20 de junho de 2026

Mais dados das ligações de Veja com Carlinhos Cachoeira

Leitores me informam de artigo na Veja desancando o senador Demóstenes Torres por suas relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Não se deixa um aliado ferido no campo de batalha.

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O relatório da Polícia Federal sobre a Operação Monte Carlo – divulgado pelo Brasil247 – comprova o que já antevia no capítulo “O araponga e o repórter”, na série “O caso de Veja”. A revista manteve uma ligação estreita com Carlinhos Cachoeira que transcendia a mera reportagem pontual que ele poderia fornecer. O relatório da PF mostra que fontes-chave de diversas reportagens da revista eram assalariados de Cachoeira.

A parceria entre ambos foi fundamental para a manutenção de esquemas de corrupção nos Correios – da qual a gravação da propina de R$ 3 mil foi apenas um lance estratégico. Outros pontos levantados pela série mostraram que o jogo transcendia em muito a mera reportagem. Como o fato de diretor da revista supervisionar grampos montados por aliados de Cachoeira e aguardar semanas antes de divulgar a matéria.

Alertei várias vezes na época, na série, em entrevistas à rede Minas, em palestras disponíveis no Youtube, sobre os riscos desse envolvimento direto da revista com o mundo do crime. Aliás, a divulgação desse relatório deixa mais claro para mim a frase de Sidnei Basile, no almoço que tivemos e no qual ele me apresentou uma proposta (recusada) de acordo por parte de Roberto Civita: “Esse pessoal enlouqueceu de se envolver com algumas pessoas”.

Na época, julgava que se referia às ligações com Daniel Dantas. É mais provável que se referisse a esse relacionamento com Carlinhos Cachoeira.

Não se tratava de mera ação individual de repórteres. O elo visível da ação de Carlinhos na revista foi promovido pouco depois a diretor da sucursal de Brasilia.

Há inúmeros casos de advogados que se valem das prerrogativas da profissão para auxiliar clientes criminosos. E como fica quando publicações se valem dos princípios constitucionais da liberdade de imprensa para armações que beneficiam diretamente criminosos conhecidos, como Carlinhos Cachoeira? Valem-se do poder ilimitado de que dispõe, que não pode ser barrado nem pelo Judiciário – a não ser com penalidades pecuniárias que mal arranham seu orçamento; valem-se do fato da mídia brasileira não praticar a crítica entre jornais e de seu poder financeiro para judicializar as críticas. E recorrem a assassinatos de reputação para intimidar aqueles que ousam apontar para práticas criminosas.

A cada dia que passa, mais me convenço de que a série “O Caso de Veja” foi um serviço de utilidade pública. O jornalismo de Veja, nos últimos anos, somente pode ser explicado à luz desses fatos que começam a aparecer a conta-gotas e que Fabio Barbosa, a muito custo, tenta reverter.

Do Brasil247

Parceiro de Veja também caiu com Cachoeira

Parceiro de Veja também caiu com Cachoeira Foto: Divulgação

Araponga Jairo Martins, que gravou a fita de Maurício Marinho recebendo propina em 2005, no marco zero do Mensalão, e a entregou ao jornalista Policarpo Júnior, de Veja, foi pego na Operação Monte Carlo; fonte regular da revista, ele também recebia pagamentos mensais da quadrilha do bicheiro

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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