22 de junho de 2026

Manaus, reforma tributária e reindustrialização, por Augusto Rocha

Há também a oportunidade para encontrar caminhos de maior aproximação da indústria de Manaus com a natureza da Amazônia
Reprodução - Polo Industrial de Manaus (PIM)

O Polo Industrial de Manaus faturou US$ 15,09 bi entre jan-abr 2026, com crescimento de 4,4% e 130 mil empregos diretos.
A reindustrialização do Brasil pode avançar no PIM, com mão de obra qualificada e incentivos fiscais da reforma tributária.
Desafios incluem equilíbrio fiscal do Amazonas, déficit de infraestrutura e integração da indústria com a Amazônia.

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Manaus, reforma tributária e reindustrialização: uma oportunidade para o Brasil

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

A Superintendência da Zona Franca de Manaus anunciou em 18/06/2026 que o Polo Industrial de Manaus (PIM) ultrapassou US$ 15.09 bilhões entre janeiro e abril de 2026 ou R$ 78,5 bilhões de faturamento, com crescimento de 4,4% considerando o mesmo período do ano passado. São mais de 130 mil empregos diretos. Estes números representam um certo otimismo para atividades produtivas na Amazônia que sejam distantes da destruição continuada da sua biodiversidade.

A reindustrialização do país tem uma oportunidade com o PIM, pois há na região uma mão de obra abundante, com trabalhadores qualificados para a indústria, somado com uma estrutura regulatória sólida de incentivos fiscais constitucionais, assegurados pela reforma tributária. Há uma oportunidade grande para empresas industriais se basearem em Manaus. Vale destacar que muito deste crescimento está concentrado nos setores de eletroeletrônicos (com apoio do crescimento de vendas de televisores, por conta da Copa do Mundo), do setor de celulares e de motocicletas, apoiado por vários motivadores de aquisição para os consumidores. Há diferentes oportunidades em outros campos.

Há ainda uma ocasião a ser desenvolvida a partir da nova política industrial brasileira, que é um conjunto de missões que desenvolvam a indústria da construção civil nacional e outros setores. Por exemplo, precisamos de métodos construtivos mais modernos, para dinamizar um dos setores que mais emprega no Brasil, reduzindo o grande déficit habitacional. Há ainda uma oportunidade para encontrar caminhos de maior aproximação da indústria de Manaus com a natureza da Amazônia, que é uma das poucas críticas que fazem sentido e ainda não foi enfrentada pelo setor público ou privado. Do ponto de vista do arranjo do sistema industrial, também não foi enfrentada com vigor a carência secular de infraestrutura, que precisa ser rompida.

Ao contrário do que a maior parte das pessoas intui, o PIM e o Amazonas mais contribuem com tributos do que recebe de volta em recursos federais. O grande desafio que se colocará aos próximos governos do Amazonas será o equilíbrio fiscal, pois, apesar de ser um grande Estado em dimensões territoriais, o Amazonas possui poucos habitantes por quilômetro quadrado e uma economia concentrada na capital. Como grande produtor, a reforma tributária transferirá os recursos para os Estados consumidores, desabastecendo os cofres estaduais. Será necessário ampliar a base de consumo do interior do Amazonas para evitar uma unidade federativa profundamente deficitária, que precisará fortemente dos fundos compensatórios.

Outra oportunidade que se apresenta é a construção continuada de infraestruturas, corrigindo o déficit histórico da região, para que um dia seja viável deliberar pela redução dos benefícios fiscais que permitem esta base industrial. Seria bom que outros Estados do país começassem a divulgar dados semelhantes, para que tivéssemos uma transparência e clareza sobre quanto faturam os diversos setores da economia nacional, uma vez que este é um dos elementos de maior compreensão por parte dos empresários e facilitaria um modelo comparativo efetivo por região. Afinal, o PIB é um número recorrentemente usado, mas pouco compreendido, enquanto o total de faturamento é compreendido por qualquer vendedor, gerente de padaria ou de multinacional. Há um espaço para um crescimento continuado de 5% ao ano ao longo dos próximos anos, em especial se o juro básico do país seguir a baixar, que é o que todos esperamos.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

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Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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