8 de junho de 2026

Biotecnologia na Amazônia: sem articulação, o potencial não vira poder, por Augusto Rocha

A potência da biotecnologia na Amazônia só surgirá com ciência, prática e capital em grande quantidade.
Biotecnologia - Fapeam - Foto de Ayrton Lopes

A biotecnologia na Amazônia depende da integração entre ciência, prática e capital para gerar poder econômico.
Faltam recursos e cooperação entre cientistas e capitalistas da região e dos grandes centros do Brasil.
O avanço requer empoderamento local e diálogo republicano para superar desigualdades e estimular investimentos.

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Biotecnologia na Amazônia: sem articulação, o potencial não vira poder

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

              Não existe tecnologia sem ciência, sem prática e sem capital. A potência da biotecnologia na Amazônia só surgirá destes três elementos em grande quantidade. Fora disso, é pura distração. E tudo que não nos falta na Amazônia é distração. São cientistas que se distraem com a imensidão da Amazônia e de sua biodiversidade e pulam de conhecimento em conhecimento. São capitalistas que veem tantas alternativas e não investem em nada. São habitantes que sorvem da sua exuberância e não constroem riquezas econômicas com bases sólidas, ficando deitados em berço esplêndido, como diz o hino.

              A superação desta ineficácia poderá ser feita com uma mudança de postura das três partes. Uma só não basta, pois não há tecnologia sem o tripé: conhecimento científico, conhecimento prático e capital. Tudo de muito. Nesta semana terei meu recorde de alunos de mestrado e doutorado em uma única turma: 230. Espalhados pela Amazônia Legal: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Maranhão, Mato Grosso, Roraima, Rondônia e Tocantins. É a melhor semana do ano, onde mais aprendo sobre Amazônia. Mais do que viver aqui toda uma vida, ouvir a inquietação de mentes afiadas é, com o perdão da palavra, uma maravilha.

              Todo ano a turma aumenta e, neste ano, vou ter quase o dobro de alunos em relação ao ano passado. Não sei se é pelos créditos fáceis ou seria para o propósito da disciplina: transformar pesquisa em inovações tecnológicas, no âmbito da biotecnologia. Além de transtornar alguns com os conceitos mais básicos e mais avançados do assunto, em pouquíssimas horas, o que tenho visto ao longo dos anos é que não faltam pessoas habilitadas para lidar com a Amazônia. Faltam recursos. É gritante sua escassez para a transformação dos potenciais em prosperidade. Para completar este quadro, meu convidado deste ano será o Presidente do CORECON/SP, Dr. Haroldo da Silva, que tem refletido tão bem sobre a Sociologia da produção nacional, com seus capitais simbólicos e financeiros.

              Também é gritante o descaso dos grandes centros do Brasil em relação à pesquisa nas periferias nacionais. As administrações centrais não conseguem compreender as dimensões da Amazônia e suas particularidades. Falta o básico. E, quando falta o básico, aprende-se rápido a cooperação. Para quem tem o básico, nos grandes centros, é difícil compreender como cooperar com quem está longe. É impossível partilhar a decisão e com isso os recursos seguem a ser direcionados para as maiores instituições e grupos de pesquisa. Assim, permanece a desigualdade, ou, como se diz no ambiente acadêmico: a assimetria.

              Não há capital financeiro abundante na região. Os poucos capitalistas optam, em geral, pelos juros e ganhos mais fáceis e só uma parcela pequena é alocada no risco regional. Em uma síntese apertada: os capitalistas nacionais não dialogam com os cientistas do Norte; os cientistas Sudestinos, no máximo, fazem missões à Amazônia e pouco cooperam com os pares do Norte e, em geral, nem a autoria ofertam para os colegas Amazônicos, quando publicam seus artigos com base em resultados de pesquisas realizadas com interações nestas partes do país.

              Como superar isto? Com o empoderamento e o diálogo republicano. Quando os cientistas da Amazônia passarem a não aceitar e a mudar as condições trazidas pelas lideranças nacionais. Quando os capitalistas brasileiros quiserem ganhar dinheiro com o Brasil, ao invés de sugar como imperialistas. Vejo que a cada ano estamos mais próximos disto. Todo mês de junho é animador. Todavia, como é lento. Como temos tanto retrocesso em meio a cada avanço. Basta ler as notícias do que se discute para a corrida presidencial.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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