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A perceptível diferença entre os vinhos

Por Roberto Andrade

Nassif, que tal criar um tópico para os apreciadores de vinho com um texto despretensioso de um bom bebedor?

Vinho é uma bebida alcoólica produzida a partir da fermentação do suco de uva. Em outras palavras, o açúcar naturalmente presente nas uvas é transformado em álcool nesse processo.

A primeira distinção é feita entre o vinho tinto e o branco. A diferença é a uva utilizada na fabricação do vinho. O curioso é que é possível fazer um vinho branco com uma uva vermelha. O que dá a coloração ao vinho tinto é o contato com a casca da uva tinta. Se essa for retirada do mosto, o vinho fica branco.

A segunda distinção é entre vinho seco e suave, dependendo da quantidade de açúcar que ele tem. No caso do vinho suave, é adicionado açúcar, tornando-o mais doce. O problema é que essa doçura pode esconder uma má qualidade do vinho. Por isso que os apreciadores de vinho, em geral, abominam vinhos suaves, ou seja, doces.

O tipo de uva usada no vinho é essencial para o conhecimento da bebida: Shiraz, Cabernet Sauvignon, Merlot, Carmenere etc.

Se você observar um rótulo de um vinho do velho mundo (Europa), não verá informações sobre a uva utilizada. Ele é caracterizado pela região onde é produzido - Bordeaux, Cote du Rohne, Rioja. No caso de vinhos do novo mundo (Américas, África do Sul, Austrália etc.), o rótulo traz a informação sobre a uva.

Uma dica para os brasileiros: da Argentina, Malbec e Temprenillo; do Chile, Cabernet Sauvignon e Carmenere; e do Uruguai, Tannat. Simples assim.

São quatro os elementos essenciais do vinho: Açúcar, tanino, acidez e álcool. O ideal é um vinho equilibrado entre esses quatro elementos.

Para quem acha que não há diferenças entre os vinhos, sugiro as seguintes dicas para degustação:

1. tente balançar e cheirar um vinho em um copo americano e depois em copo apropriado, com a boca grande. A diferença é enorme.

2. Prove um vinho com pouco tanino e outro com tanino pronunciado. O tanino é também presente no caju e dá aquela sensação de boca seca. Beba um gole e bocheche o vinho sem vergonha antes de engolir. Aquele com tanino deixará sua boca seca, sem saliva. É por isso também que chamam de "vinho seco".

3. gire o copo e veja se a bebida deixa marcas na parede do copo. São as lágrimas do vinho. Quanto mais marcas, mais açúcares. Eu odeio vinho doce, mas há quem goste.

4. a acidez não provoca a secura do tanino. Tem que ser baixa para um bom vinho. Vinhos nacionais, de forma geral, pecam pela acidez.

Agora vá ao supermercado e compre um malbec argentino (a partir de R$ 12,00) e um cabernet sauvignon chileno (a partir de R$ 15,00) e me diga se é tudo a mesma coisa. Se você não é acostumado com um vinho seco, compre um queijo nacional tipo brie ou camembert e um pão francês para acompanhar (mais R$ 15,00).

Ah, depois deixa a garrafa de molho à noite e na manhã seguinte retire o rótulo. Cole em um caderno com suas observações sobre o vinho.

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Carlos José Hang

Vinho

Comecei no mundo do vinho quase sem querer, num almoço de um frio domingo de julho em Santa Felicidade, Curitiba, onde se serviam carnes estranhas, como coração de boi na brasa. Pra acompanhar tinham só duas opções: coca-cola e vinho tinto SECO, provavelmente feito ali mesmo nas colônias italianas...Acostumado até o momento com vinhosinho docinho pra comer pizzinha com a namoradinha, confesso que no começo engasguei até,  mas GOSTEI, principalmente porque tomava, tomava e não me "subia pra cabeça"...

Depois fui me aproximando dos brancos tipo "Nachtliberwein" e Libfraumilch", que geladinhos iam muito bem, e me afastava cada vez mais dos "Sangue de Boi" e "Campo Largo", eheh. 

Meu universo de enólogo se limitava a isso aí, pois nunca tive nenhuma pretensão em se tornar um entendedor... E foi quando vim morar no sul da Sui4a a 11 anos atrás, onde pude conhecer o que é vinho de verdade, com preços pra lá de acessíveis e uma variedade estonteante. De fato, é muito difícil comprar vinhos repetidos, mudo sempre e assim experimento sempre. Acho que precisaria de algumas vidas a mais para poder provar os vinhos que estão na minha região, e olhem que estou falando só da pequena Suiça e o norte da Itália...

Ma o que gostaria de enfatizar realmente é que aqui o povo bebe sem conheceimentos de enólogo, e sim com algumas ressalvas iniciais que TODOS praticam, como olhar no rótulo se contém sulfitos na composição (é um tipo de conservante, que em alguns casos altera o gosto do vinho). Depois disso abrem a garrafa e súbito verificam com uma cheirada na rolha se na garrafa entrou ar, danificando parcialmente ou totalmente o vinho...Após esse breve ritual os mais experts dão um golinho (geralmente em restaurantes)  pra verificar se o gosto é bom, e deixam a garrafa aberta esperando o vinho decantar, isso é, eliminar por evaporação o excesso de alcool contido na garrafa. Também se pode usar um decanter, mas o mais comum mesmo é servir os copos (taças) de vinho e deixar alguns minutos ali, sem tocar...Só então se bebe, repetindo o ritual (sem frescura nem cara de abestalhado) para as próximas garrafas. Pude notar que TODOS fazem esse ritual, da gente simples aos mais abastados.

Depois de alguns anos por aqui voltei ao Brasil e com amigos dei uma passadinha pra comprar uns vinhos...Quase caí de costas com os preços dos nacionais, porém de boa qualidade. Mas a opção ficou mesmo para os argentinos e chilenos, com boa relação custo/qualidade. O problema foi na hora de beber: tinha neguinho querendo falar o que não sabia, brigar pelo queijo ou carne pra acompahar, querer tirar fotos pra postar na net, querer criar "confrarias do vinho", como se fosse uma coisa só pra quem pode, e não pra quem quer...Enfim uma besta tentativa de ELITIZAR uma coisa que é do povo, como dizia João Figueiredo...Do, pelo, para...Daquele dia em diante decidi só tomar cerveja (Argh!) no BR...

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Ana Ramalho

A perceptível diferença entre os vinhos

Adorei as orientações, são valiosas!

Você pode indicar um vinho consideravelmente bom, mas que seja suave / doce?

 

é verdade que vinho doce não tem tanino?

 

Abraços, 

Ana

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filipi

validade do vinho

oi boa tarde.. tenho um vinho chateau duvalier tinto suave a mais de 15 anos, gostaria de saber se ainda pode ser consumido???

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Carlos José Hang

Olá Filipi, se o seu vinho

Olá Filipi, se o seu vinho tiver sido armazenado na posição horizontal em um lugar fresco e totalmente escuro por todo esses anos, tem uma pequena chance dele estar ...bebível. Porém vinhos nacionais normalmente duram no máximo 5 anos, se seguir essas recomendações...Boa sorte!!!

 

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Ola Roberto,

Sou novo no imenso mundo dos vinho, mas achei muito interessante suas colocacoes e sugiro escrever sobre as diferencas da ulvas, seus gostos e tempos de safras.

 

Obrigado,

 

E sobre o vinho tinto suave tipo bordô?O que vc me fala ?

Eu amo!!!!!Pena que acho sempre o seco e raramentew o doce.é que eu não tenho o hábito do seco,que segundo especialistas e apreciadores é muito melhor!!!Vou tentar experimentar...quem sabe acabo gostando!

bjs...Grata.

 

Srª. Aline, 

Caso se enteresse, existe uma edição do vinho "Quinta do Morgado" bordô, doçe e suave de mesa(muito bom, na minha opinião)...

 

Por que não existe o malbec branco? Encontro quase sempre o tinto. Já encontrei o rosé.

 

Estou entrando tarde na conversa, mas vamos lá.

Não vamos nos esquecer da safra. A de 96, se não me engano, foi a melhor na última década - acho ue a deste ano também será boa.

Mas cá entre nó,s para uma festa melhor mexo são os "vinhos' escoceses.

 

Roberto,

Eu visitei umas vinícolas na região do Reno com um amigo alemão e aprendi também que se faz vinho tinto com uva branca. Segundo ele lá só dá uva branca. O processo tem algo com a elevação de temperatura. Não sou conhecedor de vinhos mas tomei lá os melhores brancos que já experimentei.

Sobre o vinho doce, ganhei uma garrafa de um branco bem caro, feito com as últimas uvas retiradas antes do inverno. Eles retardam a colheita, correndo o risco de perder as uvas numa frente fria, para aproveitar o máximo amadurecimento.

 

Parabéns à todos, aprendi muito, como disse alguém entrei no vinho e não vou sair. Ou é difícil sair.

 

Prezados(as)

Para nós brasileiros a melhor relação custo / beneficio com relação aos vinhos será encontrada nos produzidos na Argentina. Um amigo de lá disse-me uma vez que "a Argentina é o paraíso dos vinhos, pois você encontra qualidade, diversidade e sempre por um preço razoável". Vejam que o país produz desde o sul, em altitudes de 250 metros com relação ao mar, até o norte, nos Andes - 2000 metros. Nestas alturas estão os vinhos da província de Salta, com destaque particular para os vinhedos do Vale do Cafayate. O branco torrontes é especial e barato. Os tintos são bem encorpados, com destaque óbvio para o que vem da malbec. 

 

Muito didático, adorei. Só tenho uma pergunta: me disseram (num desses encontros de degustação)que quanto mais "lágrimas" no copo, maior o teor alcoólico, não de açúcar.

 

 

Luna, amigos,

dá para notar que estão a circular por aqui diversos grandes conhecedores de vinhos e temas correlatos.

Então, parece apropriado fazer uma antiga pergunta minha, nunca respondida, embora eu mesmo não tenha feito pesquisa profunda a respeito. Lá vai:

"Vinifica-se uva tinta como tinta, resultando o vinho tinto; vinifica-se uva branca e tinta como branca e se chega ao vinho branco. Então, por qual razão não se vinifica uva branca como tinta, os seja, deixando as cascas no mosto?"

Agradeceria muito alguma resposta a esta questão que, há muito tempo, vai e volta na cachola.

Grato e abraços.

 

Você tem essa dúvida só quando já está bêbado, não?

 

A casca da uva verde não tem pigmentação para fazer um vinho tinto.

 

De vinho não entendo nada. Antes do terceiro gole ainda posso diferenciar um vinho seco de um suave; também sei dieferenciar vinho tinto de vinho branco. Depois do terceiro gole pra cima já se complica. Do quinto gole pra cima já não sei de mais nada. kkkkk

 

kkkkkkkkkkkkkkk

 

O macho adulto branco sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos ♪♫

Excelente o post! Bem didático, Roberto, valeu!!!

Eu e meu marido somos apreciadores de vinho, sem frescura - gostamos de tomar bons vinhos e só em ocasiões muito especiais tomo vinho mais caro que 50 reais. Meu preço considerado honesto é 20-30 reais.

Posso dizer uma coisa - quando comecei a tomar vinho, não via diferença alguma. Hoje, vinho bem barato mesmo, tipo brasileiros de 7-10 reais a garrafa, ou argentinos/chilenos de 10 reais não me descem mais - e dão uma doorr de cabeça...

Acho até engraçado os comentários de "enochatos" - um dia li que um tal vinho "tinha notas de couro e aroma de bosque úmido". Bahhh!!! Para especialistas, quem trabalha com isso e consegue distinguir todos estes aromas, ok. Mas para reles mortais, é pura afetação mesmo.

Bjs e vamos todos aproveitar um bom vinho porque hoje é sexta!!!!

 

Para quem quiser aprender mais sobre o vinho e sobre como combina-lo, recomendo o livro Vinho e Comida, da enóloga Joanna Simon Cia das Letras). Pra quem quiser algo simples de entender, ele é ótimo. Para quem quer explicações mais complexas informações detalhadas sobre aromas e sabores, ele é excelente tambem.

 

ANTIFA!

Valeu, Roberto! O texto está na medida certa para os leigos, como eu.

Uma dúvida ficou, esse trecho me pareceu ambíguo...

"O tipo de uva usada no vinho é essencial para o conhecimento da bebida: Shiraz, Cabernet Sauvignon, Merlot, Carmenere etc.

Se você observar um rótulo de um vinho do velho mundo (Europa), não verá informações sobre a uva utilizada. Ele é caracterizado pela região onde é produzido - Bordeaux, Cote du Rohne, Rioja. No caso de vinhos do novo mundo (Américas, África do Sul, Austrália etc.), o rótulo traz a informação sobre a uva."

O que isso significa?

Que na Europa cada região produz uma uva específica? Se for isso, quais as uvas produzidas em cada uma dessas regiões?

Caso contrário, se cada região cultiva diferentes tipos de uvas, como diferenciar dois Bordeaux, por exemplo?

 

O macho adulto branco sempre no comando
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Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos ♪♫

Cara Vânia,

se você se interessar... Vou contar como comecei a me interessar por vinhos. Tinha chegado em Santos, a trabalho, domingo à noite, hotel no Gonzaga (bairro-praia), cedo para dormir, quando vi uma livraria em frente. Desci, vi e comprei um livro comum, "VINHOS", de Sérgio de Paula Santos, de quem já havia lido algumas gostosas crônicas no jornal. É um livro de crônicas, como os demais do autor (seis ou sete), gostoso de ler e rico em ensinamentos. Mais tarde comprei, em oferta, uma enciclopédia dos vinhos, de HUGH JOHNSON, em Espanhol; não havia, ainda, em Português. Tive sorte de principiante ignorante, pois é uma das melhores enciclopédias a tratar do assunto.

Assim, lendo os livros do médico Sergio de Paula Santos e consultando o 'livrão' do H. Johnson, que me iniciei neste mundo encantado, culturalmente precioso.

Se quiser segui-lo... não é o caminho direto, mas é divertido, pelo menos foi, para mim.

Aí aprendi que, na França, a única região a declarar a cepa no rótulo é a Alsácia. Experimentar um bom Gewurstraminer de lá é viagem aos céus garantida.

No mais, "todo mundo sabe" que, na Borgonha, os tintos são de Pinot Noir; para fazer chanpanhe as uvas são Pinot Noir e Chardonnay; os tintos de Bordeaux levam Cabernet Sauvignon, Merlot, Sirah..., os brancos Sauvignon Blanc, Semillon, Saint Emilion...; Malbec é de Cahors, Tannat é do sul. Na Itália, na Espanha e em Portugal também é assim, "todo mundo sabe". Escrevo de memória e memória pode ser imprecisa, memória velha, então...

Esta história de "vinho varietal" surgiu com os novos produtores, na América, na África, na Oceania. É declarada a uva, ma isto não quer dizer que no líquido não haja clandestinas...

Por fim, importante dizer que a declaração da(s) uva(s) no rótulo nem de longe significa qualidade, a não ser para os "bebedores de rótulo", como os rotulou o Dr. Sérgio. 

 Abraço e bom fim de semana.

 

Oi Eduardo, obrigada pelas dicas e pela explanação

Vou tentar começar pelo livro do Sérgio P. Santos, mas se não encontrá-lo, terei que arriscar novamente, pois gostaria muito de tomar um vinho ainda nesse fim de semana.

O problema é que hoje tem muitas opções e a gente acaba não sabendo como e o que comprar. eu quase sempre erro quando arrisco um 'novo'... rs Geralmente compro vinhos entre 20 e 50 reais. Nessa faixa de variação de preço, não vejo relação entre custo/qualidade. Ou seja, pra você saber diferenciar dois vinhos nessas condições, tem que conhecer bem pra comprar o melhor (talvez um de 25 pode ser melhor que um de 50). Acho que foi isso que a pesquisa do post anterior identificou. Agora, já experimentei vinhos realmente caros e, não tem como negar, são divinos! só que esses pra mim, só em ocasiões muito especiais. Ao contrário do meu fígado, meu orçamento não permite abusos (rs) 

Bom fim de semana, igualmente 

 

O macho adulto branco sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
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Riscar os índios, nada esperar dos pretos ♪♫

Não sei explicar os motivos.

Mas os vinhos europeus trazem no rótulo a região onde são produzidos, de forma geral (Rioja na Espanha, Borgonha ou bordeaux na França, Alentejo em Portugal etc.). Dificilmente trazem informações sobre as uvas usadas na fabricação. Acho que cada lugar usa historicamente uma ou mais uvas na fabricação de seus vinhos, tornando dispensável essa informação.

No caso de vinhos do novo mundo, eles são identificados pela uva no rótulo, e não pela região. Talvez porque não haja regiões tradicionais. Você não toma um "mendonza", mas sim um "malbec" argentino.

 

Porque para os europeus, o importante é a região, que tem uma grande tradição e pouco importa saber qual é a uva, apenas que o vinho é bom. Se vc está comprando um vinho da Borgonha, vc tem a informação do produtor e da safra desta tradicional região produtora e não se a uva é x ou y. E normalmente eles fazem um blend com muitas uvas (já tomei vinho português que usava 6 uvas), o que complica fazer o rótulo. Muitos vinhos europeus andam informando qual a uva utilizada. Algumas regiões da Itália tem orgulho de estampar suas uvas no rótulo..

 

Bom acrescentar que:

- os europeus que trazem no rótulo o nome da mesorregião em destaque maior que o nome do produto são quase sempre uma porcaria.

- o melhor vinho do mundo fica pior que um Cantina de São Roque se mal transportado/armazenado.

- um decanter faz milagres (e um aerador que vi na Casa & Video também)

 

 

 

pois é, mas foi exatamente essa a minha dúvida. Já que não tem nada "explicativo" nos rótulos dos Europeus, na hora de comprar um vc tem que ser conhecedor do assunto, ou vai comprar gato por lebre. 

Eu tenho noção dessa história de região dos vinhos, isto é, eu sei que é assim com os vinhos europeus. mas continuo sem saber comprar vinhos simplesmente tendo como referência suas respectivas regiões de origem.

E qdo você diz que a uva é fundamental, ai é que me causou mais confusão...

 

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Em Bordeaux, os tintos são na maioria das vezes compostos de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Malbec, variando a porcentagem de cada uva. Outras uvas poderão fazer parte dessa mistura, chamada de corte (Malbec, Petit Verdot). 

 

ANTIFA!

Obrigada, Diogo.

Mas aí é que está a questão. Como um leigo vai diferenciar entre 2 Bordeaux na hora da compra? Então, eu p. ex., tendo a pensar que o mais caro é melhor... E posso me enganar. Aqui perto de casa tem um mercado que vende um deles por 25 reais, em média. Eu acho barato, mas tb achei ruim...kkkk 

 

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Cara Vânia,

você vai aprender que, em Bordeaux, a qualidade do vinho tende a aumentar com a definição de área mais restrita e élevè au chateau (engarrafado na origem). Assim, um "bordeaux", caso do Mouton Cadet Rothshild(?) cobre toda a região: vinho comum. Depois vem Medoc, Haut-Medoc e, quando chegamos a Margaux ou Paulliac, por exemplo, podemos encontrar os "capetas".

De forma similar, na Itália, um Chianti Classico (da área inicial) deve ser melhor que um simples Chianti (de área estendida). Na Itália, devemos lembrar, o produtor é fundamental.

Não devemos deixar de notar que o vinho voltou à moda, e a moda traz os bebedores de rótulo, rastaqueras na arte e com peito de pomba rsrsrs. E vêm os malditos marqueteiros a nos enrolar.

Por fim, o negócio é experimentar... e bom é o que a gente gosta, sempre podendo conhecer um diferente, um melhor ainda,  por aí caminha a humanidade.

Bom fim de semana.

Abraços.  

 

Você diferencia dois bordeaux com base nas Casas que os fabricam. E também pelos anos. Essas informações constam do rótulo.

 

Há um pequeno "erro" no texto. Vinhos suaves não são criados pela adição de açúcar, mas sim pela interrupção da fermentação (pelo menos os vinhos suaves "sérios"), o que explica a necessidade de usar mais metabissulfito de potássio para conservação do mesmo (pra quem não conhece, o metabissulfito é o responsável pela liberação de dióxido de enxofre no vinho, o que faz com que o vinho "suba rápido para a cabeça", ou seja, que realize o efeito de tontura antes que a pessoa fique realmente "de pilequinho". Quanto mais metabissulfito, maior é esse efeito, e é por isso que os vinhos suaves são mais discriminados (ainda que tenha gente que os prefira). E sim, sou Engenheiro de Alimentos e já produzi bebida alcoólica em casa (no caso, Hidromel, que é fabricado a partir de mel diluído em água).

 

 

Aaaah, então é dai que vinham meus pileques épicos dos tempos de faculdade... Maldito vinho Redentor tinto suave (de garrafa plástica) e seus conservantes poderosos! Hehehe.

 

Obrigado pela correção e pela informação.

 

Não li como foi feita a tal pesquisa mas, se há uma coisa que cheira mal é esse profundo "conhecimento" dos enólogos profissionais e amadores. É justamente por desconhecerem o poder do efeito placebo é que as pessoas caem nesse conto (na maioria das vezes, involuntário: os tais conhecedores também sofrem a influência prévia do preço, da safra, da uva, do país, do terreno, da latitude, etc...). Se foi feita da forma correta, ou seja, distribuição aleatória e equlibrada dos indivíduos com ambos os lados "cegos" (testadores e testados) aos vinhos que estavam sendo testados, a pesquisa mostra que, até prova em contrário, a maioria das pessoas (como eu!) compra vinhos mais caros por efeito placebo!

 

Longe de ser um connoiser(rs), eu simplesmente aprecio vinho. Mas acho injusto afirmar que os vinhos nacionais pecam pela acidez. Já tomei cabernet sauvignon nacional numa degustaçao e logo em seguida, tomei um chileno feito com o mesmo tipo de uva e nao observei nenhuma diferença significativa de acidez. Os solos tropicais tendem a ser mais acidos mas se houver correçao do solo previamente, com calcario, a doçura se manifestará na qualidade da uva.  Um brinde aos amigos do blog. TGIF (thank´s God, it´s friday!)

 

O problema é que um vinho nacional, quando é razoável, custa 3 vezes mais que um vinho argentino ou chileno do mesmo nível.

Para quem quiser provar uma curiosidade, beba um Boticcelli produzido no vale do são francisco. É o único lugar do mundo onde se produz vinho nesta latitude.

 

 

Discordo Roberto,

Os vinhos nacionais de mesmo nível que os chilenos  têm menor preço que esses, como regra. E em menor grau também com relação aos argentinos, embora de fato, há argentinos - e uruguaios - de bom custo/benefício no mercado brasileiro em razão do Mercosul (e também - suspeito - em razão de contrabando).

Os dois vinhos a que me referi acima, por exemplo, têm menor preço do que  os chilenos e mesmo argentinos do mesmo nível.

Os chilenos em geral têm maior preço do que os argentinos do mesmo nível, aliás essa é uma das razões pelas quais os argentinos estão ganhando mercado.

 

 

 

 

De acordo, Ricardo.

Aos que acham que o vinho tinto nacional tem muita acidez, recomendo que provem o "4ª geração", uva marselan, da Vínicola Dom Cândido,  ou o Reserva merlot, da Vínicola Boscato. Não são vinhos caros, estão na faixa de R$ 35,00 (uma garrafa serve 2 casais numa refeição, portanto, R$ 8,75 por cabeça). Atenção, não tenho interesse comercial em matéria de vinho, apenas sou apreciador

Também não gosto de vinhos tintos com acidez exagerada (a acidez pronunciada é agradável  - e necessária - nos brancos secos e e especialmente nos espumantes, esses devem ser bebidos bem gelados (pelos 6º graus C), mas não nos tintos. Especialmente nos tintos mais encorpados muita acidez é defeito, má qualidade ou sinal de que o vinho ainda está muito jovem para ser bebido.

Fique preocupado com o post de ontem, aquela pesquisa, ou pelo menos a forma como foi divulgada, é simplista.

Aos de esquerda que têm preconceito contra o vinho (reconheço que o número de babacas no meio enófilo é grande) lembro aqui que indagado por uma das filhas de Marx em 1868, quando tinha 48, sobre qual era a sua idéia de felicidade,  Engels respondeu: "Chateaux Margaux, 1848", que já era considerado um dos melhores - e portanto, mais caros - Bordeaux e continua a ser (ainda não tive o prazer de provar).

De mais a mais "Hors du vin, pas de salut".

 

Written: in London, early April 1868;
Source: MECW Volume 43, p. 541;
Transcribed: by Andy Blunden.
First published: in Marx and Engels, Works, Second Russian Edition, Vol. 32, Moscow, 1964

QuestionAnswerYour favourite virtue     in man qualityjollity    in manto mind his own business    in womannot to mislay thingsChief characteristicknowing everything by halvesIdea of happinessChâteau Margaux 1848Idea of miseryto go to a dentistThe vice you excuseexcess of any sortThe vice you detestCantYour aversionaffected stuck up womanThe characters you most dislikeSpurgeonFavourite occupationchaffing and being chaffed— Heronone— Heroinetoo many to name one— PoetReineke de Vos, Shakespeare, Ariosto, etc.— Prose writerGoethe, Lessing, Dr Samelson— FlowerBlue Bell— Colourany one not Aniline— DishCold: Salad, hot: Irish Stew— Maximnot to have any— Mottotake it aisy

F. Engels

 

 

 

 

Vinho é assim: se sabe bem ao paladar, é bom; senão, é ruim.

O resto é frescura e modismo.

Vinho é para se beber e não ficar cheirando e rodando dentro do copo (por falar nisso, taça é onde se toma Champanha e outros espumantes, já o do vinho é copo mesmo).

Eh viva il vigno spumegiante!

 

Caro Roberto, muito bom seu post.

Após a saudável discussão de ontem em torno da pesquisa feita na Escócia, que eu acho bastante reducionista, você descreveu de forma clara e didática um bom meio de introduzir as pessoas no universo dos vinhos.

Só faço uma advertência: Depois de entrar, dificilmente vocês vão conseguir sair...

Abraço a todos e um bom final de semana (com um bom vinho, lógico!) 

 

Roberto,

Sou apreciador de vinhos muito, muito secos. Tenho tido certa dificuldade em encontrar o que gosto via rótulos, e também via uvas. O português Dão Meia Encosta me agradou, mas me lembro de ter provado vinhos mais secos. O que me aconselha? Abraço e parabéns pela "didática"...

 

Sugiro o chileno Casillero del Diablo Cabernet Sauvignon. É bem seco. Custa uns R$ 40,00 nos supermercados.

 

Valeu Roberto!

 

O que incomoda em alguns dos chamados “connaisseurs” de vinho é o dialeto empregado para descrevê-lo. A frescura chega ao limite do ridículo.

 Como exemplo, seguem abaixo  trechos de “crítica” de vinhos, extraidos de um suplemento semanal do Estadão.

Alguem que gosta de um bom vinho vai perceber “algo de alcaçuz” no que está bebendo ? Ou “toques de queimado” ? Tô fora.

Do caderno “Paladar” do Estadão:

“Um tinto potente, mas não álcoólico, equilibrado, com muita fruta, toques de queimado, algo de lavanda e muito longo”

“Muita fruta madura, geléia. Mais do que pronto para o consumo. Final excelente, com algo de especiarias e toques de café, de alcaçuz.”

“Aroma típico, com algo de frutas vermelhas e um toque vegetal, de menta ou eucalipto. Aroma muito bom mesmo. Redondo e elegante.”

 

Mário, estou de pleno acordo contigo.

Esses "analistas" de vinhos são uns boçais.

Eu duvido que algum mortal consiga identificar tanta coisa num vinho.

Essas análises são oriundas de sujeitos cabotinos  e metidos à besta.

Olha, eu gosto muito de tomar meu vinhozinho, porem nunca me orientei pela opinião desses babacas.

O que vale é o custo/benefício da garrafa.Alem do mais eu estabeleço um limite para quanto devo pagar por uma garrafa.

 

Uma vez cheguei para um 'especialista' em vinhos que estava dando 'notas de framboesa' pros vinhos que cada um tinha trazido para comer com um founde na casa de um amigo e perguntei quantas framboesas ele tinha comido na vida.

O cara ficou mais vermelho que Miolo que eu tinha levado...

 

Muito bem lembrado, Mário. Moro em Paris há três anos e meio e posso dizer que 90% da população francesa não tem um paladar de enólogo. É certo que a maioria das pessoas aqui bebe e aprecia vinhos, mas poucos são os que conseguem identificar "notas" disso ou aquilo. Se, num jantar entre amigos, o anfitrião se põe a discorrer sobre a elegância frutada ou o toque amadeirado de tal vinho, vai ser ouvido com atenção pelos convivas, mas vai ser intimamente considerado um tremendo chato de galochas por todos.

O enólogo é um profissional, um especialista do vinho. É alguém que passou anos e anos bebendo diferentes tipos de vinho, apurando seu paladar e seu olfato. É mais ou menos como o Seu Messias, que tinha uma oficina mecânica perto da rua onde eu morava em São Paulo. Ele nem precisava ver o carro que chegava na garagem. Só de ouvir o motor sabia que era um Voyage  92 prata, com problema de rolamento e mal contato na ventoinha. Abrindo o capô, ele podia sentir o cheiro do desgaste do pino da grampola, da infiltração na rebimboca da parafuseta e da ferrugem na rosca do berimbelo. Um verdadeiro mestre!

Eu gosto de carros e de vinhos, mas não sou nem pretendo ser especialista em nenhuma das duas coisas. Até suporto com certo interesse uma aulinha de meia hora sobre cilindros em V ou as diferenças de terroir entre as margens esquerda e direita do Loire mas, se pego uma carona com um amigo e ele não pára de falar de carros, fico tão entediado quanto os convivas do anfitrião pentelho do exemplo acima.

Qualquer pessoa que se dedique com afinco a treinar seu paladar pode ser capaz de identificar nuances e diferenças em praticamente qualquer coisa. Um suco de laranja do Vale do Paraíba provavelmente vai ter gosto diferente de um suco de laranja do Triângulo Mineiro. Acontece que suco de laranja não tem o apelo de sofisticação que têm os vinhos, logo, presta-se menos ao exercício do pedantismo.

Do mesmo modo, quando leio uma crítica que ressalta as "notas de frutas vermelhas" de determinado vinho, fico com vontade de perguntar ao crítico de quais "frutas vermelhas" ele está falando. Porque amora e morango são duas "frutas vermelhas", mas qualquer imbecil que faça um teste cego sabe quando está comendo amora e quando está comendo morango. Além disso, de qual morango se trata? De morango selvagem ou de morangos de Atibaia? O mesmo vale para as "notas" de chocolate, (ao leite ou meio amargo?) de madeira (ipê roxo ou maçaranduba?), de meia de jogador de futebol (lateral esquerdo ou volante recuado?) e por aí vai.

Trocando em miúdos: vinho, assim como música, decoração, literatura etc., é uma questão de gosto pessoal. Todo mundo pode educar e apurar seus gostos, mas o "enologuês" é tão maçante quanto qualquer papo de especialistas (ponha-me numa roda de geeks applemaníacos ou de amantes do jazz e eu me dou um tiro na testa).

Só para concluir: a tal pesquisa é mesmo um lixo. Usar preço como critério é ridículo. Uma garrafa de vinho da reserva pessoal de Carlos Magno pode ser leiloado a trezentos bilhões de euros, mas provavelmente vai ter um gosto de merda.

 

Amigo, disse tudo! Assino embaixo de cada palavra!

Ah, também gosto de carros, principalmente os antigões, como Maverick e Impala...

 

Primeiramente: FORA TEMER! E pra encerrar: FORA TEMER!

O problema todo surgiu não com os apreciadores de vinho despretensiosos, como eu, o Roberto Andrade ou o Eduardo CPQ, mas com duas espécies de enochatos: o cara superficial, que lê um livro sobre vinho e já acha que é enólogo laureado, e com os sommeliers, esses caras com o olfato e paladar tão apurados que sentem doze sabores e trinta aromas diferentes num único vinho.

Quem quiser se aventurar pelo vinho assista um documentário de 2004 chamado Mondovino, dirigido por Jonathan Nossiter. Lá ouvi um vinicultor dizer uma coisa que jamais me esqueci: vinho é cultura - e por cultura ele diz a sua cultura, a sua estória, a sua vida. Isso quer dizer que gostar de vinho não comporta padrões, cada pessoa tem um gosto diferente, e felizmente para tantas diferenças existem centenas de tipos de vinho.

Uma dica que eu dou pra quem quer tomar vinho é se afastar dos quatro grandes mitos:

1) "Vinho bom é vinho caro": existem excelentes vinhos a preço baixo por aí, nacionais e importados, destes principalmente portugueses, argentinos e chilenos;

2) "Vinho bom é vinho velho": cada vinho tem a sua evolução, e geralmente quando engarrafados e comercializados eles já estão no ponto pra ser bebidos. Alguns tipos de vinho podem envelhecer depois de engarrafados, mas são poucos;

3) "Vinho bom é vinho importado": existem excelentes vinhos nacionais, principalmente espumantes - nossos melhores espumantes empatam com os espanhóis e só perdem para os franceses;

4) "Vinhos tintos são para carnes e vinhos brancos são para peixes e aves": não é uma regra absoluta, na verdade o tipo de vinho depende da intensidade do sabor do prato, quanto mais carregado o sabor mais potente deve ser o vinho. E existem vinhos potentes tanto brancos quanto tintos.

 

Primeiramente: FORA TEMER! E pra encerrar: FORA TEMER!

Vou mais ou menos por aí também. Nunca entendi muito bem esse lance de “classificar” vinhos, recomendando-se esse ou aquele. Tudo depende da “flora bucal” ou da “microbiologia bucal” ou ainda da “ecologia microbiana oral”, ou seja, “cada boca é cada boca”, isto é, “cada boca é uma boca”, com seu “ecossistema particular”.

 

São essas descrições que talvez afastem um potencial consumidor de vinho do próprio vinho! A pessoa ao beber o vinho não "percebe" estes detalhes descritos e deixa de beber. Não sou fã de vinho, mas de vez em quando me arrisco numa taça ou outra. Vinho bom para mim é aquele que eu gosto, e de preferência português!!!

 

Caro, 

Cada atividade humana tem seu vocabulário próprio para os "iniciados". Isto não ocorre somente com vinhos. Após um tempo curtindo esta bebida e, para quem se interessa, participando de cursos e degustações, esta linguagem fica absolutamente clara.

Posso te assegurar, com treino, você poderá perceber todas estas nuances na bebida. 

Só tem um detalhe: Para apreciar o vinho, não é, nem de longe, necessário se dedicar a este ponto e aprofundar o conhecimento. Basta achar o tipo de vinho que mais casa com seu paladar, ter bons companheiros e uma boa conversa (ou melhor ainda, uma única boa companhia!).

 

Grande Mário Siqueira,

corre por aí aquela anedota do enólogo e o mineirinho, imperdível: o Mineirinho bota o enólogo afrescalhado pra correr!

Não justificando os excessos, as frescuras, o pessoal do ramo cai nessa vala porque, a meu ver, é difícil descrever aromas e sabores. Assim, como é isso que se espera deles... O negócio é provar.

Se eu lhe disser que o sabor de maracujá lembra o de goiaba, o que você entenderá?

Abraço.