Agora Seremos Felizes: O Sonho da Supremacia Branca
por Franklin Frederick
Agora Seremos Felizes – título no Brasil do filme musical Meet Me in St. Louis – foi lançado no dia 22 de novembro de 1944 na cidade de St. Louis, estado do Missouri. A estréia em Nova York ocorreu poucos dias depois, em 28 de novembro. Foi o primeiro sucesso do departamento de musicais dos estúdios MGM, dirigido desde 1940 por Arthur Freed, autor de algumas das mais conhecidas canções dos Estados Unidos nos anos 20 e 30 e que viria a produzir também alguns dos mais memoráveis filmes destas décadas. Foi Arthur Freed quem adquiriu os direitos autorais de uma série de estórias da autora Sally Benson então publicadas na prestigiosa revista The New Yorker. As estórias são sobre a infância de Sally Benson numa família branca de classe-média, os Smiths, vivendo em São Luis em 1903, na expectativa do grande evento que iria acontecer naquela cidade no ano seguinte: a Feira Mundial de 1904. Conta-se que Freed teria dito ao poderoso chefe da MGM na época, Louis B. Mayer :
«Quero transformar isto na obra mais encantadora da cultura americana já realizada.»
De fato, o filme se tornou um dos maiores sucessos da década de 40, influenciando todos os musicais realizados em seguida e dando início à Era de Ouro dos musicais da MGM, que iria se estender até aos anos 60.
Agora Seremos Felizes foi também o filme que lançou a carreira do então praticamente desconhecido diretor Vincente Minnelli, que viria a dirigir outros grandes musicais da MGM, como Gigi e Um Americano em Paris. E foi durante as filmagens que Vincente Minnelli se apaixonou pela principal atrriz do filme, Judy Garland. Os dois se casaram em 1945 e tiveram uma filha : Liza Minnelli.
As críticas foram praticamente unânimes em seus elogios. A revista TIME escreveu: “A verdadeira história de amor é entre uma família feliz e um modo de vida.”
Manny Farber, que Susan Sontag considerava “o crítico de cinema mais animado, mais inteligente e mais original que este país já produziu”, escreveu que o trabalho de Minnelli neste filme “ demonstra que ele é o realizador mais humano e talentoso que surgiu em Hollywood nos últimos anos.”
Woody Allen declarou que Agora Seremos Felizes é um dos seus três musicais favoritos, ao lado de Gigi e Cantando na Chuva.
Em 1994, devido à sua importância cultural e histórica, Agora Seremos Felizes foi selecionado para ser preservado no National Film Registry da Biblioteca do Congresso dos EUA.
No entanto, neste filme há algo que chama a atenção se soubermos ver o que não está lá: não há afro-americanos no filme, não aparecem sequer como simples traseuntes nas cenas externas. A cidade de St. Louis do filme é uma cidade inteiramente branca.
Ignorar a população afro-americana era uma prática comum de Hollywood naquele período. No entanto, St. Louis tem uma história particularmente violenta de controle, remoção e exclusão de afro-americanos. Tem também uma rica história de resistência e solidariedade da comunidade afro-americana em luta contra o racismo em suas diversas manifestações. Ao mostrar uma St. Louis sem afro-americanos, o filme Agora Seremos Felizes realiza – ao menos nas telas dos cinemas – o sonho da supremacia branca.
Violência e Exclusão em St. Louis
No final de 1818 o poder legislativo do Missouri solicitou ao Congresso dos EUA sua admissão como o vigésimo-quarto estado da União. Na época alguns congressistas, principalmente o representante de Nova York James Tallmadge, argumentaram que o Missouri só poderia ser admitido na União se abolisse a escravidão em seu território. A poderosa elite escravocrata nunca aceitaria esta condição e por fim o Congresso aceitou um compromisso – conhecido como o compromissso de Missouri – pelo qual o Missouri continuaria sendo um estado escravocrata e o estado do Maine seria admitido como um “estado livre”, onde a escravidão não seria permitida. Uma linha divisória foi traçada no paralelo 36° 30’, a fronteira sul do Missouri, gerando a conhecida divisão entre o Norte e o Sul dos EUA que perduraria até a Guerra Civil. A constituição de 1820 do Missouri explicitamente visava “ impedir que negros e mulatos livres venham para este Estado e se estabeleçam nele, sob qualquer pretexto que seja”.
Era o início de um processo de remoção da população livre afro-americana do território do Missouri, incluindo a cidade de St. Louis.
A escravidão no Missouri foi particularmente violenta. William Wells Brown, ex-escravo e autor de uma famosa autobiografia – Narrativa de William Wells Brown, escravo fugitivo – publicada em 1849, vivenciou de perto a violência escravocrata na cidade de St. Louis , denunciando-a assim:
“Embora alguns considerem que a escravatura no Missouri seja mais branda, quando comparada com os estados produtores de algodão, açúcar e arroz, nenhuma parte do nosso país escravocrata é mais conhecida pela barbárie dos seus habitantes do que St. Louis. Foi aqui que o coronel Harney, um oficial dos Estados Unidos, chicoteou uma escrava até à morte. Foi aqui que Francis McIntosh, um homem de cor livre de Pittsburgh, foi retirado do barco a vapor «Flora» e queimado vivo. Durante os oito anos em que residi nesta cidade, testemunhei pessoalmente inúmeros casos de extrema crueldade (…)”.
William Wells Brown, além de relatar os casos que ele presenciou de extrema violência contra escravizados, denunciou também as distorções sociais e as feridas, físicas e emocionais, causadas pela escravidão, não só nos próprios escravizados, mas em toda a sociedade. Uma sociedade escravocrata é sempre uma sociedade profundamente doente e enormemente violenta. Sua autobiografia tornou-se um sucesso internacional e enquanto vivia em Londres William Wells Brown publicou Clotel, considerado o primeiro romance escrito por um afro-americano.
Atento às lutas de seu tempo, William Wells Brown não apenas dedicou seus esforços para abolir a escravidão, apoiou também a luta das mulheres brancas pelo voto.
Solidariedade e Resistência em St. Louis
A solidariedade entre afro-americanos e brancos, seguindo o exemplo de William Wells Brown, se repetiria ao longo da história de St. Louis, como na famosa Greve das Trabalhadoras de nozes na fábrica de Funsten (Funsten Nut Strike) em 1933, liderada por mulheres afro-americanas. St. Louis era um importante local de produção e processamento de nozes, devido à presença natural das nozes ao longo do vale do Mississippi e à facilidade de transporte pelo rio.
No início da década de 30 existiam 16 fábricas que processavam nozes em St.Louis, sete das quais pertenciam à empresa R. E. Funsten. As trabalhadoras afro-americanas ganhavam menos e trabalhavam mais horas do que suas colegas brancas. A partir de 1933, após várias reduções de salários, as trabalhadoras associaram-se à seção local do Partido Comunista dos EUA que ajudou a organizar a greve.
Inicialmente apenas 900 trabalhadoras afro-americanas aderiram à greve, mas já no segundo dia 200 trabalhadoras brancas se uniram ao movimento, um passo historicamente importante na união de trabalhadores afro-americanos e brancos.
Muitos historiadores consideram a greve de Funsten como precursora dos movimento pelos direitos civis dos anos 60. É importante notar que esta greve ocorreu exatos dez anos antes do início das filmagens de Agora Seremos Felizes, que começaram em 1943. Não é tanto tempo assim, muitas das pessoas envolvidas nesta greve ainda trabalhavam e viviam em St. Louis no momento em que o filme era feito.
Um dos melhores livros sobre a história da cidade de St. Louis é sem dúvida The Broken Heart of America – St. Louis and the Violent History of the United States (O Coração Partido da América – St. Louis e a Violenta História dos Estados Unidos), do historiador Walter Johnson, que escreveu nesta obra:
“A história de St. Louis desenrolou-se na encruzilhada entre o racismo e o mercado imobiliário, entre a gestão violenta da população e a valorização especulativa dos bens imóveis. Os primeiros a serem expulsos foram os indígenas nativos americanos, que foram empurrados para oeste e exterminados pelos colonos e pelas forças armadas dos EUA. Mas em St. Louis, as práticas de remoção e contenção que surgiram da história do império no Oeste generalizaram-se, transformando-se em mecanismos de desapropriação e controle da população negra dentro dos limites da cidade. E como a remoção tem, fundamentalmente, a ver com o controle do futuro, com a determinação de que tipos de pessoas serão autorizadas a viver em que tipos de lugares, está sempre ligada ao controle do gênero, da sexualidade e da reprodução; muitas vezes, as mulheres e as crianças são o alvo de sanções específicas e de violência direcionada.”
Sobre a centralidade de St. Louis na história dos EUA, Walter Johnson informa:
“Desde a expedição de Lewis e Clark até ao homicídio de Michael Brown pela polícia em 2014 e ao lançamento do movimento Black Lives Matter, muitos dos acontecimentos que consideramos fundamentais para a história dos Estados Unidos ocorreram em St. Louis.”
E ainda:
“St. Louis tem sido o cadinho da história americana – grande parte da história americana desenrolou-se a partir da conjunção entre o império e o racismo contra os negros na cidade de St. Louis.”
E para concluir:
“O genocídio foi a vanguarda do império, e a anti-negritude seguiu-se imediatamente na sua esteira. (…) Mas a anti-negritude ocidental, do tipo pioneiro promulgada em St. Louis, tinha tanto a ver com o modelo de remoção dos índios e do império como com a exploração do trabalho escravo, ao afirmar a sua visão: não havia espaço algum para pessoas negras — pelo menos não para pessoas negras livres — na cidade de St. Louis.”
Os afro-americanos de St. Louis tem uma longa história de resistência às práticas de exclusão e remoção da supremacia branca. Não por acaso, a greve geral de St. Louis em 1887 foi uma das primeiras greves gerais nos EUA.
Algumas das mais importantes personalidades afro-americanas do século XX, como Josephine Baker e Maya Angelou, nasceram na cidade de St. Louis, onde viveram as experiências de violência, luta e solidariedade que alimentaria sua arte, seu pensamento e suas ações.
Josephine Baker, já uma artista famosa nos anos da Segunda Guerra Mundial, usou sua fama como disfarce para suas atividades de apoio à resistência francesa em luta contra a ocupação nazista. Certamente foi em St. Louis que Josephine Baker aprendeu a odiar o racismo e a desenvolver as estratégias de luta contra os fascistas.
Maya Angelou deixou um testemunho valioso sobre o racismo e a luta dos afro-americanos em suas autobiografias. Josephine Baker e Maya Angelou tiveram um papel importante na organização dos movimentos pelos direitos civis nos EUA, parte do imenso legado de solidariedade da cidade de St. Louis.
A Supremacia Branca e a distorção da História
Em 1915, coincidentemente também durante uma guerra, no caso a Primeira Guerra Mundial, estreou nos EUA o filme O Nascimento de Uma Nação , do diretor D. W. Griffith. Considerado um clássico do cinema, é um filme abertamente racista, responsável inclusive pela volta da Ku Klux Klan, que é enaltecida no filme. Na época, o filme desencadeu uma onda de violência tão extrema contra os afro-americanos que a recém criada Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor – NACCP – lançou protestos em todo o país em resposta aos estereótipos racistas e à deturpação da história contidos no filme. Esta reação da NAACP foi uma das primeiras mobilizações nacionais em defesa dos direitos civis afro-americanos organizadas nos EUA.
Agora Seremos Felizes não é um filme militante racista como O Nascimento de Uma Nação, porém a exclusão dos afro-americanos deste filme é um sinal do desconforto da supremacia branca e de sua capacidade de influir mesmo em algo aparentemente tão inofensivo como a realização de um musical.
O mais problemático é que parece – ao menos eu não encontrei – que não há nenhuma crítica ao fato de que a St. Louis retratada no filme seja uma cidade inteiramente branca.
Acredito que a imensa maioria dos expectadores do filme, desde sua estréia em 1943 até os dias de hoje, simplesmente não percebeu a ausência dos afro-americanos. O que também parece não ter sido um problema para os que selecionaram este filme para ser preservado na Biblioteca do Congresso e isso no ano de 1994! Outras evidências da capacidade da supremacia branca não só de distorcer a história, mas de moldar até mesmo a percepção da realidade !
Um exemplo interessante e revelador da distorção histórica a partir da exclusão de afro-americanos no filme é a icônica cena em um bonde onde Judy Garland canta The Trolley Song. Segundo Walter Johnson:
“Os transportes públicos, especialmente os bondes, foram outros locais marcantes da luta dos negros em St. Louis. Durante a guerra (civil), os negros eram proibidos de entrar no interior dos vagões, podendo apenas viajar expostos nas varandas abertas na parte dianteira dos vagões. (…) A partir de 1865, os negros começaram a forçar a entrada nos bondes e em 1868 obtiveram uma decisão do tribunal que lhes permitia viajar dentro dos vagões cobertos.”
Não há nenhum passageiro afro-americano no bonde nesta cena. O filme se passa entre 1903 e 1904 mas a realidade mostrada é anterior a 1865.
Contudo, Vincente Minnelli não era um racista como D. W. Griffith.
Em 1943, logo antes de Agora Seremos Felizes, Vincente Minnelli dirigiu um dos primeiros musicais com um elenco inteiramente afro-americano, Cabin in the Sky.
Emanuel Levy, autor da biografia Vincente Minnelli- Hollywood’s Dark Dreamer – escreveu o seguinte sobre este musical:
“Em Cabin in the Sky, os personagens brancos não só são invisíveis, como também são irrelevantes para a história. Como observou Stephen Harvey, a opressão que os brancos impuseram aos negros nem sequer é mencionada. A pobreza é vista simplesmente como um fato da vida, aceita passivamente pelos negros. Na verdade, foi justamente a ausência de revolta por parte dos negros em Cabin in the Sky que tornou o filme aceitável para o público branco. Para um país que estava em guerra e precisava se sentir unido, era reconfortante e tranquilizador que os negros (e outras minorias étnicas) estivessem ‘satisfeitos’ com sua condição. Nada no filme sugeria que os negros fossem mantidos em seu lugar pela maioria branca.”
Para que pudesse realizar um filme musical com um elenco inteiramente afro-americano, Minnelli teve que se curvar à mentalidade e às convenções da época, um atitude completamente diferente da de D.W. Griffith que escolheu glorificar a Ku Klux Klan.
Creio que o mesmo aconteceu com Agora Seremos Felizes. Segundo Emanuel Levy, Minnelli não era muito interessado em política e era avesso a conflitos, mas ele não era ingênuo e sabia muito bem em que sociedade ele vivia e que regras, explícitas ou implícitas, ele teria que seguir se quissesse fazer filmes.
A condição imposta pela mentalidade supremacista branca dominante para que Agora Seremos Felizes fosse, como nas palavras de Arthur Freed, ‘ a obra mais encantadora da cultura americana’, era não apenas que esta fosse a história de uma família branca ‘perfeita e encantadora’, mas também que nenhum afro-americano aparecesse no filme. Vincente Minnelli certamente sabia disso, sem que ninguém da MGM tivesse que formular claramente esta condição.
O Nascimento de Uma Nação é uma obra de propaganda da supremacia branca.
Agora Seremos Felizes nos mostra a supremacia branca em repouso, contente consigo mesma. É a celebração da felicidade e da liberdade brancas. Sem a presença dos afro-americanos, a supremacia branca pode deixar sua militância de lado e dedicar-se aos seus prazeres e alegrias, à vida ‘normal’. Como disse a revista TIME, o filme mostra a história de amor “entre uma família feliz e um modo de vida”, porém este ”modo de vida” exclui os afro-americanos e os povos indígenas. Por trás de seu encanto superficial esconde-se a violência da supremacia branca.
Permanência da Supremacia Branca
Mais de 80 anos depois do lançamento de Agora Seremos Felizes, a supremacia branca nos EUA continua a buscar seu sonho de controle, exclusão e hegemonia.
O livro de Walter Johnson acima citado foi publicado em 2020 e esta passagem ainda pode ser considerada uma descrição da St.Louis de hoje:
“Atualmente, St. Louis apresenta a maior taxa de homicídios do país (65,8 por 100.000, cerca de quatro vezes a taxa de Chicago, e a décima terceira mais alta do mundo) e a maior taxa de tiroteios envolvendo a polícia do país (cerca de 5 por 100.000). Há uma diferença de dezoito anos na expectativa de vida entre uma criança nascida em uma família que mora no bairro de Jeff-Vander-Lou, no norte de St. Louis, cuja população é quase totalmente negra, e uma criança nascida em uma família que mora no subúrbio de Clayton, de maioria branca, localizado a menos de dez milhas a oeste. De fato, diferenças significativas em praticamente qualquer indicador de bem-estar social na cidade de St. Louis — taxas de diabetes em adultos ou asma infantil, níveis de chumbo na corrente sanguínea, acesso à internet — podem ser traçadas até uma única linha: a Avenida Delamar, que divide a cidade entre o norte e o sul, entre negros e brancos.”
Estas diferenças de bem estar social não são exclusivas de St. Louis, mas se repetem por todo o país.
Basta lembrar de alguns fatos recentes na história dos Estados Unidos:
– A crise imobiliária de 2008 afetou desproporcionalmente os afro-americanos.
Os bancos e instituições financeiras dos EUA direcionaram os empréstimos predatórios, com taxas de juros abusivas, conhecidos como ‘subprimes’, principalmente às minorias. Dos empréstimos imobiliários concedidos à famílias afro-americanas, 53% eram ‘subprimes’, comparados com 26% concedidos à famílias brancas. Consequentemente, cerca de 8% das famílias afro-americanas e latinas perderam suas casas, em comparação com 4,5% de famílias brancas. Ainda mais grave, para a grande maioria das famílias afro-americanas, a casa própria representava a maior parte de sua riqueza, cerca de 71%. Para as famílias brancas essa proporção era de 51%. Quando veio a crise, a riqueza das famílias brancas atingidas caiu em média 11%, já as famílias afro-americanas perderam quase a metade de sua riqueza acumulada, por volta de 47,6%, praticamente anulando assim todos o progresso econômico conquistado desde as lutas pelos direitos civis da década de 60.
-Em 2014, por razões de economia, o governo do Estado de Michigan decidiu mudar a fonte o abastecimento de água da cidade de Flint para o rio Flint.
Porém, a água deste rio era altamente corrosiva, causando a corrosão dos velhos encanamentos feitos de chumbo, liberando enormes quantidades de chumbo tóxico na água. Esta contaminação afetou de modo desproporcional a comunidade afro-americana, que representava cerca de 56% da população da cidade na época da crise. O caso de Flint ganhou notoriedade internacional como um exemplo de racismo ambiental.
Casos como este ocorrem quando o neoliberalismo – como é conhecido o projeto econômico de destruição em massa da supremacia branca – define políticas públicas. O descaso com o meio ambiente, com os mais pobres e vulneráveis é intrínseco à supremacia branca.
-Por fim, o governo Trump, uma administração completamente branca, manipula conscientemente a supremacia branca para os seus propósitos. Com Trump, o neocolonialismo ganhou um novo ímpeto internacional e a guerra contra os povos de pele escura do sul se intensificou. O massacre do povo Palestino continua com a velada cumplicidade da supremacia branca européia.
No entanto, a supremacia branca hoje não é mais tão relaxada, alegre e despreocupada como nos anos 40. Vincente Minnelle e os estúdios MGM não poderiam mais fingir que os afro-americanos não existem. Movimentos como o Black Lives Matter mostram a força da resistência da comunidade afro-americana.
O declínio do império americano, o poderio militar da Rússia e do Irã , o avanço dos BRISCs e sobretudo o espetacular crescimento econômico da China, são todos poderosos desafios à supremacia branca e aos seus sonhos de hegemonia, controle e exclusão.
Como o velho encanamento de chumbo em Flint, a supremacia branca está sendo corroída por dentro pelas águas da mudança. A supremacia branca hoje ,atônita e surpresa , está encurralada e sabe que está apodrecendo, daí sua violência. Na sua hora final, o desespero da supremacia branca representa um perigo real para todo o planeta.
Por isso, a união das muitas cores e saberes de todos os povos do mundo é hoje fundamental para a salvação da humanidade e de sua casa comum, a Terra.
Franklin Frederick é ativista ambiental
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