto pior, mais dá certo! E o fim da pandemia, as mudanças no STF, possivelmente nas presidências no Congresso e os já faturados na PGR, agora no governo do Rio (um calcanhar de Aquiles com o “bala na cabecinha”), milicos feito jabuticabas em jabuticabeira carregada num governo anti-governo … e as pesquisas melhorando!
    A maior incompetência éa AMBIGUIDADE de quem lhe faz oposição pessoal, mas não de governo.
    Em sua campanha permanente desde sempre, está inaugurando até usina solar PRIVADA, ao lado de re-re-re-apoiador, do avesso do avesso.
    Afinal é no Cerrado, Pantanal e Amazônia que a maior boiada da História está passando …
    Não é só a questão ambiental, mas de crime que precisa ser discutida.
    Além de dominar a arte de se promover sendo bizarro, Bozo sabe não ser colado em nada, seja nos R$ 89 mil da patroa, nas milicias, no terrorismo de quartel, no racismo, na misoginia, na homofobia, na pesca em Angra, na vendedora de Açaí, na responsabilidade cloroquínica da total inação na pandemia, deixando as culpas para governadores e prefeitos, nos x% de mortes por Covid (lógico que não é o total, né), no aumento do funcionalismo, no sucesso “pessoal” do Mercosul, da OCDE, da Otan/South e até nos 600 mensais que ele ia dar 200 uma só vez… A lista é interminável!
    O cara é “tão bom” que vou acabar votando nele em 2022.
    E ligar o kiçiphô[email protected] pra esse braZil!

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