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"Liberalização" da esquerda e crescimento da extrema direita

do Blog do Alok

por Neil Clark, SputnikNews

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

'Liberalização' da esquerda e crescimento da extrema direita

No brilhante livro que acabam de publicar(ing.) The Rise of the Right, [A Ascensão da Direita]* três criminologistas de renome Simon Winlow, Steve Hall e James Treadwell, dedicam-se a explicar o crescimento do nacionalismo de direita na Inglaterra.

 Embora o livro se dedique principalmente à sociedade e à política inglesas, há ali lições valiosas para todos by Advertisement"> os leitores nos EUA e também no resto da Europa. De fato, posso até dizer que se a esquerda ocidental não ouvir com atenção o que Winlow et al têm a dizer, pode acontecer de ela ser varrida do palco para sempre.

A situação é realmente, muito, muito grave.

'O Horizonte Capitalista'

O problema básico identificado pelos autores é que a esquerda, que outrora punha as preocupações da vida diária dos trabalhadores no ponto central chave de seu programa, virou liberal.

Com o neoliberalismo tornando-se hegemônico, os principais partidos da esquerda e seus representantes tiraram os olhos da reforma econômica e passaram a combater 'guerras culturais'. Propriedade pública e o compromisso com igualitarismo genuíno saíram da pauta – e as políticas das identidades entraram. A conversa passou a ser só "tolerar" e "tolerar". Ninguém mais deu atenção à exploração e aos explorados.

"A esquerda perdeu o interesse no campo tradicional da economia política, e em vez dela, by Advertisement"> inaugurou novos teatros de conflito no campo da cultura. Falando em termos gerais, a esquerda aceitou o horizonte capitalista" – explicam Winlow et al. [BINGO! (NTs)]

A vida política na Grã-Bretanha tornou-se estéril, com Trabalhistas e Conservadores convergindo para promoverem uma agenda pró-capitalista, economicamente e socialmente liberal. A classe trabalhadora foi excluída desse consenso novo, aprovado na City, em Londres.

Nas eleições gerais de 2001, obrigados a escolher entre Tweedledum Tony Blair e Tweedledee William Hague, só 59% das pessoas deram-se o trabalho de sair para votar. Compare esse nível de engajamento e os 83,9% de comparecimento às urnas, em 1950. Mas naquele tempo, a classe trabalhadora estava adequadamente representada.



Os autores de Ascensão da Direita destacam que, embora a "dominação da classe trabalhadora pelo pensamento e pela política da classe média liberal não seja novidade" – basta pensar no papel que os Fabianos tiveram na história dos primeiros anos do Partido Trabalhista —, as coisas pioraram muitíssimo na era do pós-socialdemocracia.

Demonização do Socialismo

O ex-carpinteiro Eric Heffer, que morreu em 1991, é citado como "um dos últimos pesos pesados honestos e confrontacionais, classe-trabalhadora autênticos, que houve no Partido Trabalhista." Os autores explicam o modo como a CIA desempenhou o papel que lhe coube na destruição de toda a genuína esquerda socialista — como se lê no livro de H. Wilford, The CIA, the British Left and the Cold War: Calling the Tune?citado no capítulo 3:

"Central nesse processo foi abandonarem a classe e voltarem-se para linguagem, identidade cultural e movimentos sociais (...) O hábito norte-americano liberal-progressivista de demonizar o socialismo, falando dele sempre no mesmo parágrafo em que falam do fascismo, foi importado para a Europa para garantir apoio mais sutil e mais atraente ao programa de demonização de que a direita conservadora passou a fazer meio de vida."

A CIA conseguiu exatamente o que queria.

Na era do neoliberalismo hegemônico, quem ouse desafiar a direita liberal, de um ponto de vista socialista, pode contar com ser denunciado/a pelos guardiões do Establishment como "Stalinista" ou, até, "de extrema direita." Até advogar um by Advertisement"> retorno às políticas econômicas muito mais justas de 1945-79 é visto como perigoso e absolutamente 'sem noção'.

A mídia-empresa 'liberal'

De volta aos anos 70s? Quando o fosso entre ricos e pobres na Grã-Bretanha foi o menor em toda a história, e o país ainda contava com uma base de manufatura — oh... você deve estar doido! Os parâmetros aceitáveis para o debate são hoje desesperadamente rasos, com a mídia-empresa "liberal" encarregada de manter todas as soluções alternativas, que beneficiariam as maiorias, "fora da conversa"

"A mídia-empresa liberal de direita e liberal de esquerda diferenciam-se porque têm ideias diferentes sobre Estado de Bem-Estar, multiculturalismo e impostos, mas é só pressentirem 'perigo', remoto que seja, de acontecer um retorno de qualquer coisa que se assemelhe a real política de esquerda... toda a mídia-empresa imediatamente se reúne e se apresenta como uma só voz" – dizem os autores.

As dez notícias mais desnoticiadas de 2016

Não pode portanto surpreender ninguém que, com as suas vozes persistentemente ignoradas pelos que antes se diziam seus representantes, a classe trabalhadora britânica tenha procurado outras vias?

A metade by Advertisement"> final de The Rise of the Right inclui entrevistas com trabalhadores e trabalhadoras que apoiam grupos de extrema direita como a English Defence League (EDL) [Liga Inglesa de Defesa]. Aqui fala Steppy, 39 anos, sobre por que não vota com os Trabalhistas:

Ascensão da Extrema Direita

"Aqueles brancos vagabundos (...) Tomaram conta do Partido Trabalhista. Estão tomando conta de tudo, por toda parte. E vejam o que estão fazendo. Primeira coisa, pegam os by Advertisement"> empregos dos patrões. Viram patrão e arranjam by Advertisement"> emprego para os amigos. Suas feministas são gente dessa raça. Falam de democracia, mas não há democracia aqui. Não nesse país…"

O preconceito antimuçulmanos é disseminado entre os entrevistados.

Islamofobia cresce na Europa. Tuítos ofensivos alcançam o mais alto ponto de disseminação de todos os tempos.

M
uçulmanos converteram-se em bodes expiatórios para a ira, a frustração e a alienação que caracteriza a Liga EDL e outros grupos de extrema direita.

Mas o grande problema, como os autores demonstram, tem by Advertisement"> sido o sistema econômico voraz sob o qual vivemos, que é adversário absoluto dos melhores interesses das maiorias. O neoliberalismo destruiu completamente comunidades inteiras de trabalhadores, e o espírito de solidariedade que havia. Toda a solidão, toda a ansiedade foram criadas pelo neoliberalismo.

Tony, como vários outros entrevistados recordam com nostalgia a Grã-Bretanha de 40 anos passados:

"Tudo era muito melhor (...) Para pessoas como by Advertisement"> eu era muito melhor. Nos divertíamos na escola e, ora, tudo simplesmente parecia funcionar direito. Havia empregos. Todos trabalhavam. As pessoas viviam juntas."

De volta ao começo do jogo

Em vez de ouvir a trabalhadores como Tony, muitos representantes políticos da "esquerda" preferem seguir o mote ditado pelos colunistas da mídia "liberal" de classe média, e focar questões que aqueles colunistas daquela mídia creiam que seriam mas 'mais urgentes'. Se alguém ainda espera deter o crescimento da extrema direita, é preciso acabar com esse relacionamento doentio com a mídia-empresa.

No capítulo oito do livro, os autores argumentam que a esquerda "tem de recomeçar do começo, outra vez":

"Para nós a esquerda hoje têm de voltar à classe trabalhadora. Quem deve vencer a luta por justiça social e econômica são os trabalhadores, é a classe trabalhadora. Liberais de classe média não podem (de fato, jamais sequer tentarão) vencer aquela luta, 'em nome' dos trabalhadores mais pobres."

Os autores dizem que os 'de esquerda' têm de se dar conta de que o que conhecem como "contraculturalismo 'de tendência'" foi erro de proporções colossais. Em seguida, têm de começar a desfazer o dano que causaram.

Não se trata de abandonar a cultura, mas de "devolvê-la ao seu lugar não dominante". by Advertisement"> A prioridade tem de ser a reforma econômica, e em especial, pôr fim à ditadura do capital financeiro. Um banco de investimento nacional público, a renacionalização de indústrias chaves e a volta dos by Advertisement"> empregos – empregos adequados, de trabalho que faça sentido, bem pago, com contratos de tempo integral para áreas que hoje estão convertidas em terra abandonada, são itens que têm de voltar ao topo da agenda dos trabalhistas.

A ascensão da extrema direita não é inevitável, nem é irreversível. Mas a esquerda está condenada para sempre, a menos que reaprenda a fazer campanha pelas questões arroz-com-feijão das classes trabalhadoras, e se separe bem claramente do pensamento da elite que dá apoio ao neoliberalismo. Se o líder trabalhista britânico Jeremy Corbyn ainda não encomendou um exemplar de The Rise of the Right, sugiro que o faça logo, o mais depressa possível.

* The Rise of the Right, English Nationalism and the Transformation of Working-Class Politics— Simon Winlow, Steve Hall and James Treadwell, fevereiro, 2017, Policy Press.

 

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54 comentários

Comentários

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Rui Ribeiro

O que diria Roberto Kurz a esse respeito?

"...A PRIVATIZAÇÃO DO PÚBLICO

Por um período de mais de cem anos, os sectores do serviço público e da infra-estrutura social foram reconhecidos em toda parte como o necessário suporte, amortecimento e superação de crises do processo do mercado. Nas últimas duas décadas, porém, impôs-se no mundo inteiro uma política que, exactamente às avessas, resulta na privatização de todos os recursos administrados pelo Estado e dos serviços públicos. De modo algum essa política de privatização é defendida apenas por partidos e governos explicitamente neoliberais; HÁ MUITO ELA PREPONDERA EM TODOS OS PARTIDOS. Isso indica que não se trata aqui só de IDEOLOGIA, mas de um problema de CRISE REAL. Seguramente, desempenha um papel nisso o facto de a arrecadação pública de impostos retroceder com rapidez por conta da globalização do capital. Os Estados, as Províncias e as comunas super-endividadas em todo o mundo tornaram-se factores de crise económica, ao invés de poderem ser activos como factores de superação da crise. Uma vez delapidadas as "pratas" dos sistemas socialmente administrados, as "mãos públicas" acabam por assemelhar-se fatalmente às massas de vítimas da velhice indigente, que nas regiões críticas do globo vendem nos mercados de segunda mão a mobília e até a roupa para poderem sobreviver. Porém o problema reside ainda mais no fundo. No âmago, trata-se de uma crise do próprio capital, que, sob as condições da terceira revolução industrial, esbarra nos limites absolutos do processo real de valorização. Embora ele deva expandir-se eternamente, pela sua própria lógica, ele encontra cada vez menos condições para tal, nas suas próprias bases. Daí resulta um duplo acto de desespero, uma fuga para a frente: por um lado, surge uma pressão assustadora para ocupar ainda os últimos recursos gratuitos da natureza, por fazer até mesmo da "natureza interna" do ser humano, da sua alma, da sua sexualidade, do seu sono o terreno directo da valorização do capital e, com isso, da propriedade privada. Por outro, as infraestruturas públicas de propriedade do Estado devem ser geridas, também, por sectores do capitalismo privado..." Roberto Kurz, a Privatização do Mundo

https://resistir.info/varios/privatizacao_mundo.html

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Alex Alex

Agendas

 A esquerda foge do nacionalismo e de seu real opositor, que é o financismo internacional (as tais perdas internacionais), o capitalismo enche de idealismo o que era para ser simplesmente uma necessidade fisiológica e tratado hierarquicamente abaixo do economico.

A cooptação desta "nova esquerda"  que coloca seu"Tezãozinho" a frente do econômico, esta acabando com o foco real que pode realmente libertar as classes trabalhadoras.

Tendo justiça social, pouco importa o que as pessoas fazem ou deixam de fazer em sua vida intima!

 

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Velho Alexis disfarçado com seu discurso odioso de sempre

É, pouco importa o que as pessoas fazem em sua vida íntima, né, vc tao homofóbico e machista que o diga. Além do mais, incoerente: se pouco importa, isso é mais um motivo por nao serem perseguidas por fazerem o que fazem. E que "justiça social" seria essa, em que os direitos de vários grupos, inclusive majoritários, nao sao considerados?

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Chega Analú

Nada tenho a ver com a pessoa que escreveu acima. É você quem faz seu "discurso odioso de sempre". Você deve estar doente. Você está pior que os procuradores de Curitiba.

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Se é outra pessoa, é um sósia mental seu...

O mesmo discurso homofóbico, cheio de desprezo para com as necessidades alheias e para com a opressao que outras pessoas sofrem.

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Rui Ribeiro

A luta em defesa das minorias complementa a luta socialista

O Zé Dirceu estava defendendo a reforma da previdência e a reforma trabalhista, as quais são do interesse da burguesia:

"Por mais importantes que tenham sido as medidas adotadas até agora, precisamos avançar. As decisões que devem ser tomadas, de caráter político, envolvem o Congresso Nacional, partidos, empresários e sindicatos de trabalhadores. As greves e as pressões sobre o governo indicam a necessidade de uma pactuação política sobre as próximas medidas e ou reformas, sem falar nas reformas trabalhista e/ou previdenciária."
 http://www.zedirceu.com.br//index.php?option=com_content&task=view&id=15888&Itemid=2

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Esquerda e adreuqsE

Nos países desenvolvidos do hemisfério Norte é a direita a que clama por mais nacionalismo e, pelo contrário, é a esquerda a que comunga com a globalização.

Aqui na nossa América do Sul, é a esquerda a que luta para ter uma nação e são os coxinhas e alienados os que gostam da globalização. Os tucanos, na Inglaterra, seriam um partido de esquerda.

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Gabriel Moreno

Artigo esclarecedor e que

Artigo esclarecedor e que merece ser lido e estudado com atenção pela esquerda. É exatamente isso. O neoliberalismo falhou, trouxe miséria, medo e insegurança. A direita capitaliza isso, na forma de uma extrema-direita. A esquerda ou se adaptou ao capitlaismo de maneira quase completa (capitalismo esse que, apesar de não ser identificado diretamente, é desmoralizado pela descrença no sistema eleitoral e nas instituições) ou então se dedica apenas a temas identitários e culturais. Apesar de esses últimos serem importantes, são por demais avançados, são de conteúdo muitas vezes simbólico (e que, por isso, são confusos por natureza, ainda que importantes e reais da mesma forma) e que levam a dificuldades da leitura de conjuntura. Chegou-se ao ponto de termos "feministas" comemorando porque um programa na Globo tratou de algum tema, mas sem denunciarem o governo golpista (apoiado pela Globo) que prejudica materialmente a vida das mulheres. Não adianta fugir disso; seja mulher, negro, gay, todos tem que comer, habitar, vestir, etc. E estes, se são mais frágeis, são os primeiros afetados por medidas materiais e econômicas. Não é difícil de ver isso, é algo um tanto óbvio, mas que se perde na discussão de símbolos e de cultura/identidades.

Um caos a se pensar é o americano, no que diz respeito aos negros. Lá nos EUA, os anos 60 viu os movimentos por direitos civis, fortemente o movimento negro, com alguns ganhos comportamentais, culturais e do ponto de vista formal (algumas leis que os beneficiaram, por exemplo). Mas isso se perdeu quase por completo com a retomada conservadora, neoliberal do ponto de vista econômico, a partir dos anos 70. O resultado é que os negros continuam marginalizados. Os anos 60 e os movimentos civis, desse ponto de vista, pouco adiantaram. Então, no final das contas, a economia política pesa muito. O mesmo se pode pensar sobre o Brasil. Podemos ter esse ou aquele avanço cultural, podemos chamar negro de "afrodescentente" ou coisa do tipo (estou caricaturizando, mas para facilitar o entendimento; creio que esse ponto tenha ficado claro), mas o fato é que, após mais de um século da decretação da Lei Áurea, os negros continuam excluídos. Por que? Porque nunca foram incluídos economicamente. E vão continuar não sendo, se permitirmos que a direita domine a economia, de maneira total. 

Esse ponto é totalmente central hoje. Não para deixarmos de lado discussões sobre identidade, mas para perceber que, sem uma construção de uma alternativa econômica e social ao fracasso do neoliberalismo, as massas vão migrar para a extrema-direita. E o cenário é o pior possível, se isso acontecer. Anotem aí o que eu vou dizer, por mais que isso possa soar absurdo: Hitler será história em quadrinhos infantil se essa extrema-direita realmente chegar ao poder neste momento da História. Isso tende a acontecer num futuro não tão distante e parece que ninguém quer ver. A mentalidade das pessoas, que já não é das melhores por conta da destruição cultural do capitalismo, está se degenerando para uma mentalidade odiosa, medrosa e excludente, acelerando enormemente pelo acesso à internet. E, do ponto de vista da política, a economia não mais gera uma noção de progresso e segurança que possa amenizar essa tendência. Ao contrário, tende a agravá-la. 

A tal da esquerda realmente irá sumir se não compreender esse ponto. O espaço dela, que é o espaço de contestação do imperialismo e do neoliberalismo, está sendo tomado quase que totalmente pela extrema-direita. Com todo o respeito a quem discute políticas identitárias, mas o povo pobre não liga tanto para a forma como essas discussões são tomadas. Basta ter o mínimo contato com eles para perceber isso. Trata-se de uma visão, muitas vezes, de classe média, universitária, ou seja, uma visão alheia à realidade. Não haverá mais esquerda, por simplesmente ela não ter mais espaço. Ela vai ser só comentarista de programas da Globo, censor da linguagem alheia (tem que usar termos "politicamente corretos", etc). Mais uma vez, repito que são temas de grande importância, e que tratam também de injustiças (injustiças culturais, de reconhecimento e de identidades são, afinal, injustiças - e todo combate a uma injustiça é uma luta válida e importante), mas no conjunto das coisas, ela tem criado confusão, desunião e não tem proposto alternativas econômicas e nem fomentado grandes lutas coletivas.

 

 

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Nossa, a velha esquerda não

Nossa, a velha esquerda não tem mesmo mais o que falar. A verdade: os verdadeiros militantes que sobraram em todos os partidos verdadeiramente de esquerda no mundo estão lá pela causa feminista, LGBT, racial, ambiental, etc. Salvar o trabalho? Num mundo em que a tecnologia deve substituir quase todo o trabalho, que tipo de luta é essa, de classe? A classe trabalhadora está desaparecendo e DEVE desaparecer, para uma nova sociedade realmente poder surgir. Isso significa que a pauta de classe está quase completamente encerrada e, muito ao contrário do que esses autores (senhores brancos heterossexuais posso apostar) querem, devemos fazer justamente o contrário: aprofundar as lutas por identidade e propor uma novo modelo de economia global a partir delas. Ou construímos uma nova narrativa para o século XXI, ou vamos ficar visitando Lênin no túmulo enquanto o Trump governa (com a tão adorada classe trabalhadora).  

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Maria, você ai, vai com quem?

Acorda, menina, em sua volta, você não sabe apresentar quem, nesta sociedade, não dependa do trabalho para sobreviver. Então, é muito bacana,  acabar com os opressores, que você identifica como senhores brancos e heterossexuais. O que você sugere para acabar com os opressores? Tingi-los, quem sabe, de laranja, como o Donald? Talvez você tenha outra cor para sugerir. Ou ainda, promover a "cura" heterossexual, tal como a "cura" gay? Vocês e os fundamentalistas religiosos são muito parecidos, apenas não se reconhecem.

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Pão ☭ Paz ✮ Terra ☀

Sugiro a leitura da obra de

Sugiro a leitura da obra de Marx, e em especial, as experiências da revoluçao russa e das internacionais. Essa nova esquerda está completamente adaptada ao capitalismo. Aqui nesse comentário a Maria-vai-com-as-outras chega ao ponto de dizer que a classe trabalhadora está desaparecendo e que inclusive deve desaparecer. É uma falta de noçao completa sobre a divisao social do trabalho. Queria muito saber onde a prezada enxerga esse mundo onde nao vai mais haver trabalho, se possível indicando referências e estudos econômicos. O que eu vejo é que a mao de obra barata da China levou muitos empregos pra lá, se tudo se resumisse às maquinas, por que o Trump quer levar os empregos de volta para os EUA? Por que a maioria da populaçao ainda trabalha, ou quer trabalhar? Na boa, a esquerda pode ter as pautas que for, mas se nao tiver noçao de economia, vai ficar igual barata tonta.

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O que você vê, meu caro, pode

O que você vê, meu caro, pode ser apenas o que você quer ver. A presunção de que nunca li Marx é alguma coisa a ser analisada por si só (mas deixo para outro momento). A classe "trabalhadora" vem sendo precarizada e transformada num lumpesinato que se extende por todo o globo. A automatização moveu os empregos do primeiro e segundo setores para o suceteado terceiro, mas projete mais vinte ou trinta anos de avanço em TI e inteligência artificial e meu argumento resvala no óbvio: a classe "trabalhadora" está sendo aposentada, tornando-se presa fácil do populismo da extrema direita enquanto luta desesperadamente para voltar a ser o que jamais será novamente. Não confunda marketing com economia: Trump não vai devolver os "empregos" da América, especialmente porque eles não existem mais. Eu não deveria, mas vou fazer o raciocínio para vc: com o fim da classe trabalhadora antes da metade desse século, mais a crise ambiental e migratória, não vai sobrar burguesia que viva de sua exploração. Com as máquinas se convertendo na classe trabalhadora, teremos o aprofundamento da barbárie e o risco iminente de um apocalipse ou a evolução para uma civilização global e ultraindustrial justa controlada por algoritmos, não pela ditadura do proletariado. Decorre daí o anacronismo de Marx, autor genial em todos os sentidos, mas alguém que escreveu no meio do século XIX. Enquanto a esquerda não se atualizar (vou deixar para você pesquisar direitinho) e sair da teologia da luta de classes, vai ser impossível montar uma estratégia decente para evitar o pior.

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Você pode deixar de preguiça

Você pode deixar de preguiça e postar as referências, que tal? Eu nao disse que o Trump vai trazer os empregos de volta, falei que o discurso dele é esse. Acho que isso nao é possível, mas nao pelos motivos que você diz, e sim por que os chineses sao muito competitivos devido ao baixo preço de sua mao de obra e também pq a indústria chinesa ultrapassou a americana em alguns segmentos. Tudo o que você colocou pode sim se transformar em realidade no futuro, quem sou eu pra dizer o que vai acontecer nos próximos 20 anos, mas na sociedade atual, nao é o caso. Inclusive, dada a concentraçao de renda no mundo atual acho muito mais provável experimentarmos um conflito mundial generalizado antes de acontecer isso daí. Primeiro que em países como o Brasil e todos os que nao estao no grupo dos países desenvolvidos a indústria muitas vezes nem existe e quando existe é muito atrasada. Como eu falei, uma parte enorme dos trabalhadores brasileiros vende a sua força física, outros oferecem sao prestadores de serviços como professores etc., mas a maioria da populaçao é composta por trabalhadores. Nao estou dizendo operários, e sim assalariados, e no mundo inteiro essa grande maioria ganha muito pouco. Mesmo nos EUA, a quantidade de garçonetes por exemplo é enorme. 

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Nao é necessário pensar binariamente!

E se é para indicar leituras, sugiro Gramsci também.

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Oi Anarquista Lúcida, onde

Oi Anarquista Lúcida, onde está o pensamento binário? Eu gostaria de saber o motivo de você ter me indicado a leitura do Gramsci, pode explicar? De onde você conclui que eu nunca li a obra do Gramsci? Eu coloquei questoes a respeito da postagem da maria-vai-com-as-outras que você passou longe. A maria falou que a classe trabalhadora está em vias de extinçao, isso é uma bobagem totalmente sem fundamento. Criticar isso é ter pensamento binário? O comentário curto vem com uma frase de efeito poderosa, mas passa longe de tudo que eu escrevi. Assim é fácil 'refutar' a postagem dos outros.

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Haja auto-centramento... Nao estou discutindo a sua pessoa...

Respondi a vc dentro do contexto 'geral dessa discussao e do tema do tópico. A mentalidade binária está em achar que ou se leva um tipo de lutas ou se leva outros. Ela baseia vários dos comentários aqui, nao necessariamente o seu. E citei Gramsci por causa da importância que ele dá à luta ideológia. Se vc o leu o nao, nao me interessa nem disse que nao o leu. Nao estava "refutando" o seu comentário, apenas acrescentei algo a ele. Vc falou de Marx, que para muitos (e erradamente, eu sei) seria defensor apenas da luta econômica, e lembrei de Gramsci. 

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Claro que nao estamos

Claro que nao estamos debatendo a minha pessoa, estamos debatendo entre nós. Você respondeu ao meu comentário, esperava o que? Me sugeriu gratuitamente a leitura do Gramsci, mas curiosamente o comentário da Maria passou batido pelo seu filtro. Da próxima vez coloque lá no seu comentário explicitamente que nao se referia a mim ao me responder, mas ao teor do tópico, por que sinceramente nao ficou nada claro.

 

Vamos lá: eu nao apliquei mentalidade binária nenhuma, eu particularmente acho que é possível travar mais de uma batalha ao mesmo tempo, só acho que dentre todas as pautas a econômica é a prioritária. Mas óbvio que entram as outras, nao há binarismo. Eu falei de Marx por que a Maria fez um comentário muito estranho a respeito da classe trabalhadora, sugeri a leitura por que ele é o básico no assunto. Nao quero dizer que a questao se acaba aí, muita coisa se fez depois do Marx, mas você concorda que ele é um bom ponto de partida? Se puder me diga o que você acha do comentário dela, ela fala em acabar com a classe trabalhadora mas nao fala em acabar com a burguesia. Diz que existe inclusive uma tendência a acabar com o trabalho! Como eu falei, a esquerda pode discutir lugar de fala e quaisquer outras coisas que quiser, mas precisa ter noçao de economia.

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Ai que umbigo sensível...

Marx fez análises importantíssimas sobre a realidade do Séc. XIX. Uma parte das análises dele ainda se aplicam, acho (nao sou economista nem "marxóloga"). Mas nao há nada menos marxista, menos dialético, do que acreditar numa realidade imutável. Nao acho que dê para dar conta da realidade atual APENAS com Marx. Mudou a natureza do trabalho e as especificidades das classes atuais. O proletariado clássico diminuiu, há outros tipos de trabalhadores  e de pessoas exploradas. Nao sei se chego a concordar com a Maria, nao tenho informaçao suficiente sobre isso para ter posiçao fechada. Me parece que a tendência a haver menos empregos é real (trabalho sempre haverá, mas o que está em jogo é a relaçao assalariada clássica) Aliás, me parece que a burguesia hoje tb nao é a mesma. Mas nao sou Maestri para falar do que nao tenho base suficiente para falar... 

Sobre a questao de batalhas principais ou nao, até concordo que a luta econômica seja a principal EM ÚLTIMA INSTÂNCIA (no sentido em que Althusser fala disso, e de sobredeterminaçao). Isso nao quer dizer que seja a mais importante em quaisquer circunstâncias, nem que nao precise ser articulada com outros tipos de luta, até porque é preciso levar em conta quem luta, e nao vai haver nenhum "Congresso" de partido nenhum que decida isso pelas pessoas envolvidas... No momento atual, no Brasil, acho que a principal luta é contra o golpe e contra as medidas que os golpistas estao tomando contra os trabalhadores sim, mas tb contra a populaçao em geral. Tentar barrar as reformas da previdência e trabalhista, a entrega do resto do patrimônio nacional, defender o SUS, os serviços públicos, etc. Mas nada disso implica em que as outras lutas "prejudiquem a esquerda", isso no fundo é papo de homem branco heterossexual incomodado com as mudanças em seu status (como o que enfiou uma queixa sobre o "politicamente correto" no comentário e o que mostrou claramente a homofobia dele).

Quanto ao resto do seu comentário repito: nao estou comentando sobre vc, caríssimo,

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hahahaha eu que sou sensível?

hahahaha eu que sou sensível? Que coisa. Você está conversando consigo mesma, sinceramente. De tudo que você escreveu, nada se contradiz com o que eu disse.

Eu nao falei que tinha que se utilizar somente Marx, claro que tem mais coisas, eu afirmei isso na postagem anterior. Você fez todo um malabarismo pra comentar a besteira que a maria falou, mas parece que nao conhece a própria realidade onde vive. A maioria das pessoas no Brasil e no mundo ainda vende a sua mais valia pra realizar atividades manuais, por exemplo no caso brasileiro a profissao dominante é a de empregada doméstica. A lógica do capitalismo ainda se baseia em ter poucos capitalistas e a imensa maioria de trabalhadores, que vendem a sua força de trabalho. Tem como sofisticar as análises e introduzir outros elementos, mas isso é uma realidade estatística. Se alguém quiser provar que eu estou equivocado nao há problemas, basta postar alguma pesquisa aí, adorarei ver isso aí.

 

Aí no segundo parágrafo aparentemente você concorda com o que eu falei, nao entendi bem o porque de refutar o que eu nao disse. Estamos conversando entre nós, você fica citando terceiros como o Maestri que nao tem nada a ver com essa discussao. E pra finalizar, eu já falei o óbvio mas reafirmo, essa conversa começou quando eu respondi o comentário da maria-vai-com-as-outras, nunca teve a ver comigo. Mas ao me direcionar um comentário, passamos a conversar. Chata essa mania de tentar rotular o seu interlocutor, hein?

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Desisto Vc insiste em ser centro da discussao, isso nao interess

Nao estou interessada se vc disse ou nao disse, falou ou nao falou, A minha posiçao SOBRE O ASSUNTO (e até agora sobre o comentário da Maria) já está clara, nao tô a fim de bate-boca fora do assunto. Sorry!

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hehehehe depois de mostrar

hehehehe depois de mostrar pra todo mundo o seu desconhecimento no básico da economia, é o melhor a se fazer mesmo Analú rsrs

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Vc é 1 "sábio total", é? Todo mundo tem q entender d economia?

É preciso ser um cretino para ser tao presunçoso assim. Ao menos eu sei até que ponto entendo ou nao das coisas, e nao fico fechando questao sobre coisas com relaçao às quais nao tenho base suficiente para falar.

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Achei que você tinha

Achei que você tinha desistido do debate hehehehe. Claro que nao é obrigatório entender economia a fundo, eu mesmo nao sou economista, mas perceber que a maioria da populaçao humana vive do seu trabalho é algo básico demais, nao precisa nem de estudo pra perceber isso. Já conversei com frentista de posto que está ligado nisso aí. Vocês demonstram nao saber nem o beabá do beabá da economia e depois se sai com essa de dizer que eu sou presunçoso. O cretino aqui é você, que nao consegue desenvolver nenhuma linha de raciocínio.

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Cara, vê se cresce...

Nao tem nada que fazer, fica batendo boca à toa pela Internet? Escolha alguém que tb nao tenha o que fazer e que goste disso, nao é o meu caso. Discuto idéias, nao pessoas nem fico de "hehehehe", nao sou imbecil. Passe bem!

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Eu tenho sim o que fazer, nao

Eu tenho sim o que fazer, nao deixo de trabalhar nem de fazer nada pra postar aqui no blog. A sua velocidade em responder, por outro lado, indica que talvez nao seja bem o seu caso. Você debate ideias mas nao sabe nem que a maioria da populaçao é assalariada, imagino que você mesma nao deve viver do seu próprio suor pra achar isso aí. Imagino as 'ideias' que você discute, coisas que nao tem nada a ver com o mundo real. Você é uma farsa.

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Eu tenho sim o que fazer, nao

Eu tenho sim o que fazer, nao deixo de trabalhar nem de fazer nada pra postar aqui no blog. A sua velocidade em responder, por outro lado, indica que talvez nao seja bem o seu caso. Você debate ideias mas nao sabe nem que a maioria da populaçao é assalariada, imagino que você mesma nao deve viver do seu próprio suor pra achar isso aí. Imagino as 'ideias' que você discute, coisas que nao tem nada a ver com o mundo real. Você é uma farsa.

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Como se a opressao fosse só econômica...

Merda de discurso conservador que quer se apresentar como de esquerda. Que os partidos tradicionais de esquerda viraram liberais é verdade, mas nao por terem substituído a luta econômica pela de "identidades" (que forma de atenuar o que está em jogo aí...), e sim por terem sido cooptados pelas vantagens do aparelho eleitoral e sindical.

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Rui Ribeiro

Falso dilema

Parece que a luta contra a discriminação alimentada contra as minorias e a luta pela libertação econômica do proletariado são mutuamente excludentes. Não são. Então acabemos com esse falso dilema

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Sim, é possível extrair viés conservador do texto.

Mas não se resume a isto. Você reconhece "Que os partidos tradicionais de esquerda viraram liberais", devido ao fato de "terem sido cooptados pelas vantagens do aparelho eleitoral e sindical". Bem, ao fazerem isto, de modo pragmático abandonaram a luta econômica totalmente, ficaram conformados ou abraçaram com entusiasmo as propostas liberais, de caráter anti-trabalhista; o que ficou no lugar é, por definição, sua substituta total, para todos efeitos práticos, pelo desaparecimento das lutas econômicas.

É assim que a classe trabalhadora percebe a esquerda tradicional e seu abandono por ela, é assim que a extrema direita populista angaria adeptos entre os trabalhadores, explorando ressentimentos, preconceitos e o senso comum.

Sei que a opressão não é só econômica ─ o "diálogo" que ora mantém com seu interlocutor comprova um pouco disto ─ mas toda forma de opressão deságua também em consequências econômicas. O artigo alerta que "Não se trata de abandonar a cultura", mas de "devolvê-la ao seu lugar não dominante". Para quem está na classe média, com um emprego elativamente estável e uma remuneração razoável, talvez não dê atenção ou não entenda a centralidade e a importância que dão luta econômica os que enfrentam o desemprego, o trabalho precário e a remuneração minguada; as grandes massas estão mais próximas do segundo grupo do que do primeiro, são elas o alvo do populismo direitista, o livro comentado no texto procura mostrar isso com base em pesquisa.

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Pão ☭ Paz ✮ Terra ☀

Almeida, esse discurso é enviesado

"Nao se trata de abandonar a 'cultura' (é só 'cultura'?) mas de devolvê-la a seu lugar nao dominante"? Mas é um discurso que está criticando as lutas por direitos de "minorias" (inclusive as tao 'minoritárias' como mulheres e negros...)  como prejudiciais à Esquerda! Um convite para deixá-las de lado, nao? E praticamente todos os trabalhadores, com exceçao apenas dos homens brancos heterossexuais, estao enquadrados em uma dessas "minorias". Além do mais, que mentalidade binária é essa, que ou se luta por uma coisa ou por outra?

Taí, jamais pensei ver vc ao lado de Maestri com  um discurso desses... (sei que nao é a mesma coisa, mas repense...)

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Ninguém está criticando a luta pelos direitos das minorias.

Ninguém quer deixá-las de lado. Apenas lembrar que os verdadeiros opressores não podem ser definidos simploriamente, como brancos, heterossexuais, masculinos. Nossa sociedade é fundamentalmente dividida em classes, podemos ser oprimidos igualmente por negros, homossexuais e femininas. Vá até a Nigéria e você verá uma classe dominante capittalista negra, com todas as mazelas que existe na nossa e algumas até pioradas; não há como imaginar um matriarcado capitalista diferente e opressor como o nosso. Nada impede ao capitalismo uma classe dominante colorida, multiétnica e multigênera. Em toda sociedade capitalista haverá 99% das mulheres, dos negros, dos LGBT mergulhados na pobreza, na miséria e phodidos.

O problema levantado não é que se luta por uma causa em lugar da outra, mas que se deixou de lutar por causa fundamental, por outras, que se mostraram perfeitamentes assimiláveis pelo capitalismo, uma vez que estas são lutas policlassistas, que abrangem também a classe dominante. Há quarenta anos, André Gorz advertia que há a ecologia nossa e a deles, pois há também o feminismo nosso e o deles. Madeleine Albright disse numa convenção do Partido Democrata, que há um lugar especial no inferno para mulheres que não auxiliem uma outra, para negar votos em Bernie Sanders. Susan Sarandon retrucou sensatamente que não vota com a vagina. Imagino que haverá fanáticas feministas contentes, com uma possível eleição de uma primeira presidenta francesa, Marie Le Pen, ou que tenha no altar Margaret Thatcher, como  a mais influente mulher do século XX, principalmente depois que operou a fimose, como observou Delfim Neto.

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Pão ☭ Paz ✮ Terra ☀

Mas isso é o óbvio, Almeida...

E se a esquerda se afasta dessas lutas, vai legá-las à direita mesmo, e isso sim seria suicídio. Além do mais, vc usa uma visao simplista do que seria ser feminista ou anti-racista nesse comentário: É importante sim que mulheres votem em mulheres, negros em negros e homossexuais em certas circunstâncias (sobretudo dentro de seus sindicatos e seus partidos, e até em câmaras de deputados, nao necessariamente para o executivo), mas isso porque, quando se deixam representar por homens brancos heterossexuais, esses dificilmente dao a mesma importância para as suas questoes específicas, e até podem nao entender o que é ou nao importante para eles. Mas claro que isso nao se aplica a preferir votar numa mulher fascista em vez de num homem socialista. Isso seria um feminismo burro.

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Eu também acho perigosa toda esta união.

Acho mesmo que os grupos devem se manter em comunidades bem diversas cada um com suas próprias reivindicações, pois se houver uma união entre todos, eles se tornam perigosos para o sistema, o "comunitarismo" é mais proveitoso, pois é possível manobra-lo em manter um grupo contra o outro. Não podemos deixar todo este comunitarismo ser cooptado por sindicatos e partidos, por exemplo devemos fazer o sindicato das mulheres, dos homens baixinhos, dos altos, dos hutus e dos tútsis, afinal isto já foi ensinado pelos ingleses há mais de um século!

 

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Deixa de ser provocador, Maestri

Vá ver se estou na esquina, tá? Passe bem.

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Mas é sério!!!

Tem que parar de dar força a estas coisas que só os comunistas Fabianos ainda pensam, estes tais de partidos políticos com programa e direção, estes tais de sindicatos que querem lutar por coisas do passado como direitos sociais e outras coisas.

O importante nos dias atuais são os COLETIVOS (quando eu era jovem coletivo era ônibus).

Para AnaLú, depois de um comentário cretino como o teu que resta eu fazer, levar a sério?

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Se nao é má fé, é uma incapacidade de compreensao colossal...

Lutar contra o racismo nao é lutar por direitos sociais? Lutar contra a violência machista, seja a violência doméstica contra mulheres, seja a violência contra homossexuais, nao é lutar por direitos sociais? Lutar contra a discriminaçao policial e o emprisionamento muito maior de negros nao é lutar por direitos sociais? Lutar pela igualdade de salários entre homens e mulheres nao é lutar por direitos sociais? Lutar pela nao intervençao do Estado e da Igreja na sexualidade de cada um nao é lutar por direitos sociais?

Uma Esquerda que seja indiferente a QUALQUER TIPO de opressao nao merece o nome de Esquerda.

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Não és tão importante assim para teorizar somente a partir de ..

Não és tão importante assim para teorizar somente a partir de teus comentários, se queres ver da onde vem a origem de todo o meu desconforto leia:

http://jornalggn.com.br/blog/rdmaestri/retribalizacao-ou-a-volta-da-trib...

Falta ainda a segunda e terceira parte, mas escrevi isto ainda no mês passado.

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Qto a isso OK É recíproco Quer q eu leia toda sua "bibliograf"?

Ora, ora, tenho mais o que fazer. Estou comentando sobre este texto do tópico e os comentários aqui postados.

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Bem ou mal, escrevo algo, não fico meramente enchendo o .....

Cara Ana Lu, nos quase dez anos que nos conhecemos não vi um TEXTO que tenha saído da tua cabeça, desde o tempo do portal do Luis Nassif, ou seja, és uma verdadeira virgem intelectual em questão de escrever algo para ser colocado a discussão, bem ou mal, escrevo algo, são coisas que muitos não gostam e outros gostam, mas não sou um verdadeiro ISENTÃO INTELECTUAL.

Agora, por outro lado,.....

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Isso é MENTIRA. E é irrelevante tb

Aqui no GGN realmente nao participo com textos, só com comentários. Foi uma decisao que tomei, que só diz respeito a mim, nao é da conta de mais ninguém. No Portal postei vários textos, seja meus seja de outras pessoas. Sou uma acadêmica. Nao gosto de escrever textos sobre assuntos que nao sejam de minha especialidade. Nesse caso, prefiro postar textos de outras pessoas com os quais concorde. Nao sou como vc, que escreve sobre qualquer assunto, às vezes coisas bem boas, às vezes abobrinhas. E, textos que, fora os muito técnicos de assuntos que vc realmente conhece, tb nao sao da sua cachola nao, vc apenas repete coisas que leu, às vezes citando as fontes, às vezes nao. É apenas uma questao de discurso indireto, em vez de postar os próprios artigos que leu, os reproduz com suas palavras. Nao me canse a paciência, Maestri.

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Cara AnaLú, lá no portal Luis Nassif que tinha espaço para a ...

Cara AnaLú, lá no portal Luis Nassif que tinha espaço para a tua especialidade, nunca postasse nada, agora ficar criticando os outros é bem mais simples, dizer que é mentira o que estou falando desculpe-me mas estás faltando com a verdade, porém como sei que poderias escrever e te omites, mas deves confessar, tens MEDO e fica na posição cômoda de lançar pedras nos telhados dos outros.

Já discuti isto contigo há mais de quatro anos!!!

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Deixa de ser MENTIROSO!

Lembro de uma vez em que fiquei 3 dias preparando um tópico sobre Norma. Vc nao se interessa pelo assunto, nao leu, OK, nao é obrigado a ler, mas nao fique dizendo que nao escrevi. Escrevi várias vezes sobre assuntos de Educaçao e alfabetizaçao, e disso vc sabe, pq às vezes participou. Mas fica dando uma de Pinóquio aí. Nao sou palpiteira como vc, apenas isso. Nao tenho obrigaçao de escrever textos, decidi que aqui nao faria mais isso, e isso NAO É DA SUA CONTA. Simples assim.

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Quem não entende não sou bem eu.

Cara AnaLu

Durante o período de repressão ficava claro que não era possível levantar uma bandeira partidária que criasse uma alternativa de poder, logo para chamar a atenção da perda dos direitos individuais que eram simplesmente um desdobramento da perda dos direitos políticos de toda a sociedade muitas pessoas de esquerda se envolviam de corpo e alma em "coletivos" tipo luta pela ecologia, luta pelo direito disto e direito daquilo, eram propostas mais simples e que eram inquestionáveis pela população em geral, entretanto por carecerem de uma articulação mais global muitas destas propostas eram assumidas pela própria direita, pois por exemplo um feminismo dependendo da forma que ele é colocado pode ser levados e coordenados por pessoas de direita, os exemplos são muitos.

Agora nos dias atuais, onde há possibilidade de montar uma verdadeira proposta de poder, ficar lutando por causas parciais é uma forma de além de dispersar esforços cria a chance destas propostas ditas de "esquerda" serem resgatadas e coordenadas por grupos ou direções de direita.

Não sei até que ponto que lutar por direitos humanos básicos que são assinados e aceitos por todos os países do mundo podem ser uma proposta "revolucionária", ontem mesmo estava lendo um trabalho de uma pesquisadora norte-americana sobre os grupos que lutavam por direitos de diversos grupos "raciais" na Califórnia, o resultado foi um verdadeiro desastre, pois estes grupos fechados em si mesmo até desenvolviam teorias raciais entre os mesmos.

Não há ainda uma forma mais efetiva de lutar contra o poder do que propondo um poder que o substitua, e não sei como esta visão fragmentada da sociedade, e diria mesmo individualista, não vai mais dificultar do que facilitar.

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Bom, pelo menos aqui vc deixou a provocaçao de lado

Ainda assim é um equívoco total. Nada impede que se lute por bandeiras gerais, importantes para todos, e também se lute por direitos inalienáveis de grupos específicos. Nao se trata de "proposta revolucionária" nenhuma, nao tenho tantas ilusoes assim na possibilidade de uma revoluçao a curto ou médio prazo, mas sim de luta contra opressao. E dizer que esses direitos sao garantidos em todos os países... Haja insensibilidade. E sobretudo nao estao garantidos AQUI NO BRASIL. Só para homens brancos heterossexuais... (e nem todos).

Além do mais, vc está fazendo um discurso inútil, com uma esquerda que nao existe mais na cabeça. Já se foi -- e há muito tempo  -- o tempo em que esquerda era quase sinônimo de Partido Comunista, em que havia centralismo e etc e tal. Agora nao há uma esquerda, e sim várias, nao há como "baixar uma regra" para todos os grupos de esquerda. Os grupos podem se unir nas lutas relevantes para todos, mas nao vao deixar de levar suas lutas mais específicas. Se partidos que pretendam centralizar a esquerda deixarem de apoiar essas lutas, a única coisa que vao conseguir é perder o apoio desses grupos, sem somar nada por isso. Deixar que seja a direita a assumir essas lutas (mas só o faria muito parcialmente, felizmente!) isso sim é que é suicídio político da esquerda.

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Boa, a história acabou!

Com isto fica clara a tua posição:

"vc está fazendo um discurso inútil, com uma esquerda que nao existe mais na cabeça"

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É, repolho é sinônimo de automóvel

Parece que bebe... Nao existir mais a esquerda que vc conheceu quer dizer que a História acabou? Ora, ora... Má fé tem limites, Rogério. Ou é burrice mesmo? Porque isso passou o limite de ser só incompreensao...

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To contigo nessa, Rd. Sexo

To contigo nessa, Rd.

Sexo dos anjos virou coisa séria pra essa gente...

 

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Adroaldo Lima Linhares

O jogo acabou já faz um bom

O jogo acabou já faz um bom tempinho, mas tem gente que ainda está nas arquibancadas torcendo. 

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Gabriel Moreno

O jogo mal começou.

O jogo mal começou.

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Jorge Leite Pinto

Continue pensando assim, que

Continue pensando assim, que nem torcedor você conseguirá mais ser... 

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