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Frederico Füllgraf

Os 19 de Laja: CMPC-Celulose Riograndense é acusada de crime de lesa-humanidade

Os 19 de Laja: financiada pelo BNDES, chilena CMPC-Celulose Riograndense é acusada de crime de lesa-humanidade 

Reportagem de Frederico Füllgraf

Publicado originalmente por revista ADUSP, edição Nº. 57 (março 2015), gentilmente cedido por Pedro Pomar, Editor

Nestes primeiros meses de 2015, no Chile, aguarda-se com ansiedade o ato de coragem de um magistrado. Quarenta anos após o fuzilamento pelas costas e enterro em uma vala comum, clandestina, de 19 simpatizantes da Unidade Popular – operários, ferroviários e estudantes-, em decisão inédita desde o fim da ditadura Pinochet, o juiz Carlos Aldana - ministro especial para causas de Direitos Humanos, da Corte de Apelações de Concepción – deverá formalizar a acusação de importante grupo de civis envolvidos com a violação de Direitos Humanos no Chile. A acusação atingirá em cheio a CMPC, maior conglomerado de papel e celulose da América Latina, pertencente ao Grupo Matte que, em 18 de setembro de 1973, entregou uma “lista negra” com os nomes dos fuzilados à polícia militar chilena. Terceiro maior patrimônio empresarial e familiar do Chile, estimado em 17,5 bilhões de dólares, em 2013, o Grupo Matte teve aprovado pelo BNDES um crédito de 1,2 bilhão de um total de 2,1 bilhões de dólares para a quadruplicação, em Guaíba, da antiga fábrica Borregaard, hoje conhecida como CMPC - Celulose Riograndense. Com a pretensão de consolidar-se como um dos maiores fornecedores mundiais de celulose branqueada, o investimento foi celebrado pelo então governador Tarso Genro devido à geração de mais de 7.000 postos de trabalho durante as obras, e os 2.500 empregos diretos prometidos pela unidade, que deverá iniciar suas operações no segundo semestre de 2015. É muito improvável que o governador petista e a diretoria do BNDES tivessem conhecimento da participação ativa da CMPC no golpe de Estado que derrubou o presidente Salvador Allende, e das graves acusações que a apontam como protagonista do “Massacre de Laja”, como o crime hediondo é conhecido no Chile, que agora transborda para o Brasil.

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Matadouro de mulheres, por Frederico Füllgraf

“Umas poucas espetadelas” é o título do quadro desconcertante, pintado em 1935 pela artista plástica mexicana, Frida Khalo, que exibe uma mulher nua, prostrada de costas sobra uma cama; esfaqueada. 

A densidade da cena percebe-se na moldura salpicada de sangue, querendo tanto dizer do grau de violência aplicada à vítima por seu algoz, como da perturbação e do asco da autora pelo episódio imaginado.

Parado ao lado da cena de sangue, com a arma do crime na mão, é emblemática a expressão imperturbável no rosto do assassino: a da "justiça" feita mediante a “honra lavada”.

Elemento detonador do quadro foi a própria mortificação de Khalo devida às intermináveis traições de seu marido, o também artista plástico e célebre muralista, Diego Rivera – desta vez com Cristina, a própria irmã da pintora.

 Discreta, ao contrário da maioria de seus auto-retratos repletos de alegorias da dor e da nudez (ou: da dor como experiência de desnudamento), Khalo preferiu diluir sua própria consumação em um registro do noticiário policial daqueles dias de 1935: um mexicano enciumado esfaqueara com mais de vinte golpes sua própria mulher e, levado a juízo, para espanto da corte declarara com o mais  desbragado caradurismo, que aplicara “apenas algumas espetadelas” à vítima. 

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Hitler, o Syriza e as dívidas desonrosas da Alemanha, por Frederico Füllgraf

Por Frederico Füllgraf

A Grécia deve 322,0 bilhões de Euros (1.050,0 trilhão de Reais) a um conjunto de credores, encabeçado pelo Fundo Europeu de Estabilidade Financeira(EFSF/ESM)e Estados da zona do Euro, que juntos com o FMI e o Banco Central Europeu, em 2012, refinanciaram a dívida grega, depois de salvar sobretudo os bancos privados, hoje fora da negociação. As condições para o reembolso (juros de 0,6%, carência até 2020 e prazo para reembolso até 2044) são favoráveis em âmbito europeu, mais vantajosas sobretudo em comparação ao custo dos empréstimos concedidos à Espanha e a Portugal. Já a contrapartida, o custo social cobrado pelos credores, e obedientemente implementado pela Grécia até o final de 2014 – o choque de austeridade, com redução do tamanho do Estado, privatizações e cortes de despesas orçamentárias de brutal impacto em políticas sociais – lançou 1/3 de sua população à linha da pobreza, condenou o país à recessão, impede seu crescimento econômico e bloqueia sua competividade no mercado europeu – eis a explicação para a notável vitória eleitoral do Syriza em janeiro de 2015. Caso a Grécia declare a moratória e seja excluída da zona do Euro, a Alemanha responderá por 27% (36,0 bilhões de Euros = 117,36 bilhões de Reais) das perdas do EFSF, que transferiu um total de 133,0 bilhões de Euros à Grécia. Se, ao contrário, em cenário otimista, a dívida for zerada, o EFSF distribuirá 12,5 bilhões ( 41,0 bilhões de Reais) de juros gregos, cabendo à Alemanha a parte do leão - um excelente negócio para os credores.

Depositário do poder, com ele o governo Alexis Tsipras assumiu a herança maldita de uma dívida duas vezes parcialmente perdoada e ainda assim virtualmente impagável. Diante da inflexibilidade da Alemanha – o carro-chefe da Economia e das Finanças europeias – o Syriza reeditou a cobrança de um crédito bancário e de reparações de guerra, vencidos há setenta anos.

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Manolis Glezos sobre as reparações cobradas à Alemanha
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Saída ao mar desencadeia guerra audiovisual e incidente diplomático entre Chile e Bolívia

Saída ao mar desencadeia guerra audiovisual e incidente diplomático entre Chile e Bolívia 

Frederico Füllgraf

de Santiago de Chile

Especial para Jornal GGN

Em abril de 2013, a Bolivia protocolou uma ação contra o Chile perante a Corte Internacional de Justicia (CIJ), em Haia, para forçar uma negociação sobre o que considera “pendência histórica”: uma saída soberana ao mar através dos territórios bolivianos incorporados pelo Chile após sua vitória na Guerra do Salitre (1879-1883). A demanda é recusada pelo Chile, para quem todas as diferenças fronteriças com La Paz teriam sido resolvidos pelo Tratado de Paz e Amizade, de outubro de 1904. Apesar da tentativa de impugnação do Chile, a CIJ acolheu o pleito boliviano, devendo emitir sentença até 2016.

Aconteceu no último dia 22 de janeiro, em La Paz, mas deu-se a conhecer em Santiago do Chile apenas no dia 11 de fevereiro.

Sergio Muñoz, presidente da Corte Suprema chilena, assistia à investidura do presidente Evo Morales em seu terceiro mandato, quando, inopinadamente, soaram os acordes de um tema marcial que o chileno não conhecia, mas que foi acompanhado em pé pelas comitivas nacionais e internacionais presentes.

Dos alto-falantes reverberaram versos como “Entonemos la canción del mar, del mar, del mar // Levantemos nuestra voz por nuestro Litoral Que pronto tendrá Bolivia otra vez su mar, su mar....”.

Há várias canções e hinos oficiais que celebram o “mar boliviano”, mas o executado na posse de Morales era nada menos que a “Marcha Naval”, cuja última estrofe, aos ouvidos chilenos, pode ir da ofensa à declaração de guerra: “Antofagasta, tierra hermosa Tocopilla, Mejillones junto al mar, Con Cobija y Calama, Otra vez a Bolivia volverán”.

“Me senti agredido e por isso manifestei minha preocupação”, desabafou vinte dias depois a máxima autoridade chilena, que representava a presidenta Michelle Bachelet e seu ministro de Relações Exteriores, Heraldo Muñoz, na cerimônia de posse.

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Evo Morales assume 3º mandato, sem a presença de Bachelet, por Frederico Füllgraf

Frederico Füllgraf

Santiago do Chile – Especial para Jornal GGN

Quem diria!

Neste 21 de janeiro, Juan Evo Morales Ayma, o índio uru-aimará, nascido em berço pobre no arraial mineiro de Orinoca, departamento de Oruro, sagra-se como o presidente mais longevo da república fundada por Simón Bolívar, em 1825, que entrou para a História sob o signo emancipador do sindicalista cocaleiro como Buliwya Mamallaqta, designação aimará que quer dizer “Estado Plurinacional da Bolivia”.

Em 12 de outubro de 2014, o artigo Morales emplaca 3º mandato com economia favorável e inclusão social fechava com a frase auspiciosa, “a Bolívia vai bem, obrigado!”.

A frase resumia o êxito dos primeiros oito anos da administração Morales, da que é emblema, entre outros, a taxa de crescimento econômico de 5% (dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe-Cepal) ou 5,5%, segundo o governo boliviano.

Enquanto a média regional do crescimento na América do Sul foi de 1,1%, sem falar do pífio índice de 0,2% registrado pela economia brasileira (mais de vinte e cinco vezes abaixo da excelente marca boliviana), a república plurinacional andina se destacou como locomotiva do desempenho continental em 2014.

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O Brasil na mídia alemã, por Frederico Füllgraf

Conversa com Harald Neuber *, do Portal Amerika 21, de Berlim, sobre a construção pendular da imagem do Brasil pelos meios de comunicação da Alemanha

Frederico Füllgraf

Exclusivo para Jornal GGN

Brasil-Alemanha: breve introdução

As relações entre o Brasil e a Alemanha datam de 22 de abril de 1500, dia do descobrimento da "Ilha de Vera Cruz" - primeiro nome dado ao território - pela esquadra de Pedro Álvares Cabral, cujo cosmógrafo alemão, Mestre João (Meister Johann), de Emmerich, lavrou a ata da avistagem na costa de Porto Seguro.

A participação ativa alemã foi uma constante nos primeiros cem anos da Conquista, tanto espanhola, como lusitana. Endividado, em 1528, Carlos V – imperador da Alemanha e rei da Espanha – leiloou o território do Alto Orinoco aos banqueiros da dinastia Fugger, de Augsburgo, nomeando Ambrosius Ehinger como primeiro governador da atual Venezuela.

Em Madrí e Lisboa, a mesma dinastia mantinha filiais de seu império, desempenhando-se como patrocinadora da expedição de Fernão de Magalhães e como patrões do judeu sefardita converso, Fernão de Noronha. No vasto litoral do Nordeste, Noronha comandava a extração de pau-brasil para os Fugger e foi descobridor do arquipélago que o imortaliza.

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Chile: aos 41 anos do golpe militar país é sacudido por atentados à bomba

Santiago do Chile

Exclusivo para Jornal GGN

 

Uma bomba explode em uma igreja, outra no metrô de Santiago, outra ainda diante de um jardim infantil. Desde meados de 2013, a capital chilena tornou-se alvo de uma vintena de atentados com explosivos de baixa intensidade e de fabricação caseira, como extintores de incêndio recheados com pólvora. Alguns artefatos sequer explodiram, o que seria indício evidente do amadorismo dos seus autores. Quando o Chile democrático se preparava para recordar o 41º. aniversário do golpe militar de 11 de setembro de 1973, três novas bombas voltam a explodir em locais públicos, deixando mais de 15 feridos e o país em sobressalto. Quem está por trás dos atentados, a quem interessa tumultuar o sofrido processo de transição democrática, que se arrasta há mais de vinte anos?

O metrô de Santiago do Chile é um dos mais organizados das Américas e transporta 2,5 milhões de passageiros diariamente. Porém, funcional não é, porque tentar tomá-lo nas horas de rush é exercício penoso e desesperador para quem tem hora marcada: ele está irremediavelmente lotado e, sem educação nem pena, os passageiros nas plataformas tomam de assalto os vagões e empurram de costas os que já estão espremidos em seu interior, transformando a viagem em tortura de sardinhas silentes e socadas em uma lata de conserva. Já quem não tem pressa, pode optar pela espera, mas confortavelmente instalado a poucos metros das plataformas.

É o que aprendi a fazer em Santiago, jamais imaginando que beber meu café espresso ou almoçar nas praças de alimentação instaladas a céu aberto à entrada das estações Baquedano (Praça Itália, Providencia) e Escuela Militar (Las Condes), algum dia se tornasse fruição perigosa, capaz de custar minha vida. Depois do atentado do dia 8 de setembro, decidi mudar de hábito. Pelo menos por enquanto.

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Exortando o nacionalismo, Michelle Bachelet repele demanda da Bolívia por saída ao mar

Frederico Füllgraf
Santiago do Chile

Com pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, na noite de segunda-feira, 7 de julho, Michelle Bachelet comunicou a decisão do governo do Chile de impugnar a competência da Corte Internacional de Justiça de Haia (CIJ) como forum para negociar com a Bolívia uma saída ao mar.

Mas por que transformar uma rotina de governo em espetáculo midiático?

Para o observador atento, obviamente a inesperada aparição de Bachelet na TV teve por objetivo mexer com as emoções e reincitar o nacionalismo chileno, represado desde a prematura desclassificação da seleção andina nas oitavas de final da Copa do Mundo.

Depois da sentença da CIJ, de 2013, obrigando o Chile a devolver ao Peru aproximadamente 25.000 km2 de águas do Pacífico, rapidamente os partidos políticos representados no Congresso e as FFAA convergiram para um pacto da irredutibilidade: com a Bolívia não se conversa sobre questões fronteriças e desdenha-se a competência do Tribunal de Haia.

País que há décadas pratica improdutivo isolacionismo continental, mas não  gosta de admitir que tem poucos amigos entre seus vizinhos, no Chile opera um estranho mecanismo de convocatória nacionalista: bastou que no último dia 15 de abril, o governo de Evo Morales apresentasse à CIJ a memória jurídica para respaldar sua reivindicação de uma saída ao mar frente ao Chile, e em Santiago quatro ex-presidentes acudiram ao Palácio da Moneda para pousarem na foto com Michelle Bachelet, cuja legenda dizia: “Ex presidentes respaldan a Bachelet y apuestan por incompetencia de La Haya”.

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SOBRE EL MAR BOLIVIANO Documental de la Guerra del Pacifico de DIREMAR x RTorrico
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Matança em Odessa: 40 militantes pró-Rússia morrem asfixiados e calcinados

As imagens dos enfrentamentos em Odessa, na sexta-feira 2 de maio, gravadas pelo videomaker Anatoly Shary - que titulou seu vídeo É este o meu povo? (Это мой народ?) - documentam o ataque escancarado com coquetéis molotov e armas de fogo à sede da Casa dos Sindicatos, incendiada por militantes pró-Kiev, causando a morte de pelo menos 38 manifestantes pró-Rússia, refugiados no edifício.

Anatoly Shary se apresenta como jornalista em redes sociais, nas que tem publicado diversos vídeos sobre a crise da Ucrânia. Leia mais »

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Chernobyl: crônica do dia depois; por Frederico Füllgraf

Manhã de 26 de abril de 1986, tingida de laranja esmaecido por acanhados raios de sol primaveril.

Eu caminhava em direção a uma padaria, em Bremen, noroeste da Alemanha, quando numa banca deparei com as manchetes dos principais jornais, que sacudiram os restos do meu entorpecimento: "Aconteceu o improvável - o acidente do milênio – explode usina nuclear na Ucrânia!“.

Alvoroçado, naquela manhã esqueci um importante compromisso profissional, e o editor que me esperava, relevou, dizendo que estava colado aos noticiários da tevê. 

Os trens alemães atrasaram - incidente não previsto na agenda de um país regrado, sisudo, que naquele dia se esquecera de seus princípios, narcotizado pela onda de choque. O primeiro balanço advertia: 28 mortos em Chernobyl. E uma nuvem com 40 toneladas de um coquetel de substâncias radioativas rumava para oeste, na direção da Europa Central.

Imaginando-me o único brasileiro no olho do furacão, liguei para o Brasil, que dormia o sono dos distraídos. Despertei namorada e amigos, soletrando o nome da catástrofe. Insistiram em que eu voltasse no primeiro avião. Infelizmente eu não podia abandonar minha missão, pois – venenosa ironia - encontrava-me em turnê pela Alemanha, estreando o filme documentário "O veneno nosso de cada dia", co-financiado pelo governo José Richa, sobre o impacto humano e ambiental do uso de agrotóxicos no Brasil. 

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O excruciante parto do Governo Bachelet

Em fevereiro o Chile para.

Para o Chile institucional e param os milionários. O povo não para nunca, 70% dele não têm dinheiro para tirar férias, viajar, descansar.

Quem também não para são os jornalistas.

E costuma ser assim: enquanto o Poder se refestela entre La Serena e Viña del Mar, quando não em Búzios, Florianópolis ou na Flórida, ou lagarteia preguiçoso sobre os decks que sinalizam o estatuto da propriedade privada na orla do sistema lacustre chileno, então estoura uma bomba.

Foi o que a recém-eleita presidente Michelle Bachelet percebeu, mal instalara-se em sua casa de veraneio às margens do pitoresco Lago Caburga, situado na Araucânía, 800 km ao sul de Santiago, onde a alcançou a notícia do amplo repúdio nos meios de comunicação da recém-nomeada Subsecretária de Estado para a Educação, a Eng. Comercial e Economista, Claudia Peirano.

Mas como? Então ela não acabara de reiterar em sua coletiva à ìmprensa do dia 2 de fevereiro, que "nosotros hemos chequeado a todas las personas que hemos nombrado, justamente para asegurar que sean idóneas y que sean personas probas"?
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Chile x Peru, um pedaço de mar e a perigosa guerra fria

Seis anos após registro de ação peruana, Corte Internacional de Haia emitirá veredicto em 27 de janeiro

Em sua edição de 10 de janeiro passado, a rede privada chilena de telecomunicação, “Rádio Biobío”, causou espanto e apreensão com a seguinte manchete matutina: “Ordenan acuartelamiento de Fuerzas Armadas y Carabineros ante requerimiento peruano contra Chile por fallo de La Haya”. O que era aquilo: o Chile iniciando uma guerra?

Contudo, poucas horas mais tarde, a mesma rede Biobío alertava seus leitores com um desmentido: “Rectificación pública: difusión de documento falso sobre acuartelamiento por fallo de La Haya”. Nele, Álex Chaván, porta-voz substituto dos Carabineros, a PM chilena, assinalava que o documento citado pela rede “não se atém à institucionalidade”, portanto não merecendo crédito, mas que medidas judiciais cabíveis seriam tomadas contra seus autores apócrifos. Em gesto finalmente constrangedor, a Biobío pedia desculpas, tratando de “evitar que un caso similar vuelva a producirse en el futuro”. Desde então, no link para o “documento falso”,  lê-se “pagina no encontrada”. A matéria foi tirada do ar, mas suas reproduções resistem teimosamente na internet e suscitam questionamentos.

O mar da discórdia

O que transparece na notícia, falsa ou não, veiculada pela rede Biobío, é o nervosismo como procedimento de Estado face ao veredicto que a Corte Internacional de Justiça (CIJ), da ONU em Haia, emitirá no próximo dia 27 de janeiro, depois de apreciar uma demanda marítima do vizinho Peru, protocolada em 2008.

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Ute Lemper canta Neruda, por Frederico Füllgraf

Frederico Füllgraf

São raras as cantoras, cuja voz é capaz de encantar-nos em três idiomas simultaneamente. A joia rara chama-se Ute Lemper. Leia mais »

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As ameaças da ultradireita a Bachelet

Chile: Empresário de origem nazista ameaça Bachelet no dia da eleição

Enquanto os chilenos se dirigiam às urnas, no domingo, 15 de dezembro, o empresário Sven von Appen, de origem alemã e dono do poderoso grupo Ultramar, que com duas outras empresas controla o setor portuário e de agenciamento marítimo no Chile, concedeu uma entrevista à CNN Chile, na qual ameaçou abertamente Michelle Bachelet e a Democracia no país andino.

Comentando o primeiro governo de Bachelet (2006-2010), o empresário disparou: “Bem, ela não fez muita coisa, comparada com os que estiveram antes dela, especialmente Pinochet... Pinochet foi um homem...[abre os braços, como quem diz “extraordinário”] Se isso acontecer [querendo dizer: se Bachelet não corresponder às expectativas], buscaremos outro Pinochet!”. http://noticias.terra.cl/elecciones/empresario-si-bachelet-lo-hace-mal-b...

As reações à provocação de Von Appen foram rápidas e contundentes: Carol Cariola, deputada recém-eleita, teclou no Twitter: “Empresario pesquero Sven von Appen: Ante eventual mal manejo económico de Bachelet "buscamos otro Pinochet"/ Esto es INACEPTABLE”. A jornalista Carmen Hermosilla, célebre na imprensa digital chilena, alertou: “Von Appen es viejo rico que dicen su verdad con desparpajo. Senil? De Pinochet dijeron lo mismo para ahorrarle un juicio”. Leia mais »

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Morte de Pablo Neruda: crônica sem fim

Santiago do Chile

Pablo Neruda morreu de câncer, e não por envenenamento”. Foi o que afirmou em coletiva à imprensa, realizada na sexta-feira, 8 de novembro, o diretor do IML do Chile, Dr. Patrício Bustos,ao divulgar o laudo unificado de legistas espanhóis, chilenos e norte-americanos, que desde 5 de novembro último se reuniam a portas fechadas no Hotel Fundador, de Santiago,sobre a causa mortis do Prêmio Nobel de Literatura.

Bustos admitiu, porém, que “há substâncias que desaparecem com rapidez, isso é possível", ao comentar a tese do assassinato de Neruda por envenenamento, defendida insistentemente por Manuel Araya, ex-chofer do poeta, tese que em 2011 motivou o juiz Mario Carroza à abertura do processo de investigação e, em abril do ano em curso, à exumação dos despojos do poeta em Isla Negra, litoral central do Chile.

O diretor do IML – ele mesmo um ex-militante do MIR, preso e barbamente torturado pelos sicários da DINA – detalhou os exames realizados em amostras ósseas de Neruda, assinalando que várias regiões de seu corpo apresentavam lesões metastáticas, que permitiam confirmar, “através de diversas técnicas complementares entre si”, uma correspondência com a doença.

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