O Estado e os direitos sociais são fatores de Desenvolvimento
por Virginia Pignot
Festejos e lutas
O Brasil tem razões para festejar. Temos riquezas culturais, biodiverdidade, florestas, rios importantes, minérios, petróleo, energia verde. Um povo criativo, que leva e transmite a energia do samba, do forró, do maracatu, das rodas de choro, da capoeira, a virtuosidade de um Villa Lobos, de um Hermeto Pascoal, da Spok Frevo Orquestra, no Brasil e pelo mundo. O governo Lula 3 nos tirou pela segunda vez do mapa da fome, obteve crescimento econômico superior às expectativas do mercado, permitiu o acesso de mais pessoas de origem humilde aos institutos federais, às universidades. Temos razões para discordar: um Congresso eleito na esteira da Lava Jato com muitos parlamentares corruptos, o bolsonarismo apoiado pelo Governo Trump, uma elite escravocrata, pronta a participar de golpes para não perder privilégios, que tenta nos convencer que os direitos sociais não cabem no orçamento. O Seminário do Projeto Brasil “A economia do bem-estar, desafios estruturantes”, tende a demonstrar o contrário.
Aumento da Produção Nacional de Medicamentos
Organizado por Luis Nassif na TV GGN, o Seminário contou com a presença de representante da Fiocruz, do IBGE, de professores universitários, de secretários do governo e está disponível nas redes, trazendo dados que mostram que a saúde, a cultura e a gestão pública são a chave para um novo ciclo de desenvolvimento soberano e sustentável, e que investimentos públicos e em parceria com o setor privado permitem o desenvolvimento do país. Exemplos do retorno positivo deste tipo de investimento, na área da Saúde, por exemplo – os investimentos do Estado em Ciência e tecnologia, em pesquisa, através das Universidades, de parcerias com a indústria farmacêutica, se acompanha do aumento da produção nacional de medicamentos, facilitando o acesso, barateando o seu custo. Sessenta por cento dos medicamentos consumidos no Brasil são produzidos aqui, o Brasil já produz insulina, os imunossupressores usados no programa de transplantes do SUS são fabricados no Brasil, assim como a maioria das vacinas. A Anvisa também aumentou sua capacidade de trabalho, diminuindo de uma média de sete anos para uma média de dois anos o tempo de avaliação do produto farmacêutico antes da eventual validação do produto; neste ponto estamos agora dentro da média dos países desenvolvidos.
Brasil, o país da festa, da gentileza da população, da riqueza cultural
Quando Gilberto Gil era ministro da Cultura, um estudo realizado sobre o turismo na Bahia revelou que a gentileza dos atendentes, da população local, figurava como o primeiro motivo de apreciação positiva dos turistas. A cultura, o “modo de ser” simpático brasileiro é um ativo que faz nossa economia girar. O Brasil registrou um aumento de 46% no número de turistas estrangeiros entre 2019 e 2025, tendo, segundo a OCDE, a quarta maior expansão de turismo internacional do mundo.
A lei Rouanet, lei de incentivo e apoio à cultura, tão criticada pelos detratores habituais, faz a economia girar. A renúncia fiscal do estado permite que o imposto da empresa que vai para cultura e festas populares dê o retorno excepcional de $ 7,59 reais para cada real investido. Quando há uma festa, um evento cultural, ganha o motorista do Uber, ganham restaurantes e quem prepara comida para vender na rua, ganha quem vende cerveja, hotéis, companhias de transporte aéreo, artistas.
Capital cultural e humano como motor da economia
O Brasil está na moda de novo, é a Nação mais benquista mundo afora, diz Derik Vieira Santana, diretor de políticas para trabalhadores da Cultura e Economia Criativa do Ministério da Cultura. Segundo ele, temos que aproveitar o ensejo e as necessidades do nosso mercado interno, para investimentos públicos e privados na economia criativa, facilitando o crédito a pequenas empresas, à criação de cooperativas, gerando empregos. Podemos produzir aqui o material que usamos, por exemplo, para as alegorias do carnaval, nas festas bovinas do Tocantins, os santinhos do Padre Cícero vendidos no Ceará que vêm da China; facilitar uma cadeia logística para a circulação da arte, do artesanato nacional, no Brasil e para a exportação. Ele lembra a necessária regulação do uso da inteligência artificial, para a proteção do trabalhador na área da cultura, pedido de autorização, pagamento de direitos autorais.
O que prega a Constituição e Combate à desinformação
Para a Constituição Cidadã de 1988, não se pode conceber que pessoas de uma classe social vivam até os 85 anos, e pessoas de outra classe social vivam até os 40 anos. E é o que acontece se o Estado não fornece tratamento do Câncer, por exemplo, caríssimo em alguns casos, e para o qual ainda dependemos muito da importação de produtos europeus.
Apesar do investimento público e da parceria público-privada serem um ativo estratégico para a evolução do Estado de bem-estar social e para nossa soberania, a oposição, e parte da mídia, só critica “gastos públicos”, usando falsas manchetes, distorcendo a realidade. Daí vem a necessidade do combate à desinformação, talvez pela via da judicialização, da regulação da mídia.
Saúde e cultura são Pop
Em termos de dinheiro circulando em compras, em imposto implicado, a saúde representa atualmente o dobro do que move o complexo automotivo nacional, e movimenta mais dinheiro que o agronegócio. Para evitar o risco de desperdício, o governo atual recriou o Ministério da Gestão e da inovação em Serviços Públicos, para planejar a administração, verificar a melhor relação custo-qualidade de produtos adquiridos no mercado, liberar fundos para estados e projetos de governo.
Na área da cultura, investimentos podem ser muito lucrativos, como mostra, por exemplo o carnaval de Belo Horizonte, que ganhou repercussão nos últimos anos. O Investimento da prefeitura em edital foi de R$ 1,2 milhão, em 2025; estima-se que se movimentou, que gerou mais de R$ 2 bilhões.
As críticas a investimentos que trazem bom retorno aos cofres públicos e “ao bolso” como ao bem-estar da população revelam ignorância de dados econômicos, ou má-fé de quem “é do contra”, de quem utiliza o mau jornalismo para fazer campanha eleitoral.
Virginia Pignot é pedopsiquiatra, apaixonada pela psicanálise e, depois do golpe contra Dilma, o jornalismo de Luis Nassif se tornou sua cachaça. Pernambucana de Surubim, mora em Toulouse França e escreve regularmente para dois jornais pernambucanos, Surubim, Terra da Gente, impresso, e O Poder, pelo “Zap”.
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