Luis Nassif
Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
Assis Ribeiro
9 de outubro de 2013 9:03 amMEC divulga lista com notas dos cursos avaliados no Enade
Mariana Tokarnia
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O Ministério da Educação divulgou hoje (7) a lista com as notas dos cursos avaliados no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) 2012. É possível conferir o nome da instituição, a nota, a localização, a categoria administrativa (pública ou privada) e a organização acadêmica (faculdade, universidade e centro universitário) de cada local onde o curso é oferecido.
Foram avaliados os cursos de administração, ciências contábeis, ciências econômicas, design, comunicação social, direito, psicologia, relações internacionais, secretariado executivo e turismo. Os cursos superiores de tecnologia das áreas de gestão comercial, gestão de recursos humanos, gestão financeira, logística, marketing e processos gerenciais também foram avaliados. Ao todo, 469.478 estudantes concluintes de cursos superiores de graduação ou tecnológicos fizeram o exame.
O Conceito Enade – que vai em uma escala com notas até 5 – é obtido a partir dos resultados do exame aplicado aos estudantes e é um dos indicadores de qualidade da educação superior, que também leva em consideração o corpo docente e infraestrutura da instituição. Em 2012, foram avaliados 7.228 cursos. Para o conceito, no entanto, foram consideradas 6.306 unidades no cálculo, já que uma instituição pode ter mais de um curso na mesma área.
Entre 2009 e 2012, a proporção de cursos com conceito 3 subiu de 37,8% para 43,9%; com conceito 4, de 9,7% para 19%; e com conceito 5, o mais alto, de 1 % para 5,4%. Segundo o Ministério da Educação, as notas a partir de 3 são consideradas satisfatórias. Tanto os cursos das instituições públicas quanto das privadas tiveram avanço no conceito. Nas públicas, os cursos com conceito máximo passaram de 4,3% em 2009, para 17% em 2012. Os cursos com nota 4 passaram de 24,5% para 29,8%. Nas privadas, o índice passou de 0,4% dos cursos com conceito 5 em 2009, para 3,5% em 2012, já os com nota 4 passaram de 7,1% para 17,3%.
O representante do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular, Paulo Cardim, diz que a avaliação por si só não reflete a realidade do ensino no país. Segundo ele, não há uma exigência de compromisso do estudante com a avaliação, que pode, por exemplo, deixar as respostas em branco, sem ser punido.
O Enade tem o maior peso na avaliação do curso. O ensino superior, continua Cardim, deve ser avaliado de acordo com a lei do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) – Lei 10.861/2004 – que inclui vários aspectos e leva em consideração as especificidades de cada instituição. Cada um dos aspectos deve ter o mesmo peso, avalia o representante.
A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) não se pronunciou sobre o resultado do Enade. Segundo a assessoria de imprensa da associação, os reitores estão analisando os dados e devem se reunir amanhã (8) para discutir os resultados.
Assis Ribeiro
9 de outubro de 2013 9:08 am“Pibinho” X “Pnadona” é o novo debate econômico
“Pibinho” X “Pnadona” é o novo debate econômico
Enquanto economistas tucanos, como Edmar Bacha, batem duro no baixo crescimento econômico, o presidente do Ipea, Marcelo Néri, destaca que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios foi a melhor dos últimos vinte anos, mostrando um grande aumento do bem-estar econômico; em seu Facebook, Lula destacou os pontos elencados por Néri e, hoje, no Globo, Bacha afirma que, “se o PIB se mantiver estagnado, mais cedo ou mais tarde, toda a população sofrerá”; enquanto isso, o cientista político Antônio Lavareda afirma que, mais importante do que as alianças políticas, o que definirá as eleições de 2014 é a velha senhora de sempre: a economia
Enquanto analistas políticos debatem os efeitos da aliança entre Eduardo Campos, o ex-presidente Lula e um dos principais gurus do PSDB, Edmar Bacha, parecem mais preocupados com a economia. Em seu Facebook, Lula postou um artigo sobre a análise feita pelo economista Marcelo Neri, presidente do Ipea, a respeito dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, a Pnad, que seria a melhor dos últimos vinte anos no que diz respeito ao aumento do bem-estar econômico, a despeito do baixo crescimento.
Em resposta à análise de Neri, destacada por Lula, o economista Edmar Bacha publica nesta terça o artigo sobre as contradições entre o “pibinho” e a “pnadona”. Segundo ele, se o crescimento se mantiver baixo, mais cedo ou mais tarde, a população sofrerá.
Enquanto isso, o cientista político Antônio Lavareda, um dos mais experientes do País, afirma que o fator decisivo nas eleições de 2014 será a “velha senhora” que decidiu os últimos pleitos: a economia. Por isso mesmo, esse debate ganha relevância.
Abaixo, o artigo de Bacha:
O Pibinho e a Pnadona – EDMAR BACHA
Consta que o general Médici, então ocupando a Presidência do país, teria dito, no auge do chamado milagre econômico do regime militar, que a economia vai bem, mas o povo vai mal . A frase me inspirou a criar, em 1974, a fábula sobre o reino da Belíndia, uma ilha em que poucos belgas eram cercados de muitos indianos. Recentemente, economistas do governo, preocupados com a sequência de pibinhos acompanhados de elevada inflação, resolveram partir para a luta e proclamar que a economia vai mal, mas o povo vai bem . Marcelo Neri tem dado entrevistas dizendo que Belíndia agora tem novo significado: a renda de nossos belgas cresce pouco como a dos europeus, mas a renda de nossos indianos cresce igual à dos chineses. Será que o Brasil mudou tanto assim, e deixou de ser uma Belíndia para se tornar uma Indiabela?
Antes fosse. A realidade é que desde 1980 o país está parado no meio do caminho, incapaz de sair da renda média para se tornar um país rico. A distribuição da renda melhorou a partir da estabilização em 1994 e especialmente nos anos da bonança externa da década passada. Mas essa melhora só foi suficiente para o Brasil deixar de ser o país com a pior distribuição de renda do mundo e continuar no grupo dos países mais desiguais do planeta.
Marcelo Neri, em artigo no GLOBO (4 de outubro), se entusiasma com o resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2012, segundo a qual o crescimento da renda por brasileiro teria sido de 8% de 2011 a 2012, um número maior do que o da China. O contraste com o PIB per capita não poderia ser maior, pois este aumentou apenas 0,1% de 2011 a 2012. Como pode o PIB per capita ter se estagnado e a renda per capita na Pnad ter crescido tanto assim?
Neri não explica. Apenas assevera que entender o Brasil não é tarefa para amadores e mantém seu otimismo de que em 2013 haverá uma alta na felicidade geral da nação. Euforia ministerial à parte, parece melhor adotar uma atitude mais cautelosa.
Caberia, antes de tudo, entender por que os dados da Pnad destoam tanto daqueles do PIB. Tarefa para profissionais, diria o Neri! Infelizmente, os profissionais andam batendo cabeça a respeito desse assunto. Alguns acham que o PIB está subestimado. Outros acham que se trata de conceitos distintos de renda real, pois a renda da Pnad é corrigida pela inflação (INPC) e o PIB é corrigido pelo chamado deflator implícito. Outros notam que o PIB é um conceito muito mais amplo que a renda das famílias na Pnad e que a comparação deveria ser feita, não com o PIB, mas com o consumo das famílias nas contas nacionais. Outros salientam que a Pnad apenas pergunta às pessoas qual foi sua renda em setembro de cada ano, enquanto que o PIB engloba uma massa muito maior de informações e cobre o ano inteiro.
Há, finalmente, a questão do salário mínimo, cujo valor real vem sendo reajustado bem acima da inflação há alguns anos. É possível que a renda reportada pelas pessoas à Pnad seja muito influenciada pelo valor do mínimo legal e supere os ganhos financeiros que elas de fato auferem, especialmente quando transitam da informalidade para a formalidade. A evidência de o consumo das famílias nas contas nacionais não acompanhar o crescimento da renda da Pnad seria um indício dessa superestimação.
Enquanto os economistas debatem as respostas para o dilema PIB x Pnad, é bom lembrar que o PIB retrata o potencial de produção do país. Se o PIB se mantiver estagnado, mais cedo ou mais tarde toda a população sofrerá. Durante algum tempo, especialmente num país tão desigual quanto o nosso, é possível elevar a renda dos mais pobres através de taxação e transferências, por exemplo. Isso é válido, mas não é sustentável. O Brasil precisa encontrar um caminho em que a distribuição de renda se alie ao crescimento, algo que ainda não conseguimos.
Leia, ainda, reportagem postada por Lula em seu Facebook sobre a análise de Marcelo Néri a respeito da Pnad:
Pnad foi a melhor dos últimos 20 anos, diz presidente do Ipea
Outros fatores que contribuíram para o bom momento da economia brasileira foram a melhor distribuição de renda e os ganhos reais do salário mínimo. Para economista, “no conjunto das transformações, foi a melhor Pnad dos últimos 20 anos”
De PT no Senado
O Brasil dos brasileiros vai muito melhor que o Brasil dos economistas. A conclusão é do presidente Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e secretário de Assuntos Estratégicos, ministro Marcelo Neri, que na manhã desta terça-feira (1º) fez uma análise dos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), no lançamento da primeira análise social da pesquisa 2012
Divulgados na última sexta-feira (27), os números da Pnad mostram que existem dois Brasis: um que gerou Produto Interno Bruto (PIB) de 0,9%, apelidado de “pibinho”, e outro, revelado pela pesquisa, que revelou crescimento de 8% na renda média dos trabalhadores, “um desempenho de nível chinês”, como definiu Néri.
“A Pnad 2012 surpreende muito, porque foi o ano do ‘pibinho’ – o PIB cresceu 0,9%, mas a renda média dos brasileiros cresceu 8,9%. Ou seja, uma diferença de 8 pontos percentuais. O Brasil dos economistas está indo muito pior que o Brasil dos brasileiros. A desigualdade deu uma estabilizada [descendente] em 2012, mas, com certeza, a pobreza teve uma queda espetacular por conta do crescimento”, afirmou Neri. Entre 2011 e 2012, 1 milhão de brasileiros deixaram a pobreza extrema e 3,5 milhões deixaram a pobreza.
Segundo o ministro, em todos os extratos da população, a renda aumentou bastante, “em ritmo chinês”, e “isso está em completa dissonância com os dados das contas nacionais do PIB”. Para Neri, o avanço registrado pela Pnad deve ser atribuído ao forte crescimento do mercado de trabalho, principalmente pelo aumento do salário e não tanto pelo crescimento na ocupação, pois o país está vivendo quase um momento de pleno emprego. “Houve uma melhora em termos de formalidade e mais acesso a direitos trabalhistas. Fundamentalmente, é uma economia em que o mercado de trabalho está descolado do crescimento do PIB. São dois Brasis completamente diferentes.”
Outros fatores que contribuíram para o bom momento da economia brasileira demonstrado na Pnad foram a melhor distribuição de renda e os ganhos reais do salário mínimo, destacou o ministro, que apontou nova queda na desigualdade: “de 2003 até 2011, tivemos um crescimento da renda na Pnad de 40,5% no acumulado. E o PIB per capita cresceu 27,7% nesse período.”
Outra avaliação da Pnad, realizada pelos pesquisadores Andrezza Rosalém e Samuel Franco, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) mostra que quatro milhões de pessoas deixaram a condição de pobreza (renda mensal de até R$ 233) e outros 1,8 milhão saiu da linha da extrema pobreza, faixa que considera quem vive com até R$ 116,50 por mês. Em entrevista ao jornal O Globo, eles apontaram que o percentual de pobres do País baixou de 20,6% em 2011 para 18% no ano passado. Já a parcela da população em situação de extrema pobreza passou de 6,9% para 5,8%.
Tanto os pesquisadores do Iets quanto Marcelo Neri chamaram atenção para a desaceleração na queda da desigualdade, cuja taxa permaneceu estagnada entre 2011 e 2012. Nery destacou um dado curioso: os segmentos que tiveram o mais significativo crescimento de renda neste período foram os 5% mais pobres (cuja renda cresceu próximo dos 20%) e os 5% mais ricos, que tiveram um incremento de renda em torno dos 9%.
Na leitura feita por Rosalém e Franco dos números da Pnad, eles destacam que apenas os 20% mais pobres da população tiveram ganho nos rendimentos acima da média nacional. As demais parcelas com renda também baixa ganharam igual ou inferior à média nacional. “Nos últimos dez anos, a pobreza caiu 1,5 ponto percentual por ano e, no ano passado, baixou 2,6 pontos. A extrema pobreza vem encolhendo em média um ponto por ano e recuou 1,1 ponto em 2012”, explicou Andrezza Rosalém.
Marcelo Neri também destacou a redução no total de pobres do País. Com critérios diferentes para classificar extrema pobreza, Neri afirma que o percentual de brasileiros nessa condição baixou de 4,2% em 2011 para 3,6% em 2012, o que indica que 1,1 milhão de pessoas deixaram essa condição no ano passado.
Bens duráveis
O período de 2011 a 2012 também registrou o maior aumento do acesso dos brasileiros aos bens duráveis desde 2008, segundo a Pnad. Naquele ano, o governo lançou o incentivo fiscal para combater a crise, mas acabou por renová-lo em várias ocasiões para estimular o consumo. Segundo Maria Lúcia Vieira, gerente do IBGE, o benefício do IPI menor “deu um empurrão” no acesso a eletrodomésticos da linha branca e veículos. Analistas citam ainda a expansão do crédito a custo menor – os juros só começaram a subir neste ano– como motor das vendas dos dois setores.
A grande vedete foi a máquina de lavar, bem de maior valor que se popularizou no país. Desde 2008, cerca de 10 milhões de lares passaram a ter o utensílio, presente em 55,1% dos domicílios em 2010. Em 1992, eram só 24,1%. Também cresceu o acesso a fogão e refrigerador, mas ambos já estavam na grande maioria dos domicílios.
O crédito fácil e mais barato até o ano passado fez ainda as famílias sofisticarem as compras. Os lares com geladeira de duas portas (com freezer separado) subiram 15% de 2011 para 2012, enquanto os que têm a de uma porta só caíram 2,5%. Ainda sob efeito do desconto do IPI e do financiamento, 5,7 milhões de famílias compraram carros desde 2008. A penetração do automóvel foi de 36,4% a 42,4%. “Além do IPI e do crédito mais barato, o emprego e a renda cresceram, o que ajudou as famílias a satisfazerem uma necessidade de consumo ou trocarem o carro ou a geladeira por um novo”, diz o economista Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio.
Educação
Os dados relativos à Educação foram analisados pelo professor de Economia da Unicamp, Eduardo Fagnani, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit). Para ele, os índices revelados pela Pnad mostram que o Brasil está “no caminho certo”, ainda que a pesquisa não apure a qualidade do ensino. “Mas a universalização já existe” e isso, segundo o professor, é o que irá garantir a diminuição das taxas de analfabetismo.
Em sua análise, a educação infantil vem sendo ampliada e isso é fato importante, “a chave para acabar com o analfabetismo”.
Para Fagnani, os resultados no setor da Educação não podem ser lidos sem se levar em consideração uma trajetória histórica e o passado recente, “quando os governos neoliberais transferiram as responsabilidades e os problemas para os indivíduos”, refreando a ação do Estado, mas defendeu que os números sejam usados para planejar o futuro. Ele lembra que o País criou mais de 18 milhões de empregos, na última década, mas esses são postos em geral em torno de um e meio salário mínimo. “Grande parte foi criado no setor de serviços, construção civil. Acredito que é importante na nossa reflexão pensar no crescimento industrial, que é capaz de aumentar a inserção dos trabalhadores de maneira menos precária”.
http://www.brasil247.com/pt/247/economia/117107/Pibinho-X-Pnadona-%C3%A9-o-novo-debate-econ%C3%B4mico.htm
Gil
9 de outubro de 2013 12:46 pmSegundo EDMAR BACHA:
A
Segundo EDMAR BACHA:
A distribuição da renda melhorou a partir da estabilização em 1994 e especialmente nos anos da bonança externa da década passada.
Cabe ao Lula, e a mais ninguém a melhora na distribuição de renda.
O ano da virada é 2003, e não 1994.
Inconformados, fazem de tudo para tirar seus méritos, e gostariam mesmo de apaga-lo da história, ou ainda sujar o seu nome
Os tais anos de bonança externa da década passada, já passaram, mas nem por a situação do povo piorou, e mais que isso, continua melhorando.
Nos período do general Médici, então ocupando a Presidência do país, teria dito, no auge do chamado milagre econômico do regime militar, que a economia vai bem, mas o povo vai mal .
HOJE O POVO VAI BEM, E A ECONOMIA NÃO VAI MAL
Isso mesmo, o crescimento do PIB é razoável, não é bom de fato, porém o desemprego é muito baixo, e a renda continua crescendo
NA ERA FHC, TANTO A ECONOMIA, COMO O POVO, IAM MUITO MAL, DE MAL A PIOR
Mas essa melhora só foi suficiente para o Brasil deixar de ser o país com a pior distribuição de renda do mundo e continuar no grupo dos países mais desiguais do planeta.
Mais uma razão para continuar com a atual política, pois o que foi feito ainda não é suficiente, e não dar marcha ré
UM RETROCESSO SERIA DESASTROSO
O Lula tomou, e a Dilma esta tomando uma séria de iniciativas para retomar os investimentos, construindo hidroelétricas, refinarias, e ferrovias, reativando a Construção Naval, que se era concentrada no RJ, agora esta presente na Bahia, em Pernambuco, e no Rio Grande do Sul
Assis Ribeiro
9 de outubro de 2013 9:09 amA economia e a política do caos
Nos EUA, os super-ricos estimulam a guerra de classes ao apontar a sua raiva contra a seguridade social. Por Paul Krugman, The New York Times
O economista Mark Thoma escreveu há pouco tempo uma excelente coluna para o Fiscal Times ligando a briga sobre o teto da dívida à questão maior da extrema desigualdade. Eu gostaria de sugerir que a realidade é ainda pior do que Thoma sugere.
Veja como ele coloca a coisa: “A crescente desigualdade e a exposição diferenciada ao risco econômico fizeram que um grupo se considerasse os fazedores da sociedade, que fornecem para o resto e pagam a maioria das contas. E outro grupo o dos tomadores, que recebem todos os benefícios. A camada superior se pergunta: ‘Por que devemos pagar por seguridade social quando recebemos pouco ou nenhum benefício?’, e isto leva a um ataque a esses programas”.
Então ele liga a briga sobre o teto da dívida à influência dos ricos, que querem desmantelar o Estado de Bem-Estar Social porque para eles não é nada e porque querem menos impostos. Poderíamos acrescentar que a própria desigualdade que distancia os ricos das preocupações comuns lhes dá maior poder e assim torna suas opiniões contra o Estado de Bem-Estar muito mais influentes.
Como, então, as coisas estão ainda piores do que diz Thoma? Porque muitos ricos são seletivos na oposição à ajuda do governo aos desafortunados. Eles são contra coisas como cupons de alimentos e benefícios aos desempregados. Mas ajudar Wall Street? Sim!
Falando sério. Charlie Munger, vice-presidente da Berkshire Hathaway, disse em 2010 que deveríamos “agradecer a Deus” pelo socorro aos bancos, mas que as pessoas comuns que encontraram tempos difíceis deveriam “aguentar e enfrentar”. E o CEO da AIG (o executivo-chefe de uma firma que foi afiançada!) disse recentemente ao Wall Street Journal que as queixas sobre os bônus para executivos dessas firmas são tão ruins quanto linchamentos (não estou inventando).
A questão é: os super-ricos não foram um John Galt para nós, realmente não, mesmo que eles imaginem que sim. Está muito mais perto da pura guerra de classes, uma defesa do direito dos privilegiados a manter e ampliar seus privilégios. Isto não é Ayn Rand: é Ancien Régime
Como chegamos aí? De maneira interessante, Ezra Klein, do Washington Post, oferece duas interpretações muito diferentes. Ele descreve muito bem o significado da questão política como tal: “Isto tudo se trata de deter uma lei que aumenta os impostos dos ricos”, escreveu, “e reduz os subsídios para seguradoras privadas no Medicare para ajudar os americanos de baixa renda a comprar seguros de saúde. É isso. E por esse motivo o Partido Republicano poderá paralisar o governo e dar o calote na dívida”.
De fato. Existe um claro aspecto de guerra de classes nessa briga, a opor os interesses de 0,1% contra os das famílias de renda mais baixa. Mas nesta altura o 0,1% de modo geral pede que os republicanos parem. Por isso, enquanto a guerra de classes pode estar no início de tudo, o monstro há muito tempo escapou da jaula.
Em outro artigo, Klein cita Thomas E. Mann e Norman J. Ornstein: “O Partido Republicano tornou-se um forasteiro insurgente na política americana. É ideologicamente radical; desdenha dos compromissos; e rejeita a legitimidade de sua oposição política”.
Acho muito importante perceber que, enquanto os republicanos parecem ter-se tornado reféns de sua ala radical, a estratégia geral de reagir a uma eleição perdida tentando ganhar com chantagem o que o partido não ganhou nas urnas foi uma decisão de consenso. Se a liderança hoje está decepcionada com sua situação (liderando um partido de “lemingues com fins suicidas”, segundo Devin Nunes, congressista republicano da Califórnia, só pode culpar a si mesma.
Uma parte crucial da história é a bolha conservadora, que entre outras coisas significa que muitos na direita distorceram de forma maluca as ideias sobre a Lei de Acesso à Saúde. Um número razoável de republicanos pode realmente acreditar ser um complô comunista ou o equivalente moral da escravidão. Ou alguma coisa.
Voltando ao tema da guerra de classes: minha teoria de trabalho é que os ricos compraram para si mesmos um partido de direita radical, na fé, correta, de que ele cortaria seus impostos e aboliria os regulamentos. Não perceberam, contudo, que eventualmente a loucura assumiria vida própria e o monstro que eles criaram se voltaria contra os criadores, assim como a gentinha.
E ninguém sabe como isso termina.
http://www.cartacapital.com.br/revista/769/a-economia-e-a-politica-do-caos-3203.html/view
Tamára Baranov
9 de outubro de 2013 10:21 amPolêmica: família sul-africana troca subúrbio pela favela
Família se muda para favela para viver na pobreza. (Foto: Reprodução)
Uma família sul-africana de classe alta causou uma discussão pública após se mudar para uma favela durante um mês, numa tentativa de descobrir como a outra metade da população vive, segundo reportagem do New York Times.
“Se você der amor e atenção aos seus filhos, eles serão felizes em qualquer lugar”, escreveu Ena Hewitt no blog de sua família, Mamelodi for a Month (Mamelodi Por Um Mês, em tradução livre), sobre o experimento social que ela realizou para expandir os horizontes de sua família e entender mais sobre a pobreza. “É claro que tivemos momentos difíceis”, esclareceu.
Em agosto deste ano, Ena e seu marido, Julian — junto com suas filhas Julia, 4, e Jessica, 2, sem levarem brinquedo algum — apertaram o orçamento e saíram de sua mansão para viver em uma cabana de estanho sem eletricidade nem água tratada, ao lado de onde mora sua empregada doméstica.
As garotas Hewitt e seus amigos em Mamelodi. (Foto: Reprodução)
Embora o blog da família relate que aprenderam muitas lições sobre a vida na favela — desde dormirem abraçados em noites de frio até o medo dos adolescentes locais, viciados na potente droga Nyaope (uma mistura de heroína, maconha, veneno de rato, alvejant, e drogas retrovirais) — os Hewitts também sofreram duras críticas daqueles que acreditam que sua aventura desrespeita a verdadeira pobreza e os resquícios do regime do apartheid.
A família foi rotulada como “complacente” e acusada de ser “gente cheia de culpa, que só sabe olhar para o próprio umbigo” ao tomar parte desta “pobreza praticada” ou “pornografia da pobreza”.
O efeito — ou a falta de um — sobre as filhas do casal também parece ser questionável.
“Entendo como os valores dos pais formaram essa decisão de viver a vida na pele dos outros, mas não creio que alguém que tenha 2 ou 4 anos de idade possa se beneficiar de uma experiência dessas da mesma forma que um adulto”, disse Jamie Howard, psicóloga clínica do Child Mind Institute, ao Yahoo. “Por causa de suas idades e estágios de desenvolvimento, basicamente, elas só fazem o que eles mandam, e acabam se sentindo confusas”, explica.
“Acho que lá pela adolescência, elas começariam a entender. Mas as crianças dessa idade ainda não têm a habilidade de entender a perspectiva dos outros. E sua preocupação principal é saber se suas necessidades básicas são atendidas”, diz Howard, concluindo ainda que elas podem nem se lembrar da experiência, já que as memórias da infância ficam mais concretas somente a partir dos 3 anos.
Ela também observa que crianças muito jovens se beneficiam mais da rotina e da previsibilidade, e que uma quebra da rotina diária geralmente causa desorientação e aborrecimento. “É apenas um mês, mas isso é um tempo enorme para uma criança entre 2 e 4 anos”, diz Jamie. “É importante que os Hewitts contextualizem a experiência, para que suas filhas não temam que sua situação habitacional possa mudar a qualquer momento e sem aviso prévio”.
Ainda assim, muitos observadores, incluindo a empregada da família, Leah Nkambule, e outros vizinhos, além de inúmeros seguidores no Twitter, aplaudiram a tentativa da família de aproximar essas classes sociais.
“É difícil criticar alguém que está tentando chamar a atenção para a questão da pobreza”, diz Sendhil Mullainathan, professor de economia na Universidade de Harvard e coautor do livro “Scarcity: While Having Too Little Means So Much”. “De certa forma, isto é similar ao livro ‘Miséria à Americana’”, diz Mullainathan. Ele se refere a da escritora Barbara Ehrenreich, no qual relata sua experiência ao investigar as vidas dos trabalhadores pobres, escrito sob sua perspectiva como jornalista disfarçada de garçonete, faxineiras e caixa de supermercado.
Embora não seja certo desdenhar da experiência dos Hewitts, ele completa que “seria arriscado sugerir que eles viveram a pobreza real”. Segundo Mullainathan, parte disso acontece porque alguns efeitos de um ambiente pobre (como o medo de assaltos) podem ser sentidos rapidamente, enquanto outros levam algum tempo. “Como você simula a falta de um plano odontológico”, ele questiona, “que leva a uma dor de dente ou a falta de assistência médica, que te deixa doente ou talvez com memórias de um aborto ou da perda de sua esposa durante o parto?”, questiona.
O outro coautor do livro, Eldar Shafir, professor de psicologia e estudos sociais na Universidade de Princeton, concorda. Em entrevista ao Yahoo, disse que, provavelmente, a maior preocupação entre os críticos desses exercícios é o risco de se aprender as lições erradas, “ou pelo menos de não entender o peso das coisas quando elas são reais e prolongadas em vez de breves e temporárias”.
Um exemplo desse tipo de distorção da realidade, segundo Shafir, está em um post no blog da família sobre as dificuldades da vida na favela, como dividirem uma cama de solteiro. “Aqui, dormimos todos na mesma cama (um hábito que será difícil de cortar quando voltarmos para casa), mas as crianças estão adorando”, escreveu Ena. “É quentinho e elas se sentem amadas e recebem muito carinho à noite, quando está frio”, finalizou.
Shafir observa: “Todos dividirem a mesma cama parece aconchegante e fofo quando é uma experiência de acampamento por um mês. Provavelmente, é um desafio real que afeta o sono, intimidade, e privacidade quando é assim durante meses, e anos…”
O que você achou da experiência da família?
Assista matéria da TV local com a família que abandonou mansão para viver na pobreza:
[video:http://www.youtube.com/watch?v=IOqP8mHG_0c align:center]
http://br.mulher.yahoo.com/pol%C3%AAmica–fam%C3%ADlia-sul-africana-troca-sub%C3%BArbio-pela-favela-215411841.html?page=all
Assis Ribeiro
9 de outubro de 2013 10:46 amSombra
Tudo bem, Marina Silva entrou no PSB dizendo apoiar Eduardo Campos como líder de chapa à Presidência da República e se dispondo a ser vice.
Tudo bem, Lula já repetiu zilhões de vezes que sua candidata é Dilma Rousseff para acalmar os mais assanhadinhos do PT que desejam sua volta ao poder.
Tudo bem, José Serra ficou no PSDB e, ao que consta, não prometeu nada a Aécio Neves.
A surpresa da aliança sacramentada no último sábado produziu um fato curioso. Agora, religiosamente, todos os presidenciáveis até aqui posicionados têm, em comum, um candidato no banco de reserva a fungar-lhes a nuca.
Eis outra esquisitice: todos os “jogadores suplentes” têm hoje mais intenção de voto do que o primeiro time.
As pesquisas de opinião assombrarão os titulares aqui e ali. Haverá, tal qual uma análise combinatória, cenários eleitorais ora com o plano A, ora com o plano B de cada partido. Se o primeiro piscar, a duplicata chega junto.
Marina é o caso mais excêntrico. Trocou seus 26% de intenção de voto pelos 8% de Eduardo Campos. Chamou o ingresso no PSB, em confuso marinês, de “filiação democrática e transitória”. O nome é até pomposo, mas de inevitável tradução chula: partido hospedeiro.
Ninguém nega, porém, que a união dos dois em uma única terceira via adicionou charme à chapa, com o perdão da aliteração. Mas trouxe riscos. Não só à dupla, também aos outros.
Para Aécio, o efeito colateral é fazer crescer sua sombra, Serra, e animar tucanos que ainda apostam que o mineiro pode amarelar na reta final. Para Dilma, o perigo é ressuscitar o bloco, ora dormente, do “volta, Lula” e diluir parte do apoio doméstico à presidente da República.
Já não é preciso fazer gráfico, tirar a média ponderada e calcular o desvio padrão para deduzir que, dessa equação política, uma coisa é certa: o mercado político, daqui por diante, virou campo muito mais fértil a intrigas.
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/natuzanery/2013/10/1353394-sombra.shtml
veras
9 de outubro de 2013 10:47 amCasamento Marina & Eduardo
Do Rede Brasil Atual
ELEIÇÕES 2014
Marineiros radicais já começam fogo amigo e a pedir ‘Fora Campos’
por Helena Sthephanowitz publicado 08/10/2013 15:57, última modificação 08/10/2013 17:59 © PSB-DF
Campos e Marina: ‘casamento’ já começa com divergências e pode terminar sem final feliz
Diz a sabedoria popular que casamentos por interesse, e não por amor, costumam ter dois dias felizes: o da cerimônia e o do divórcio. Passada a festa começam a aparecer os problemas em escala crescente.
No “casamento” político de fachada entre Marina Silva e o PSB de Eduardo Campos, com o divórcio já anunciado para depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) oficializar a criação do partido Rede Sustentabilidade, já começam a aparecer as divergências.
Nas redes sociais nota-se o sentimento de decepção da grande maioria dos “sonháticos”. Outros, ainda mal informados, acreditam que Marina Silva entrou no PSB para continuar candidata a presidente, ignorando que o partido já tem dono e candidatura própria. E uma minoria, de entusiastas da candidatura da ex-senadora, já faz uma guerrilha virtual para impor o nome de Marina na cabeça da chapa, defenestrando o projeto político de Eduardo Campos.
Alguns marineiros não perderam tempo. No próprio sábado (5) – dia da festança de casamento –, antes mesmo de, digamos, partir o bolo, começaram a disparar panfletos virtuais, iniciando uma campanha viral com a mensagem: “Entre nessa campanha você também. Não quero Eduardo Campos, quero Marina Silva. Curta e Compartilhe!”.
Nas recentes pesquisas eleitorais, Marina Silva aparece com até seis vezes mais intenções de votos do que Campos, dependendo do cenário simulado. Se esse quadro persistir por mais alguns meses (e há grande probabilidade de que persista), as pressões para Marina encabeçar a chapa devem crescer, complicando a vida de Campos – o que pode provocar sérias discussões domésticas sobre a relação.
Opiniões que alimentam essa desconfiança não faltam. Por exemplo, o ex-candidato à Presidência da República pelo Psol Plínio de Arruda Sampaio disse em alto e bom som: “Se Eduardo não se cuidar, a Marina passa a perna nele. Ela é muito esperta e pode tirar a candidatura dele. A Marina é carreirista.”
O jornalista Paulo Moreira Leite, da revista IstoÉ, já especula o deslocamento de Eduardo Campos para uma candidatura ao Senado por Pernambuco, cedendo a candidatura presidencial para Marina Silva, como uma saída honrosa para Campos, caso não decole, sem se queimar entre seus seguidores.
É uma lógica política meio enviesada, mas obedece à mesma lógica de conveniência da entrada de Marina no PSB, caso Campos se sentir que sairá menor do que entrou no processo eleitoral, se queimando para o futuro.
Só não obedece à lógica da confiança do eleitor, diante de tanto malabarismo por ambições políticas pessoais, em detrimento dos interesses coletivos da população, e pior ainda, contrariando toda a pregação de Marina contra a “velha política”, que antecedeu o casório.
Assis Ribeiro
9 de outubro de 2013 11:24 amMúsica decadente brasileira?
A música brasileira está decadente – sans élégance. Difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido uma frase como essa. Refine o gênero, e as frases continuarão a fazer sentido para muitas pessoas. O funk, o sertanejo, o forró, o pop, todas as músicas consumidas pelas massas não prestam.
Um estudo acadêmico parte do forró eletrônico, ouvido à exaustão em todo o Nordeste, para investigar o que muitos chamam de “degeneração” da música popular. O professor Jean Henrique Costa, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, obteve o título de doutor em Ciências Sociais com a tese “Indústria Cultural e Forró Eletrônico no Rio Grande do Norte”, defendida em março de 2012 na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
O pesquisador defende que o gênero preferido entre os nordestinos faz parte de uma engendrada indústria cultural, por meio da qual são criadas e sustentadas formas de dominação na produção e na audição desse tipo de música.
Segundo ele, quando uma banda de forró eletrônico recorre a canções de temática fácil, na maioria das vezes ligadas à busca de uma felicidade igualmente fácil, ela está criando mecanismos para a formação de um sistema de concepção e circulação musical. Nele, nada é feito ou produzido por acaso. Tudo acaba virando racionalizado, padronizado ou massificado.
O ideal de uma vida festeira, regada de uísque, caminhonete 4×4 e raparigas (mulheres) é hoje um símbolo de status e prestígio para muitos dos ouvintes. Ninguém quer ficar de fora da onda de consumo. Numa das partes da pesquisa, Costa analisou o conteúdo das letras dos cinco primeiros álbuns da banda Garota Safada e descobriu que 65% das músicas falam de amor, 36% de sexo e 26% de festas e bebedeiras.
“Parte expressiva das canções de maior sucesso veicula a ideia de que a verdadeira felicidade acontece ‘no meio da putaria’, ou seja, nos momentos de encontros com os amigos nas festas de forró”, escreveu Costa. “Não se produz determinada música acreditando plenamente que se está criando uma pérola de tempos idos, mas sim um produto para agradar em um mercado competitivo muito paradoxal: deve-se ser igual e diferente concomitantemente.” Ou seja, a competitividade do mercado induz à padronização dos hits.
“O que move o cotidiano é isso mesmo: sexo, amor, prazer, diversão. O forró e quase toda música popular sabem muito bem usar desse artifício para mover suas engrenagens”, explicou Costa. “Não é por acaso que as relações sexuais são tão exploradas pelas canções de maior apelo comercial a ponto de se tornarem coisificadas à maneira de clichês industriais.”
REFERENCIAL TEÓRICO
Outros gêneros musicais também recorrem a estratégias semelhantes. O forró eletrônico consegue se diferenciar dos demais ao dar uma roupagem de “nordestinidade”, criando a identificação direta com o seu público. Mas o objetivo final de todos é proporcionar diversão. O problema, segundo Costa, é que “se vende muito pão a quem tem fome em demasia”.
Costa baseou sua pesquisa no referencial teórico de Theodor W. Adorno, um dos ideólogos da Escola de Frankfurt. O pesquisador procurou atualizar o conceito de indústria cultural a partir da constatação de que as músicas do forró eletrônico são oferecidas como parte de um sistema (o assédio sistemático de tudo para todos) e sua produção obedece a critérios com objetivos de controle sobre os efeitos do receptor (capacidade de prescrição dos desejos).
O pesquisador recorreu ainda a autores como Richard Hoggart, Raymond Williams e E.P. Thompson para abordar o gênero musical a partir da leitura dos estudos culturais (a complexa rede das relações sociais e a importância da comunicação na produção da cultura), que dialogam com outro conceito anterior, o de hegemonia, de Antonio Gramsci. Pierre Bourdieu também serve de referencial teórico.
Ao amarrar essas teorias, o pesquisador argumenta que o público consumidor de músicas acaba fazendo parte de esquemas de consumo cultural potentes e difíceis de serem contestados. Neles, até o desejo acaba sendo imposto. Em entrevista a FAROFAFÁ, Costa exemplifica esse fato com a atual “cobrança” pelo consumo de álcool, onde a sociabilidade gira em torno de litros de bebidas.
“O que se bebe, quanto se bebe e com quem se bebe diz muito acerca do indivíduo. O forró não é responsável por isso, mas reforça.” Para o pesquisador, o consumo de bebidas se relaciona com a virilidade masculina, que, por sua vez, se vincula à reprodução do capital.
“Não reconheço grande valor estético (no forró eletrônico), mas considero um estilo musical que consegue, em ocasiões específicas, cumprir o papel de entreter”, afirmou. O pesquisador ouve todo tipo de música (samba-canção, samba-reggae, rock nacional dos anos 1980 e 1990, bolero, tango, entre outros), mas sua predileção é por nomes como Nelson Gonçalves e Altemar Dutra.
Para cobrir essa lacuna sobre o gênero que iria pesquisar, Costa entrevistou nomes como Cavaleiros do Forró, Calcinha de Menina, Balança Bebê e Forró Bagaço. O seu objetivo foi esquadrinhar desde uma das maiores bandas de forró eletrônico do Rio Grande do Norte até uma banda do interior que mal consegue fazer quatro apresentações por mês e cobra em torno de R$ 500 por show.
Entre os extremos de quem ganha muito e quem mal consegue sobreviver com o forró, o professor constatou que o sucesso é um elemento em comum, e algo difícil de ser obtido. Depende de substanciais investimentos financeiros e também do acaso – ter um hit pelas redes sociais ajuda. É por isso que Costa afirma que Aviões do Forró e um forrozeiro tecladista independente estão em lados completamente opostos, mas ainda têm algo basilar em comum: a indústria cultural.
É dentro desse contexto de consumo de massa de hits que nascem e morrem, diariamente, pelas rádios e carrinhos de CDs piratas, que prevalece o forrozão estilo “risca a faca” e “lapada na rachada”, para uma população semiformada (conceito adorniano de Halbbildung), explica Costa. Sobra pouco ou nenhum espaço para nomes consagrados do gênero.
Luiz Gonzaga, por exemplo, embora seja o símbolo maior do gênero e tratado com respeito pela maioria dos nordestinos, acaba sucumbindo a essa indústria cultural. “A competição é desigualmente assimétrica para o grande Lua. O assum preto gonzagueano, nesse sentido, bateu asas e voou.”
Costa diz não ser um pessimista ou só um crítico ferrenho do forró eletrônico. Tampouco que tem pouca esperança de que a música brasileira seja apenas uma eterna engrenagem da indústria cultural. Ao contrário, é dentro dela própria que ele vê saídas para o futuro da produção nacional. “Se vejo alguma possibilidade de mudança pode estar justamente nesses estúdios caseiros de gravação de CDs, nas bandas de garagem, no funk das periferias, no tecnobrega paraense. Não afirmo que a via é essa, mas que é um devir, uma possibilidade que pode não ir para além do sistema, mas minar algumas de suas bases”, concluiu.
http://farofafa.cartacapital.com.br/2013/09/02/musica-decadente-brasileira/
Assis Ribeiro
9 de outubro de 2013 11:52 amEfeito tucano. Bicadas
Katia Abreu diz que Marina seria um desastre
Segundo senadora recém-filiada ao PMDB, ex-ministra colaborou para que alguns preconceitos fossem construídos com relação ao produtor rural brasileiro como um destruidor do meio ambiente; “E não somos isso. Produzimos uma das maiores agriculturas do planeta em apenas 27% do território nacional”, afirma; ela diz torcer para que o presidenciável Eduardo Campos (PSB) pense de forma diferente
A líder ruralista no Congresso, senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), levantou a bandeira em oposição a Maria Silva. Em entrevista à Folha e ao UOL, ela disse ontem que seria “desastroso” o sucesso dela na eleição de 2014, ao lado de Eduardo Campos (PSB).
“Ela [Marina] fez um artigo na Folha dizendo o quanto o setor [do agronegócio] é retrógrado. Colaborou para que alguns preconceitos fossem construídos com relação ao produtor rural brasileiro como um destruidor do meio ambiente. E não somos isso. Produzimos uma das maiores agriculturas do planeta em apenas 27% do território nacional”, afirma a senadora, que disse torcer para que Campos pense de forma diferente.
Kátia Abreu se filiou recentemente ao PMDB, depois de ter passado dois anos no PSD, e tem sido uma interlocutora assídua de Dilma.
Em comparação com Lula, ela diz que “Dilma é uma gestora, ela tem mais ação”: “Nós tivemos a votação do Código Florestal. Tentamos durante oito anos do governo Lula. Não foi possível. Mas no governo da presidente Dilma, nos primeiros dois anos, nós conseguimos votar”.
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/117226/Katia-Abreu-diz-que-Marina-%C3%A9-desastre.htm
Gil
9 de outubro de 2013 11:59 amAdesão de Marina divide ruralistas
Adesão de Marina divide ruralistas e ameaça aproximação a Campos
A adesão da ex-senadora Marina Silva ao PSB dividiu a bancada ruralista, até então simpática à candidatura presidencial do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Enquanto alguns ficaram eufóricos com o fortalecimento da candidatura do pernambucano, a maioria viu com estranheza a filiação e considera que, a depender do papel de Marina no partido, os apoios do setor podem migrar para o senador Aécio Neves (PSDB-MG).
A reportagem é de Raphael Di Cunto e Tarso Veloso e publicada pelo jornal Valor, 09-10-2013.
Campos fazia, e ainda faz, gestos de aproximação com o setor do agronegócio. Tem tomado a iniciativa de ligar pessoalmente com parlamentares da bancada ruralista para conversar e convidar para reuniões, além de participar de encontros com associações da área. Há cerca de 40 dias pediu ao ex-deputado Odacir Zonta, um dos líderes das cooperativas do agronegócio, a elaboração de propostas para o setor.
O Valor apurou que entre os nomes sondados para colaborar com o texto estão os ex-ministros da Agricultura Francisco Turra, do governo Fernando Henrique Cardoso, e Roberto Rodrigues, do governo Lula. Turra está em viagem no exterior e negou ontem o contato e Rodrigues não foi encontrado até o fechamento desta edição.
Zonta, que é suplente pelo PP de Santa Catarina, foi um dos políticos que se filiaram ao PSB recentemente para concorrer na eleição de 2014. Campos também levou para o partido outro deputado ligado ao agronegócio, Alexandre Toledo, ex-secretário de Agricultura do Alagoas que tem pretensão de ser o candidato do partido ao governo do Estado. Eles terão que dividir espaço com dois deputados levados por Marina: Alfredo Sirkis (RJ), ex-PV, e Walter Feldman (SP).
Para Zonta, a aliança é normal e foi a grande jogada política deste ano. “Foi a consolidação da terceira via”, diz. Segundo ele, Campos tem apoio de 90% dos sindicatos de empresas e de trabalhadores rurais de Santa Catarina, resultado de um encontro no início de agosto em que o pernambucano fez um aceno em tema sensível ao setor: a demarcação de terras indígenas.
“Ele defendeu o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da demarcação da reserva Raposa da Serra do Sol, de que os índios têm direito sobre as terras que ocupavam até a promulgação da Constituição Federal em 1988 e de que não podem reivindicar terras que haviam deixado”, afirma Zonta, que recebeu ligações de Campos na segunda e terça-feira para reforçar o pedido de interlocução com o setor.
Ex-tucano, Toledo também defende a aliança do ex-governador com Marina. “O governo está sem rumo desde que a Dilma assumiu e ele se posicionou como alternativa. Tem dialogado com os diversos setores para construir um projeto para o país e com certeza vai manter a simpatia do agronegócio, tanto dos pequenos quanto dos grandes produtores”, afirma.
De fora do PSB, os apoios da bancada ruralista foram mais contidos. Presidente da Comissão da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional, o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) conversou com Campos na semana passada e diz que a filiação ainda tem que ser maturada. “O fato positivo é que esta aliança mexeu no tabuleiro da política. Não adianta nós gostarmos do Eduardo e ele não ter viabilidade eleitoral”, pontua.
Goergen reage ao que diz serem tentativas do PSDB de afastar o setor de Campos. “Não podemos entrar nesta disputa agora porque só fortalece o governo. Nosso problema não é só com a Marina. No Código Florestal e questões indígenas, Dilma também não nos apoiou”, afirma. Na segunda-feira, o ex-presidente Fernando Henrique declarou que, “baixada a poeira”, começariam a aparecer os problemas da aliança entre Campos e Marina.
Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que reúne cerca de 170 parlamentares, o deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS) afirma que Campos buscava estreitar relações com o grupo, mas que não sabe o impacto que essa aliança vai causar. “A ministra e hoje candidata Marina Silva tem um discurso radical em relação ao nosso setor. Seguramente, muitos colegas não vão aceitar essa posição.”
O deputado Valmir Colatto (PMDB-SC) lembra que a divergência é tão grande que Marina declarou publicamente que não aceitaria o apoio nem filiação de pessoas ligadas ao agronegócio no Rede Sustentabilidade, partido que tentava criar para disputar a eleição de 2014. “Tenho simpatia pelo Eduardo, mas ele vai perder muito apoio do setor”. Moreira Mendes (PSD-RO) vai mais longe. “Ouvi muitas críticas. Muita gente que estava se aproximando dele vai puxar o freio.”
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/524533-adesao-de-marina-divide-ruralistas-e-ameaca-aproximacao-a-campos
Vânia
9 de outubro de 2013 12:26 pmO que explica a sinceridade
O que explica a sinceridade desconcertante da ombudsman da Folha?
O jornalismo chapa branca, hoje, se pratica no interior das grandes empresas de jornalismo. Já escrevi sobre isso. Os jornalistas, lá, estão numa gaiola: só podem escrever o que os patrões querem que eles escrevam.
Isso quer dizer o seguinte: eles defendem os interesses particulares das empresas para as quais trabalham. Eles são, portanto, a voz do 1%.
Nunca foi tão claro isso. Compete aos jornalistas produzir, mecanicamente, textos, fotos, legendas, primeiras páginas e demais itens que compõem uma publicação. Mas não pensar. Não ter ideias.
As ideias são exclusividade dos donos. Os jornalistas não podem pensar diferente deles. Ou melhor: podem. Mas não podem transformar isso em reportagens, artigos, entrevistas etc.
Não é um trabalho exatamente excitante. É mais parecido com propaganda do que com jornalismo propriamente: você vende ao seu público, como se fosse sabonete, os interesses de um pequeno grupo que fez o Brasil ser o que é, a terra da desigualdade.
Quanto isso pode durar?
É verdade que a internet abre aos jornalistas uma nova possibilidade – defender coisas que vão além dos interesses do 1%.
Mas para quem está engaiolado nas corporações o prolongamento de uma situação em que pensar é proibido pode tornar a situação mais e mais exasperante.
Entendo que isso possa explicar, ao menos em parte, o desabafo franco – e talvez suicida – da ombudsman da Folha, Suzana Singer.
Ao comentar a cobertura de uma pesquisa sobre a situação dos brasileiros, ela se referiu ao tradicional “catastrofismo” da Folha.
Os destaques dados pela Folha foram, todos eles, negativos. As más notícias estavam longe de representar o conjunto. Isso significou que foi oferecido ao leitor um quadro distorcido.
O desafio de um editor é ajudar o leitor a entender o mundo. Uma das armas, para isso, é buscar uma visão de floresta sobre as coisas, e não se limitar a uma árvore ou outra.
A Folha fez o oposto. Se conheço a vida numa redação, os editores da reportagem sobre a pesquisa acharam que, pinçando as estatísticas ruins, estavam agradando a seus patrões.
O acúmulo deste tipo de expediente pode ter esgotado a paciência da ombudsman. Catastrofismo é uma acusação séria. É desvio de caráter numa publicação. Não é um problema ocasional. É um drama no dia a dia do jornal e, sobretudo, dos seus leitores.
Outro episódio que tinha me chamado a atenção, na mesma linha, foi uma surpreendente crítica de Ricardo Noblat no site do Globo a Joaquim Barbosa. Sempre tão obediente à linha de pensamento dos Marinhos, ali Noblat foi para o lado oposto.
Cansaço? Exaustão? Frustração? Alguma preocupação com a posteridade? Problemas de consciência?
Situações extremas não podem perdurar por muito tempo. O jornalismo chapa branca que se faz hoje nas redações brasileiras – um ofício em que você faz pouco mais que beijar as mãos dos donos – é a negação do real jornalismo.
A beleza do jornalismo é dar voz a quem não tem. O jornalismo brasileiro dá voz a quem tem o monopólio da voz.
Uma hora a gaiola fica incômoda demais, por maiores que sejam os salários.
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-sinceridade-desconcertante-e-talvez-suicida-da-ombudsman-da-folha/
Roberto São Paulo-SP 2013
9 de outubro de 2013 12:40 pmIPCA de setembro fica em 0,35%
IBGE—Comunicação Social—09 de outubro de 2013
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de setembro apresentou variação de 0,35% e ficou acima da taxa de 0,24% registrada no mês de agosto em 0,11 ponto percentual. Contando com setembro, a variação no ano foi para 3,79%, próxima a de igual período de 2012, quando havia se situado em 3,77%. Considerando os últimos 12 meses o índice ficou em 5,86%, abaixo dos 6,09% relativos aos 12 meses anteriores. Em setembro de 2012 a taxa havia ficado em 0,57%.
A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/inpc_ipca/defaultinpc.shtm.
Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, cinco mostraram resultados superiores aos verificados no mês anterior e quatro ficaram abaixo:
Foi o Transporte que, de agosto para setembro, apresentou a mais forte aceleração, passando de -0,06 % para 0,44%. Com isto, o impacto em setembro foi de 0,08 ponto percentual ao passo que, em agosto, havia ficado em -0,01 ponto, uma diferença de 0,09 ponto percentual. No topo dos principais impactos, as passagens aéreas se destacaram, com 0,08 ponto percentual tendo em vista a alta de 16,09%. Além disso, as tarifas dos ônibus urbanos se apresentaram estáveis, deixando o fim da queda no mês de agosto, cuja taxa foi de -0,20%. Por outro lado, o litro da gasolina caiu mais do que em agosto, passando de -0,15% para -0,42%, enquanto a variação de preços do litro de etanol foi de -1,16% em agosto para -0,72% em setembro.
Alimentação e Bebidas também subiu, passando de 0,01% em agosto para 0,14% em setembro já que os alimentos de consumo no domicílio saíram de -0,34% para -0,03%, configurando uma queda bem menos intensa de um mês para o outro. Os principais produtos em alta encontram-se a seguir, com destaque para o pão francês, que ficou 3,37% mais caro:
Quanto aos alimentos em queda no mês, o destaque ficou com o feijão carioca, que ficou 13,95% mais barato e exerceu o principal impacto para baixo, com -0,04 ponto percentual. Outros produtos também apresentaram queda, como é mostrado a seguir:
Em Habitação, que passou de 0,57% em agosto para 0,62% em setembro, a pressão foi exercida pelo gás de botijão (de 0,28% para 2,01%), aluguel residencial (de 0,74% para 0,80%) e artigos de limpeza (de 0,35% para 0,71%). Mesmo assim houve redução na taxa de itens com peso expressivo no orçamento das famílias, como condomínio (de 0,92% para 0,23%), mão de obra para pequenos reparos (de 1,08% para 0,60%) e energia elétrica (de 0,57% para 0,36%).
Os artigos de Vestuário também mostraram aceleração nos preços de agosto para setembro, saindo de 0,08% para 0,63%, com destaque para as roupas femininas (de -0,37% para 1,43%) e calçados (de -0,11% para 0,58%), enquanto o grupo Saúde e Cuidados Pessoais manteve o mesmo nível do mês anterior, com 0,45% em agosto e 0,46% em setembro.
Do lado dos grupos que apresentaram redução nas taxas em relação ao mês anterior, os itens mobiliário (que passou de 1,22% em agosto para -0,19% em setembro) e conserto de equipamentos domésticos (que foi de 1,16% para 0,84%) foram destaques nos Artigos de Residência (de 0,89% para 0,65%). Nas Despesas Pessoais (de 0,39% para 0,20%) sobressaíram os itens recreação (indo de 0,80% para -0,24%) e empregados domésticos (de 0,53% para 0,46%).
Dentre os índices regionais, o maior foi o de Brasília (0,70%), onde as passagens aéreas, com peso de 2,11% e variação de 17,68%, causaram impacto de 0,37 ponto percentual. O menor foi o índice de Salvador (0,03%) em virtude dos alimentos consumidos no domicílio, que apresentaram queda de 1,17%:
O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de um a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além de Brasília e do município de Goiânia. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 29 de agosto a 30 de setembro de 2013 (referência) com os preços vigentes no período de 30 de julho a 28 de agosto de 2013 (base).
INPC variou 0,27% em setembro
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentou variação de 0,27% em setembro, acima do resultado de 0,16% de agosto. Com isto, a variação no ano está em 3,61%, abaixo da taxa de 4,11% relativa a igual período de 2012. Considerando os últimos doze meses, o índice situou-se em 5,69%, abaixo dos 6,07% dos doze meses imediatamente anteriores. Em setembro de 2012 o INPC havia ficado em 0,63%.
Os produtos alimentícios apresentaram variação de 0,05% em setembro, enquanto os não alimentícios ficaram em 0,37%. Em agosto, os resultados foram -0,14% e 0,29%, respectivamente.
Dentre os índices regionais, o maior foi o de Porto Alegre (0,63%) onde os alimentos, apresentaram variação de 1,28%. O menor índice foi o de Salvador (-0,06%) em virtude da queda de 1,16% nos preços dos alimentos consumidos no domicílio:
O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979, se refere às famílias com rendimento monetário de um a cinco salários mínimos, sendo o chefe assalariado, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além de Brasília e do município de Goiânia. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 29 de agosto a 30 de setembro de 2013 (referência) com os preços vigentes no período de 30 de julho a 28 de agosto de 2013 (base).
Comunicação Social—-09 de outubro de 2013
URL:
http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=2485
Gil
9 de outubro de 2013 1:23 pmPara dobrar a renda per-capita em 15 anos
Para dobrar a renda per-capita em 15 anos
(Valor Econômico, 09/10/2013)
Publicado por jlcoreiro em Forum de Economia de São Paulo, Macroeconomia estruturalista do desenvolvimento, Opinião
Recentemente participei do 10º Fórum de Economia de São Paulo, cujo tema principal diz respeito à estratégia necessária para que o Brasil possa dobrar a sua renda per-capita em 15 anos. A taxa de crescimento da renda per capita requerida para tanto é 4,66% ao ano. Considerando que a população brasileira cresce anualmente em torno de 0,6%, o PIB terá que crescer a taxa de 5,26% ao ano durante todo esse período. Como nos últimos 20 anos (1992-2012) o crescimento médio da economia brasileira foi de 2,96% ao ano, para dobrar a renda per-capita brasileira num espaço tão curto de tempo seria necessário aumentar a taxa de crescimento do PIB em quase 80%.
Dado que a taxa de desemprego da força de trabalho se encontra atualmente em torno de 6%, número próximo a uma situação de pleno emprego, uma aceleração dessa magnitude na taxa de crescimento do PIB real só será possível por intermédio de um aumento significativo da produtividade do trabalho, o que exige um aumento bastante expressivo do investimento, dado que as novas tecnologias vêm, em geral, incorporadas em novas máquinas e equipamentos.
Tomando como base o modelo de crescimento Harrod-Domar, e supondo uma relação capital-produto igual a 3 e uma taxa de depreciação do capital fixo igual a 3,5% ao ano, a taxa de investimento requerida para dobrar a renda per-capita em 15 anos é de 26,28% do PIB.
Aumento de quase 80% do PIB só será possível com expressivo aumento da produtividade do trabalho
Quais são as políticas que podem ser adotadas para induzir um ritmo mais forte de acumulação de capital e, por conseguinte, um crescimento mais acelerado do PIB real?
Embora o lado da oferta da economia possa ser relevante em algumas situações para explicar as restrições ao crescimento de longo prazo, o autor deste artigo acredita que a restrição fundamental ao crescimento se encontra no lado da demanda da economia. Existem bons argumentos teóricos e fortes evidências empíricas a favor da hipótese de “demand-led growth”. Nesse contexto, a restrição ao crescimento de longo prazo é dada pela condição de equilíbrio do balanço de pagamentos a qual dá origem a assim chamada “lei de Thirwall”, segundo a qual a taxa de crescimento compatível com o equilíbrio de longo prazo do balanço de pagamentos é igual à razão entre a elasticidade-renda das exportações e a elasticidade- renda das importações, ambas multiplicadas pela taxa de crescimento da renda mundial.
Até recentemente a literatura de “demand-led growth” desconsiderava a existência de uma relação entre as elasticidades-renda e o nível de taxa real de câmbio. Contudo, os economistas ligados à macroeconomia estruturalista do desenvolvimento têm argumentado a favor da existência de uma relação entre o nível da taxa real de câmbio e as elasticidades- renda do modelo de Thirwall. Mais especificamente, argumenta-se que desvios da taxa real de câmbio com respeito ao nível de equilíbrio industrial resultam em mudanças perversas na estrutura produtiva do país (e no ritmo de acumulação de capital) e nas elasticidades-renda das exportações e das importações, as quais dão ensejo a uma redução da taxa de crescimento compatível com o equilíbrio no balanço de pagamentos.
A relação entre câmbio real e investimento foi corroborada com base num modelo de dados em painel, desenvolvido pelos pesquisadores do grupo de estudos de “Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento” do departamento de economia da UnB, Flavio Basilio e Gustavo Souza, para 30 setores da indústria de transformação e extrativa brasileira no período compreendido entre 1996 e 2007. Nesse modelo constatou-se que o (log da variação do) investimento em capital fixo por trabalhador é positivamente influenciado pela (log da variação da) taxa real efetiva de câmbio, negativamente influenciado pela (log da variação da) volatilidade da taxa real de câmbio, positivamente influenciado pelo (log da variação do) Q de Tobin, negativamente influenciado pelo (log da variação da) TJLP e negativamente influenciado pelo (log da variação do) custo unitário do trabalho. Outro resultado interessante do modelo econométrico é que a influência positiva do câmbio sobre o investimento por trabalhador não depende do grau de intensidade tecnológica do setor analisado, de maneira que o investimento de setores de média-alta intensidade tecnológica – como, por exemplo, fabricação de produtos químicos – também é negativamente afetada pela apreciação da taxa real de câmbio.
Os resultados do modelo econométrico mostram que, para aumentar de forma significativa o investimento em capital fixo, é urgente uma mudança na política cambial brasileira no sentido de permitir uma expressiva desvalorização da taxa real de câmbio, ao mesmo tempo em que se reduz consideravelmente a volatilidade cambial. Se tomarmos como base a relação taxa real efetiva de câmbio/salário prevalecente em maio de 2005, período no qual a indústria brasileira de transformação ainda não apresentava sinais de perda de competitividade, a sobrevalorização cambial existente hoje na economia brasileira é da ordem de 48%.
Dessa forma, é urgente que se discuta seriamente a adoção de um regime de “crawling peg” ativo no qual o Banco Central fixe uma taxa mensal de desvalorização do câmbio nominal de forma a eliminar essa sobrevalorização cambial num período de 2 a 3 anos. Para evitar movimentos especulativos no mercado de câmbio sugere-se também a adoção de controles temporários à saída de capitais do país, combinados com a regulação das operações de derivativos cambiais. Por fim, para reduzir o efeito inflacionário da desvalorização cambial é necessária a mudança do regime fiscal, com a adoção de um sistema de meta de poupança pública, de forma a se alcançar, a médio-prazo, uma poupança pública como proporção do PIB da ordem de 5%.
José Luis Oreiro é professor do Instituto de Economia da UFRJ e presidente da Associação Keynesiana Brasileira. [email protected].
http://jlcoreiro.wordpress.com/2013/10/09/para-dobrar-a-renda-per-capita-em-quinse-anos-valor-economico-09102013/
COMENTÁRIO:
Prezado Nassif, todos sabemos que o senhor é um severo crítico da valorização do Real, e sempre alertando sobre efeitos negativos da mesma em nossa economia, porém o texto do Professor José Luis Oreiro deixa claro um custo social enorme, conforme: “Por fim, para reduzir o efeito inflacionário da desvalorização cambial é necessária a mudança do regime fiscal, com a adoção de um sistema de meta de poupança pública, de forma a se alcançar, a médio-prazo, uma poupança pública como proporção do PIB da ordem de 5%”.
Gão
9 de outubro de 2013 9:26 pmFalou no diabo ?

Ele voltou! Serra começa campanha. Aécio que se cuide.
9 de outubro de 2013 | 16:34
Ontem, José Serra apareceu “de surpresa” numa visita de Geraldo Alckmin na zona leste de São Paulo.
Hoje, fez uma palestra para empresários gaúchos.
Voltou, e com seu velho estilo de desprezo por quem é fraco.
Chamou, de novo, o Mercosul de “bobagem”, reclamou de fazermos “fru-fru” com a Bolívia, “um exportador de coca” e, perguntado sobre um acordo comercial com a Palestina, debochou: ”Nem sei se (lá) tem economia”.
Mas o mais flagrante foi a resposta que deu à pergunta sobre se tentaria ser candidato.
Segundo a Folha – aliás cheia de matérias sobre ele – questionado sobre sua intenção de concorrer, “Serra citou o exemplo do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, que definiu sua candidatura meses antes da votação em 2007, para afirmar que não vê a necessidade de precipitação”.
Uma semana depois de se encolher pelos cantos do PSDB, desprezado e humilhado, Serra volta, de “dono do pedaço”.
Aécio, Aécio, falta de aviso não foi…
Por: Fernando Brito
http://tijolaco.com.br/index.php/ele-voltou-serra-comeca-campanha-aecio-que-se-cuide/
joao
9 de outubro de 2013 9:59 pmCâmara aprova texto da MP do Mais Médicos

O plenário da Câmara aprovou na madrugada desta quarta-feira, 09, o texto base do Programa Mais Médicos. A decisão, tomada pelos deputados depois de mais de sete horas de discussão, transfere para o Ministério da Saúde a responsabilidade pela concessão do registro a profissionais estrangeiros integrantes do programa, altera o formato da residência médica e modifica o internato feito pelos alunos da graduação.
O texto, no entanto, ainda pode ser modificado pela Casa. Ficou para depois da reabertura da Câmara a votação de mais de 15 destaques apresentados, com potencial para trazer uma série de alterações para o relatório aprovado na semana passada, de autoria do deputado Rogério Carvalho (PT-SE).
Em negociação com as lideranças ligadas às associações médicas, duas mudanças ficaram acertadas: o governo se comprometeu a incorporar no texto o compromisso de tomar iniciativa para formação de uma carreira de médicos – algo que atende, em parte, às reivindicações das associações de classe que, há mais de dois anos defendem a criação de uma carreira nacional.
Um dos fatores que mais pesaram na balança, no entanto, foi a promessa da retirada do capítulo V do relatório, que previa a criação de um fórum permanente para tratar de recursos humanos na área de saúde. O fórum era visto como uma ameaça pelas associações porque entre as atribuições do colegiado estava regular a certificação da atividade, tarefa que representa uma fonte de recursos para as entidades.
Um dos maiores adversários do programa, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto D´Ávila, aceitou o acordo. Ele disse se contentar com o compromisso de o governo de criar uma carreira para médicos do serviço público de saúde, dentro de três anos. Ao fim da votação, o deputado Ronaldo Caiado (Dem-Go) criticou a atitude do CFM. “Graças a essa conivência, a esse ato de covardia perdemos a votação. Médicos têm consciência que seu representante maior se entregou”, avaliou.
Além da transferência da competência do registro de estrangeiros do Mais Médicos, o texto prevê que ao menos 30% da carga horária do internato médico (que faz parte da graduação) seja feito na atenção básica e em serviço de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS).
Quando o texto completo for votado, ele será encaminhado para o plenário do Senado. A expectativa do governo é a de que o projeto de conversão seja aprovado pelas duas casas do Legislativo até diz 15. Depois segue para sanção da presidente.
Publicado em quarta-feira, 9 de outubro de 2013 às 01:30
http://www.dgabc.com.br/Noticia/487104/camara-aprova-texto-da-mp-do-programa-mais-medicos?referencia=mais-lidas-editoria
joao
9 de outubro de 2013 10:02 pmCâmara retoma votação da MP do Mais Médicos
A Câmara retomou na tarde desta quarta-feira, 9, a votação da Medida Provisória (MP) do ProgramaMais Médicos, cujo texto-base foi aprovado pelos deputados nesta madrugada. Os deputados discutem nesta tarde mais de dez destaques, que têm o potencial de modificar a redação da matéria.
Os parlamentares aprovaram o relatório elaborado pela comissão especial, que, entre outros pontos, transfere para o Ministério da Saúde a responsabilidade pela concessão do registro a profissionais estrangeiros integrantes do programa, altera o formato da residência médica e modifica o internato feito pelos alunos da graduação. A votação da última noite se arrastou por mais de sete horas e só foi concluída de madrugada por causa de uma forte obstrução do DEM e do PSD.
Nesta tarde, o PSD anunciou que abandona o bloqueio aos trabalhos, decisão que também foi tomada pelo DEM. Durante os debates desta terça-feira, que se iniciaram no meio da tarde, os congressistas críticos ao projeto acusaram o relatório do deputado Rogério Carvalho (PT-SE) de “desmontar” a Medicina do Brasil e disseram que a proposta tem propósito eleitoreiro.
Lançado em julho, o Mais Médicos, cujo objetivo é levar profissionais de saúde para áreas desassistidas do País, é tido como uma das principais bandeiras que o PT usará para tentar ganhar a eleição para governo de São Paulo em 2014. O provável candidato do partido é o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que trabalhou pela aprovação da proposta no Congresso.
http://www.dgabc.com.br/Noticia/487265/camara-retoma-votacao-da-mp-do-mais-medicos?referencia=minuto-a-minuto-topo
Ivan de Union
9 de outubro de 2013 10:07 pmPORQUE esse puteiro de
PORQUE esse puteiro de governo norte americano pensa que eu sou propriedade deles?